quarta-feira, 7 de maio de 2014

Idade representa experiência no futebol?

Foto: divulgação CBF.
Nesta quarta-feira, o técnico da Seleção Brasileira, Luís Felipe Scolari, convocou os 23 jogadores que irão defender o País no Mundial. Mais do que discutir um ou outro nome, uma vez que a lista não apresenta grandes surpresas e muito menos ausências, é curioso observar a preferência de Felipão por jogadores, em tese, mais "experientes", especialmente nas posições de defesa. Curiosamente, a quinta seleção mais velha da história do Brasil em Mundiais apresenta apenas 6 atletas que já disputaram Mundiais: o goleiro Júlio César, o único com duas Copas no currículo (as duas últimas, uma como reserva, em 2006, e outra como titular, em 2010, inclusive sendo um dos responsáveis diretos pela eliminação), os laterais Daniel Alves e Maicon, o zagueiro Thiago Silva, o volante Ramires e o atacante Fred. A pressão de jogar uma Copa em casa talvez tenha feito Felipão optar por um time mais experiente, mas seria este experiente apenas por ter uma média de idade (27,7 anos) relativamente alta?

POR QUE LEVAR TRÊS GOLEIROS ACIMA DOS 30 ANOS?

Se um jogador de linha reserva em uma Seleção dificilmente jogará muitos minutos em um Mundial, o que dizer dos goleiros reservas? A Seleção precisa de dois goleiros em alto nível, mas o terceiro nome, na minha opinião, tem que ser alguém promissor, pensando na renovação natural que uma hora irá ocorrer. Claro que nada garante que quatro anos depois este terceiro goleiro será o novo titular; contudo, acho que colocar a preocupação com o resultado acima de tudo e levar 3 goleiros experientes é exagero de Felipão. Embora entenda a convocação dos três goleiros, independentemente de concordar com as opções por Júlio César, Jéferson e Victor (aliás, destes, levaria apenas Victor), acho que o treinador tinha a obrigação de levar um goleiro mais jovem. Júlio não deve estar atuando no próximo Mundial, enquanto Victor e Jéferson dificilmente manterão o nível pelos próximos quatro anos. Se Júlio é o titular de confiança do técnico, acho que um dos reservas deveria sobrar para que um nome mais jovem e que pode vir a assumir a camisa 1 fosse chamado. E o principal nome, hoje, seria o do goleiro Neto, da Fiorentina/ITA (24 anos), ou quem sabe até mesmo de Diego Alves (28 anos), do Valencia/ESP, ou Cássio, do Corinthians (26 anos).

LATERAIS: O PROBLEMA

Os laterais têm representado um dos grandes problemas no futebol brasileiro. Os que jogam por aqui são extremamente criticados, poucos sabem cruzar com uma decência mínima e muitos apenas estão no time porque correm bastante. No âmbito internacional, a coisa não é muito diferente. Se Daniel Alves e Marcelo são incontestáveis, sendo que o lateral do Real Madri/ESP ainda recebe muitas críticas, os reservas Maicon e Maxwell estão ali mais pela certeza de que não irão entregar do que por grandes méritos. Tanto que se Rafinha e Filipe Luís, os outros nomes mais cotados, fossem convocados, a diferença seria mínima. Jogadores mais jovens e promissores, como Danilo e Alex Sandro, ambos ex-Santos e atualmente no Porto, deixaram a desejar com a camisa das Seleções principal e de base a ponto de sequer serem cogitados por grande parte da imprensa como opções para a equipe.

HENRIQUE: A POLÊMICA

Hoje, o Brasil tem dois zagueiros de exceção: Thiago Silva e David Luiz. Embora tenha ido bem sempre que chamado na Seleção, Dante não me parece um defensor dos mais seguros. Além disso, acumula algumas atuações preocupantes, como o pênalti cometido na final da Champions League no ano passado e os duelos com o Real Madri/ESP nas semifinais deste ano. Claro que não se pode crucificar um jogador apenas por 3 partidas, mas não vejo ele como um nome a nível de Seleção. Pior mesmo só a escolha por Henrique. O atual lateral-direito do Napoli/ITA (isso mesmo, sequer na zaga ele tem jogado) acumula passagens de destaque por Coritiba (quando era jovem e logo foi vendido ao Barcelona/ESP, onde nunca jogou) e Palmeiras (onde venceu uma Copa do Brasil, mas foi o capitão do time rebaixado à Série B). Miranda também nunca foi um nome do tipo Seleção, mas hoje está em um momento esmagadoramente superior ao de Henrique.

JUVENTUDE E DINAMISMO NO MEIO-CAMPO

Do meio para a frente, Felipão muda o perfil do time e aposta em jogadores mais jovens e dinâmicos. E acho que acerta ao deixar os acomodados Kaká e Ronaldinho de fora. Talvez, a grande ausência seja Philippe Coutinho; ainda assim, mais pelo que apresentou em campo nesta temporada pelo Liverpool e por ter características diferentes das dos demais meio-campistas, uma vez que Coutinho não foi testado e a sua participação seria uma incógnita. Luiz Gustavo, Paulinho, Fernandinho e Ramires devem ser mesmo os quatro melhores volantes da atualidade. Oscar e Willian têm histórico em Seleções de base e vivem grande temporada em um clube de ponta, o Chelsea/ING. Já os chamados de Bernard e Hernanes são os mais contestáveis. O primeiro, embora jovem e muito bom jogador, vive uma temporada um tanto quanto marcada pelo ostracismo e tem ficado mais na reserva do que em campo no Shaktar Donetsk/UCR. Hernanes mudou de clube no meio da temporada, trocando a Lazio/ITA pela Inter de Milão/ITA. É igualmente um bom nome, mas já viveu momentos melhores e certamente tem suas atuações atrapalhadas pelo momento instável das equipes que defendeu ao longo da temporada. Se Éverton Ribeiro estivesse mantendo o nível do ano passado certamente teria lugar nesta equipe. O mesmo pode se dizer de Alex, do Coritiba, que apesar da idade é um craque e certamente seria um bom nome, até mesmo por acrescentar experiência ao setor. Mas o "se" no futebol definitivamente não tem vez.

FÁBRICA DE ATACANTES MORRENDO À MÍNGUA?

Entre os atacantes, Neymar é sem dúvida a grande unanimidade, até mesmo por ser o craque desta equipe. Fred tem boa aceitação e melhorou o seu preparo físico, a principal crítica de quem torcia o nariz pelo camisa 9. E Hulk e Jô seguem fazendo boas temporadas, além de aparentemente terem superado a desconfiança da torcida. Incrivelmente, o Brasil, conhecido como o País do futebol, não tem grandes atacantes a serem lamentados ou muitas opções para serem escolhidas. Os principais artilheiros jogando por aqui já estão convocados, enquanto que a nível Mundial o Brasil não está nas listas das principais ligas. A ausência talvez seja Diego Costa, mas o sergipano disse "não" ao convite de Felipão e deve vir ao País para jogar a Copa pela atual campeã mundial Espanha.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Resta um...

Foto: O Tempo
Com as eliminações de Grêmio e Atlético-MG na Libertadores, o Cruzeiro segue como o único representante brasileiro na competição. Para melhorar ainda mais o cenário, 6 entre as 8 equipes classificadas como primeiras colocadas em suas chaves foram eliminadas - além dos brasileiros, caíram o Vélez/ARG, Santos Laguna/MEX, Cerro Porteño/PAR (eliminado pelo próprio Cruzeiro) e Uniõn Española/CHI. Nas quartas, a Raposa encara o San Lorenzo/ARG, atual campeão argentino e que eliminou o Grêmio nas oitavas. Faz o primeiro jogo no Nuevo Gasômetro, já que os argentinos também ficaram em segundo no seu grupo e têm campanha inferior aos mineiros, e decide no Mineirão.

A VANTAGEM DE JOGAR EM CASA?

As equipes de melhor campanha jogam a segunda partida em casa, mas esta "vantagem" não se consolidou nas oitavas. Entre as 6 equipes que se classificaram em primeiro e foram eliminadas, quatro delas perderam a partida de ida, ou seja, deixar para resolver em casa no segundo jogo é uma estratégia muito arriscada. Fica a dica para o Cruzeiro, que empatou no Mineirão e conseguiu uma grande vitória no Paraguai.

VOTO PELA CONTINUIDADE

O torcedor gremista está carente de títulos, mas conquistar campeonatos difíceis como Libertadores e Brasileiro após trabalhos curtos de 3, 4 meses é muito complicado. Enderson Moreira é um treinador jovem e já mostrou que tem muita qualidade, assim como o elenco Tricolor, que tem bons valores que ainda não estão prontos. A hora é de ter calma e dar um voto de confiança pela continuidade do treinador e também de boa parte do elenco. Achar que ninguém serve só porque não ganhou, além de não ajudar ainda contribui muito para afastar qualquer possibilidade de título do clube ainda neste ano.

SURPRESA EM MATO GROSSO

O Cuiabá surpreendeu positivamente no empate por 1 a 1 desta quinta-feira contra o Inter pela segunda fase da Copa do Brasil. Claro que esperava-se um pouco mais do time de Abel Braga, se não com a eliminação do segundo jogo, pelo menos com uma vitória. Mas as dificuldades do time gaúcho passaram muito também pela boa atuação dos mato grossenses, que disputam a Série C nacional. O que talvez mais tenha faltado ao time no jogo de ontem é um jogador mais agudo na linha de meias, alguém que complemente as características dos tocadores de bola Áranguiz, Alex, D'Alessandro e Alan Patrick e se junte mais a Rafael Moura. Há algum tempo, o Colorado tem sofrido desse problema e Valdívia, que vem jogando bem e ganhando espaço, não é o jogador para resolver esse problema. Apesar do resultado surpreendente, o Inter tem tudo para vencer em casa e avançar na Copa do Brasil. O grande fato a lamentar é que não terá uma semana cheia para trabalhar, o que teria acontecido se o jogo da volta fosse eliminado.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Noite de superação e pé na forma

O Grêmio entra em campo nesta quarta-feira contra o San Lorenzo/ARG para decidir o seu destino na Libertadores. A formação deve ter 3 jogadores com características mais ofensivas no meio-campo, como Enderson já admitiu ser a ideia inicial, mas que ainda não havia conseguido colocá-la em prática. Zé Roberto deve ser o armador, com Luan e Dudu abertos pelos lados em uma linha à frente dos volantes Edinho e Riveros e atrás do centroavante Barcos. Antes do jogo, Enderson acerta, é a hora de testar um time mais ofensivo e de correr mais riscos, resta ver como será na prática. Imagino que o Grêmio deveria se impor já desde os primeiros minutos e pressionar o San Lorenzo, pois se conseguir um gol ainda no primeiro tempo terá todas as condições de se classificar no tempo normal. Se chegar ao intervalo com um 0 a 0, as coisas podem se complicar muito. O San Lorenzo vai fazer a tradicional cera, na qual os argentinos são mestres, e o nervosismo pode atrapalhar a pontaria dos atletas tricolores. Será uma noite de superação, como sempre deve haver em qualquer jogo, especialmente de Libertadores, mas principalmente de pé na forma para o time do Grêmio. Não desperdiçar chances é fundamental para derrubar o bom e abençoado time argentino.

No Paraguai, o Cruzeiro encara o Cerro Porteño com a desvantagem de ter empatado em casa por 1 a 1. Embora o atual campeão brasileiro tenha melhor time, vale lembrar que os comandados de Marcelo Oliveira foram derrotados fora de casa por Real Garcilaso/PER e Defensor/URU, mas cresceram nos últimos jogos da fase de grupos e venceram a Universidad de Chile. Dá para classificar e o time brasileiro entra como favorito, mas não pensem os mineiros que será tarefa fácil. Na noite desta terça, o melhor time da primeira fase, o Vélez/ARG, foi eliminado pelo pior segundo colocado, o Nacional/PAR, só para reforçar que na Libertadores não existe essa história de time ruim e de que brasileiros e argentinos são quase imbatíveis.

FINAL DA CHAMPIONS: REAL MADRI X AZARÃO?

Foto: Getty Images/GOAL
O Real Madri/ESP conseguiu uma classificação maiúscula à final da Champions League, batendo o Bayern de Munique/ALE por 5 a 0 no placar agregado. De forma semelhante, os Bávaros haviam enfiado 7 a 0 em dois jogos contra o Barcelona/ESP no ano passado. Mais uma vez, o bom do futebol é que não existem jogos "jogados" antes da bola rolar. Embora isso seja uma obviedade, é grande o número de pessoas que acredita única e exclusivamente na frieza dos números e dos resultados para apontar um vencedor.

O time do Real é muito forte, há de destacar, mas parece que apesar de o Bayern ter vencido tudo com estes mesmos jogadores no ano passado e de ter sobrado no campeonato alemão, os comandados de Pep Guardiola talvez não estivessem tão comprometidos em conquistar o título, o que até é compreensível já que são os atuais campeões. Por outro lado, o Real deseja a Champions League desesperadamente já há algum tempo (venceu pela última vez em 2002) e sofreu vendo o Barcelona conquistar títulos em 2006, 2009 e 2011. Assim, até mesmo um craque como Cristiano Ronaldo comprou totalmente a ideia do treinador Carlo Ancelotti de defender com competência e contra-atacar para ser mortal, fórmula mais do que consolidada contra times que valorizam tanto a posse de bola como as equipes de Guardiola, mas que também não é fácil de ser executada com tamanha competência.

Nesta quarta-feira, ocorre a outra semifinal entre Chelsea/ING x Atlético de Madri/ESP. Antes das semifinais iniciarem, o Bayern sempre foi tratado como um grande favorito, como se fosse apenas questão de tempo para entrar em campo e assegurar o segundo título. Agora, o Real, por ter eliminado o Bayern, vai ser tratado como favorito. Mas eu não tenho tanta certeza... O Atlético de Madri/ESP, embora tenha orçamento bem menor que os rivais, é o líder do campeonato espanhol e só depende de suas próprias forças para ficar com a taça. Pode até mesmo chegar à última rodada, contra o Barcelona, no Camp Nou, já com o título antecipado. Na Inglaterra, o Chelsea ainda briga pelo título, embora precise de tropeços de Liverpool e Manchester City. Mas no último domingo, em um jogo tratado com clima de final pela torcida do Liverpool, Mourinho levou seu time totalmente desfalcado ao estádio Anfield e venceu por 2 a 0.

O jogo de hoje deve ser bastante disputado e parecido com o duelo da semana passada, que terminou 0 a 0 no Vicente Calderón. A favor do time de Mourinho, além da presença do próprio técnico, acostumado a títulos, é a experiência de campeões como Cech, Terry, Lampard e Eto´o, o que pesa contra o time de Simeone. Mas a temporada que os colchoneros vêm fazendo dão todas as esperanças ao torcedor de que é, sim, possível eliminar os ingleses e avançar para a final contra o rival Real Madri. Independentemente de quem passar, imagino que a decisão da Champions League 2013/14, que será disputada em Lisboa, será marcada pelo equilíbrio, podendo ter o duelo entre dois gigantes do futebol ou um clássico local entre o primo rico e o primo pobre.


PHILIPPE COUTINHO

Felipão deve anunciar a convocação da Seleção Brasileira no próximo dia 7 de maio. A lista está bastante definida e também parece bem justa, embora sempre possível contestar um outro nome escolhido pelo treinador da seleção nacional. No gol, Júlio César e Jéferson já garantiram a vaga; o terceiro nome pode ser Victor ou então um goleiro jovem como Neto, da Fiorentina, que faz grande temporada. Nas laterais, Dani Alves e Marcelo são titulares, enquanto Maicon e Maxwell devem ser os reservas, com Rafinha e Filipe Luís correndo por fora. Na zaga, Thiago Silva, David Luiz e Dante são presenças certas, enquanto Dedé e Miranda são os principais concorrentes à última vaga. No meio-campo, Luiz Gustavo, Paulinho, Oscar, Hulk e Neymar devem compor o quinteto titular; Ramires, Willian e Bernard podem se considerar muito próximos da vaga, restando duas vagas: um volante, que pode ser Fernandinho (o favorito), Lucas Leiva ou Hernanes, e um meia-atacante, que pode ser Lucas (do PSG), Robinho ou até mesmo Hernanes, que pode ser convocado para funções diferentes. Na frente, Fred e Jô devem ser as opções de referência.

Foto: Skysports
Entre os nomes em alta neste final de temporada na Europa, o que mais poderia ajudar a Seleção é Philippe Coutinho (foto). Surgido com status de estrela no Vasco e vendido muito jovem, ele demorou a se firmar e conseguir algum destaque até chamar a atenção do Liverpool. Nesta temporada, Coutinho carrega a camisa 10 dos Reds e é, ao lado de Gerrard, Suárez e Sterling, um dos pilares da grande campanha que pode dar o título inglês aos comandados de Brendan Rodgers. Além da grande temporada, Coutinho tem características de um meia-armador, o que falta à seleção. Embora jogue numa faixa parecida com a de Oscar, o meia do Chelsea é um jogador mais de condução e aproximação, enquanto Coutinho joga mais recuado, armando e distribuindo. Claro que Oscar deve ser o titular e o fez por merecer, até mesmo porque vem jogando em alto nível há mais tempo, mas acho que Coutinho poderia ser uma ótima opção para a equipe de Felipão, por ter amadurecido e atingido um alto nível de atuações. Vale ressaltar que o Brasil recuperou boa parte do seu status de favorito desde que Felipão assumiu e conquistou o título das Confederações naquele chocolate contra a Espanha, logo, é de se esperar que a Seleção vá encarar equipes muito fechadas. Analisando o perfil do elenco, Coutinho talvez se encaixe como a peça que falta para atuar ao lado de jogadores de velocidade e abastecendo um centroavante de referência, como gostam de jogar as equipes de Felipão.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Abençoado pelo Papa, San Lorenzo faz dever de casa

A derrota do Grêmio para o San Lorenzo/ARG na noite desta quarta-feira por 1 a 0, no estádio Nuevo Gasometro, mostrou evolução por parte do time Tricolor. Assim como no começo da temporada, especialmente nos jogos da primeira fase da Libertadores, o time foi organizado, marcou com energia e sofreu poucos ataques. Contudo, do meio para a frente, a equipe ainda se ressente de jogadas melhor trabalhadas e de um ataque mais efetivo. A derrota por 1 a 0 deixa o Grêmio vivo na Libertadores, mas para avançar a equipe terá que corrigir alguns defeitos e aproveitar as chances de gol que até vêm criando e desperdiçando.

Foto: Zero Hora - Juan Mabromata/AFP
A escalação de Enderson com Geromel (foto) e Léo Gago é plenamente justificável pela maior experiência dos atletas em relação a Bressan e Breno. Nada contra os jovens, mas Bressan foi inseguro quando atuou e Breno sofreu para marcar Marcelo contra o Atlético-PR, logo dá para entender a opção de Enderson. Na zaga, Geromel foi muito bem, ganha vantagem na briga para substituir Rodolpho enquanto ele estiver fora e até mesmo pode permanecer no time se manter o nível da atuação de ontem. Já Léo Gago foi mal, estava sem tempo de bola e ainda errou todos os cruzamentos para a área em cobranças de falta.

Armado de forma diferente dos últimos jogos, o Grêmio não esteve postado no 4-4-1-1, com duas linhas e um meia se aproximando de Barcos. Jogou no 4-1-4-1, com Edinho plantado a frente da defesa e a linha de meio mais avançada com Ramiro e Zé Roberto por dentro e Riveros e Dudu abertos. O time argentino, comandado por Edgardo Bauza, campeão com a LDU/EQU em 2008, entrou no esquema 4-4-2, com o atacante Correa jogando mais recuado e Matos espetado entre os zagueiros. O San Lorenzo tem dois laterais bons no apoio (Buffarini e Más), mas volantes que apenas marcam, o que deixa a equipe com muitas jogadas pelo lado e poucas por dentro. Após segurar a pressão inicial do San Lorenzo, o Grêmio passou a marcar mais na frente e a levar algum perigo. No entanto, o primeiro tempo terminou sem grandes lances de perigo para os dois lados, apesar do jogo ter tido boa intensidade.

Na volta do intervalo, o Grêmio veio melhor, mas quem marcou foi o San Lorenzo. Após um lateral cobrado rapidamente, o time argentino envolveu a defesa com toques rápidos até a bola chegar em Correa, que bateu firme para abrir o placar. Apesar da desatenção, o gol foi mais mérito do time argentino do que erro do time gaúcho. O chute no meio do gol era defensável, mas é difícil considerar falha de Marcelo Grohe porque o atacante estava de frente para o gol, dentro da área e pegou firme na bola. Ainda assim, se não tentasse adivinhar o canto o goleiro poderia ter feito a defesa com certa tranquilidade. A trama rápida, com jogadores de habilidade, como no gol argentino, é o que por muitas vezes falta ao Tricolor, que tem apenas Dudu como opção mais aguda. Barcos não consegue segurar a bola e não tem velocidade para tabelar; Riveros não tem a dinâmica de um meia ofensivo e quando Ramiro não surge como elemento surpresa, o time fica apenas com a alternativa pela esquerda com Dudu, que ainda estava sem a parceria de Wendell, que apoia bem. Mesmo com as dificuldades, após o gol, o Grêmio foi pra cima, com Luan na vaga de Ramiro. Enderson manteve a estrutura, apenas adiantou ainda mais o time na busca do empate. A melhor chance veio com Barcos após um recuo defendido pelo goleiro, mas o argentino não se entendeu com Dudu e mandou por cima a chance do empate.

Para a partida da volta, o Grêmio vai ter que fazer valer a força da Arena. O San Lorenzo tem bom time, mas não é nenhum bicho-papão. O problema maior é o próprio Tricolor, que terá que ser mais envolvente e aproveitar melhor as chances de gol. É possível que Enderson repita o 4-1-4-1, mas alguém deverá ceder o lugar para Luan. Edinho foi bem à frente da zaga e Riveros foi melhor que Ramiro, o escolhido por Enderson para sair na partida na Argentina. Logo, pode ser um indício da formação que será usada no jogo da volta. Se Wendell não se recuperar, a lateral-esquerda pode ser um problema, pois o time tem uma opção a menos com a lesão de Léo Gago. As opções são Breno ou deslocar Pará e colocar Moisés na direita; na prática, não devem representar muita diferença. O que o Grêmio precisa manter é a atitude e a boa atuação defensiva, não exitando e indo para todos os lances de forma decisiva. Na frente, precisará mais de Zé Roberto, Luan e Dudu, uma vez que Barcos não inspira confiança. A classificação está logo ali, mas o ataque, que nunca foi o ponto forte do time, mesmo no melhor momento da temporada, vai precisar estar muito mais inspirado do que nos últimos jogos.

AINDA LIBERTADORES - O Atlético-MG, de Paulo Autuori, levou um gol no último minuto e saiu em desvantagem contra o Atlético Nacional/COL nas oitavas de final da Libertadores. Após ficar se defendendo praticamente o tempo todo e observando uma série de grandes defesas do goleiro Victor, o time sofreu o gol de Sherman Cárdenas no finzinho em chute de fora da área. Jogar com a faixa de campeão é sempre difícil, mas o Galo parece que ainda não entrou em campo para valer na temporada. Tem sobrevivido de alguns lampejos ofensivos e da organização defensiva, mas o time de Autuori é um retrato do técnico nos últimos tempos: acomodado e sem vibração.

domingo, 23 de março de 2014

Messi: esperança argentina na Copa

Foto: Globoesporte/Agência AP
O duelo Real Madri x Barcelona neste domingo pelo campeonato espanhol foi um jogo emocionante, sem dúvida. O placar de 4 a 3 para a equipe catalã deixa isso claro, embora a partida tenha ficado abaixo do que as duas equipes podem apresentar. Por se tratar de um superclássico, assim como um Gre-Nal, o nervosismo e o medo de errar atrapalham demais. Dessa forma, o duelo tático fica prejudicado, a qualidade de organização e troca de passes das equipes fica debilitada, e a emoção e a vontade se sobressaem, além, é claro, da qualidade. E nesta partida ficou provado mais uma vez: Messi é o melhor jogador do mundo, vai se tornar uma lenda assim como Pelé e Maradona, talvez até maior em títulos e gols.

Isso porque sem ter feito uma das suas melhores partidas ele comandou o time do Barça na reação após estar por duas vezes atrás do placar. Logo no começo, o argentino deu lindo passe para Iniesta, outro monstro em campo, abrir o placar. Em duas jogadas bem parecidas, Di María cruzou e Benzema marcou duas vezes, virando para o Real. Após um bate-rebate que começou com passe de Messi para Neymar, a bola sobrou dentro da área para o camisa 10 argentino empatar o jogo.

Na volta do intervalo, Cristiano Ronaldo tentou atrair a atenção e fez jogada individual para cima de Daniel Alves, sendo derrubado fora da área, mas ganhando um pênalti, que o próprio português converteu. E quando a noite parecia do Real, Messi surgiu e acabou com a festa. Após um passe sensacional para Neymar entrar em diagonal, o brasileiro foi levemente deslocado por Sérgio Ramos quando sai cara a cara com o goleiro; pênalti, cartão vermelho para Ramos e gol de Messi. Logo depois, Xabi Alonso e Carvajal fizeram um sanduíche de Iniesta dentro da área: mais um pênalti e o terceiro gol de Messi.

O Barça de Tata Martino é uma equipe confusa, embora tenha os mesmos jogadores dos últimos anos. O time parece mal treinado, sem saber o que fazer com a bola. Xavi está burocrático, Neymar vive de lampejos, mas Iniesta e, principalmente, Messi são jogadores de outro nível. E através deles é que o Barça segue vivo na temporada. E mais: graças ao camisa 10 argentino é que a seleção de Alejandro Sabella não pode ser tirada do grupo de favoritas ao título da Copa do Mundo.

Assista os gols aqui.

A origem das leis brasileiras

Por Diego Ferreira Pheula



Ao completar um ano a tragédia ocorrida na boate Kiss, em Santa Maria (RS), foi veiculada a notícia de que a lei nacional prometida por deputados federais para unificar as normas de segurança contra incêndios em todo o país ainda não havia sido votada, o que, além de gerar um sentimento de revolta e de insegurança na sociedade, faz surgir uma pergunta ainda sem resposta: por que, no Brasil, as leis são elaboradas apenas quando ocorre alguma catástrofe?

O exemplo acima citado não é o único, podendo ser lembrada a Lei Maria da Penha (Lei 11.340), promulgada em 2006, a qual ganhou este nome em homenagem à Maria da Penha Maia Fernandes, que, por vinte anos, lutou para ver seu agressor preso, tendo sofrido a primeira tentativa de assassinato de seu ex-marido em 1983, quando levou um tiro nas costas enquanto dormia, ficando paraplégica. Na segunda tentativa, o agressor a empurrou da cadeira de rodas e tentou eletrocutá-la no chuveiro. Após 23 anos da primeira agressão e de aparecer Maria, já de cadeira de rodas, no Jornal Nacional, finalmente foi votada e promulgada a lei, sendo permitida a violência doméstica contra a mulher até então, apesar de isto ter ocorrido durante décadas em nosso país.

Outra lei feita nos mesmos moldes foi a Lei dos Crimes Hediondos (Lei 8.072), promulgada em 1990, a qual deveria abranger os crimes mais graves previstos em lei, tendo esta nascido a partir do sequestro do empresário paulista Abílio Diniz, em 11 de dezembro de 1989, Em 1994, a autora de novelas da Rede Globo, Glória Perez, motivada pelo assassinato de sua filha, Daniela Perez, liderou um projeto de iniciativa popular de lei, colhendo mais de 1 milhão de assinaturas, o que resultou na Lei 8.930, a qual alterou a LCH, transformando o homicídio qualificado em crime hediondo. Ainda, um projeto de lei de 2013, já aprovado pelo Senado Federal, pretende tornar os crimes de corrupção como hediondos, destacando-se que tal PL só foi elaborado após o julgamento do caso Mensalão, o qual teve ampla cobertura midiática.

Além disso, pode ser mencionada a Lei 12.720, promulgada em 2012, a qual acrescentou o art. 288-A ao Código Penal, introduzindo nesta legislação o crime de constituição de milícia privada, tendo nascido tal lei após a CPI das Milícias, no Rio de Janeiro, que apurou a participação de agentes da Segurança Pública (Policiais Militares e Civis, Bombeiros, etc.) em crimes cometidos em favelas e comunidades de baixa de renda, montando, para tanto, uma espécie de quadrilha armada (milícia), situação retratada no filme Tropa de Elite 2, o que motivou a aceleração da tramitação da votação da lei.

Diante de tudo isso, é possível concluir que a lei brasileira, em regra, nasce de necessidades fortuitas e passageiras ou de situações momentâneas, muitas vezes elaborada no calor dos acontecimentos, logo após a ocorrência de alguma tragédia ou de um fato isolado, nunca fruto de estudos minuciosos e nunca elaborada por um frio legislador, capaz de enxergar os problemas futuros da sociedade e, a partir daí, transformar a resolução destes problemas ainda não surgidos em lei. A lei é instrumento importante para corrigir as distorções da sociedade, sendo banalizada, no entanto, no Brasil nas últimas décadas, sempre apresentada como salvadora da pátria, como se fosse a única alternativa para resolver alguma mazela social. Por conta disso, quando algum problema não consegue ser solvido em curto prazo, os cidadãos já apontam a lei como falha e passam a exigir a sua mudança, criando, assim, um ciclo vicioso, não compreendendo que nem sempre o problema é a lei, mas, sim, a sua efetiva aplicação ou a ausência de medidas que possam complementá-la.

O ideal é que a lei seja voltada para o futuro, para resolver os problemas ainda não surgidos na sociedade, devendo fazer parte das políticas adotadas pelos governantes em conjunto com outras que possam ser eficazes, não podendo as mazelas sociais serem solvidas tão somente pela lei, sob pena de banalizá-las.
 
Para que isso ocorra, é necessário que o eleitor, isto é, o cidadão brasileiro, informe-se acerca do candidato a ser votado no momento da eleição, procurando eleger aquele que se preocupa com a evolução da sociedade, que se preocupa com a construção de um futuro próspero, que se empenha na promulgação de leis que possam solucionar os seculares problemas do nosso país, que, mesmo sendo relativamente jovem, já deveria estar em uma situação melhor, do ponto de vista social, educacional, econômico, etc., se tivesse legisladores mais preocupados com o bem estar social, e não com seus próprios interesses. Com a evolução da sociedade brasileira, a qual passa por profundas transformações, espera-se um comportamento mais ativo e técnico do eleitor brasileiro, para que isso se reflita em um novo perfil do político brasileiro, o qual deverá ser um visionário, um legislador capaz de enxergar a sociedade daqui a 50, 100 anos, que não pense só na eleição seguinte, deixando de elaborar leis casuísticas e voltadas para o passado, que procure construir um futuro melhor.

quinta-feira, 20 de março de 2014

A volta da vingança privada

* Por Diego Ferreira Pheula

Os recentes casos em que cidadãos organizaram uma espécie de julgamento privado de suspeitos de cometerem crimes causaram inúmeras manifestações de pessoas defensoras de direitos humanos, tendo algumas destas afirmado que a idéia da justiça com as próprias mãos não passa de pura barbárie. Afinal, por que, no Brasil, parece estar havendo a volta da vingança privada?

Para citar um dos tantos casos ocorridos, cabe destacar o acontecido no dia 26 de fevereiro deste ano, no Rio de Janeiro, em que um menor de 17 anos, suspeito de ter furtado um telefone celular, teve os pés e as mãos amarrados a um poste por pedestres que teriam presenciado o delito. Houve, ainda, inúmeras situações idênticas a este, inclusive com violência ao suposto criminoso, não se sabendo, até o presente momento, a razão pela qual levou cidadãos a praticarem a chamada justiça com as próprias mãos.

A antiga Lei de Talião (“olho por olho, dente por dente”), vigente durante a Idade Média, foi um dos grandes marcos da vingança privada, garantindo à pessoa agredida ou prejudicada o direito de retaliar o prejuízo sofrido, podendo, inclusive, matar outra pessoa, caso fosse correspondente à violência sofrida. Com o final da vingança privada e o início da intervenção do Estado nos litígios entre as pessoas, a apuração de crimes e sua autoria passou a ser assunto afeito ao Poder Judiciário, consubstanciada na figura de um juiz, o qual é responsável pela colheita das provas, oportunizando à parte acusatória (que hoje é centrada no Ministério Público) e à defesa o direito de se manifestarem e postularem provas, produzidas com o intuito de reunir elementos probatórios e decidir se um acusado é culpado ou não do cometimento de um crime.

O atual estado de justiça privada pode ser reflexo da falta de confiança da população nas instituições que deveriam apurar os crimes e punir os seus responsáveis (Polícia, Ministério Público e Poder Judiciário), as quais têm se mostrado ineficientes no combate ao crime, falhando na tarefa de estabelecer o equilíbrio dentro da sociedade e de evitar o cometimento de novos crimes, tendo como exemplo o caso de uma Juíza da Comarca de Porto Alegre/RS, que revogou as prisões provisórias de 31 réus, alguns de alta periculosidade e com acusações de homicídio doloso, quadrilha ou bando, tráfico ilícito de drogas e receptação. Outro exemplo do descrédito da justiça brasileira é o caso do Mensalão, em que os acusados, políticos renomados do Congresso Nacional, foram absolvidos do crime de quadrilha, mesmo havendo provas nos autos de que agiram de forma conjunta, em conluio, com o fito de desviar dinheiro público.
Por esses motivos, a justiça brasileira caiu em desgraça perante a sua população e “autorizou”, de certa forma, a tal justiça privada, a qual não tem limites, considerando que não há fiscalização, isto é, os cidadãos têm feito o que bem entendem com os acusados de delitos, desde amarrá-los em postes até espancamentos, sendo o linchamento uma das próximas medidas a serem tomadas pelos novos justiceiros. Cada vez mais tem ficado nítida a insatisfação da sociedade com a impunidade, não mais tolerando que delinqüentes pratiquem delitos e saíam ilesos, sem sequer serem investigados pela polícia.

Para que a justiça privada seja expurgada da sociedade brasileira, é necessário que as autoridades públicas (polícia, MP e Poder Judiciário) retomem o comando dos processos criminais e busquem fazer justiça, punindo os criminosos de acordo com os delitos praticados, trazendo mais equilíbrio nas relações sociais. Se isso não ocorrer, a vingança privada se intensificará e ficará cada vez mais difícil controlar uma sociedade sedenta por justiça e intolerante com o crime, a qual não mais suporta a impunidade, crescente em nossa sociedade.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Brasil goleia, mas não é testado

A quarta-feira foi a última data reservada pela FIFA para amistosos entre as seleções. Dependendo do grau de necessidade, alguns países enfrentaram confrontos mais equilibrados ou mais tranquilos. O Brasil optou por um adversário mais fácil, a África do Sul, que sequer virá ao Mundial. O time de Felipão jogou com seriedade e chegou tranquilamente a uma goleada por 5 a 0, gols de Neymar (3), Fernandinho e Oscar. Serviu para poucas análises e mais como um treino para o duelo com Camarões pela fase de grupos do Mundial, já que o futebol praticado no continente africano é parecido, na visão da comissão técnica brasileira.

O grupo de Felipão para a Copa não deve apresentar grandes novidades. Júlio César e Jefferson estão garantidos como goleiros, restando apenas o terceiro nome. Daniel Alves e Marcelo serão titulares nas laterais, enquanto Maicon e Rafinha brigam pela reserva na direita, e Maxwell se encaminha para ser o substituto na esquerda. A defesa contará certamente com Thiago Silva, David Luiz e Dante, restando um nome, que pode ser Dedé. No meio, Luiz Gustavo, Paulinho e Ramires estão perto da Copa, enquanto Fernandinho estreou marcando um golaço e se credenciando a brigar pela vaga com Hernanes. No meio, além dos prováveis titulares Oscar, Hulk e Neymar, devem ser chamados Bernard, Willian e mais um nome, que pode ser Robinho ou Kaká, ou até mesmo a grande surpresa na lista de Felipão, se ela vier. Na frente, tudo se encaminha para Fred e Jô disputarem a vaga de camisa 9. Claro, tudo vai depender das lesões. Se algum jogador se machucar e for cortado, certamente o treinador brasileiro já deve ter os nomes para as posições. Em pouco tempo no comando da equipe, Felipão montou seu time e seu grupo, e o Brasil, ao que tudo indica, deve chegar sem turbulências e sem novidades ao Mundial.

EUROPEUS ARRISCAM EM TESTES FORTES

Espanha x Itália, França x Holanda e Alemanha x Chile bem que poderiam ser jogos interessantes de mata-mata em uma Copa do Mundo. Nessa quarta-feira, apesar da turbulência que um resultado ruim poderia causar há 3 meses do Mundial, essas 6 equipes se enfrentaram. A Espanha venceu, 1 a 0, gol de Pedro. A partida serviu para a estreia de Diego Costa e para mostrar que a Itália ainda tem muitas dificuldades. Hoje, Brasil e Espanha estão um passo a frente dos rivais, e entram como favoritos contra quem quer que seja. A França dá sinais de melhora, mas ainda é muito irregular. Venceu bem a Holanda, 2 a 0, mas não está claro o tamanho do estrago que a seleção de Didier Deschamps pode fazer. Já a Alemanha fez um segundo tempo muito ruim contra o Chile. Venceu por 1 a 0, mas deixou uma péssima impressão. Apesar de Bayern de Munique e Borussia Dortmund seguirem fortes no cenário continental, muitos jogadores passam por um momento ruim e o treinador Joachim Low não está encontrando soluções para os problemas técnicos e de lesão.

terça-feira, 4 de março de 2014

Craques do futebol, ruins de consciência

Por Diego Ferreira Pheula

As declarações de Pelé, o qual afirmou que as pessoas deveriam esquecer as manifestações ocorridas no Brasil e apoiar a Seleção Brasileira de Futebol, e de Ronaldo Nazário, que disse que não se faz Copa do Mundo com hospitais, mas, sim, com estádios, refletem a imagem do jogador de futebol no Brasil construída há décadas, isto é, a de que o talento futebolístico não é proporcional à consciência de que se deveria ter, seja no âmbito sócio-econômico, seja no âmbito político. Afinal, por que o jogador de futebol brasileiro é tão alienado?

Não há dúvida quanto ao talento de Pele e de Ronaldo, os quais tiveram exitosas carreiras. O Rei do Futebol, por exemplo, foi o primeiro jogador a marcar mais de mil gols, além de ter conquistado três Copas do Mundo (1958, 1962 e 1970), tendo marcado época no lendário time do Santos da década de 1960. Ronaldo, por sua vez, é o maior goleador em Copas do Mundo, com 15 gols, tendo conquistado as Copas de 1994 e de 2002, sendo, ainda, o artilheiro da de 2002 (8 gols), além de ter atuado pelos principais clubes da Europa, como Real Madrid, Barcelona, Internazionale de Milão e Milan. Por tudo isso, fica difícil acreditar que jogadores tão renomados sejam tão inconscientes quanto às questões não relacionadas ao esporte.

A alienação do futebolista brasileiro pode ser explicada por uma singela razão: a falta de educação, a educação que foi programada para não haver, impedindo o cidadão brasileiro de melhorar sua vida e de elevar sua condição social através do conhecimento. Diferentemente de outros países, como nos Estados Unidos, onde o esporte está atrelado ao ensino escolar, em que os atletas recebem bolsas de estudos para praticar esportes, o futebol é utilizado, no Brasil, por indivíduos pertencentes às classes de baixa de renda como forma de “ascensão social”, com o único intuito de enriquecerem rapidamente, sem, no entanto, adquirirem a educação que deveriam possuir, como conhecimentos básicos de matemática e de língua portuguesa, por exemplo, além de outros temas mais complexos, como economia e política.

A ausência de esclarecimento dos atletas brasileiros se reflete em movimentos esporádicos e elitistas, como o Bom Senso FC, o qual foi organizado por jogadores que, em sua maioria, recebem altíssimos salários, e que atuam em grandes clubes da Série A do futebol brasileiro, tendo tal movimento se limitado a reivindicar, dentre outros pleitos, a redução do número de jogos. Em contrapartida, nunca se viu destes mesmos jogadores palavras de protesto contra os dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que constantemente estão envolvidos em casos de corrupção, tendo como exemplo recente o ex-presidente da entidade, Ricardo Teixeira, o qual foi obrigado a se afastar da CBF e do Comitê Organizador da Copa de 2014 após acusação de que teria aceitado suborno de uma empresa que prestava serviços de marketing para a FIFA. Em outras modalidades esportivas, atletas já se posicionaram politicamente diante de casos de corrupção, como os judocas brasileiros, os quais se opuseram à gestão da família Mamede, ocupante por mais de 30 anos da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

A alienação dos citados ex-atletas, contudo, não os impediu de auferirem enormes lucros com o futebol, principalmente após o término de suas carreiras. Pele e Ronaldo são bem sucedidos empresários do futebol, ganhando milhões em negócios envolvendo atletas de várias modalidades, além de participarem da organização da Copa do Mundo no Brasil, cuidando apenas de seus próprios interesses particulares. É evidente que os mencionados atletas poderiam ter “emprestado” suas imagens para questões mais relevantes e para beneficiar inúmeras pessoas, mas isso dependeria de uma consciência sócio-econômica e política que eles não possuem, justamente por serem filhos da educação deficiente no Brasil, algo a ser melhorado nas próximas décadas.


Atletas como Sócrates, ex-jogador do Corinthians e da Seleção, formado em Medicina, militante ativo no movimento das Diretas Já contra a ditadura militar, são exemplos de formação educacional, com ética e cultura, que exortam os demais jovens jogadores a buscar não só a fama e o dinheiro que o futebol proporciona, mas também uma educação esquecida pelo nosso país, algo que pode levar atletas oriundos das camadas sociais mais baixas a ter consciência, um esclarecimento sobre assuntos relevantes da sociedade. A frase dita por Romário há alguns anos, a de que “Pele calado é um poeta”, aplica-se novamente, tanto ao Rei quanto a Ronaldo, motivo pelo qual se espera que suas infelizes declarações sejam não a perpetuação da alienação dos atletas brasileiros, mas, sim, o marco de uma nova realidade: a do jogador de futebol com consciência.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Ganhando corpo

Foto: Goal.com/Getty
A vitória do Grêmio sobre o Nacional de Medellín/COL por 3 a 0 representou um exemplo muito forte da evolução do time de Enderson Moreira. Assim como o garoto Luan, destaque desde que estreou junto aos profissionais, a versão 2014 do time Tricolor vai ganhando corpo, mostrando alternativas e qualidades. Claro, ainda não está pronta, mas o ritmo de evolução é bem impressionante, especialmente se considerarmos que o time titular jogou junto muito pouco ainda na temporada. No duelo dessa terça-feira, na Arena, pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores, o primeiro tempo foi muito equilibrado, embora o time colombiano não tenha chegado ao ataque, enquanto os mandantes assustaram algumas vezes até conseguirem o gol de Luan. A jogada do gol, aliás, é envolta em uma polêmica, já que Riveros poderia estar impedido (a imagem da TV não deixou bem clara a posição dele) e foi na bola - o auxiliar inclusive levantou a bandeira e marcou impedimento. No entanto, desde a última mudança na regra, a orientação é para que o auxiliar aguarde até que se saiba qual atleta vai participar efetivamente do lance, e nessa interpretação o gol parece legal, já que Riveros não toca na bola e Luan não estava impedido. Até mesmo por isso o auxiliar baixou a bandeira e considerou a jogada legal quando o jovem atacante Tricolor chegou primeiro e definiu o lance.

Na volta do intervalo, Enderson leu bem o problema principal da equipe: a saída de bola dos colombianos. Mudou a equipe do 4-3-2-1 para um 4-4-1-1. As mudanças de esquema durante a partida são possibilitadas especialmente por Riveros, jogador com uma consciência tática acima da média. Ele jogou como meia-esquerda na etapa final, com Edinho e Ramiro por dentro e Luan/Zé Roberto revezando entre a meia-direita e o homem que se aproximava de Barcos. Assim, o time passou a atrapalhar a saída de bola do rival, principalmente cercando os volantes. O time colombiano passou a recorrer a chutões e parou nos zagueiros Werley e Rodolpho, que se impuseram fisicamente sem dificuldades aos atacantes rivais, ou nos próprios erros.

Assim, o Tricolor construiu o 3 a 0, que poderia ter sido mais se Barcos não tivesse perdido um gol incrível cara a cara com o goleiro adversário. Enderson também mostrou que no seu time, realmente, joga quem está melhor. A primeira substituição foi Dudu por Zé Roberto. O camisa 7 tem velocidade pra puxar o contra-ataque e caiu muito bem na equipe desde a sua estreia. Depois, Alan Ruíz foi chamado para a vaga do cansado Luan. O camisa 11 argentino está rendendo bem e ontem foi coroado com um bonito gol. Por fim, já nos últimos minutos, o antigo xodó do torcedor Maxi Rodriguez, já meio contrariado, foi chamado para entrar. Até entendo a cara feia de Maxi, pois entrar aos 45 do segundo tempo parece mais castigo do que oportunidade, mas ele tem que entender que começou a temporada como o principal jogador do time e rapidamente perdeu esse status com atuações muito limitadas. A resposta tem que ser dada dentro de campo, e a cara feia ao menos mostra que o atleta não está acomodado com o banco.

IGUAIS... MAS DIFERENTES!

Grêmio e Inter começam a temporada com esquemas táticos bem parecidos, uma espécie de 4-3-2-1. Ainda assim, por conta das características dos jogadores, os dois times se diferenciam bastante. O Tricolor tem três volantes muito combativos sem a bola: Edinho, Ramiro e Riveros. Além disso, dois deles participam muito bem da bola aérea, Edinho e Riveros. Já o Colorado tem Willians como homem mais recuado, com Aránguiz e Alex a sua frente. Os dois se posicionam na mesma faixa de Ramiro e Riveros, mas são muito mais técnicos. O chileno tem uma movimentação parecida com a de Paulinho, no Corinthians, e chega muito a frente, inclusive dentro da área como um segundo-atacante. Nas duas últimas posições do meio, mais próximas do atacante, o Inter apresenta D´Alessandro e Jorge Henrique/Otávio atuando mais abertos do que Luan e Zé Roberto, praticamente como pontas, enquanto os Tricolores jogam mais por dentro e próximos a Barcos. Na defesa, o Grêmio ataca muito mais pela esquerda, com Wendell, do que pela direita, já que Pará tem grandes limitações. No Colorado, as coisas também fluem melhor com Fabrício pela esquerda, mas tanto Gilberto como Cláudio Winck têm boa qualidade no apoio.

Obviamente, o futebol não é algo estático. Os atletas se movimentam e nem tudo sai como o planejado, afinal de contas, não se pode combinar com o adversário a forma como cada um vai entrar em campo e o que cada um vai fazer. Mas é interessante notar que apesar da disposição dos atletas em campo ser parecida, por conta das características dos jogadores Grêmio e Inter vão mostrando equipes um tanto diferentes. O Tricolor, com mais marcação no meio e saídas rápidas, e o Colorado no toque de bola e na preparação de jogadas para Rafael Moura. Ainda está no começo da temporada, mas os primeiros esboços da Dupla Gre-Nal mostram que o 4-5-1, o "esquema da moda", desembarcou também no RS.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

E a vida volta à rotina...

Depois do período de início de ano, em que as coisas andam devagar para a grande maioria (mesmo àqueles que não tiram férias), aos poucos, a vida vai voltando a entrar na sua rotina. Com o futebol, as coisas não são diferentes. Nessa terça-feira, iniciam os confrontos de mata-mata da UEFA Champions League, que assim como na Libertadores, se trata de uma competição totalmente diferente da fase de grupos. Agora, um bom resultado na partida de ida pode encaminhar a classificação, a diferença entre os times cai e, embora continue existindo favoritos, dificilmente se poderá dizer que houver uma grande zebra, com raras exceções.

Além do futebol europeu, na Libertadores teve início a fase de grupos. Infelizmente, o terrível episódio de racismo envolvendo o Tinga, do Cruzeiro, na partida contra o Real Garcilaso, no Peru, desviou a discussão dos jogos e resultados para esse abominável ato que insiste em fazer parte da vida em sociedade. Nos Estaduais, alguns clássicos movimentam os insossos campeonatos. E, no Nordeste, a Copa NE vai se mostrando uma competição interessante, embora pudesse ser disputada com mais times e em outro período do ano, não espremida junto aos Estaduais.

OITAVAS DA CHAMPIONS: FAÇAM SUAS APOSTAS!

Foto: Divulgação Premier League
Nesta terça-feira (18/02), a UEFA Champions League volta à atividade com dois belos duelos: Bayer Leverkusen/ALE x PSG/FRA e Manchester City/ING e Barcelona/ESP. No confronto entre alemães e franceses, favoritismo claro para o time francês. Ainda assim, não confio muito nesses times formados com muito dinheiro vindo de investidores estrangeiros. Ganhar o francês com um pé nas costas não significa grande coisa tendo Ibra e Cavani no ataque, mas a Champions é diferente. O Leverkusen se classificou em um grupo equilibrado deixando para trás Real Sociedade/ESP e Shaktar Donetsk/UCR e pode surpreender, especialmente se o centroavante Kiessling estiver inspirado.

Já o outro duelo do dia, entre ingleses e espanhóis, promete um equilíbrio muito maior. Na temporada, o City parece melhor, mas vale lembrar que a equipe não tem a mesma cancha do Barça na Champions. Acho difícil apontar um vencedor e creio que pouco será decidido no primeiro jogo, a não ser que alguma equipe faça uma partida sensacional e vença por 2 gols de diferença. Se estivesse com Aguero (foto) em campo no duelo de hoje, apostaria em vitória do City, mas sem o argentino espero um empate em Manchester, deixando tudo para ser decidido dia 12/03 no Camp Nou.

Na quarta-feira (19/02), ocorrem mais dois confrontos: Milan/ITA x Atlético de Madri/ESP e Arsenal/ING x Bayern de Munique/ALE. No confronto entre italianos e espanhóis, vantagem para o time dos Diegos: o técnico, Simeone, o meia brasileiro, ex-Santos, e o atacante, Costa, que preferiu jogar na seleção espanhola. Aos italianos, resta se agarrar à experiência do novo técnico, Seedorf, para tentar surpreender. Enquanto isso, o Arsenal tenta acabar com a instabilidade que tomou conta da equipe nos últimos jogos para derrubar o gigante Bayern, um dos melhores times da Europa na temporada, atual campeão Europeu e talvez o grande favorito ao bicampeonato.

Os outros quatro confrontos ocorrem na semana que vem: dia 25/02 jogam Zenit/RUS x Borussia Dortmund/ALE e Olympiakos/GRE x Manchester United/ING; e no dia 26/02 é a vez da bola rolar para Galatasaray/TUR x Chelsea/ING e Schalke/ALE x Real Madri/ESP. Veja aqui o que mudou nas equipes da Champions entre o final da fase de grupos e o começo das oitavas, e faça suas apostas!

UMA RODADA PARA ESQUECER

Os resultados das equipes brasileiras não foram de todo o ruim na Libertadores, mas o episódio de racismo envolvendo Tinga desviou completamente o foco das discussões. O lado bom é que a grande repercussão talvez force a Conmebol a tomar uma atitude mais enérgica. A exclusão do time peruano, como foi sugerido pela CBF, talvez seja pesado demais, mas alguns jogos com portões fechados poderia ser uma punição bem satisfatória. Agora, se a Conmebol quiser dar um recado forte aos racistas e começar a abolir essa atitude do esporte, poderia, sim, excluir a equipe peruana; contudo, se tomar essa atitude, além de comprar briga com os peruanos estará abrindo um precedente importante e deverá manter a linha dura em outros episódios, como brigas e pressões extra-campo, fatos que ocorrem o tempo todo nos jogos e costumam passar incólumes pela entidade Sul-Americana.

Dentro das quatro linhas, Botafogo e Atlético-PR, que vieram da pré-Libertadores, fizeram o dever de casa e venceram. Os cariocas encararam o atual campeão argentino, o San Lorenzo, e mostraram mais uma vez que o ataque Wallyson e Ferreyra pode incomodar na temporada. Já o Furacão ainda continua um sopro do que foi na última temporada, mas pelo menos conseguiu derrotar o The Strongest/BOL pelo placar mínimo. Na próxima rodada, os paranaenses visitam o Vélez/ARG e aí poderemos ver realmente em que estágio se encontra a equipe do treinador espanhol Miguel Ángel Portugal.

Atuando fora, Grêmio e Atlético-MG também venceram. Os gaúchos foram à Montevidéu encarar o Nacional/URU e voltaram pra casa com os três pontos graças ao gol de Riveros. Mais do que a vitória, o time gaúcho teve boa atuação e mostrou que pode estar preparado para a guerra da Libertadores. Os próximos desafios, ambos na Arena, poderão dar uma ideia de como a equipe irá se comportar em casa contra adversários que devem vir fechados. É o próximo desafio para Enderson Moreira. Já o Galo venceu o Zamora/VEN também pelo placar mínimo, 1 a 0, gol de .

Curiosamente, os últimos campeões do país tiveram estreias muito ruins. No Peru, o atual campeão brasileiro Cruzeiro levou a virada do Real Garcilaso. O grupo da raposa (que tem ainda Defensor/URU e Universidad de Chile) não é dos mais fracos e uma vitória fora teria sido fundamental para a matemática da classificação. Já o Flamengo, vencedor da última Copa do Brasil, perdeu no México para o León. A atuação foi totalmente comprometida pela expulsão infantil do volante Amaral logo no começo do jogo. A boa notícia foi a raça e disposição mostradas pela equipe de Jayme de Almeida.

COPA DO NORDESTE: DE ONDE MENOS SE ESPERA...

Em meio aos insossos Estaduais, a Copa do Nordeste surge como o campeonato mais interessante do País no momento, estimulando a forte rivalidade entre as equipes daquela região do País e dando ao campeão uma vaga na Copa Sul-Americana. Já em sua fase de quartas de final, seguem vivos equipes como Santa Cruz, Vitória, Ceará e Sport, além de Guarany-CE, CRB, América-RN e CSA. O canal esporteInterativo está transmitindo os jogos e as partidas decisivas devem ocorrer em 2 e 9 de abril. Vale a pena conferir.

JOGO DE EMPURRA: "THIS IS BRAZIL!"

Curitiba corre sério risco de ficar fora da Copa do Mundo (leia mais na coluna do Mauro Cézar dos canais ESPN). O grande problema é o estádio da Arena da Baixada, com as obras atrasadas. Em Porto Alegre, o presidente do Inter, Giovani Luigi, declarou à imprensa que também há grande chance de os gaúchos não verem a Copa de perto por conta do impasse quanto ao pagamento de estruturas adicionais no entorno do estádio. Estruturas que já estavam previstas há muito tempo, mas que só agora, após a quase conclusão da reforma do estádio, é debatida pelo clube, que se nega a pagar a conta sozinho. Curioso, não?

E o jogo de empurra, muito comum no Brasil, segue firme, cada um jogando a responsabilidade para o outro. Clubes não querem pagar, afinal, não é um valor pequeno (estima-se em 30 milhões de reais os gastos com as estruturas temporárias no entorno do Beira-Rio). O resultado: as obras provavelmente irão sair, podem acreditar, e quem irá pagar a conta seremos todos nós, uma vez que cada atraso aumenta um pouco mais os já elevados valores das construções. Espero que o rombo proporcionado pela Copa do Mundo ao País possa ser amenizado pelos patrocínios, empregos gerados e gastos dos turistas. Em alguns anos, teremos a resposta...

Os verdadeiros vândalos

Por Diego Ferreira Pheula

As revelações do advogado Jonas Tadeu de que os envolvidos na morte de um cinegrafista da Rede Bandeirantes, durante protesto ocorrido no centro do Rio de Janeiro, teriam sido aliciados por políticos para que promovessem desordens em manifestações, trouxe à tona algumas suspeitas suscitadas à época das passeatas de junho/julho de 2013. Mas afinal, quem são e o que pretendem estes políticos que patrocinam atos de violência nas manifestações realizadas no país?

É verdade que a intenção do advogado pode ser tão somente inocentar seus clientes da acusação de homicídio doloso, ou, ao menos, indicar alguém como autor mediato (intelectual) do delito e transformar os atuais suspeitos em autores imediatos, o que poderia significar uma pena menor para os jovens que acionaram o rojão, mas também é sabida a participação de políticos como financiadores de delitos, tendo como exemplo o caso das milícias no Rio de Janeiro, ocorrido em 2008. Na ocasião, a Assembléia Legislativa daquele Estado, através de CPI, apurou a ligação de deputados e vereadores com as milícias, grupos criminosos formados por agentes da Segurança Pública (Policiais Militares, Civis, agentes penitenciários, militares, etc.), que atuavam em comunidades urbanas de baixa renda (conjuntos habitacionais e favelas), sob o pretexto de combater os narcotraficantes, sustentando-se com os recursos financeiros provenientes da “venda” de proteção à população, mantendo a sua hegemonia nestes locais à base da violência, tendo vários políticos e milicianos sido condenados por diversos crimes, como homicídio doloso e roubo, dentre outros.

Motivos para políticos patrocinarem atos de vandalismo não faltam, isso porque as manifestações prejudicam e muito a imagem política do país, principalmente em época de Copa do Mundo e de eleições, podendo tal iniciativa ter partido tanto dos governistas quanto dos oposicionistas, o que não descarta nenhum político ou partido como suspeito. O mais importante é que tal manobra, ao que tudo indica, parece ter um objetivo bem definido: enfraquecer os protestos havidos no Brasil, desacreditando um movimento constitucionalmente legítimo, vinculando-o ao cometimento de crimes, como o do cinegrafista, bem como tentando confundir vândalo (aquele que pratica arruaças em manifestações) com manifestante (aquele que deseja, de fato, mudar os rumos do país através de passeatas pacíficas), deturpando totalmente a ideia dos movimentos sociais.

A história brasileira é marcada pela participação negativa dos políticos nos rumos do país, direta ou indiretamente, sempre com o intuito de locupletar-se ilicitamente, utilizando os cargos públicos eletivos não como uma oportunidade de contribuir com o processo de desenvolvimento nacional, mas, sim, como um “trampolim” para o enriquecimento ilícito às custas dos cidadãos, beneficiando a si mesmos, seus parentes, seus amigos, etc.. Os poucos atos políticos que supostamente trazem vantagens para o povo são sempre acompanhados de intenções escusas, como a distribuição gratuita e desmedida de benefícios assistenciais (bolsas famílias e outros) e a finalização de obras públicas no ano de eleições, práticas que pouco agregam à população, mas que são decisivas para candidatos no momento das eleições.

Agora, resta esperar que o advogado dos suspeitos diga os nomes dos políticos envolvidos nos crimes cometidos em passeatas, para que a justiça comece a ser feita neste país, mas já é possível concluir que os verdadeiros vândalos, os que patrocinam os atos de violência nas manifestações, são os políticos, estes que, direta ou indiretamente, sempre se privilegiam, auferindo imensas vantagens em detrimento do povo, prejudicando, afinal, os interesses do país. É preciso que os verdadeiros vândalos, os políticos, sejam responsabilizados por seus crimes, pois, além de já terem suprimido todos os serviços públicos que cabem aos cidadãos (como educação, saúde, segurança, etc.), querem tirar a única coisa que lhes resta: a esperança de mudar o país através da manifestação popular.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Brasileirão sob suspeita

Não sou a favor da intervenção da Justiça Comum em resultados decididos pelo STJD. Se existe um órgão máximo para controlar as decisões esportivas, então que se faça valer a sua existência. Essas liminares de torcedores pedindo a anulação da perda de pontos do Flamengo ou da Portuguesa só ajudam a bagunçar ainda mais o que já está uma confusão. Sou a favor, entretanto, de uma investigação mais profunda sobre o futebol nacional. O Ministério Público de São Paulo está investigando o caso da escalação irregular de Héverton na última rodada do Brasileirão e o promotor responsável acredita ter indícios de que funcionários do clube receberam dinheiro para que o atleta fosse escalado. Como eles conseguiram burlar a mente do técnico Guto Ferreira é que parece intrigante, uma vez que como treinador ele decide quem entra ou não. De qualquer forma, estamos diante de uma importante descoberta, com provas e fatos, da máfia que existe no futebol brasileiro, mas que ainda não foi investigada e segue operando impunemente. Quanto ao Brasileirão 2014, seu futuro ainda é bastante incerto, e a julgar como as coisas andam dentro e fora de campo (nas obras para a Copa do Mundo), o ano poderá ser decisivo para mudanças radicais no futebol nacional. Esperamos que elas venham logo, doa a quem doer.

PRIMEIROS PASSOS

Os grandes clubes nacionais iniciam suas trajetórias na temporada. Muitos ainda colocam reservas, em virtude do pouco tempo de pré-temporada, enquanto o Inter ainda sequer estreou o grupo principal após três rodadas do Gauchão. No entanto, a colocação de reservas ou atletas da base nas primeiras partidas dos Estaduais traz um grande prejuízo técnico à competição e aos clubes pequenos, que têm raras chances de verem os atletas dos principais times e ainda assim muitas vezes são obrigados a verem apenas reservas. Quem lucra com essa situação? Um Estadual com menos datas poderia dar a chance as equipes das principais divisões nacionais de se prepararem melhor e ainda evitaria a escalação de times com atletas jovens ou que não estão sendo aproveitados. Parece algo tão óbvio que fica difícil entender porque nada muda. Ou melhor, é fácil entender: alguém está se beneficiando dessa situação. Os jogadores e os torcedores não são, então, quem será?