quarta-feira, 28 de julho de 2010

Apenas boas lembranças...



Inter e São Paulo fazem hoje, às 21h50min, o primeiro duelo pelas semifinais da Libertadores em Porto Alegre, no estádio beira-RIo. Pode ser considerado uma final antecipada, pois o vencedor irá enfrentar Chivas Guadalajara (MEX) ou Universidad de Chile (CHI), adversários de bom time, mas inferiores aos brasileiros (o primeiro jogo, no México, ocorreu nesta terça-feira e terminou empatado em 1 a 1). As duas equipes vivem momentos distintos no campeonato. Por que será?
O Inter trocou de técnico durante a parada para a Copa do Mundo. Saiu Jorge Fossati e entrou Celso Roth. O técnico gaúcho recebeu a equipe já nas semifinais da Libertadores, mas sem apresentar um futebol convincente na primeira metade do ano e tendo perdido o Gauchão para o seu maior rival. Curioso é que em 2009, quando era técnico do Grêmio, Celso foi demitido após três jogos pela primeira fase da Libertadores, dando lugar ao interino Marcelo Rospide, que esquentou o banco para a chegada de Paulo Autuori. Bom, voltando ao Colorado, Roth arrumou a equipe durante o recesso do Brasileirão e ainda ganhou os reforços de Tinga, Rafael Sóbis e Renan - destes, apenas o primeiro está fora do confronto, lesionado; os outros dois devem ficar no banco de reservas. Qual o segredo do técnico? Simplicidade. Roth parou com as invenções de Fossati, técnico bastante defensivista - para não dizer retranqueiro. 4-2-3-1 é o esquema, com um atacante jogando de meia e apenas dois volantes, ao contrário do treinador uruguaio que jogava com três zagueiros ou com três volantes. Aproveitando o que o Internacional tem de melhor no plantel, os meio-campistas, Roth ainda ganha o mérito por recuperar Taison, de desempenho muito fraco no primeiro semestre e que tem sido destaque nas quatro vitórias seguidas da equipe após a parada da Copa. E é no embalo dessas vitórias que o Colorado vai para o duelo da Libertadores sonhando repetir 2006, quando venceu o mesmo São Paulo na final do torneio, sagrando-se Campeão do Mundo no final daquele mesmo ano.
E o São Paulo? Qual o porquê da crise? Ricardo Gomes nunca foi uma unânimidade, seja entre os torcedores, a imprensa e até mesmo os jogadores, mas tem à disposição uma boa equipe, inclusive escalada sem grandes contestações pela torcida ou até mesmo pela imprensa. Por que então os paulistas perderam três jogos e empataram um após o recesso da Copa? Escrevi anteriormente que São Paulo, Grêmio, Botafogo e Santos tinham equipes arrumadas no primeiro semestre e não levaram a sério a pausa do Brasileirão, pois estavam confiantes e não treinaram variações táticas, novas opções. Além disso, soma-se uma suposta falta de motivação. Bom, sobre esse último aspecto, os torcedores são-paulinos podem ficar tranquilos: em um jogo de Libertadores, ainda por cima de semifinais, ninguém precisa ser motivado para entrar em campo. Agora, na parte tática e técnica, o Tricolor do Morumbi inegavelmente está em desvantagem. No entanto, vale lembrar: Libertadores exige, claro, uma boa equipe, mas, acima de tudo, entrega e dedicação dos jogadores. Assim, mesmo o Inter sendo favorito pelo momento e por jogar em casa, não vamos achar que a parada está definida.
E sobre os fatos curiosos que envolvem a partida - irmãos de lados opostos (Alecsandro e Richarlyson), jogadores que estavam no Colorado em 2006 e voltaram agora (Sóbis e Tinga, por exemplo), Fernandão no Tricolor do Morumbi (um dos carrascos daquela final há quatro anos atrás)... -, são do futebol e só servem de alento para o torcedor supersticioso, nada além disso.

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