segunda-feira, 9 de agosto de 2010

E a dança das cadeiras continua...


Depois de Silas e Estevam Soares, agora é o Vitória que demitiu seu técnico. Ricardo Silva (foto), vice-campeão da Copa do Brasil há menos de uma semana, foi destituído do cargo de treinador e recebeu duas opções: voltar para a função de auxiliar-técnico no Leão ou continuar sua carreira como técnico principal em outro clube.

Neste exato momento, o futebol brasileiro vê um retrocesso em relação a questão dos técnicos. O que foi elogiado ultimamente, o fato de as equipes valorizarem os profissionais - Adilson e Mano, por exemplo, há mais de dois anos a frente de Cruzeiro e Corinthians, respectivamente -, está sendo completamente esquecido. Por que demitir agora um técnico campeão baiano e vice da Copa do Brasil, ainda por cima com o Vitória? (Com todo respeito ao clube e a torcida, mas o Leão investiu bem menos que muitos adversários e os próprios torcedores conhecem melhor do que ninguém as dificuldades que o clube enfrenta)

Estevam Soares então nem teve tempo de trabalhar. PC Gusmão estava tirando leite de pedra no Ceará, mas era certo que o clube não conseguiria manter a campanha que fazia até então:
PC Gusmão: 7 jogos, 5 vitórias e 2 empates; 7 gols marcados e 1 gol sofrido; enfrentou Fluminense (C), Santos (F), Vitória (C), Goiás (F), Cruzeiro (C), Avaí (C) e Atlético-MG (F).
Estevam Soares: 6 jogos, 4 empates e 2 derrotas; 3 gols marcados e 3 gols sofridos, tendo enfrentado Corinthians (C), Inter (F), Guarani (F), Palmeiras (C), São Paulo (F) e Atlético-GO (C).

PC Gusmão enfrentou bons times, mas com ressalvas: Muricy recém havia chegado ao Flu; Santos e Vitória usaram times mistos; Estevam não jogou contra grandes times, mas perdeu apenas para Inter e São Paulo, dois semifinalistas da Libertadores, e ainda assim fora de casa.

Outro caso um tanto contraditório é o de Silas. Tudo bem, o clima aqui no Sul era realmente muito pesado para ele continuar. Mas um técnico que foi campeão catarinense no ano passado, levou o Avaí até a sexta colocação no Brasileirão de 2009, venceu o Gauchão ganhando do Inter no Beira-Rio, com uma grande atuação, e caiu nas semifinais da Copa do Brasil para o Santos, mesmo com todos os problemas de lesão que se apresentaram, não pode ter seu trabalho tão criticado como foi e sair de Porto Alegre hostilizado pela torcida (no jogo de volta das semifinais, por exemplo, Joílson, a QUARTA opção para a lateral-esquerda, que até lateral-direito é, foi a campo marcar Robinho). O clube não é o culpado pelo sucesso do Inter; critiquem o que tem que ser criticado internamente, mas não exagerem. Sinceramente, não vejo a crise do Grêmio do tamanho que a imprensa e a torcida pintam. O que faltou a Silas foi pulso para contornar a situação (colocar medalhões no banco ajudaria) e grife para resistir a uma série de resultados ruins. Ainda assim, o Grêmio fez um bom Gre-Nal, teve plenas chances de vencer, e merecia um resultado melhor contra Cruzeiro e Vasco. O time estava evoluindo, a garra havia voltado. Ainda era pouco, claro que era, mas infelizmente este foi o grupo montado pela DIREÇÃO e é com ele que conviveremos até o final do ano. Como torcedor gremista, entendo a angústia e a frustração de, além de estar mal no campeontao, ver o rival tão bem (que ironia, ainda por cima com nosso ex-técnico). No entanto, essa é a hora de colocar o clube acima de tudo, da política (que certamente interfere nos bastidores do clube), da desconfiança em alguns jogadores mascarados e até mesmo das nossas frustrações pessoais.

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