

Muricy Ramalho foi convidado para o lugar de Dunga e recusou. O cargo de técnico da Seleção Brasileira, ao que indicam as declarações dos principais profissionais do país, deixou de ser o emprego mais desejado dos treinadores brasileiros. Ricardo Teixeira, presidente da CBF há mais de 20 anos, já não engana mais ninguém. Ontem, Muricy deu o exemplo de que existem pessoas interessadas no futebol, que gostam do esporte, e não apenas pensam em dinheiro e no status de comandante da principal seleção do mundo (diz-se que Muricy receberia menos na Seleção do que seus rendimentos à frente do Fluminense, mas também poderia ganhar muito mais com a publicidade que seu cargo proporcionaria). Especula-se que o técnico tri-campeão brasileiro com o São Paulo não teria sentido o respaldo de Teixeira frente a possíveis resultados ruins em um início de trabalho, não tendo assim a garantia de que seria o técnico na Copa do Mundo daqui a quatro anos. Em vista disso, Muricy preferiu ficar no Tricolor das Laranjeiras, valorizando o bom trabalho feito até aqui e a sintonia com o grupo de jogadores e a torcida.
Agora, o presidente da CBF convidou Mano Menezes. O treinador corintiano pode até aceitar, como especula-se (ele dará a resposta em coletiva no sábado pela manhã, após o treino), mas não demonstra a empolgação que já teve ao falar do sonho de assumir o comando da seleção Canarinho. Depois deste tapa na cara que Teixeira levou, não me surpreenderia se Mano preferisse continuar como técnico do Corinthians, pois ser técnico da seleção ultimamente não tem sido um emprego dos mais fáceis. Basta ver todo o esforço que Dunga teve em resgatar o desejo dos atletas de vestirem a amarelinha e o que ele recebeu em troca - sendo hostilizado pela imprensa e pelos torcedores, além de ter sido completamente abandonado por Ricardo Teixeira, que fez marketing próprio no programa de Galvão Bueno no canal Sportv, se eximindo da culpa pela desclassificação e prometendo uma renovação. A exigência de que o Brasil tem que ganhar sempre e a cobrança sobrenatural que a imprensa do país exerce sobre o técnico da seleção pode estar assustando os profissionais sérios e mais competentes do cargo de treinador do Brasil.
É uma pena, pois Muricy é um ótimo técnico, talvez o melhor atualmente, mas finalmente alguém está dando um exemplo de amor ao esporte, de compromisso com a palavra e virando as costas para a badalação e para o dinheiro que a CBF proporciona, sem dar respaldo aos seus profissionais, tendo tornado a Seleção uma mina de dinheiro para enriquecimento e satisfação pessoal de seus comandantes, não dando a mínima para a população.
Olha só. Na verdade, eu acho que o Ricardo Teixeira está com uma idéia fixa de só convocar jogadores que atuam no Brasil ,para o amistoso nos Estados Unidos (até por que os do exterior estão de férias, e consequentemente fora de forma).
ResponderExcluirAcho que ele acabou olhando a tabela do Brasileirão, e convidando os técnicos, na ordem.
Eu acredito que existe uma dificuldade maior para o técnico da seleção. O Ricardo Teixeira deixou claro que não irá se iludir com os títulos da Copa América e Copa das Confederações, pois com o Parreira e o Dunga, o Brasil ganhou ambos e perdeu a Copa do Mundo. O que transparece é que ele tem um verdadeiro pavor de perder a Copa em casa, até por que perdeu a anterior, em 1950. Como o Brasil poderia perder duas copas em casa?
Assim, como os títulos que eu falei não contarão, qual o parâmetro que o treinador poderia contar, para balizar um suposto favoritismo?
Logo, entendo que o treinador vai estar em uma espécie de vazio, até 2014. A motivação e a confiança decorrente de um título não existirão, pela desautorização do presidente da CBF. Logo, a possibilidade de grande número de críticas antes da Copa será grande.
Resumindo, e não querendo ser tão prolixo, acredito que o Muricy e o Felipão não estavam muito motivados, por uma simples razão: acham que, no fundo, o treinador que assumir agora não estará no comando da seleção em 2014, pois a pressão será muito grande, para que alguém resista quatro anos.
Gosto muito das colunas do Tostão, e ele falou uma coisa interessante. Ele diz que é muito difícil uma seleção se manter no topo por vários anos (embora a Espanha seja uma exceção, pois unificou o título europeu e o Mundial), logo, o Brasil necessita estar bem, física, técnica e taticamente, em 2014. Ele escreve no jornal O Povo, de Fortaleza, e as colunas são disponíveis no site (ele também escreve na Folha de São Paulo, mas as colunas estão disponíveis apenas para assinantes).
Abração,
Gabriel.