Grupo D: Gana fez uma ótima Copa. Com muitos jogadores que foram campeões do último mundial sub-20, vencendo o Brasil de Ganso e Giuliano na final, os africanos aliaram força na marcação e rapidez no contra-ataque para vencerem 2 jogos, empatarem 2 e perderem apenas para o Uruguai, ainda por cima nos penâltis. Os comandados de Milovan Rajevac, vice-campeões da última Copa das Nações, desperdiçaram de forma incrível a chance de irem às semifinais, com seu principal jogador, Gyan, perdendo um penâlti nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação. O resultado talvez tenha feito justiça a história da Celeste e seja um indício de que os africanos ainda não estão prontos para chegarem tão longe em um Mundial, mas estão evoluindo.
Sérvia me surpreendeu negativamente. Esperava que a equipe pudesse alcançar à segunda fase, em virtude dos bons valores individuais. Mas o penâlti infantil na derrota para Gana e a péssima atuação nos 3 a 2 sofridos para a Austrália acabaram por provar o contrário, ofuscando inclusive a boa atuação na vitória sobre os alemães. Já os australianos esbarraram em suas limitações e não conseguiram se recuperar do chocolate que levaram na primeira rodada de Müller, Özil e sua turma.
Grupo E: O Japão foi a grande surpresa deste grupo e talvez a maior da Copa. A seleção chegou à África do Sul como última cotada a passar de fase, visto que a Holanda era a cabeça-de-chave e a equipe mais forte, a Dinamarca se clasifficou direto - empurrando Portugal para a repescagem das Eliminatórias Europeias - e Camarões jogaria em casa, além de contar com o artilheiro Samuel Eto'o. Após derrotas nos amistosos pré-Copa, incluindo para seleções que participariam do Mundial, como Costa do Marfim e Sérvia, Takeshi Okada encaixou a equipe no 4-5-1, apostando na habilidade de Honda. E deu certo, tanto que a equipe só perdeu para o Paraguai nos penâltis. Os japoneses se despediram da Copa com 2 vitórias, uma derrota magra para a Holanda e outra nos penâltis para os paraguaios.
Já a Dinamarca chegou ao Mundial com a expectativa de ir bem, após ter feito boa campanha nas eliminatórias em um grupo que tinha Suécia e Portugal como adversários de peso. Mas as coisas não aconteceram como os nórdicos esperavam e a derrota para a Holanda complicou a classificação já na primeira rodada. Após a vitória sobre Camarões, combinada com o 1 a 0 dos holandeses sobre os japoneses, o destino dinamarquês seria definido em confronto direto contra os samurais, que levaram a melhor vencendo por 3 a 1. Os comandandos de Morten Olsen voltaram para casa e a última esperança da geração de Tomasson, Rommedahl, Gronkjaer e Jorgensen foi por água abaixo.
Samuel Eto'o era a grande esperança dos camaroneses na Copa. Após ótima temporada com a Inter de Milão, o camisa 9 dos Leões não conseguiu mostrar seu melhor futebol, em parte pela falta de qualidade dos companheiros, em parte pelo péssimo esquema do técnico Paul Le Guen, que o tornou "assistente de lateral-direito", em uma definição muito feliz do narrado Luiz Carlos Jr. A participação dos africanos no Mundial foi pífia, sendo que a equipe foi a primeira a ser eliminada da competição.
Grupo F: O Paraguai fez a sua melhor campanha na história dos Mundiais. Mas o grupo fraquíssimo, aliado a má fase da Itália e a vitória nos penâltis sobre o Japão exemplificam que essa equipe não jogou um grande futebol. A excelente atuação paraguaia veio no empate com os atuais campeões. A vitória sobre a Eslováquia e o 0 a 0 com a Nova Zelândia serviram para classificar a equipe, mas não empolgaram. Nas oitavas, em um jogo muito ruim, os Guaranis só conseguiram se classificar nos penâltis. E contra a Espanha, apesar da possibilidade de abrirem o placar na penalidade desperdiçada por Cardozo, a equipe foi inferior e fez jus à eliminação. Destaque para o setor defensivo, com o goleiro Justo Villar, os zagueiros Da Silva e Alcaraz, o lateral-esquerdo Morel e os volantes Victor Cáceres e Riveros. Já o ataque... Mesmo com bons nomes (Roque Santa Cruz, Lucas Barrios, Óscar Cardoso e Haedo Valdez) não conseguiu marcar sequer um dos míseros 3 anotados pela equipe (Alcaraz, Vera e Riveros foram os responsáveis pelas alegrias da torcida).
A Eslováquia eliminou a Itália da Copa. E só. Depois de empatar em 1 a 1 com a Nova Zelândia e de perder para o Paraguai a equipe fez 3 a 2 na Azurra e se classificou para pegar a Holanda nas oitavas, sendo eliminada com derrota por 2 a 1. Assim como o outro classificado do grupo, não mostrou um grande futebol, avançando à próxima fase mais por falhas dos adversários do que por méritos. Mas mostrou ao Mundo um bom centroavante: Vittek, autor de 4 gols em 4 jogos.
Os neo-zeolandeses, talvez antes do Mundial considerados a pior seleção da Copa, surpreenderam o mundo ao serem eliminados sem derrotas, marcando os mesmos 3 gols que os paraguaios marcaram, sendo que foram até as quartas de final. Ao menos defensivamente a equipe se portou bem, com destaque para o goleiro Pashton, que substitui tão bem o titular, suspenso das duas primeiras rodadas, que garantiu a titularidade para a terceira. Mas ainda é uma seleção muito longe das equipes nacionais medianas.
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