quarta-feira, 7 de maio de 2014

Idade representa experiência no futebol?

Foto: divulgação CBF.
Nesta quarta-feira, o técnico da Seleção Brasileira, Luís Felipe Scolari, convocou os 23 jogadores que irão defender o País no Mundial. Mais do que discutir um ou outro nome, uma vez que a lista não apresenta grandes surpresas e muito menos ausências, é curioso observar a preferência de Felipão por jogadores, em tese, mais "experientes", especialmente nas posições de defesa. Curiosamente, a quinta seleção mais velha da história do Brasil em Mundiais apresenta apenas 6 atletas que já disputaram Mundiais: o goleiro Júlio César, o único com duas Copas no currículo (as duas últimas, uma como reserva, em 2006, e outra como titular, em 2010, inclusive sendo um dos responsáveis diretos pela eliminação), os laterais Daniel Alves e Maicon, o zagueiro Thiago Silva, o volante Ramires e o atacante Fred. A pressão de jogar uma Copa em casa talvez tenha feito Felipão optar por um time mais experiente, mas seria este experiente apenas por ter uma média de idade (27,7 anos) relativamente alta?

POR QUE LEVAR TRÊS GOLEIROS ACIMA DOS 30 ANOS?

Se um jogador de linha reserva em uma Seleção dificilmente jogará muitos minutos em um Mundial, o que dizer dos goleiros reservas? A Seleção precisa de dois goleiros em alto nível, mas o terceiro nome, na minha opinião, tem que ser alguém promissor, pensando na renovação natural que uma hora irá ocorrer. Claro que nada garante que quatro anos depois este terceiro goleiro será o novo titular; contudo, acho que colocar a preocupação com o resultado acima de tudo e levar 3 goleiros experientes é exagero de Felipão. Embora entenda a convocação dos três goleiros, independentemente de concordar com as opções por Júlio César, Jéferson e Victor (aliás, destes, levaria apenas Victor), acho que o treinador tinha a obrigação de levar um goleiro mais jovem. Júlio não deve estar atuando no próximo Mundial, enquanto Victor e Jéferson dificilmente manterão o nível pelos próximos quatro anos. Se Júlio é o titular de confiança do técnico, acho que um dos reservas deveria sobrar para que um nome mais jovem e que pode vir a assumir a camisa 1 fosse chamado. E o principal nome, hoje, seria o do goleiro Neto, da Fiorentina/ITA (24 anos), ou quem sabe até mesmo de Diego Alves (28 anos), do Valencia/ESP, ou Cássio, do Corinthians (26 anos).

LATERAIS: O PROBLEMA

Os laterais têm representado um dos grandes problemas no futebol brasileiro. Os que jogam por aqui são extremamente criticados, poucos sabem cruzar com uma decência mínima e muitos apenas estão no time porque correm bastante. No âmbito internacional, a coisa não é muito diferente. Se Daniel Alves e Marcelo são incontestáveis, sendo que o lateral do Real Madri/ESP ainda recebe muitas críticas, os reservas Maicon e Maxwell estão ali mais pela certeza de que não irão entregar do que por grandes méritos. Tanto que se Rafinha e Filipe Luís, os outros nomes mais cotados, fossem convocados, a diferença seria mínima. Jogadores mais jovens e promissores, como Danilo e Alex Sandro, ambos ex-Santos e atualmente no Porto, deixaram a desejar com a camisa das Seleções principal e de base a ponto de sequer serem cogitados por grande parte da imprensa como opções para a equipe.

HENRIQUE: A POLÊMICA

Hoje, o Brasil tem dois zagueiros de exceção: Thiago Silva e David Luiz. Embora tenha ido bem sempre que chamado na Seleção, Dante não me parece um defensor dos mais seguros. Além disso, acumula algumas atuações preocupantes, como o pênalti cometido na final da Champions League no ano passado e os duelos com o Real Madri/ESP nas semifinais deste ano. Claro que não se pode crucificar um jogador apenas por 3 partidas, mas não vejo ele como um nome a nível de Seleção. Pior mesmo só a escolha por Henrique. O atual lateral-direito do Napoli/ITA (isso mesmo, sequer na zaga ele tem jogado) acumula passagens de destaque por Coritiba (quando era jovem e logo foi vendido ao Barcelona/ESP, onde nunca jogou) e Palmeiras (onde venceu uma Copa do Brasil, mas foi o capitão do time rebaixado à Série B). Miranda também nunca foi um nome do tipo Seleção, mas hoje está em um momento esmagadoramente superior ao de Henrique.

JUVENTUDE E DINAMISMO NO MEIO-CAMPO

Do meio para a frente, Felipão muda o perfil do time e aposta em jogadores mais jovens e dinâmicos. E acho que acerta ao deixar os acomodados Kaká e Ronaldinho de fora. Talvez, a grande ausência seja Philippe Coutinho; ainda assim, mais pelo que apresentou em campo nesta temporada pelo Liverpool e por ter características diferentes das dos demais meio-campistas, uma vez que Coutinho não foi testado e a sua participação seria uma incógnita. Luiz Gustavo, Paulinho, Fernandinho e Ramires devem ser mesmo os quatro melhores volantes da atualidade. Oscar e Willian têm histórico em Seleções de base e vivem grande temporada em um clube de ponta, o Chelsea/ING. Já os chamados de Bernard e Hernanes são os mais contestáveis. O primeiro, embora jovem e muito bom jogador, vive uma temporada um tanto quanto marcada pelo ostracismo e tem ficado mais na reserva do que em campo no Shaktar Donetsk/UCR. Hernanes mudou de clube no meio da temporada, trocando a Lazio/ITA pela Inter de Milão/ITA. É igualmente um bom nome, mas já viveu momentos melhores e certamente tem suas atuações atrapalhadas pelo momento instável das equipes que defendeu ao longo da temporada. Se Éverton Ribeiro estivesse mantendo o nível do ano passado certamente teria lugar nesta equipe. O mesmo pode se dizer de Alex, do Coritiba, que apesar da idade é um craque e certamente seria um bom nome, até mesmo por acrescentar experiência ao setor. Mas o "se" no futebol definitivamente não tem vez.

FÁBRICA DE ATACANTES MORRENDO À MÍNGUA?

Entre os atacantes, Neymar é sem dúvida a grande unanimidade, até mesmo por ser o craque desta equipe. Fred tem boa aceitação e melhorou o seu preparo físico, a principal crítica de quem torcia o nariz pelo camisa 9. E Hulk e Jô seguem fazendo boas temporadas, além de aparentemente terem superado a desconfiança da torcida. Incrivelmente, o Brasil, conhecido como o País do futebol, não tem grandes atacantes a serem lamentados ou muitas opções para serem escolhidas. Os principais artilheiros jogando por aqui já estão convocados, enquanto que a nível Mundial o Brasil não está nas listas das principais ligas. A ausência talvez seja Diego Costa, mas o sergipano disse "não" ao convite de Felipão e deve vir ao País para jogar a Copa pela atual campeã mundial Espanha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário