A derrota do Grêmio para o San Lorenzo/ARG na noite desta quarta-feira por 1 a 0, no estádio Nuevo Gasometro, mostrou evolução por parte do time Tricolor. Assim como no começo da temporada, especialmente nos jogos da primeira fase da Libertadores, o time foi organizado, marcou com energia e sofreu poucos ataques. Contudo, do meio para a frente, a equipe ainda se ressente de jogadas melhor trabalhadas e de um ataque mais efetivo. A derrota por 1 a 0 deixa o Grêmio vivo na Libertadores, mas para avançar a equipe terá que corrigir alguns defeitos e aproveitar as chances de gol que até vêm criando e desperdiçando.
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| Foto: Zero Hora - Juan Mabromata/AFP |
A escalação de Enderson com Geromel (foto) e Léo Gago é plenamente justificável pela maior experiência dos atletas em relação a Bressan e Breno. Nada contra os jovens, mas Bressan foi inseguro quando atuou e Breno sofreu para marcar Marcelo contra o Atlético-PR, logo dá para entender a opção de Enderson. Na zaga, Geromel foi muito bem, ganha vantagem na briga para substituir Rodolpho enquanto ele estiver fora e até mesmo pode permanecer no time se manter o nível da atuação de ontem. Já Léo Gago foi mal, estava sem tempo de bola e ainda errou todos os cruzamentos para a área em cobranças de falta.
Armado de forma diferente dos últimos jogos, o Grêmio não esteve postado no 4-4-1-1, com duas linhas e um meia se aproximando de Barcos. Jogou no 4-1-4-1, com Edinho plantado a frente da defesa e a linha de meio mais avançada com Ramiro e Zé Roberto por dentro e Riveros e Dudu abertos. O time argentino, comandado por Edgardo Bauza, campeão com a LDU/EQU em 2008, entrou no esquema 4-4-2, com o atacante Correa jogando mais recuado e Matos espetado entre os zagueiros. O San Lorenzo tem dois laterais bons no apoio (Buffarini e Más), mas volantes que apenas marcam, o que deixa a equipe com muitas jogadas pelo lado e poucas por dentro. Após segurar a pressão inicial do San Lorenzo, o Grêmio passou a marcar mais na frente e a levar algum perigo. No entanto, o primeiro tempo terminou sem grandes lances de perigo para os dois lados, apesar do jogo ter tido boa intensidade.
Na volta do intervalo, o Grêmio veio melhor, mas quem marcou foi o San Lorenzo. Após um lateral cobrado rapidamente, o time argentino envolveu a defesa com toques rápidos até a bola chegar em Correa, que bateu firme para abrir o placar. Apesar da desatenção, o gol foi mais mérito do time argentino do que erro do time gaúcho. O chute no meio do gol era defensável, mas é difícil considerar falha de Marcelo Grohe porque o atacante estava de frente para o gol, dentro da área e pegou firme na bola. Ainda assim, se não tentasse adivinhar o canto o goleiro poderia ter feito a defesa com certa tranquilidade. A trama rápida, com jogadores de habilidade, como no gol argentino, é o que por muitas vezes falta ao Tricolor, que tem apenas Dudu como opção mais aguda. Barcos não consegue segurar a bola e não tem velocidade para tabelar; Riveros não tem a dinâmica de um meia ofensivo e quando Ramiro não surge como elemento surpresa, o time fica apenas com a alternativa pela esquerda com Dudu, que ainda estava sem a parceria de Wendell, que apoia bem. Mesmo com as dificuldades, após o gol, o Grêmio foi pra cima, com Luan na vaga de Ramiro. Enderson manteve a estrutura, apenas adiantou ainda mais o time na busca do empate. A melhor chance veio com Barcos após um recuo defendido pelo goleiro, mas o argentino não se entendeu com Dudu e mandou por cima a chance do empate.
Para a partida da volta, o Grêmio vai ter que fazer valer a força da Arena. O San Lorenzo tem bom time, mas não é nenhum bicho-papão. O problema maior é o próprio Tricolor, que terá que ser mais envolvente e aproveitar melhor as chances de gol. É possível que Enderson repita o 4-1-4-1, mas alguém deverá ceder o lugar para Luan. Edinho foi bem à frente da zaga e Riveros foi melhor que Ramiro, o escolhido por Enderson para sair na partida na Argentina. Logo, pode ser um indício da formação que será usada no jogo da volta. Se Wendell não se recuperar, a lateral-esquerda pode ser um problema, pois o time tem uma opção a menos com a lesão de Léo Gago. As opções são Breno ou deslocar Pará e colocar Moisés na direita; na prática, não devem representar muita diferença. O que o Grêmio precisa manter é a atitude e a boa atuação defensiva, não exitando e indo para todos os lances de forma decisiva. Na frente, precisará mais de Zé Roberto, Luan e Dudu, uma vez que Barcos não inspira confiança. A classificação está logo ali, mas o ataque, que nunca foi o ponto forte do time, mesmo no melhor momento da temporada, vai precisar estar muito mais inspirado do que nos últimos jogos.
AINDA LIBERTADORES - O Atlético-MG, de Paulo Autuori, levou um gol no último minuto e saiu em desvantagem contra o Atlético Nacional/COL nas oitavas de final da Libertadores. Após ficar se defendendo praticamente o tempo todo e observando uma série de grandes defesas do goleiro Victor, o time sofreu o gol de Sherman Cárdenas no finzinho em chute de fora da área. Jogar com a faixa de campeão é sempre difícil, mas o Galo parece que ainda não entrou em campo para valer na temporada. Tem sobrevivido de alguns lampejos ofensivos e da organização defensiva, mas o time de Autuori é um retrato do técnico nos últimos tempos: acomodado e sem vibração.

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