A Holanda, vice-campeã Mundial, perdeu apenas um jogo nesta Copa: a final. Mas fez uma ótima competição: passou sem sustos por Dinamarca (2a1), Japão (1a0) e Camarões (2a1) na primeira fase, sem contar com Robben, que estreou no segundo tempo da partida contra os africanos. Nas oitavas, eliminou a Eslováquia, já contando com a (decisiva) participação do habilidoso camisa 11, autor do primeiro gol; a vitória de virada sobre o Brasil nas quartas deu confiança e status de favorita a Laranja; nas semifinais contra o Uruguai, assim como no jogo contra os brasileiros, a sorte ajudou: em um jogo difícil, Van Bronckhorst fez um golaço para abrir o caminho dos 3 a 2 e Sneijder contou com o desvio em dois zagueiros para fazer seu gol, em um momento em que os uruguaios eram melhor. E na grande final faltou o centroavante que a equipe não tem: Van Persie jogou improvisado durante todo o Mundial e ficou abaixo do que pode render; e na hora decisiva a bola caiu nos pés de Robben, que não tem o faro de gol dos grande artilheiros e sequer olhou para Casillas antes de chutar. A Holanda tem uma equipe razoável, que teve destaques: Stekelenburg fez ótimo Mundial, juntamente com a dupla de zaga (um tanto violenta, mas sem grandes falhas); os laterais e os volantes são apenas razoáveis, mas não compromoteram; Sneijder fez um grande Mundial, carregando o time quando Robben esteve bem marcando e Kuyt e Van Persie apenas fizeram número, sem serem decisivos na competição.
Os alemães encantaram o Mundo com uma seleção jovem e ousada. Com uma contra-ataque mortal, derrubaram inimigos fortes como Argentina e Inglaterra e sentiram demais a ausência de Müller nas semifinais. O terceiro lugar talvez tenha sido injusto; a semifinal contra a Espanha pode ser considerada uma final antecipada, em que os dois melhores times se enfrentaram. A primeira fase começou promissora: 4 a 0 nos australianos. Mas a derrota para a Sérvia e o magro 1 a 0 sobre Gana ofuscaram um pouco o brilho dos jovens alemães. No entanto, as duas goleadas sobre Inglaterra (4 a 1) e Argentina (4 a 0) deram status de favorito a Alemanha, que não conseguiu jogar contra a Espanha, completamente anulada pelos campeões mundiais. O terceiro lugar era mera formalidade, mas, mesmo assim, a equipe entrou disposta, atacou o segundo tempo inteiro e venceu os bravos uruguaios por 3 a 2. Neuer, a terceira opção para o gol, fez um belíssimo Mundial (vale lembrar que o titular até o final do ano passado, Enke, se matou e o seu reserva imediato, Adler, teve que operar uma fratura nas costelas, sendo cortado da competição em Maio); a dupla de zaga foi bem tanto pelo alto quanto por baixo (apesarem de serem durões); Lahm teve boas atuações, talvez sendo o melhor da posição; Khedira e Schweinsteiger formaram a melhor dupla de volantes (se é que podemos chamá-los assim) entre todas as que desfilaram pelos gramados sul-africanos; Ozil, Müller e Podolski infernizaram as defesas com sua rapidez e ousadia e Klose recuperou seu faro de gol, que andou em baixa na última temporada, para se tornar o segundo maior artilheiro da história das Copas, atrás apenas de Ronaldo.
E a Celeste? O que dizer dos uruguaios, que se classificaram apenas na repescagem, eliminando a Costa Rica? Bom, o Uruguai surpreendeu o mundo, com certeza. Após o 0 a 0 com a França, em que a equipe visivelmente entrou para não perder, Oscar Tabárez abandonou o 3-5-2, apostando em um 4-3-3, com Forlán voltando para armar o jogo. E assim derrubou África do Sul e México, garantindo vaga para o mata-mata. Nas oitavas, apesar dos sustos, venceu os sul-coreanos, em grande jornada de Suárez, autor dos 2 gols. E nas quartas de final, outra vez com participação decisiva de "Luizito" Suárez (autor da defesa que evitou o gol africano no último minuto da prorrogação), despachou os ganeses. As semifinais representaram o grande teste para a Celeste: enfrentar a Holanda, que tinha vencido todos os seus jogos nas eliminatórias e no Mundial também. Os uruguaios lutaram, saíram atrás do placar, correram, mas não conseguiram. Forlán estava extenuado fisicamente e com dores, o que certamente prejudicou a equipe, muito dependente do seu camisa 10. Na disputa de terceiro lugar, jogão contra a Alemanha, com direito a duas viradas e uma bola no travessão de Forlán no último instante. A equipe se destacou pelo conjunto e pela marcação, mas indivudalmente muitos jogadores foram bem: Muslera pegou muito, até a disputa do terceiro lugar (tudo bem, já não valia mais mesmo); Lugano e Godín (o melhor defensor do Mundial) formaram uma dupla segura, que contou ainda em muitos jogos com Victorino, ora substituindo um, ora substituindo o outro; Cáceres foi muito bem na lateral-esquerda, sendo uma pena não ter entrado antes; Arévalo Ríos e Diego Pérez se mataram na tentativa de anular os meias adversários e compensaram a dificuldade no passe com empenho redobrado; Forlán foi simplesmente o craque da Copa: bateu todas as faltas, armou as principais jogadas e ainda fez 5 gols; e Cavani e Suárez formaram uma ótima dupla de ataque, que deve estar presente no Brasil, daqui a 4 anos.
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