sábado, 31 de julho de 2010

Sábado de novo líder e boas arbitragens


Neste sábado ocorreram três jogos pela 12ª rodada da Série A do Brasileirão: o Fluminense venceu o Atlético-PR, 3 a 1, no Maracanã, e é o novo líder do campeonato; em Goiânia, Atlético-GO e Guarani ficaram no 1 a 1 e o São Paulo, jogando em casa, bateu o Ceará por 2 a 1.
Destaque também para as boas arbitragens: Evandro Rogério Roman (PR/FIFA) no jogo do Morumbi, Carlos Eugênio Simon (RS/FIFA) na partida do Rio de Janeiro e Leandro Vuaden (RS/FIFA) no Serra Dourada tiveram excelentes atuações. Infelizmente, a arbitragem no Brasil é muito criticada (na grande maioria das vezes, é merecedora desses comentários) e, por isso, o que era para ser normal (boas atuações) acaba merecendo um elogio. Os três árbitros fizeram aquilo que todos deveriam fazer: o simples. O juiz está ali para marcar as infrações, nem mais, nem menos. Nada de querer aparecer, de fazer caretas e gestos espalhafotosos; os três apitaram com tranquilidade, não marcaram faltas bobas (essas que o jogador protege em cima da linha de fundo e cai por cima da bola quando alguém chega perto), conversaram com os atletas antes de advertirem com cartão, enfim, atuações muito perto da perfeição. Talvez o bandeirinha de São Paulo e Ceará não tenha visto o impedimento de Ricardo Oliveira (eu não tenho certeza se aconteceu, não li nada na impressa, mas fiquei com essa dúvida). Fora isso, o balanço da arbitragem nesse sábado foi muito positivo. Sobre os jogos:

São Paulo vence e ganha fôlego para a Libertadores
No Morumbi, o time de Ricardo Gomes teve uma atuação razoável, mas o mais importante era a vitória e a retomada da confiança dos jogadores. O Ceará tem um bom time, uma defesa muito ajustada, mas ataca pouco. Na volta do intervalo, quando o jogo ainda estava 0 a 0, o treinador são-paulino tirou um defensor e colocou Fernandão para fazer companhia a Ricardo Oliveira no ataque, deixando o meio-campo com Hernanes, C. Santana, Marlos e Fernandinho. Foi corajoso e fez um teste para o confronto contra o Inter, apesar de ninguém acreditar que o Colorado vai se fechar tanto quanto o Vozão se fechou, mas foi uma boa ideia. Fernandão e Ricardo Oliveira abriram 2 a 0 aos 20 e aos 22 da segunda etapa, respectivamente; Erick Flores descontou para o Ceará.

Na volta de Washington, dois gols e a liderança
O Coração Valente voltou com tudo. Em jogo complicado, Washington fez dois gols e ajudou o Flu a bater o Atlético-PR. Muricy mostrou que tem uma equipe muito bem armada, que joga esperando o adversário. Os paranaenses pareciam dominar a partida, tendo a bola no campo de frente, quando, de repente, um contra-ataque fulminante resulta em gol de Washington, aos 21min do 1º tempo. Após o intervalo, Carpegiani abriu o time: tirou um zagueiro e colocou Maikon Leite, atacante rápido e habilidoso, e substituiu o lateral-direito pelo centroavante Alex Mineiro. Resultado: mais dois contragolpes e dois gols, de Émerson e Washington (o centroavante marcou em duas assistências de Conca, outro que teve grande atuação). No fim do jogo, Bruno Mineiro diminuiu.

No Serra Dourada, jogo fraco e empate sem graça
Se engana quem achou que o sábado só teve bons jogos. Em uma partida de dois times que certamente se encontram entre os piores da Série A, Atlético-GO e Guarani ficaram num insosso 1 a 1. O Bugre até está bem colocado, é o 10º, mas ainda não venceu em 5 jogos desde a volta após a pausa da Copa e precisa se reforçar. Já o Atlético-GO vai passar mais uma rodada na lanterna. As duas equipes erraram muito e protagonizaram lances horrorosos, como uma cobrança de falta do meio-campo de Fabão que quase saiu pela lateral. Resultado justo para o péssimo futebol apresentado. Rodrigo Tiuí abriu o marcador para os goianos e Mazola empatou para o time de Campinas.

Não percam amanhã os clássicos: às 16h tem Inter x Grêmio e Palmeiras x Corinthians e às 18h30 tem Atlético-MG x Cruzeiro e Flamengo x Vasco.
Até breve!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Brasileirão em sua rodada de clássicos

A 12ª rodada da Série A do Brasileirão tem início neste sábado com três jogos: o lanterna Atlético-GO recebe o Guarani em jogo de dois times desesperados pela vitória; o Ceará vai ao Morumbi enfrentar o São Paulo, que tenta ganhar um gás para a partida de volta das semifinais da Libertadores, na quinta-feira, contra o Inter; e o Fluminense duela com o Atlético-PR no Maracanã tentando chegar a liderança do campeonato. Mas é no domingo que ocorrem os clássicos da rodada. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul vão parar para acompanhar as disputas regionais entre Palmeiras x Corinthians, Atlético-MG x Cruzeiro, Flamengo x Vasco e Inter x Grêmio. Completam a rodada Avaí x Goiás, Vitória x Botafogo e Prudente x Santos (apesar de ser uma disputa regional, não tem o peso de um clássico).

Felipão x Adílson: duelo dos Xerifes
No Pacaembú, tradicional casa do Corinthians, o Palmeiras é quem tem o mando de campo e tentará fazer prevalecer a força da sua torcida. Os comandados de Luís Felipe Scolari fazem uma campanha vacilante e venceram apenas um dos quatro jogos que disputaram após a pausa da Copa. Já Adílson Batista estreia no comando do Timão tentando ocupar o vazio deixado por Mano Menezes como ídolo do torcedor corintiano. Jogo que promete, apesar das modestas atuações do Verdão até aqui sob o comando de Felipão e que vale também para Adílson mostrar como o Corinthians jogará daqui para a frente. O time do Parque São Jorge lidera o campeonato, enquanto o Verdão é o 10º.

Clássico só para atleticano ver
Em Sete Lagoas, na Arena do Jacaré, o Atlético-MG recebe o Cruzeiro em clássico inusitado: neste Brasileirão, por motivo de segurança, apenas a torcida da equipe mandante - no caso, a do Galo - terá direito a assistir ao jogo. Luxemburgo faz mistério, pois sabe que precisa da vitória a qualquer custo para sair da zona de rebaixamento e conta com o entrosamento cada vez melhor da sua dupla de homônimos Diego Souza e Diego Tardelli. Pelo lado azul, os jogadores lamentam a ausência da torcida, mas esperam estragar a festa do rival. Gilberto, que se recupera de lesão, pode ser a surpresa de Cuca para o duelo. Os atleticanos ocupam a 19ª colocação e os cruzeirenses são o 6º.

Recém chegados em ação no Maracanã
Flamengo e Vasco se enfrentam neste domingo com dois times em formação. O Rubro-negro perdeu atletas importantes - Bruno, Adriano e Vágner Love - e está com o time em fase de ajustes: Jean, Correa, Borja e Val Baiano, contratados recentemente, devem ser titulares. Pelo lado Cruzmaltino, PC Gusmão poderá utilizar pela primeira vez as últimas aquisições do clube: Irrazábal, Felipe e Zé Roberto devem começar jogando, mas Carlos Alberto e Éder Luís também estão à disposição. Um fato curioso da partida envolve a tabela: o Vasco, 14º colocado, pode ultrapassar o Flamengo, 7º, com uma vitória por dois gols de diferença.

Gre-Nal dos opostos
Vivendo momentos completamente distintos, Internacional e Grêmio se enfrentam no Beira-Rio, às 16h. O Colorado vem embalado pelas cinco vitórias consecutivas após o recesso da Copa (quatro pelo Brasileirão e uma pela Libertadores) e pode poupar alguns jogadores visando o duelo com o São Paulo, na quinta-feira. Renan e Rafael Sóbis, para pegarem ritmo de jogo, são os dois jogadores "mais confirmados" pelo técnico Celso Roth, que primeiramente havia divulgado a escalação de "atletas que não vinham jogando", mas voltou atrás. Tinga, ainda se recuperando de lesão, deve desfalcar a equipe. Do lado Tricolor, o técnico Silas deve repetir a equipe que empatou com o Cruzeiro. O esquema deve ser o 3-5-2, apesar dos retornos dos laterais Edílson (direito), Neuton e Fábio Santos (esquerdo). No meio-campo, a dúvida é pela recuperação de Fábio Rochemback, substituído ainda no primeiro tempo em Minas por contusão. Ferdinando e William Magrão são as opções. A boa notícia para a torcida gremista é o retorno do meia Souza, que se machucou em um Gre-Nal no dia 31 de janeiro - ele deve ficar à disposição no banco de reservas. O Inter ocupa atualmente o G-4 (4º) e o Grêmio a zona de rebaixamento (18º).

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Vem mais por aí...

Acabaram há poucos minutos os dois duelos da quarta-feira: em Porto Alegre, valendo vaga à final da Libertadores, o Inter venceu o São Paulo por 1 a 0, gol de Giuliano; em Santos, o time da casa fez 2 a 0 no Vitória com Neymar e Marquinhos. Um detalhe importante em ambos os jogos foi que os mandantes venceram sem levar gols.
Não consegui acompanhar as duas partidas, vendo na maior parte do tempo o confronto entre Internacional e São Paulo. Não foi surpresa a postura defensiva da equipe paulista, que atravessa uma fase ruim e está completamente sem confiança. Apenas uma vez na partida inteira o Tricolor ambicionou a vitória (em jogada de Hernanes pelo lado direito). Já o Inter buscou o gol o tempo inteiro, mas sem se desesperar e sempre muito seguro atrás, sabendo que um gol sofrido em casa complicaria muito a sua vida. E, no segundo tempo, o São Paulo pagou pela sua total falta de ambição: em um lance meio sequer, a bola espirrou para Giuliano que virou e fez o gol da vitória colorada. Na próxima quinta-feira, no Morumbi, o São Paulo, que tem um bom time, vai precisar jogar se quiser se classificar, e o Internacional não deve repetir o que os paulistas fizeram no Sul, pois corre o risco de pagar o preço da eliminação. A partida de hoje foi boa apenas, mas a da próxima semana promete ser muito melhor, pois é de vida ou morte. Vale lembrar ainda que as duas equipes têm jogos importantes pelo Brasileirão, que podem abalar ou fortalecer as estruturas: o Inter tem um Gre-Nal em casa, deve poupar titulares, mas sabe que uma vitória lhe daria ainda mais moral para o jogo da Libertadores; já o São Paulo enfrenta o Ceará, no Morumbi, precisando de uma vitória a qualquer preço para retomar a confiança e embalar, nem que seja um poquinho, para receber o Colorado no jogo da volta.
Em Santos, os meninos da Vila desperdiçaram muitas chances, mas bateram o Vitória por 2 a 0. Destaque para o penâlti de Neymar, à lá Loco Abreu e Zidane, defendido pelo bom goleiro baiano Lee. Para o Leão, era interessante voltar da Vila Belmiro sem ser goleado, pois o rubro-negro sabe da sua força em casa. Já para o Peixe, o resultado de 2 a 0 foi bom por não ter sofrido gol em casa, mas poderia ter sido muito melhor: primeiro, pela dificuldade que será jogar fora de casa e, segundo, pelas inúmeras chances desperdiçadas. Vantagem para o Santos, mas não existe jogo jogado no futebol e tudo pode acontecer na quarta-feira que vem no Barradão, em Salvador.
(Nota: o penâlti perdido por Neymar só reforça a tese dos que acreditam que ele ainda não fez nada para ir para a Seleção Brasileira, como eu acredito; é um bom jogador, mas é muito imaturo e acha que já é um craque; nada contra driblar, comemorar os gols com alegria, isso eu sou a favor; agora, ele é um jogador que adora aparecer; que apareça pelo bom futebol, não por firulas ou por um cabelo estiloso.)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Apenas boas lembranças...



Inter e São Paulo fazem hoje, às 21h50min, o primeiro duelo pelas semifinais da Libertadores em Porto Alegre, no estádio beira-RIo. Pode ser considerado uma final antecipada, pois o vencedor irá enfrentar Chivas Guadalajara (MEX) ou Universidad de Chile (CHI), adversários de bom time, mas inferiores aos brasileiros (o primeiro jogo, no México, ocorreu nesta terça-feira e terminou empatado em 1 a 1). As duas equipes vivem momentos distintos no campeonato. Por que será?
O Inter trocou de técnico durante a parada para a Copa do Mundo. Saiu Jorge Fossati e entrou Celso Roth. O técnico gaúcho recebeu a equipe já nas semifinais da Libertadores, mas sem apresentar um futebol convincente na primeira metade do ano e tendo perdido o Gauchão para o seu maior rival. Curioso é que em 2009, quando era técnico do Grêmio, Celso foi demitido após três jogos pela primeira fase da Libertadores, dando lugar ao interino Marcelo Rospide, que esquentou o banco para a chegada de Paulo Autuori. Bom, voltando ao Colorado, Roth arrumou a equipe durante o recesso do Brasileirão e ainda ganhou os reforços de Tinga, Rafael Sóbis e Renan - destes, apenas o primeiro está fora do confronto, lesionado; os outros dois devem ficar no banco de reservas. Qual o segredo do técnico? Simplicidade. Roth parou com as invenções de Fossati, técnico bastante defensivista - para não dizer retranqueiro. 4-2-3-1 é o esquema, com um atacante jogando de meia e apenas dois volantes, ao contrário do treinador uruguaio que jogava com três zagueiros ou com três volantes. Aproveitando o que o Internacional tem de melhor no plantel, os meio-campistas, Roth ainda ganha o mérito por recuperar Taison, de desempenho muito fraco no primeiro semestre e que tem sido destaque nas quatro vitórias seguidas da equipe após a parada da Copa. E é no embalo dessas vitórias que o Colorado vai para o duelo da Libertadores sonhando repetir 2006, quando venceu o mesmo São Paulo na final do torneio, sagrando-se Campeão do Mundo no final daquele mesmo ano.
E o São Paulo? Qual o porquê da crise? Ricardo Gomes nunca foi uma unânimidade, seja entre os torcedores, a imprensa e até mesmo os jogadores, mas tem à disposição uma boa equipe, inclusive escalada sem grandes contestações pela torcida ou até mesmo pela imprensa. Por que então os paulistas perderam três jogos e empataram um após o recesso da Copa? Escrevi anteriormente que São Paulo, Grêmio, Botafogo e Santos tinham equipes arrumadas no primeiro semestre e não levaram a sério a pausa do Brasileirão, pois estavam confiantes e não treinaram variações táticas, novas opções. Além disso, soma-se uma suposta falta de motivação. Bom, sobre esse último aspecto, os torcedores são-paulinos podem ficar tranquilos: em um jogo de Libertadores, ainda por cima de semifinais, ninguém precisa ser motivado para entrar em campo. Agora, na parte tática e técnica, o Tricolor do Morumbi inegavelmente está em desvantagem. No entanto, vale lembrar: Libertadores exige, claro, uma boa equipe, mas, acima de tudo, entrega e dedicação dos jogadores. Assim, mesmo o Inter sendo favorito pelo momento e por jogar em casa, não vamos achar que a parada está definida.
E sobre os fatos curiosos que envolvem a partida - irmãos de lados opostos (Alecsandro e Richarlyson), jogadores que estavam no Colorado em 2006 e voltaram agora (Sóbis e Tinga, por exemplo), Fernandão no Tricolor do Morumbi (um dos carrascos daquela final há quatro anos atrás)... -, são do futebol e só servem de alento para o torcedor supersticioso, nada além disso.

Duelo Animal!



Hoje à noite, mais precisamente às 21h50, será dado o pontapé inicial para a final da Copa do Brasil entre Santos e Vitória, na Vila Belmiro, em Santos (SP). Vamos relembrar como as equipes chegaram até aqui.
O Vitória começou a sua campanha na Copa do Brasil levando 3 a 1 do Corinthians... de Alagoas. Péssimo início, mas no jogo de volta, no Barradão, começou aquilo que marcaria a campanha da equipe baiana até aqui: as goleadas em casa (o time alagoano levou de 4 a 0). Na segunda fase, vitórias sobre o Naútico por 1 a 0, nos Aflitos (PE), e 5 a 0, em Salvador. Nas oitavas de final, um adversário de primeira divisão - o Goiás: 4 a 0 no Barradão e 2 a 2 no jogo de volta. Vieram as quartas de final contra o Vasco, favorito para o duelo; após a vitória por 2 a 0 em casa, o Vitória foi ao Rio de Janeiro sabendo que a parada seria dura. Os vascaínos abriram o marcador cedo, os baianos empataram de penâlti, em lance que ainda gerou a expulsão de um jogador carioca; na segunda etapa, dois gols do Vasco, dois atletas expulsos do Vitória e muita emoção até o apito final e a comemoração do Leão, semifinalista da Copa do Brasil, fase em que enfrentou e eliminou outra equipe de Série A, o Atlético-GO - vitória dos goianos por 1 a 0 no Serra Dourada e goleada baiana por 4 a 0 no Barradão. Não vamos nos iludir achando que o campeonato já está decidido: o Vitória é muito forte em casa e acredito que se voltar vivo de Santos, ou seja, sem levar uma diferença muito grande de gols, pode sim vencer em casa, até por um placar elástico, e se sagrar o campeão.
O Santos encantou o país no primeiro semestre. Os meninos da vila ganharam o Paulistão com méritos, apesar das dificuldades nos jogos finais. Na Copa do Brasil, o Peixe estreou contra o Naviraiense (MS) vencendo por 1 a 0, tendo assim que jogar a partida de volta. E, claro, venceu: 10 a 0, isso mesmo, o maior placar da competição neste ano. Na segunda fase, 4 a 0 sobre o Remo (PA), agora sim eliminando o jogo de volta. Nas oitavas de final, um adversário de Série A, o Guarani, mas que jogava com uma equipe de Série B do Campeonato Paulista (competição que o Bugre disputava). Resultado: 8 a 1 para o Santos na Vila Belmiro, que se deu ao luxo de colocar reservas no confronto de volta em Campinas, perdendo assim por 3 a 2. O adversário das quartas de final foi o Atlético-MG, em dois grandes jogos: 3 a 2 para o Galo no Mineirão e 3 a 1 para o Peixe na Vila. Nas semifinais, o Grêmio: após um grande primeiro tempo no Olímpico, em que chegou a abrir 2 a 0, os meninos cochilaram, cederam a virada e perderam por 4 a 3. Mas foram em vantagem para Santos, onde precisavam de um simples 1 a 0. Após um bom primeiro tempo dos gaúchos, que seguravam o empate sem gols, Ganso abriu o caminho para a vitória por 3 a 1 que garantiu o Peixe na decisão da Copa do Brasil. Apesar de não ter retornado bem após a Copa do Mundo, acumulando três derrotas e uma vitória, os meninos vão embalados pela convocação do seu quarteto de ataque: Ganso, Robinho, Neymar e André.
O jogo promete, pois o Vitória está confiante, tem bons resultados e está invicto no Brasileirão após a parada do Mundial da África do Sul e o Santos deve a qualquer momento recuperar o bom futebol do primeiro semestre. Logo mais veremos quem sai na frente nessa luta por uma vaga à próxima Libertadores: o Leão ou o Peixe.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O melhor vence?


Neste final de semana, além do título da Liga Mundial de Vôlei conquistado pela seleção de Bernardinho outro assunto ocupou as manchetes dos principais veículos do país e acredito que mereça uma reflexão: a entregada de Felipe Massa, que deixou o seu companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, ultrapassá-lo após 49 voltas na liderança do GP de Hockenheim (Alemanha).
Não tenho acompanhado muito a fórmula-1 ultimamente, mas gostaria de dividir com os amigos uma análise muito interessante feita pelo jornalista Juca Kfouri no canal ESPN Brasil. Ele disse que fórmula-1 não é esporte; pode ser uma disputa de marcas e, se for isso, a manobra da Ferrari foi um grande tiro no pé, pois mancha a credibilidade da categoria (se é que ainda há alguma após o escândalo do ano passado em que Flavio Briatore teria premeditado um acidente sofrido por Nelsinho Piquet). Paulo Calçade, outro profissional do mesmo canal, complementou lembrando que existem pessoas que apostam dinheiro nos vencedores das corridas. Imagine como está se sentindo alguém que iria ganhar uma grana com a vitória do Felipe Massa e acabou perdendo tudo.
Independentemente de qualquer discussão sobre considerar a fórmula-1 esporte ou não, o que vale aqui é a análise da conduta dos pilotos. O próprio Felipe Massa falou que deixou Alonso passar, pois está muito distante dos líderes. No entanto, ainda faltam oito grandes prêmios e, além disso, outra questão vai contra os argumentos do brasileiro: será que o espanhol teria feito o mesmo por ele? Agora que a corrida acabou e depois de toda a repercussão que a sua manobra causou é mais fácil pensar em uma desculpa, até mesmo para seu ego ficar menos ferido. Mas para quem acompanha o automobilismo o sentimento deve ser de vergonha e indignação: vergonha porque mais uma vez um piloto brasileiro entrega uma vitória (Rubinho já havia feito isso entregando a vitória a Schumacher quando ambos eram da Ferrari, assim como são Massa e Alonso atualmente) e indignação porque quem gosta e acompanha um esporte odeia manipulação, seja no futebol, vôlei, basquete ou qualquer outra modalidade.
Assim, mais uma vez o esporte foi manchado pelo desrespeito ao seu princípio básico, o de que deve vencer aquele que foi melhor. Mesmo não sendo um grande amante do automobilismo é possível imaginar que um fã da categoria está tão desapontado como um apaixonado pelo futebol ficou com os escandâlos de manipulação de resultados no Brasileirão de 2005, para ficar só em um exemplo. É uma pena e nós temos que torcer para que a manipulação de resultados não se torne algo comum no dia a dia do esporte.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A 1ª vez a gente nunca esquece!

Saiu a primeira convocação de Mano Menezes no comando da Seleção Brasileira. Eis a lista:
Goleiros: Victor (Grêmio), Jéfferson (Botafogo) e Renan (Avaí);
Laterais-direito: Dani Alves (Barcelona) e Rafael (Manchester United);
Zagueiros: Henrique (Barcelona), Réver (Atlético-MG), Thiago Silva (Milan) e David Luiz (Benfica);
Laterais-esquerdo: Marcelo (Real Madrid) e André Santos (Fenerbahçe);
Volantes: Sandro (Inter), Jucilei (Corinthians), Lucas (Liverpool) e Hernanes (Volante);
Meias: Éderson (Lyon), Carlos Eduardo (Hoffenheim), Ganso (Santos) e Ramires (Benfica);
Atacantes: Robinho, Neymar e André (Santos), Pato (Milan), Diego Tardelli (Atlético-MG).
Bom, o que dizer da lista? Primeiramente, vale lembrar que é só uma primeira lista para um amistoso. Não nos apavoremos. Júlio César deve ser o goleiro por mais algum tempo, quem sabe até na Copa daqui a quatro anos. Justas as convocações de Jéfferson e Renan, goleiros que fazem ótima temporada. Victor, do Grêmio, não está em um bom ano, mas talvez tenha sido lembrado por aquilo que fez nos últimos três anos. Entretanto, seleção é momento, e talvez outro goleiro merecesse uma chance, como Diego Alves, do Almería (ESP), ou Fábio, do Cruzeiro, arqueiro que considero hoje o melhor do país.
Na lateral-direita duas boas opções, lembrando que Maicon ainda pode ser convocado por mais algum tempo; já na esquerda, não tenho acompanhado o futebol de André Santos, mas é um jogador marcado por confusões fora dos gramados, motivo que possivelmente levou Dunga a deixar de convocá-lo. Já Marcelo fez ótima temporada pelos Galácticos do Real Madrid e recebe mais uma chance de se firmar na posição mais carente da Seleção nos últimos anos.
A zaga está recheada de nomes afirmados. São jogadores com pouca bagagem na seleção principal, à exceção de Thiago Silva, mas que já são profissionais e apresentam alto rendimento a alguns anos. Tanto David Luiz, quanto Réver, e inclusive Henrique fizeram ótimas temporada em suas equipes.
Alguns dos volantes são pedidos do torcedor a muito tempo: Lucas, Hernanes e Sandro. Já Jucilei é uma surpresa e acredito que um equívoco. O atleta precisa estar afirmado em seu clube para ser chamado. É a Seleção Brasileira, não é pouca coisa. Com todo o respeito a Jucilei, que é um jovem e promissor jogador, mas não é titular do seu time. Na armação das jogadas, apenas um meia-armador mesmo: Ganso. Ramires e Éderson são mais um terceiro-homem de meio-campo, até mesmo um segundo-volante; Éderson até pode jogar como meia de criação, mas não é a função em que rende melhor, enquanto Carlos Eduardo é um meia-atacante, que até faz a função de armador em sua equipe, mas que talvez renda melhor atuando pelo lado do campo.
E no ataque, uma tendência enorme ao Santos, acredito que com fortes pitacos de Ricardo Teixeira: porque três atletas do Santos? Jonas, do Grêmio, fez mais de vinte gols até agora na temporada; Dentinho, do Corinthians, fez uma grande Libertadores e foi o principal avançado do Timão no primeiro semestre; Thiago Ribeiro faz boa temporada com o Cruzeiro, mais uma vez; Fred, do Fluminense, com certeza tem bola de sobra para ser o centroavante titular; e Dagoberto, do São Paulo, talvez venha fazendo a sua melhor temporada no Morumbi. Acho um exagero levar André, bom jogador, mas talvez ainda não seja a sua hora, assim como Neymar, que não joga um grande futebol faz tempo. Robinho deve ser inclusive o capitão da equipe, enquanto Tardelli e Pato talvez não estejam no melhor momento de suas carreiras, pois o atacante do Galo não repete as grandes atuações do ano passado, apesar de ainda ser um dos principais avançados do futebol brasileiro, enquanto que o centroavante do Milan passou muito tempo no Departamento Médico na última temporada.
Enfim, foi só a primeira convocação, mas já pudemos perceber que ela foi um tanto tendenciosa, como geralmente é na primeira vez. Não vale uma crítica ao técnico ainda, mas levar tantos jogadores do Santos pareceu um golpe de marketing para iniciar a relação com a mídia com o pé-direito. Ponto para o técnico que foi esperto, ao contrário de Dunga, que tanto brigou e tentou ganhar uma queda de braço que já tem um vencedor antes mesmo de começar.
Boa sorte a nossa seleção!

sábado, 24 de julho de 2010

O tapa na cara de Ricardo Teixeira



Muricy Ramalho foi convidado para o lugar de Dunga e recusou. O cargo de técnico da Seleção Brasileira, ao que indicam as declarações dos principais profissionais do país, deixou de ser o emprego mais desejado dos treinadores brasileiros. Ricardo Teixeira, presidente da CBF há mais de 20 anos, já não engana mais ninguém. Ontem, Muricy deu o exemplo de que existem pessoas interessadas no futebol, que gostam do esporte, e não apenas pensam em dinheiro e no status de comandante da principal seleção do mundo (diz-se que Muricy receberia menos na Seleção do que seus rendimentos à frente do Fluminense, mas também poderia ganhar muito mais com a publicidade que seu cargo proporcionaria). Especula-se que o técnico tri-campeão brasileiro com o São Paulo não teria sentido o respaldo de Teixeira frente a possíveis resultados ruins em um início de trabalho, não tendo assim a garantia de que seria o técnico na Copa do Mundo daqui a quatro anos. Em vista disso, Muricy preferiu ficar no Tricolor das Laranjeiras, valorizando o bom trabalho feito até aqui e a sintonia com o grupo de jogadores e a torcida.
Agora, o presidente da CBF convidou Mano Menezes. O treinador corintiano pode até aceitar, como especula-se (ele dará a resposta em coletiva no sábado pela manhã, após o treino), mas não demonstra a empolgação que já teve ao falar do sonho de assumir o comando da seleção Canarinho. Depois deste tapa na cara que Teixeira levou, não me surpreenderia se Mano preferisse continuar como técnico do Corinthians, pois ser técnico da seleção ultimamente não tem sido um emprego dos mais fáceis. Basta ver todo o esforço que Dunga teve em resgatar o desejo dos atletas de vestirem a amarelinha e o que ele recebeu em troca - sendo hostilizado pela imprensa e pelos torcedores, além de ter sido completamente abandonado por Ricardo Teixeira, que fez marketing próprio no programa de Galvão Bueno no canal Sportv, se eximindo da culpa pela desclassificação e prometendo uma renovação. A exigência de que o Brasil tem que ganhar sempre e a cobrança sobrenatural que a imprensa do país exerce sobre o técnico da seleção pode estar assustando os profissionais sérios e mais competentes do cargo de treinador do Brasil.
É uma pena, pois Muricy é um ótimo técnico, talvez o melhor atualmente, mas finalmente alguém está dando um exemplo de amor ao esporte, de compromisso com a palavra e virando as costas para a badalação e para o dinheiro que a CBF proporciona, sem dar respaldo aos seus profissionais, tendo tornado a Seleção uma mina de dinheiro para enriquecimento e satisfação pessoal de seus comandantes, não dando a mínima para a população.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Curiosidades no retorno do Brasileirão

O que Grêmio, Santos, São Paulo e Botafogo passaram a ter em comum após a volta do Brasileirão? E quais as semelhanças entre Inter, Flamengo, Cruzeiro e Avaí? Vamos as análises:
Gremistas, santistas, são-paulinos e botafoguenses viram seus times caírem de rendimento. Mas se caíram é porque estavam bem, não? Das quatro equipes, apenas o São Paulo não ganhou o estadual, sendo eliminado justamente pelo Santos, que acabou campeão. Além disso, o Peixe é finalista da Copa do Brasil, tendo eliminado o Grêmio nas semifinais, e o São Paulo é um dos quatro melhores da Libertadores e enfrentará o Inter na disputa por uma vaga à final. Outro dado: essas quatro equipes tinham times titulares definidos e um padrão de jogo, pois Ricardo Gomes estava jogando no 4-4-2 e tinha encaixado o Tricolor do Morumbi (apesar de não fazer grandes atuações, a equipe estava visivelmente em evolução); Joel Santana estava em 8º com o Fogão, que vinha embalado pela dupla Herrera e Loco Abreu (que quase não jogou ainda no Brasileirão, mas vinha sendo razoavelmente bem substituído por Caio); Silas tinha definido o meio-campo com Hugo e Douglas, que funcionou muito bem no jogo contra o São Paulo, mas ainda estava acertando a defesa; e o Santos passou o período da Copa no G-4, tendo goleado o Vasco por 4 a 0 antes da pausa para o Mundial. Parece que essas equipes não treinaram achando que o bom futebol do primeiro semestre voltaria naturalmente com o retorno do campeonato. Não treinaram alternativas, os jogadores ficaram acomodados e na volta para o Brasileirão estão sendo atropelados pelos adversários. O Grêmio tem uma derrota e dois empates (apesar de que não havia como jogar ontem à noite, em Porto Alegre, devido a forte chuva que caiu durante todo o dia, mas, mesmo assim, o time fez péssimos jogos e contra o Vasco esteve mais perto da derrota do que da vitória); o Santos tem três derrotas (sendo que poderia ter sido goleado ontem, na Arena da Baixada, pelo Furacão, infinitamente superior durante todo o jogo); o São Paulo tem duas derrotas e um empate (assim como o Tricolor gaúcho, jogou duas em casa), tendo enfrentado adversários da expressão de Vitória, Avaí e Prudente; e o Botafogo, único que ainda não jogou na rodada, perdeu para o Flamengo e empatou com o Guarani, em casa.
Do lado superior da balança do Brasileirão se encontram colorados, rubro-negros cariocas, cruzeirense e avaianos. Os gaúchos têm 100% de aproveitamento após a pausa para Copa: vitórias sobre Guarani e Atlético-MG fora de casa e sobre o Ceará, no Beira-Rio. Boas atuações, um time confiante e com reforços do calibre de Tinga, Rafael Sóbis e Renan, atletas campeões e com experiência internacional. Celso Roth trabalhou bem durante o recesso do Brasileirão, tendo ajustado a defesa, o meio-campo e o ataque da equipe. O Flamengo também se preparou da melhor forma durante o período sem jogos, com o agravante de ter que lidar com toda a repercussão do Caso Bruno: venceu o clássico com o Botafogo, o Atlético-GO e empatou com o Avaí. Está certo, não foram grandes adversários (descontando o jogo com o Fogão, que é um clássico), mas a equipe é bem inferior àquela que foi campeã ano passado, tendo perdido jogadores importantes (Bruno, Vágner Love e Adriano) e apostando ainda em muitos meninos. O Cruzeiro, outro que trocou de comandante, saindo Adílson Batista e entrando Cuca, tem duas vitórias em dois jogos - Atlético-PR, em Curitiba, e Goiás, em Minas. Talvez seja o trabalho mais difícil a ser realizado, pois a Raposa estava há dois anos e meio com o mesmo técnico, esquema de treinamento e jeito de jogar. Cuca tem mudado suas peças aos poucos: a rigor, saiu um dos três volantes (Marquinhos Paraná, homem de confiança de Adílson) e entrou um meia, Roger. O resultado são três gols marcados e nenhum sofrido. Nesta quinta-feira, à noite, será o grande teste até agora: o Fluminense, de Muricy Ramalho, no Maracanã. E o Avaí? Antônio Lopes chegou no fim do recesso para a Copa. Péricles Chamusca havia deixado a equipe em 13º lugar, com 8 pontos. E treinou durante boa parte do período sem jogos do campeonato. Mas o delegado Lopes acertou o time rapidamente, tendo vencido o Vasco em torneio amistoso, ficando com o título da Copa da Hora, e enfileirando bons resultados no Brasileirão: vitórias contra São Paulo, no Morumbi, Palmeiras, na Ressacada (tendo jogado todo o segundo tempo com um jogador a menos e saindo atrás do placar e fazendo 4 a 2 nos comandados de Felipão) e empate contra o Flamengo, no Maracanã. Os resultados são muito expressivos, pois a equipe enfrentou clubes grandes, vencedores, tendo jogado ainda duas vezes fora de casa.
Bom, desculpem o tamanho da postagem, mas as curiosidades desde retorno de Brasileirão são muitas.
Até breve!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A "Renovação" na Seleção Brasileira


Quem será o novo técnico da Seleção Brasileira? Desde a derrota para a Holanda nas quartas de final da Copa do Mundo está é a pergunta que mais se faz no futebol do país. A CBF diz que vai anunciar o novo comandante nesta sexta-feira, 23 de julho, e que na segunda-feira, 26, deve ocorrer a apresentação da comissão técnica e também o anúncio dos convocados para o amistoso contra os Estados Unidos, a ser realizado no dia 10 de agosto.
Os preferidos da imprensa são Mano Menezes, Felipão e Muricy Ramalho. E, se o estilo de jogo da seleção de Dunga foi tão criticado, inclusive por Ricardo Teixeira, será que a CBF vai trazer técnicos com características parecidas? Claro, ninguém é igual a Dunga. Mas Muricy, talvez o preferido da torcida, sempre teve atritos com os profissionais de comunicação e seus times sempre primaram pela marcação, qualidade defensiva e "trabalho", como ele mesmo gosta de frisar. Alguma diferença com Dunga? Mano Menezes também nunca foi um técnico ofensivo. Chegou a escalar o Grêmio em 2006 num 4-5-1, deixando Rômulo isolado na frente. No Corinthians, ganhou a Série B com Herrera de centroavante, sem um parceiro mais próximo. Na Libertadores deste ano, em muitas partidas a equipe atuou com três volantes, sendo o meio-campo formado por Ralf, Jucilei, Elias e Danilo. Já Felipão, o técnico do Penta, venceu o Mundial jogando no 3-5-2, além de ter escalado o Chelsea num 4-5-1, chegando a colocar Anelka no meio-campo e aberto pela direita.
Se a imprensa criticou tanto o estilo da Seleção jogar, a falta de criatividade, como pode incentivar tanto a contratação de um desses três profissionais? Claro, volto a repetir, Dunga transformou a Seleção Brasileira em algo que ela nunca foi e não deve ser: um time previsível e sem criatividade. Mas quem garante que um desses três técnicos não montará uma equipe com estilo parecido? Concordo que são todos grandes professores, vencedores em suas carreiras, mais qualificados e experientes que Dunga, mas a renovação que se pede, tanto na escolha dos nomes quanto no esquema tático, não sei se ocorrerá. Felipão certamente chamará figurinhas carimbadas, atletas de sua confiança, como Ronaldinho e Robinho, por exemplo. Mano e Muricy serão estreantes na Seleção e se os resultados não vierem de imediato, como provavelmente não virão se a equipe for totalmente modificada com a entrada imediata de jovens jogadores "sub-20", como gostaria Ricardo Teixeira, certamente os dois técnicos apelarão para uma equipe mais defensiva e com atletas mais rodados.
Então, caro torcedor, não se iluda achando que o Brasil passará a jogar faceiro, com muitos atacantes, jogadores jovens e habilidosos e que agora, sem Dunga, tudo será uma maravilha, pois isso dificilmente acontecerá.

domingo, 18 de julho de 2010

O sobre e desce da dupla da Gre-Nal


Após um primeiro semestre de balanço favorável para o Grêmio (venceu o Gauchão e alcançou as semifinais da Copa do Brasil), a segunda parte do ano começa promissora para o Inter (tudo bem, o Colorado está na semifinais da Libertadores, mas todos concordam que as atuações deixaram a desejar sob o comando de Jorge Fossati). Vejamos os porquês do sobe e desce:
Celso Roth deu outra cara a equipe do Inter. Aquele time sem maiores interesses na partida, confuso com e sem a bola (exceto nos jogos da Libertadores, onde a equipe ao menos demonstrava muito vontade) se transformou em uma equipe mais agressiva, de interessante movimentação e que venceu com tranquilidade o Guarani (até então fazendo boa campanha, mas agora sem o artilheiro Roger) e o Ceará (invicto nas primeiras oito rodadas do campeonato e tendo sofrido apenas um gol, ainda em pênalti duvidoso para o Santos). O técnico acabou com a história dos três zagueiros e apostou no que o time tem de melhor: os meias. A frente da linha de quatro defensores, dois volantes apenas - Sandro e Guiñazu (substituído por Wilson Mathias nos dois jogos) - com três jogadores livres para criar: D'Alessandro, Giuliano e Taison que trocam passes e fazem tabelas tentando criar para o centroavante Alecsandro (vale destacar ainda a boa participação de Andrezinho). O que Celso Roth tem feito de tão maravilhoso? Absolutamente nada. Ele simplificou o jeito do time jogar e soube ver as suas qualidades. Fossati inventava demais e não parecia saber o que estava fazendo (ou os jogadores não estavam intendendo, assim como não entendiam o preparador físico). Continuando assim, o Inter vai forte para a semifinal, em que enfrentará um vacilante São Paulo: mas não se engane torcedor colorado, não será nada fácil avançar à final.
E o que acontece com o Grêmio? Todos procuram UM culpado, mas será que há um apenas? A diretora fez muito investimento na equipe: todos cobravam jogadores vencedores (por isso Tcheco foi embora, não?) e vieram Rodrigo, Hugo, Leandro e Borges (campeões com o São Paulo), Douglas (campeão da Copa do Brasil do ano passado pelo Corinthians), mas mesmo assim Silas não consegue dar uma equipe confiável ao torcedor: Edílson e Neuton (ou Fábio Santos, ou Lúcio, todos estão iguais) são irregulares; Ozeia, Rafael Marques, Rodrigo e até o próprio Mário ainda não se acertaram no miolo de zaga; William Magrão não acerta um passe desde o dia em que se machucou; Leandro se mudou para o Departamento Médico, enquanto Douglas e Hugo disputam o posto de mais displicente do time, deixando a dupla de ataque isolada (Jonas e Borges não irão salvar o time sempre). Até Victor não tem repetido as atuações que lhe deram o título de melhor goleiro em atuação no futebol brasileiro. E então, quem tem culpa? Silas tem armado mal a equipe, pois embora Hugo e Douglas tenham feito alguns jogos no primeiro semestre não podem jogar juntos. Maylson se destaca em quase todas as suas atuações, mas sempre tem alguém melhor para começar jogando. No entanto, o técnico não é o único culpado: depois da campanha que fez com o Avaí no ano passado, Silas não pode ser mau treinador. Por que então ele diz que escala os melhores quando na verdade não escala? Não sei, realmente não sei, mas todos sabem que 2010 é ano de eleição no clube, tanto para presidente, quanto para presidente do Conselho Deliberativo e até para renovação de 150 membros do Conselho. Será que Silas não está sendo pressionado a escalar atletas como Rochemback (que até tem feito bons jogos, mas nada muito melhor que William Magrão), Douglas, Hugo e Leandro? Não gosto de imaginar teorias da conspiração, muito menos de envolver politicagem na atuação da equipe, mas algo está bastante errado no Grêmio e se Silas não blindar o grupo e rapidamente achar uma maneira eficiente de jogar o ano estará perdido.

Brasileirão 9ª rodada


O complemento da nona rodada da Série B aconteceu no sábado: a Portuguesa se recuperou da derrota para o Duque de Caxias e venceu o Icasa, em São Paulo; Sport e o Paraná, jogando em casa, apenas empataram com Ponte Preta e Guarantiguetá, respectivamente; o Naútico venceu o América-MG em Minas e segue na liderança e o Figuerense segue na cola dos pernambucanos com a vitória sobre o Bragantino, em Bragança Paulista. Os quatro primeiros após o término da 9ª rodada são Naútico (20 pontos), Figueirense (19), Coritiba (18) e Paraná (16).
Pela Série A, neste domingo, o Corinthians venceu o Atlético-MG, segue líder e com a derrota do Ceará para o Inter é agora o único invicto. Mas a rodada começou no sábado com a vitória do Vasco sobre o Atlético-PR (3 a 1), contando com uma senhora ajuda da arbitragem, que inventou um penâlti e uma expulsão contra os paranaenses, e com o triunfo do Vitória sobre o São Paulo (3 a 2) em Salvador, confirmando que os baianos vem embalados para a final da Copa do Brasil. No domingo, além do 1 a 0 corintiano sobre o Galo e da derrota dos cearenses para os colorados por 2 a 1, no Beira-Rio, a rodada teve ainda mais seis jogos: o Flamengo venceu o lanterninha Atlético-GO, em Goiânia, com um gol de Petckovic, de penâti, e segue firme após a tragédia do Caso Bruno; o Avaí surpreendeu e mesmo com um jogador a menos durante mais de 45 min venceu de virada o Palmeiras de Felipão por 4 a 2, com a torcida de Guga em Florianópolis; o Botafogo segue sem vencer e jogando em casa apenas empatou com o Guarani por 1 a 1; Cruzeiro e Fluminense bateram seus adversários pelo mesmo placar, 1 a 0: os mineiros marcaram com Gilberto contra o Goiás e os cariocas, em contra-ataque rápido, definiram a vitória sobre o Santos, na Vila Belmiro, com um gol de Alan; fechando a rodada o Grêmio perdeu fora de casa para o Grêmio Prudente por 2 a 0.
A rodada marcou a consolidação do Corinthians na liderança (agora o único invicto), a recuperação do Fluminense (que havia bobeado em casa contra o Prudente e agora venceu os meninos na Vila) a reação de Flamengo, Internacional e Cruzeiro (os dois últimos trocaram de técnico durante a pausa da Copa) e o bom momento de Vitória e Avaí. Já pelo lado ruim, o término da rodada deixou claro que o Atlético-GO vai se candidatando a uma vaga na Série B do ano que vem, além de marcar o péssimo momento de Grêmio, Botafogo e São Paulo.
A Série B volta na terça-feira, com o início da 10ª rodada, que ainda terá jogos na sexta e no sábado. Já a Série A tem sua rodada de número 10 com jogos na quarta e na quinta. Não percam, pois o Brasileirão está começando a esquentar de novo!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Brasileirão 2010: A Volta! (III)

Nesta quinta-feira aconteceu o complemento da oitava rodada da série A do Campeonato Brasileiro, a primeira após o recesso para a Copa do Mundo. O Palmeiras venceu o clássico com o Santos, no Pacaembu: 2 a 1, com direito a dois golaços - Ewerthon, de fora da área, abrindo o placar para o Verdão e Marcel, dominando na coxa e mandando no ângulo sem deixar a bola cair para descontar para o Peixe. Tinga, contando com um desvio de Edu Dracena, fez o outro gol do Palmeiras na partida. Boa atuação dos novos comandados de Felipão, mais um técnico a estrear com vitória (apesar de que Murtosa foi quem esteve à beira do gramado), e a primeira partida do time sem Cleiton Xavier, negocioado com o Metalist, da Ucrânia. Em Sete Lagoas (MG), na Arena do Jacaré, o Atlético-MG venceu seu xará Atlético-GO por 3 a 2, gols de Diego Tardelli (2) e Ricardo Bueno com Marcão e Rodrigo Tiuí descontando. Além de vencer e sair da incômoda zona do rebaixamento, a noite em Minas reservou outra boa notícia para os torcedores do Galo: a estreia de Diego Souza, ainda sem ritmo de jogo, mas de atuação razoável (seu melhor lance foi uma falta defendida pelo goleiro Márcio). No terceiro e último jogo do dia, o Fluminense bobeou e perdeu a chance de assumir a liderança (nota: na postagem anterior, escrevi que o Flu assumiria a liderança no saldo de gols: erro meu, o primeiro critério de desempate é o número de vitórias, que seria de 6 para os cariocas contra 5 de corintianos e cearenses). Depois de um primeiro tempo alucinante, em que marcou com Fred, de cabeça, aos 11 minutos, o Tricolor das Laranjeiras desperdiçou oportunidades de matar o jogo e, aos 38 do segundo tempo, Wesley aproveitou rápido contra-ataque para bater cruzado na saída de Fernando Henrique e decretar o empate, gerando vaias no Maracanã. A nona rodada do Brasileirão começa neste sábado com dois jogos, ambos às 18h30: Vasco e Atlético-PR se enfrentam em São Januário e o Vitória recebe o São Paulo em Salvador, no Barradão.
Já a rodada da série B inicia hoje, sexta-feira, com quatro partidas, todas com início às 21h: Bahia e São Caetano lutam por uma vaga ao G-4 em Pituaçu, ASA e Brasiliense duelam no Municipal de Arapiraca (AL), Santo André e Duque de Caxias tentam se afastar da zona de rebaixamento no Bruno José Daniel (SP), e o América-RN, também tentando sair do Z-4, recebe o Coritiba no Machadão, em Natal.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Brasileirão 2010: A Volta! (II)

Ele voltou: com estreantes vitoriosos, surpresas e alguns jogos meio chatos, o pontapé de recomeço do Brasileirão foi dado nesta quarta-feira. Foram sete jogos no dia de ontem, com uma vitória do mandante, três de visitantes e três empates. Quem se deu bem na rodada foram as equipes de técnico novo: o Inter, de Celso Roth, fez 3 a 0 no Guarani, que faz boa campanha até aqui, mas que não contará mais com o artilheiro Roger, negociado pelo São Paulo com o Kashiwa Reysol, do Japão. Boa atuação Colorada, principalmente na segunda etapa, em que a equipe controlou o Guarani e fez os gols até com certa facilidade (apesar de Kléber estar impedido no primeiro gol, em que cruzou para Sandro marcar). Alecsandro e Taison, em uma corrida sensacional, saindo atrás e chegando na frente do marcador, definiram o placar. O Avaí, do delegado Antônio Lopes, fez 2 a 1 no São Paulo, no Morumbi. Roberto e Vandinho abriram a vantagem e Hernanes descontou para os paulistas. Ainda entre os vencedores que estrearam novo comandante está o Cruzeiro, de Cuca, que fez 2 a 0 no Atlético-PR, na Arena da Baixada. Boa vitória, com gols de Welington Paulista e Robert. O Flamengo foi a única equipe que venceu em casa; 1 a 0 no Botafogo, gol de Paulo Sérgio (quem? um jovem atacante que foi da base Rubro-Negra, não vingou, foi emprestado e voltou várias vezes e agora recebeu mais uma chance). Apontado como favorito para a partida, o Botafogo decepcionou e segue em posição intermediária na tabela. Ainda houveram três empates: Goiás e Vasco, jogo sem grandes emoções, com placar final de 0 a 0, em Goiânia, mesmo placar do confronto entre os ainda líderes e ainda invictos Ceará e Corinthians, no Castelão, em Fortaleza, partida com mais emoção, trabalho para os goleiros e um gol incrível perdido pelo lateral-esquerdo cearense, que cabeceou para fora quase em cima da linha; em Porto Alegre, Grêmio e Vitória ficaram no 1 a 1, bom resultado para os baianos, finalistas da Copa do Brasil, e péssimo para os gaúchos, que não tiveram uma boa atuação jogando em casa e estão em 14º, uma posição acima do Leão.
Bom, nesta quinta-feira três jogos fecham a rodada, todos às 21h: o Fluminense recebe o Prudente podendo assumir a liderança pelo saldo de gols; Palmeiras e Santos fazem o clássico paulista no Pacaembu, onde o Verdão deve mandar a maioria dos jogos enquanto o Palestra Itália é reformado; e, por último, o Atlético-MG tanta sair da zona de rebaixamento contra o seu xará Goianiense.
Até breve!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Brasileirão 2010: A Volta!

Após mais de um mês respirando a Copa do Mundo, voltamos a realidade. Os que acompanham a Série B já voltaram a normalidade ontem, dia que contou com rodada cheia e algumas notícias interessantes: o Sport continua em recuperação desde a chegada de Toninho Cerezo e venceu o Ipatinga, em Minas; a Portuguesa derrapou ao perder para o Duque de Caxias (3 gols de Somália para os cariocas, aquele mesmo que jogou no Grêmio); o Coritiba também bobeou, apenas empatando em casa com o Bragantino; o Paraná, até então líder, mas agora com um problema de atraso de sálarios, levou uma sacolejada do Icasa, no Ceará; Ponte Preta e Naútico confirmaram as previsões e venceram em casa América-RN e ASA-Al, respectivamente; e o Bahia, de Renato Gaúcho, perdeu para o São Caetano. Hoje, o G-4 conta com Naútico, Figueirense, Paraná e São Caetano.

E a Série A? A primeira divisão do Campeonato Brasileiro reinicia as suas atividades hoje, a partir das 19h30. São sete partidas nesta quarta-feira, incluindo a dupla Gre-Nal, e mais três amanhã. Além do Grêmio, que recebe o Vitória, e do Internacional, que enfrenta o Guarani, em Campinas, a rodada começa com dois jogos especiais: o clássico Flamengo e Botafogo (o primeiro dos Rubro-Negros após o Caso Bruno), e o duelo dos líderes invictos Ceará e Corinthians, no Castelão, em Fortaleza. Todos estão curiosos para verem como voltam os times: Atlético-PR, de técnico novo, Paulo César Carpegiani, que assumiu apenas duas rodadas antes do recesso, mudou bastante na equipe, assim como o seu adversário, Cuca, novo técnico do Cruzeiro, que deverá testar um meio-campo com dois armadores, Gilberto e Roger, depois de mais de dois anos jogando com 3 volantes (esquema preferido de Adílson Batista); o São Paulo recebe o Avaí, também de técnico novo (Antônio Lopes assumiu a vaga de Péricles Chamusca, atraído pelo petrodólares do Catar) e bastante alterado; o Goiás, cada vez mais com a cara de Leão, que já estava conseguindo resultados melhores antes do recesso, recebe o Vasco, de PC Gusmão, que largou o invicto Ceará para comandar a Caravela vascaína (será que foi bom negócio?).
A dupla Gre-Nal estreia com expectativas distintas. O Inter tenta iniciar do zero um trabalho com Celso Roth, que já chegou retrancando o time, na tentativa de diminuir o número de gols sofridos; chegou a escalar uma formação com Sandro, Guiñazu e Wilson Mathias na contenção, D'Alessando e Giuliano na armação e apenas Alecsandro na frente. Mas, em virtude do problema físico do capitão argentino, Taison entra na equipe, tornando-a mais ofensiva e rápida (Provável escalação: Pato; Nei, Bolívar, Índio e Kléber; W. Mathias, Sandro, Giuliano e D'Alessandro; Taison e Alecsandro). Já o Grêmio manteve o técnico Silas, mas continua com o problema de muitos jogadores no Departamento Médico: além de Souza e Lúcio, casos mais graves e que voltarão aos poucos com os trabalhos com bola, Mário Fernandes irá operar o ombro-direito, e Fábio Santos, com dores lombares, e Douglas, com amigdalite, também estão fora da partida de hoje. O time deve ter Victor; Edílson, Rafael Marques, Rodrigo e Neuton; Adílson, William Magrão, Leandro e Hugo; Jonas e Borges. Além dos problemas médicos, o volante Fábio Rochemback é desfalque por ter acumulado três cartões amarelos.
Bom, times prontos ou não, o Brasileirão está de volta a toda velocidade. A partir das 19h30 reinicia um dos mais equilibrados e emocionantes campeonatos nacionais do mundo. Não percam!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Os falsos mortos, a juventude alemã e a Celeste

A Holanda, vice-campeã Mundial, perdeu apenas um jogo nesta Copa: a final. Mas fez uma ótima competição: passou sem sustos por Dinamarca (2a1), Japão (1a0) e Camarões (2a1) na primeira fase, sem contar com Robben, que estreou no segundo tempo da partida contra os africanos. Nas oitavas, eliminou a Eslováquia, já contando com a (decisiva) participação do habilidoso camisa 11, autor do primeiro gol; a vitória de virada sobre o Brasil nas quartas deu confiança e status de favorita a Laranja; nas semifinais contra o Uruguai, assim como no jogo contra os brasileiros, a sorte ajudou: em um jogo difícil, Van Bronckhorst fez um golaço para abrir o caminho dos 3 a 2 e Sneijder contou com o desvio em dois zagueiros para fazer seu gol, em um momento em que os uruguaios eram melhor. E na grande final faltou o centroavante que a equipe não tem: Van Persie jogou improvisado durante todo o Mundial e ficou abaixo do que pode render; e na hora decisiva a bola caiu nos pés de Robben, que não tem o faro de gol dos grande artilheiros e sequer olhou para Casillas antes de chutar. A Holanda tem uma equipe razoável, que teve destaques: Stekelenburg fez ótimo Mundial, juntamente com a dupla de zaga (um tanto violenta, mas sem grandes falhas); os laterais e os volantes são apenas razoáveis, mas não compromoteram; Sneijder fez um grande Mundial, carregando o time quando Robben esteve bem marcando e Kuyt e Van Persie apenas fizeram número, sem serem decisivos na competição.
Os alemães encantaram o Mundo com uma seleção jovem e ousada. Com uma contra-ataque mortal, derrubaram inimigos fortes como Argentina e Inglaterra e sentiram demais a ausência de Müller nas semifinais. O terceiro lugar talvez tenha sido injusto; a semifinal contra a Espanha pode ser considerada uma final antecipada, em que os dois melhores times se enfrentaram. A primeira fase começou promissora: 4 a 0 nos australianos. Mas a derrota para a Sérvia e o magro 1 a 0 sobre Gana ofuscaram um pouco o brilho dos jovens alemães. No entanto, as duas goleadas sobre Inglaterra (4 a 1) e Argentina (4 a 0) deram status de favorito a Alemanha, que não conseguiu jogar contra a Espanha, completamente anulada pelos campeões mundiais. O terceiro lugar era mera formalidade, mas, mesmo assim, a equipe entrou disposta, atacou o segundo tempo inteiro e venceu os bravos uruguaios por 3 a 2. Neuer, a terceira opção para o gol, fez um belíssimo Mundial (vale lembrar que o titular até o final do ano passado, Enke, se matou e o seu reserva imediato, Adler, teve que operar uma fratura nas costelas, sendo cortado da competição em Maio); a dupla de zaga foi bem tanto pelo alto quanto por baixo (apesarem de serem durões); Lahm teve boas atuações, talvez sendo o melhor da posição; Khedira e Schweinsteiger formaram a melhor dupla de volantes (se é que podemos chamá-los assim) entre todas as que desfilaram pelos gramados sul-africanos; Ozil, Müller e Podolski infernizaram as defesas com sua rapidez e ousadia e Klose recuperou seu faro de gol, que andou em baixa na última temporada, para se tornar o segundo maior artilheiro da história das Copas, atrás apenas de Ronaldo.
E a Celeste? O que dizer dos uruguaios, que se classificaram apenas na repescagem, eliminando a Costa Rica? Bom, o Uruguai surpreendeu o mundo, com certeza. Após o 0 a 0 com a França, em que a equipe visivelmente entrou para não perder, Oscar Tabárez abandonou o 3-5-2, apostando em um 4-3-3, com Forlán voltando para armar o jogo. E assim derrubou África do Sul e México, garantindo vaga para o mata-mata. Nas oitavas, apesar dos sustos, venceu os sul-coreanos, em grande jornada de Suárez, autor dos 2 gols. E nas quartas de final, outra vez com participação decisiva de "Luizito" Suárez (autor da defesa que evitou o gol africano no último minuto da prorrogação), despachou os ganeses. As semifinais representaram o grande teste para a Celeste: enfrentar a Holanda, que tinha vencido todos os seus jogos nas eliminatórias e no Mundial também. Os uruguaios lutaram, saíram atrás do placar, correram, mas não conseguiram. Forlán estava extenuado fisicamente e com dores, o que certamente prejudicou a equipe, muito dependente do seu camisa 10. Na disputa de terceiro lugar, jogão contra a Alemanha, com direito a duas viradas e uma bola no travessão de Forlán no último instante. A equipe se destacou pelo conjunto e pela marcação, mas indivudalmente muitos jogadores foram bem: Muslera pegou muito, até a disputa do terceiro lugar (tudo bem, já não valia mais mesmo); Lugano e Godín (o melhor defensor do Mundial) formaram uma dupla segura, que contou ainda em muitos jogos com Victorino, ora substituindo um, ora substituindo o outro; Cáceres foi muito bem na lateral-esquerda, sendo uma pena não ter entrado antes; Arévalo Ríos e Diego Pérez se mataram na tentativa de anular os meias adversários e compensaram a dificuldade no passe com empenho redobrado; Forlán foi simplesmente o craque da Copa: bateu todas as faltas, armou as principais jogadas e ainda fez 5 gols; e Cavani e Suárez formaram uma ótima dupla de ataque, que deve estar presente no Brasil, daqui a 4 anos.

A Espanha na Copa 2010

Bom, como havia prometido, vou fazer a análise dos 4 semifinalistas. Não os misturei com as outras seleções porque valorizo demais os 4 melhores da Copa. Por mais que se possa falar, ninguém chega por acaso nessa fase de um Mundial e todos têm chances de serem campeões.
A Espanha, grande campeã do mundo, começou assustando a todos e derrubando os palpiteiros ao perder para a Suíça. Foi um jogo muito estranho em que a Fúria desperdiçou muitos gols (uma característica sua nessa Copa) e acabou perdendo num lance muito confuso em que a bola acabou sobrando para Fernandes definir o 1 a 0 para os suíços. No jogo seguinte, a tabela ajudou: ao invés de pegar o Chile, que começou muito bem o Mundial, os espanhóis enfrentaram Honduras, que veio somente a passeio para a África do Sul. Ainda assim, David Villa, com dois gols, o primeiro em jogada individual, definiu a vitória. Na partida contra os comandados de "Loco" Bielsa, a Fúria nem precisou jogar tanto, ajudada por dois erros individuais em saídas de bola, que resultaram nos gols de Iniesta e Villa. No mata-mata, um jogo muito encardido com Portugal, definido no gol de Villa, seu quarto no Mundial. Contra os paraguaios, talvez o jogo em que os espanhóis estiveram mais perto da derrota, contaram com Casillas e com a excelente fase do atacante do Barcelona, camisa 7 da seleção, Villa, para vencerem. Vieram as semifinais e a Alemanha, até então a sensação da Copa, não conseguiu jogar, amarrada pela Fúria, que teve a sua atuação de gala na África do Sul. Grande performance, apesar do magro 1 a 0, gol de Puyol. E na final todos sabem: controle do jogo contra os holandeses, mais uma vez Casillas salvando e Iniesta definindo a vitória no fim do segunto tempo da prorrogação. Os espanhóis fizeram uma campanha estranha: apesar de terem o melhor time e de dominarem seus jogos, perderam muitos gols e estiveram perto da derrota contra Paraguai e Holanda. Na única partida em que saíram atrás do marcador, perderam (Suíça). Mas Casillas salvou a equipe nos momentos difíceis, dando tranquilidade para os atacantes definirem as magras vitórias. O setor defensivo teve destaque: Casillas e os dois zagueiros, Puyol e Piqué, foram muito bem; os laterais não compromoteram e Sérgio Ramos ainda foi uma boa opção ofensiva; Xabi Alonso e Busquets deram proteção a zaga, mas apareceram pouco na frente; Xavi ficou devendo, apesar de ter feito bons jogo, consegue jogar mais; Iniesta, apesar dos problemas físicos, foi o melhor do meio-campo; Pedro, que substitui o péssimo Fernando Torres (mal fisicamente e visivelmente jogando no sacrifício), foi apenas regular; e Villa foi o grande craque da Fúria neste Mundial, apesar de não ter marcado nas horas mais decisivas (semifinal e final).

domingo, 11 de julho de 2010

Melhores do Mundial

Aqui a minha lista dos melhores da Copa do Mundo 2010:

- Revelação: Müller, da Alemanha
- Craque: Forlán, do Uruguai.
-Seleção (no 4-4-2): Casillas (ESP); Sérgio Ramos (ESP), Lúcio (BRA), Godín (URU) e Fábio Coentrão (POR); Schweinsteiger (ALE), Iniesta (ESP), Sneijder (HOL) e Müller (ALE); Villa (ESP) e Forlán (URU).

Observações:
- Estava em dúvida entre Casillas e Stekelenburg para o gol: o holandês falhou no gol de Forlán nas semifinais e o espanhol defendeu o chute de Robben na final, o que ajudou no desempate.
- Sérgio Ramos não foi uma unanimidade, mas poucos laterais se destacaram; talvez Lahm, da Alemanha, tenha chegado mais perto do espanhol; Maicon jogou apenas o primeiro jogo em alto nível, fazendo uma competição razoável.
- Esperava mais do Xavi; acredito que Iniesta foi mais decisivo, não só pelo gol do título, mas também pela jogada do gol contra o Paraguai.

Viva a FÚRIA!

A ESPANHA é a mais nova integrante do seleto grupo dos campeões mundiais. Com a vitória de 1 a 0 sobre a Holanda, gol de Iniesta aos 11 do segundo tempo da prorrogação, a Fúria chegou ao título da Copa do Mundo da África do Sul. Apesar das vitórias magras, pode-se dizer que a melhor equipe venceu. Os espanhóis não olham o jogo: sem a bola, pressionam os adversários e com a bola tocam e buscam o gol. O preciosismo citado por alguuns jornalistas talvez seja o único defeito dessa grande equipe. Mas acredito que outro fator contribuiu ainda mais para que a Fúria se tornasse a campeã com menos gols marcados da história dos Mundiais: a péssima condição física de Fernando Torres que inclusive saiu machucado da Final, tendo jogado pouco mais de 10 minutos.
O jogo não foi dos mais empolgantes. O primeiro tempo começou com duas boas chances para os espanhóis. Aos poucos, a Holanda foi equilibrando a partida e encaixando a marcação (muito violenta, diga-se de passagem). A Fúria entrou na pilha e passou a revidar, esquecendo de fazer o que mais sabe: jogar bola. E assim transcorreu o primeiro o tempo. Na volta do intervalo, os holandeses recuaram e a Espanha foi para cima. Mas, em dois contra-ataques, Robben teve duas excelentes oportunidades de definir a vitória, parando no goleiro Casillas. E veio a prorrogação, que começou empolgante. Fábregas perdeu ótima oportunidade, defendida por Stekelenburg. Os holandeses responderam com uma cobrança de escanteio que quase resulta em gol. Na segunda parte do tempo extra, o jogo continuou com domínio espanhol. Após a expulsão de Heitinga, a Laranja se desorganizou defensivamente, e Iniesta aproveitou o belo passe de Fábregas para definir o título. Detalhe do gol: Van der Vaart, meia ofensivo da Holanda, era quem tentava evitar o chute de Iniesta. Após o gol, não havia tempo para mais nada. Os holandese ainda tentaram ir para cima, mas a taça já tinha dono. Parabéns para a Fúria, campeã do Mundo de 2010.

sábado, 10 de julho de 2010

O 3º Lugar e a Grande Final



A disputa de 3º lugar talvez seja um dos momentos mais melancólicos da Copa, antes de a partida começar, é claro. Porque depois é um jogo como outro qualquer e que ninguém quer perder. Geralmente são mais abertos, tem uma média de mais de 3 gols por partida. E Uruguai e Alemanha não fugiu à regra. A vitória dos alemães coroou a belíssima participação dessa jovem seleção, que não era apontada como favorita antes do início do Mundial. E a derrota pelo placar apertado, com uma bola no travessão no último minuto, também engrandeceu a participação da Celeste na Copa, sem a menor sombra de dúvida a maior surpresa da competição. Grande jogo e injustas as vaias a Luís Suárez: por mais que ele possa ter utilizado um recurso ilicíto para evitar o gol de Gana, a punição com o cartão vermelho que o deixou de fora das semifinais além do penâlti a favor dos africanos já estavam de bom tamanho. Além do mais, quem já jogou futebol na vida sabe que às vezes reagimos sem pensar. E parece que foi o que aconteceu, pois duvido que em uma fração de segundo ele tenha pensado em tudo que iria acontecer: penalidade, cartão vermelho, possibilidade de os ganeses errarem...

E a Grande Final, o momento máximo da Copa do Mundo? Amanhã, por volta das 17:20, se não ocorrem prorrogação e penâltis, conheceremos o novo Campeão Mundial. Espanha ou Holanda: uma das duas vai entrar para o seleto grupo dos vencedores, que já conta com Uruguai, Itália, Alemanha, Brasil, Inglaterra, Argentina e França. As duas equipes fizeram uma grande campanha até aqui, mas também tiveram seu caminho facilitado: a Laranja só enfrentou o Brasil, entre os chamados favoritos, e a Espanha encarou apenas os alemães nas semifinais, apesar de ter passado por Portugal nas oitavas. A Alemanha, por exemplo, teve um caminho bem mais complicado, enfrentando Inglaterra e Argentina, além dos espanhóis, claro, na fase de mata-mata. Neste domingo, 11 de julho, saberemos quem virá ao Brasil com o status de equipe a ser batida, com o troféu de Campeão do Mundo sob sua tutela. E saberemos também se o polvo mantém o 100% de aproveitamento (cada coisa que aparece em época de Mundial...). E então, já fizeram as suas apostas?

Ficou para 2014


O Brasil merece uma análise mais aprofundada. Para começar, é ridículo ver o Ricardo Teixeira fazer marketing pessoal agora que a Copa acabou. Desvincular sua imagem à da Seleção de Dunga, falando em renovação urgente, não engana ninguém e não tira a sua parcela de culpa. Mas não vamos falar disso agora...
Muitos comentaristas viram que enfrentar adversários fracos era um dos grandes problemas da equipe. E foi assim nos 3 jogos da primeira fase. Contra a Coreia, além do nervosismo da estreia, uma atuação acima do normal por parte dos norte-coreanos (que não se repetiu nas derrotas para marfinenses e portugueses) dificultou, e muito, a vida dos brasileiros. Graças a falha do goleiro (tudo bem, e ao fôlego de Maicon) e a bela jogada entre Elano e Robinho que a Seleção conseguiu estrear com vitória. A partida contra a Costa do Marfim foi bem mais fácil, muito devido as boas atuações de Kaká e Luís Fabiano (aliás, a única do Fabuloso no Mundial). A última rodada era mera formalidade e, além da retranca portuguesa, os desfalques comprometaram a atuação brasileira.
E vieram as oitavas de final. Os comandados de "Loco" Bielsa eram elogiados até então, com duas vitórias em 3 jogos, nada mal para quem tinha ficado de fora dos dois últimos mundiais. Com dois gols na primeira etapa o Brasil definiu o jogo, marcando ainda com Robinho depois do intervalo. Boa atuação e expectativa de jogaço contra a Holanda. E foi mesmo...
Após um grande primeiro tempo, a Seleção Canarinho viu os holandeses virarem a partida com dois gols de Sneijder, dando adeus ao Mundial. O excesso de chances disperdiçadas na primeira etapa, aliados a sorte e a frieza da Laranja no segunda metade da partida, sepultaram o sonho do Hexa. Todos tiveram a sua parcela de culpa, Ricardo Teixeira, Dunga, Felipe Melo e todo o grupo. Mas a equipe não perdeu por culpa de A ou B, nem por uma justificativa única. As chances desperdiçadas, o nervosismo (normal para quem perde um jogo eliminatório em Copa, ou vai dizer que a Holanda não estava nervosa na primeira etapa?), as falhas individuais, todos estes fatores contrubuíram para a derrota, mas vimos uma seleção disposta, correndo, tentando, mesmo com um homem a menos. Não estou aqui defendendo Dunga ou quem quer que seja, apenas admitindo que perder faz parte do futebol e que a vida continua.
Assim que puder farei uma postagem sobre as esperanças para 2014, outro assunto que merece ser tratado separadamente, com mais espaço.
Até breve!

Fracassos e vitórias (V)

Grupo G: Portugal se acertou durante o Mundial. Após as dificuldades nas eliminatórias, com a classificação vindo somente depois de repescagem, em vitórias sobre a Bósnia, as esperanças sobre Cristiano Ronaldo e seus companheiros não eram as maiores. O empate com a Costa do Marfim serviu para diminuir a expectativa de classificação à segunda fase. Mas os 7 a 0 sobre os norte-coreanos deixaram muito bem encaminhada a vaga nas oitavas, confirmada com o 0 a 0 diante do Brasil. A partida contra a Espanha nas oitavas foi dura, e os lusos venderam caro a desclassificação, que veio com um gol irregular (mesmo que por poucos centímetros) de David Villa. Carlos Queiroz conseguiu ajustar a sua defesa, com destaque para o bom goleiro Eduardo. Porém, a falta de parceria para Cristiano Ronaldo, aliada ao individualismo excessivo do gajo, limitaram o poder ofensivo da equipe. CR não foi o único culpado, mas deve tentar ser mais solidário, como foi contra a seleção brasileira.
A Costa do Marfim mais uma vez chegou com status de a melhor equipe africana no Mundial. Mas, assim como em 2006, decepcionou (talvez por ter pego, de novo, um grupo difícil). A equipe até fez um bom jogo contra os portugueses, se limitando, no entanto, a tentar bater nos brasileiros. Com a goleada lusitana sobre os norte-coreanos, os Elefantes praticamente deram adeus a Copa. Já a Coreia do Norte estreou complicando a vida brasileira e deixando boa impressão. Não passou de fogo de palha. A equipe mudou seu estilo, tentando encarar os adversários de igual para igual. Levou duas goleadas e voltou para casa. Olho em Jung Tae-Se, o camisa 9, aquele que chorou no hino (mesmo sendo japonês?!), que mostrou ser bom jogador.

Grupo H: Enfim chegamos ao último grupo. Assim como fiz com os outros 3 semifinalistas, vou pular a Espanha e começar pelo Chile. Marcelo "El Loco" Bielsa: esse é o nome do homem responsável por devolver a crença dos torcedores na seleção. O técnico que aproveitou a juventude da equipe para aliar ofensividade e recomposição defensiva rápida. Talvez tivesse melhor sorte se caísse numa chave como a do Uruguai, que não enfrentou favoritos ao título até a semifinal. Mas não foi o que ocorreu e os nossos vizinhos sul-americanos sonharam até as oitavas apenas. Destaque para o coletivo da equipe, que não tinha pontos (muito) fracos e para as boas tramas ofensivas, sempre com a participação dos alas (Isla e Vidal/Mark González), do meia (Fernández ou Valdívia, ou até mesmo dos 2) e dos atacantes externos Alexis Sánchez e Beausejour (que diferença para aquele menino que jogou no Grêmio!).
A Suíça derrubou os palpiteiros ao vencer a Espanha na primeira rodada. Mas parou por aí. Derrota para os chilenos e empate com os hondurenhos (que dificuldade em fazer gols hein?!) e, mais uma vez, a equipe - que tinha boa defesa, mas um ataque pífio - se despediu cedo do Mundial. Já para Honduras participar da Copa foi o máximo que conseguiu. A equipe era muito fraca e com Suazo pouco inspirado (e mal fisicamente) os latino-americanos não fizeram frente as outras 3 equipes do grupo, sequer conseguindo marcar um gol.

Fracassos e vitórias (IV)

Grupo D: Gana fez uma ótima Copa. Com muitos jogadores que foram campeões do último mundial sub-20, vencendo o Brasil de Ganso e Giuliano na final, os africanos aliaram força na marcação e rapidez no contra-ataque para vencerem 2 jogos, empatarem 2 e perderem apenas para o Uruguai, ainda por cima nos penâltis. Os comandados de Milovan Rajevac, vice-campeões da última Copa das Nações, desperdiçaram de forma incrível a chance de irem às semifinais, com seu principal jogador, Gyan, perdendo um penâlti nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação. O resultado talvez tenha feito justiça a história da Celeste e seja um indício de que os africanos ainda não estão prontos para chegarem tão longe em um Mundial, mas estão evoluindo.
Sérvia me surpreendeu negativamente. Esperava que a equipe pudesse alcançar à segunda fase, em virtude dos bons valores individuais. Mas o penâlti infantil na derrota para Gana e a péssima atuação nos 3 a 2 sofridos para a Austrália acabaram por provar o contrário, ofuscando inclusive a boa atuação na vitória sobre os alemães. Já os australianos esbarraram em suas limitações e não conseguiram se recuperar do chocolate que levaram na primeira rodada de Müller, Özil e sua turma.


Grupo E: O Japão foi a grande surpresa deste grupo e talvez a maior da Copa. A seleção chegou à África do Sul como última cotada a passar de fase, visto que a Holanda era a cabeça-de-chave e a equipe mais forte, a Dinamarca se clasifficou direto - empurrando Portugal para a repescagem das Eliminatórias Europeias - e Camarões jogaria em casa, além de contar com o artilheiro Samuel Eto'o. Após derrotas nos amistosos pré-Copa, incluindo para seleções que participariam do Mundial, como Costa do Marfim e Sérvia, Takeshi Okada encaixou a equipe no 4-5-1, apostando na habilidade de Honda. E deu certo, tanto que a equipe só perdeu para o Paraguai nos penâltis. Os japoneses se despediram da Copa com 2 vitórias, uma derrota magra para a Holanda e outra nos penâltis para os paraguaios.
Já a Dinamarca chegou ao Mundial com a expectativa de ir bem, após ter feito boa campanha nas eliminatórias em um grupo que tinha Suécia e Portugal como adversários de peso. Mas as coisas não aconteceram como os nórdicos esperavam e a derrota para a Holanda complicou a classificação já na primeira rodada. Após a vitória sobre Camarões, combinada com o 1 a 0 dos holandeses sobre os japoneses, o destino dinamarquês seria definido em confronto direto contra os samurais, que levaram a melhor vencendo por 3 a 1. Os comandandos de Morten Olsen voltaram para casa e a última esperança da geração de Tomasson, Rommedahl, Gronkjaer e Jorgensen foi por água abaixo.
Samuel Eto'o era a grande esperança dos camaroneses na Copa. Após ótima temporada com a Inter de Milão, o camisa 9 dos Leões não conseguiu mostrar seu melhor futebol, em parte pela falta de qualidade dos companheiros, em parte pelo péssimo esquema do técnico Paul Le Guen, que o tornou "assistente de lateral-direito", em uma definição muito feliz do narrado Luiz Carlos Jr. A participação dos africanos no Mundial foi pífia, sendo que a equipe foi a primeira a ser eliminada da competição.

Grupo F: O Paraguai fez a sua melhor campanha na história dos Mundiais. Mas o grupo fraquíssimo, aliado a má fase da Itália e a vitória nos penâltis sobre o Japão exemplificam que essa equipe não jogou um grande futebol. A excelente atuação paraguaia veio no empate com os atuais campeões. A vitória sobre a Eslováquia e o 0 a 0 com a Nova Zelândia serviram para classificar a equipe, mas não empolgaram. Nas oitavas, em um jogo muito ruim, os Guaranis só conseguiram se classificar nos penâltis. E contra a Espanha, apesar da possibilidade de abrirem o placar na penalidade desperdiçada por Cardozo, a equipe foi inferior e fez jus à eliminação. Destaque para o setor defensivo, com o goleiro Justo Villar, os zagueiros Da Silva e Alcaraz, o lateral-esquerdo Morel e os volantes Victor Cáceres e Riveros. Já o ataque... Mesmo com bons nomes (Roque Santa Cruz, Lucas Barrios, Óscar Cardoso e Haedo Valdez) não conseguiu marcar sequer um dos míseros 3 anotados pela equipe (Alcaraz, Vera e Riveros foram os responsáveis pelas alegrias da torcida).
A Eslováquia eliminou a Itália da Copa. E só. Depois de empatar em 1 a 1 com a Nova Zelândia e de perder para o Paraguai a equipe fez 3 a 2 na Azurra e se classificou para pegar a Holanda nas oitavas, sendo eliminada com derrota por 2 a 1. Assim como o outro classificado do grupo, não mostrou um grande futebol, avançando à próxima fase mais por falhas dos adversários do que por méritos. Mas mostrou ao Mundo um bom centroavante: Vittek, autor de 4 gols em 4 jogos.
Os neo-zeolandeses, talvez antes do Mundial considerados a pior seleção da Copa, surpreenderam o mundo ao serem eliminados sem derrotas, marcando os mesmos 3 gols que os paraguaios marcaram, sendo que foram até as quartas de final. Ao menos defensivamente a equipe se portou bem, com destaque para o goleiro Pashton, que substitui tão bem o titular, suspenso das duas primeiras rodadas, que garantiu a titularidade para a terceira. Mas ainda é uma seleção muito longe das equipes nacionais medianas.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Fracassos e vitórias (III)

Grupo C: A Inglaterra era uma das grandes favoritas ao título. Passou com muitas dificuldades na primeira fase e levou um sonoro 4 a 1 da Alemanha nas oitavas. O conjunto da seleção era bom, mas a camisa pesou nos ombros dos jogadores nas primeiras partidas. A história de fracassos em mundiais anteriores parece que travou o futebol dos jogadores. Por incrível que pareça, a melhor partida inglesa foi a derrota para os alemães. Mesmo sem as boas atuações, dois lances poderiam ter mudado a história do English Team na África do Sul: o frangaço do goleiro Green (uma vitória contra os EUA na primeira rodada poderia trazer a tranquilidade que faltou aos comandados de Capello) e o erro da arbitragem no gol de Lampard (poderia ter mudado a história do segundo tempo do confronto contra os alemães). Mas os ingleses fracassaram e uma promessa de renovação vem aí, até porque muitos jogadores estarão "velhos" para jogar no Brasil em 2014.
Os EUA eram apontados como uma das possíveis surpresas do Mundial. Não fizeram bons jogos contra Inglaterra e Eslovênia, saindo atrás do placar e buscando o empate. E só se classificaram aos 48 do segundo tempo contra a limitadíssima Argélia. Nas oitavas, mesmo favoritos, perderam para Gana. Os norte-americanos mostraram ter dificuldades em não jogar como franco-atiradores, além de sérios problemas na dupla de ataque. Altidore deixou a desejar e seus parceiros - Buddle e Findley -, que jogam no futebol nacional, não corresponderam.
Eslovênia e Argélia apenas cumpriram tabela. Aliás, a sequência de jogos quase classificou os europeus. Uma vitória contra a Argélia na primeira rodada (em um jogo muito ruim, no qual o goleiro argelino fez a diferença falhando no gol) e um empate contra os EUA deixaram os eslovenos em boa situação, tanto que terminaram o confronto com a Inglaterra classificados, sendo eliminados após o gol norte-americano no apagar das luzes.

Fracassos e vitórias (II)

Grupo B: A Argentina empolgou muita gente na primeira fase, mas também "não enganou" outros tantos. A parte ofensiva teve destaque e Messi começou a competição muito bem; no entanto, o jogo contra a Coreia evidenciou problemas defensivos, que não apareceram contra a fraquíssima equipe da Grécia na última rodada da fase de grupos (nota: os europeus se limitaram a tentar marcar e não atacaram os hermanos). No jogo contra o México, bola no travessão de Romero, com a partida ainda 0 a 0. Após o gol irregular de Tévez, tudo passou a fluir e a equipe controlou o primeiro tempo, marcando ainda mais uma vez antes do intervalo com Higuaín. Na volta para a segunda etapa, o golaço de Carlitos Tévez, logo aos 7min, sepultou qualquer possibilidade de reação mexicana. Então vieram as quartas de final contra a Alemanha... E que chocolate os argentinos levaram. Após um primeiro tempo superior dos alemães, mas até com certo equilíbrio, a casa caiu de vez no segundo tempo para os hermanos. Mesmo com a goleada, a equipe foi recebida com festa na volta para casa. Maradona recebeu muitos pedidos para continuar, mas não creio que seja a melhor opção. Deixar Zanetti e Cambiasso de fora, depois da temporada que realizaram na Inter de Milão, custou muito caro a El Pibe, que não tinha um lateral-direito confiável e nem um volante que pudesse guardar a defesa junto com Mascherano. Contra a Alemanha, "El Chefe" passou o jogo inteiro correndo sozinho atrás de Ozil e Schweinsteiger e os gols na segunda etapa foram todos pelo lado de Otamendi, o direito da defesa. Isso sem falar em Diego Milito, outro que fez grande temporada pela Inter de Milão e não passou de um mero espectador de luxo no Mundial.
A Coreia do Sul fez um Mundial razoável. Caiu em uma chave com uma seleção forte e duas babas. Conseguiu se classificar, apesar do susto contra a Nigéria (empate contra os africanos, que haviam perdido as duas). Após um primeiro tempo apático contra o Uruguai, a equipe complicou a partida na volta do intervalo, saindo da Copa de forma brava, lutando pelo empate.
Nigerianos e gregos fizeram um péssimo Mundial. Os africanos eram uma das esperanças do continente, mas a troca de comando em fevereiro (mesmo com os Super Águias tendo chegado às semifinais da Copa das Nações) não fez bem a equipe. Lars Lagerback não conseguiu fazer o time jogar e o goleiro Enyeama evitou goleadas para a Argentina e Grécia. Já os europeu chegaram ao Mundial após eliminarem a Ucrânia na repescagem. Fizeram uma péssima partida contra a Coreia, perdendo por 2 a 0. Apesar da vitória contra a Nigéria (que saiu na frente e jogou com um a menos por quase 60 min), a equipe não conseguiu complicar a vida da Argentina, que mesmo sem se esforçar muito fez o placar de 2 a 0. Destaque para Salpingidis que marcou o primeiro gol grego na história das Copas.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fracassos e vitórias (I)

Aproveitando o período sem jogos, vamos analisar as equipes desta Copa, sem contar os 4 semifinalistas, que são um caso à parte e merecem ter a sua história contada mais detalhadamente após o término do Mundial.

Grupo A: O México fez uma campanha razoável. Tem bons valores individuais, mas o técnico Javier Aguirre podia ter encaixado a equipe de uma melhor forma. Fez uma boa partida contra a África do Sul, venceu muito bem a França e perdeu para o Uruguai tendo uma atuação apática. Já nas oitavas de final, não se intimidou e fazia uma boa partida contra a Argentina até levar o primeiro gol em situação irregular de Tévez (como agravante, o telão passou o replay do lance, enervando os mexicanos contra a arbitragem e desconcentrando a equipe). Mesmo assim, voltaram dispostos a jogar no segundo tempo, descontando por meio de Hernández. No entanto, o gol não foi suficiente e a seleção mexicana esbarrou nas suas próprias limitações na hora de buscar um resultado adverso de 3 a 0 para os sul-americanos, parando pela quita vez consecutiva na fase de oitavas de final do Mundial. Os destques da equipe foram o meia Giovanni dos Santos, grande maestro do time, e o atacante Javier Hernández, de malas prontas para a Inglaterra, onde irá jogar no Manchester United.
Já os Bafana Bafana lutaram, correram e tentaram, mas não conseguiram passar de fase. Parreira contribui muito para a campanha da seleção sul-africana, que sequer se classificou para a última Copa das Nações (para se ter uma ideia do estágio em que se encontra o futebol nacional do país). Sair da competição com uma derrota, um empate e uma vitória pode ser comemorado como uma conquista. Claro que todos queriam mais; infelizmente, não existe jogo fácil no Mundial e os Bafana Bafana ficaram pelo caminho cedo. Parreira montou uma equipe defensiva, apostando em 3 meias e 1 atacante: foi pouco. Pienaar deixou a desejar, talvez por não estar na melhor condição física, e o centroavante Mphela perdeu muitos gols, principalmente contra o México, no empate que talvez tenha definido a eliminação dos sul-africanos. Destaque para o goleiro Khune, que não teve culpa no penâlti contra o Uruguai, cavado por Luis Suárez, para o zagueiro e capitão Mokoena e para o meia Tshabalala, único dos homens de frente a conseguir vitórias pessoais contra os marcadores.
E a França? Fez o maior papelão do Mundial. Conseguiu, inclusive, ser pior do que a atual campeã Itália, que não passou para as oitavas em um grupo muito fácil. Os Bleus, como são chamados, tentaram jogar apenas no primeiro jogo, contra o Uruguai. Nos demais, até entraram em campo, mas de forma apática e sem qualquer vontade de vencer. Isso sem falar nos fiascos extra-campo: falta de comando do técnico Domenech, jogadores se recusando a treinar, a expulsão de Anelka da delegação em meio à competição... Enfim, um fiasco digno de uma grande reformulação e suspensão para os pivôs dos conflitos: Evra, Anelka, Henry, Gallas e quem mais contribui para manchar a história francesa nos Mundiais.
Bom, para as postagens não ficarem muito grandes vou me guiar pelos grupos. Assim que puder analiso as equipes do grupo B.
Até breve!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Lembrem da Celeste

O sol brilha forte no céu azul celeste. Contra todas as expectativas, o velho gigante se levantou – talvez incomodado com o rumo que o futebol tomava. Cinco tiros definiram o futuro. Três pra um, dois pra outro. É triste ver tudo terminar assim, tão perto de ser muito mais que um simples sonho...

Justiça é bola na rede. A bola pune – e o juiz confirma. Quando o fim se aproximava, muitos diziam já estar morto aquele velho charrua. Então a bola cai no pé azul como que vinda do céu, dentro da área. A última chance. A hora do futebol pagar suas dívidas. Comigo. Com todos que ainda acreditam. Pagar por todos os dançarinos e atores que mancham a intocável mística da bola. Por todos aqueles que não entendem o que o futebol representa. Que não entendem o que ele é. Mas o chute não saiu. A bola não entrou. O apito final, retumbante, atingiu em cheio a alma uruguaia. Me derrubou. Fica cada vez mais difícil acreditar.

Mas a mensagem foi passada. Lembrem dos heróis de tantas batalhas. Lembrem de quando os pequenos se agigantaram. Lembrem dos charruas.

O sol brilha forte no céu azul celeste.

Por Arthur Viana.

Todos iguais!


As semifinais da Copa do Mundo começam hoje. Holanda, Uruguai, Espanha e Alemanha: no próximo domingo, uma dessas seleções ganhará o título de melhor do mundo, o qual carregará pelos próximos 4 anos, até o mundial do Brasil. Embora todos tenham seus favoritos, acredito que não podemos mais enxergar surpresas ou zebras, pois ninguém chega a uma semifinal de Copa por acaso. Todos têm chances iguais, características específicas que os trouxeram até aqui. Vejamos:
O Uruguai com toda a certeza tem a seleção mais fraca tecnicamente entre os semifinalistas. E taticamente é uma seleção que se acertou durante a Copa, estreando no 3-5-2 contra a França e variando ao longo da competição do 4-3-3 para um 4-3-1-2, com Forlán fazendo a ligação entre o meio-campo e o ataque. Apesar de ter o time, teoricamente, mais limitado, a força e a raça, além da mística da camisa celeste (existe uma explicação racional para o que aconteceu nas quartas de final contra Gana?), dão esperanças aos torcedores e desarmam os palpiteiros. Ou alguém ousa cravar que a celeste não será a campeã? Além de todos estes fatores extra-campo, alguns jogadores têm grande participação na campanha histórica do Uruguai, como o goleiro Muslera, os zagueiros Lugano (que não deve jogar a semifinal) e Godín, os volantes Diego Pérez e Arévalo e os atacantes Forlán e Suárez (suspenso, está fora do jogo de hoje), além, é claro, de Loco Abreu, que já mostrou ter sangue frio em decisões.
Já a Holanda chega entre as quatros melhores da Copa com o cartaz de ter eliminado o Brasil, maior campeão e única seleção a participar de todas as edições do Mundial. Pela equipe que tem, me decepcionaram um poucos as atuações da Laranja, que parece um time cansado e burocrático. Mera ilusão, pois os holandeses controlaram os seus 4 primeiros jogos na Copa sem se doarem ao máximo, vencendo com tranquilidade Dinamarca, Camarões, Japão e Eslováquia. Contra a Seleção brasileira mostraram poder de reação e, principalmente, sorte. Além de um esquema bem armado, um 4-5-1 quando se defende e um 4-3-3 quando ataca, a Holanda conta com um grupo de jogadores que dá muitas opções ao técnico Bert van Marwijk: reservas como o zagueiro Ooijer (que teve atuação muito segura contra o Brasil), os meias Afellay e Van der Vaart e o atacante Elia já mostraram condições de que podem substituir os titulares à altura. O goleiro Stekelenburg é candidato a um dos melhores do Mundial, o sitema defensivo é bastante sólido (apesar de ter apresentado falhas contra o Brasil no primeiro tempo das quartas de final), no meio-campo Van Bommel e de Jong dão proteção a zaga, enquanto Sneijder (candidato à artilharia e a craque da Copa) distribui o jogo para Kuyt, Robben (que não foi bem contra o Brasil, mas é excelente jogador) e Van Persie (apesar de andar em falta com as redes, também é ótimo atacante). Ou seja, um time muito perigoso, com um maestro no meio-campo e 2 atacante rápidos e habilidosos, além do esforçado e goleador Kuyt.
Amanhã continuo com as análises dos semifinalistas. Logo mais conheceremos o primeiro candidato ao título da Copa: a Celeste, com toda a sua raça e bravura, ou a Laranja, com sua qualidade técnica e solidez tática e defensiva. Alguém vai arriscar um palpite?

sábado, 3 de julho de 2010

A mão de Suárez e o dedo de Maradona



Infelizmente, não pude postar ontem sobre a vitória da celeste. E que vitória, que jogo! Tenho amigos que torcem pelo Uruguai, mas nunca consegui entender muito bem essa identificação da equipe com seus seguidores, porque não vi grandes copas dos uruguaios desde que acompanho futebol. Mas, ontem, pude sentir na pele o que sentem os admiradores da celeste. Na emoção, na sorte, sabe-se lá como, com Gana perdendo um penâlti no último minuto do segundo tempo da prorrogação e Muslera pegando dois nas dusputas da marca da cal, a celeste segue viva na Copa. Suárez mostrou que é craque, que tem estrela. Não por seus gols, que já garantiram vitórias contra México e Coreia do Sul, mas por uma bela defesa que evitou a classificação dos africanos. Não existem palavras capazes de explicar o que aconteceu no Soccer City, em Joanesburgo. É daquele tipo de coisa que só vendo para crer. Acredito que o Uruguai tem boas chances de ir à final, pois, pela primeira vez no mata-mata, não será considerado favorito. Parabéns a celeste e nos preparemos, que vem aí mais um jogão da Copa.


Já sobre Argentina e Alemanha, não pude acompanhar o primeiro tempo. E que sorte, pois não perdi muita coisa. Ouvi que a Alemanha dominou, fez seu gol cedo e criou as melhores chances. Na segunda etapa... Que baile, que chocolate levaram os argentinos. Maradona, com sua autoconfiança demasiada, manteve o time que até aqui havia batido Nigéria, Coreia do Sul, Grécia e México, todas seleções de nível médio para baixo. Que erro cometeu El Pibe ao entrar em campo com um volante e 2 externos no meio-campo e três atacantes. Massacre alemão, mais uma vez com show de Müller e Ozil, que, aliás, nem precisou jogar tanto. Os alemães vêm forte, acredito que se pegarem a Espanha podem ter mais facilidade de ir à finalíssima do que se enfrentarem o Paraguai, pois a Fúria joga pra frente (apesar de, na minha humilde opinião, não ter feito grandes jogos, mesmo tendo sido sempre superior aos seus adversários) e os sul-americanos jogam atrás, explorando a bola aérea.

Enfim, grandes jogos se anunciam, com a emoção como principal ingrediente de Uruguai e Holanda, duas equipes que tecnicamente não fizeram jogos do nível de Alemanha, Espanha e Argentina, mas que têm se doado e contam com jogadores de qualidade (Forlán e Sneijer candidatos a craque da Copa e Suárez e Sneijder a artilheiros) e a qualidade técnica e tática como atrativo de um possível Espanha e Alemanha, sem querer ofender aos paraguaios, que acredito que não fizeram uma copa para merecerem as semifinais, embora a Espanha também tenha ficado devendo.
Logo mais tem o último confronto de quartas de final e então conheceremos o quarto postulante ao título de campeão da Copa do Mundo África do Sul 2010. Não percam!