
Neste final de semana, além do título da Liga Mundial de Vôlei conquistado pela seleção de Bernardinho outro assunto ocupou as manchetes dos principais veículos do país e acredito que mereça uma reflexão: a entregada de Felipe Massa, que deixou o seu companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, ultrapassá-lo após 49 voltas na liderança do GP de Hockenheim (Alemanha).
Não tenho acompanhado muito a fórmula-1 ultimamente, mas gostaria de dividir com os amigos uma análise muito interessante feita pelo jornalista Juca Kfouri no canal ESPN Brasil. Ele disse que fórmula-1 não é esporte; pode ser uma disputa de marcas e, se for isso, a manobra da Ferrari foi um grande tiro no pé, pois mancha a credibilidade da categoria (se é que ainda há alguma após o escândalo do ano passado em que Flavio Briatore teria premeditado um acidente sofrido por Nelsinho Piquet). Paulo Calçade, outro profissional do mesmo canal, complementou lembrando que existem pessoas que apostam dinheiro nos vencedores das corridas. Imagine como está se sentindo alguém que iria ganhar uma grana com a vitória do Felipe Massa e acabou perdendo tudo.
Independentemente de qualquer discussão sobre considerar a fórmula-1 esporte ou não, o que vale aqui é a análise da conduta dos pilotos. O próprio Felipe Massa falou que deixou Alonso passar, pois está muito distante dos líderes. No entanto, ainda faltam oito grandes prêmios e, além disso, outra questão vai contra os argumentos do brasileiro: será que o espanhol teria feito o mesmo por ele? Agora que a corrida acabou e depois de toda a repercussão que a sua manobra causou é mais fácil pensar em uma desculpa, até mesmo para seu ego ficar menos ferido. Mas para quem acompanha o automobilismo o sentimento deve ser de vergonha e indignação: vergonha porque mais uma vez um piloto brasileiro entrega uma vitória (Rubinho já havia feito isso entregando a vitória a Schumacher quando ambos eram da Ferrari, assim como são Massa e Alonso atualmente) e indignação porque quem gosta e acompanha um esporte odeia manipulação, seja no futebol, vôlei, basquete ou qualquer outra modalidade.
Assim, mais uma vez o esporte foi manchado pelo desrespeito ao seu princípio básico, o de que deve vencer aquele que foi melhor. Mesmo não sendo um grande amante do automobilismo é possível imaginar que um fã da categoria está tão desapontado como um apaixonado pelo futebol ficou com os escandâlos de manipulação de resultados no Brasileirão de 2005, para ficar só em um exemplo. É uma pena e nós temos que torcer para que a manipulação de resultados não se torne algo comum no dia a dia do esporte.
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