terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Os verdadeiros vândalos

Por Diego Ferreira Pheula

As revelações do advogado Jonas Tadeu de que os envolvidos na morte de um cinegrafista da Rede Bandeirantes, durante protesto ocorrido no centro do Rio de Janeiro, teriam sido aliciados por políticos para que promovessem desordens em manifestações, trouxe à tona algumas suspeitas suscitadas à época das passeatas de junho/julho de 2013. Mas afinal, quem são e o que pretendem estes políticos que patrocinam atos de violência nas manifestações realizadas no país?

É verdade que a intenção do advogado pode ser tão somente inocentar seus clientes da acusação de homicídio doloso, ou, ao menos, indicar alguém como autor mediato (intelectual) do delito e transformar os atuais suspeitos em autores imediatos, o que poderia significar uma pena menor para os jovens que acionaram o rojão, mas também é sabida a participação de políticos como financiadores de delitos, tendo como exemplo o caso das milícias no Rio de Janeiro, ocorrido em 2008. Na ocasião, a Assembléia Legislativa daquele Estado, através de CPI, apurou a ligação de deputados e vereadores com as milícias, grupos criminosos formados por agentes da Segurança Pública (Policiais Militares, Civis, agentes penitenciários, militares, etc.), que atuavam em comunidades urbanas de baixa renda (conjuntos habitacionais e favelas), sob o pretexto de combater os narcotraficantes, sustentando-se com os recursos financeiros provenientes da “venda” de proteção à população, mantendo a sua hegemonia nestes locais à base da violência, tendo vários políticos e milicianos sido condenados por diversos crimes, como homicídio doloso e roubo, dentre outros.

Motivos para políticos patrocinarem atos de vandalismo não faltam, isso porque as manifestações prejudicam e muito a imagem política do país, principalmente em época de Copa do Mundo e de eleições, podendo tal iniciativa ter partido tanto dos governistas quanto dos oposicionistas, o que não descarta nenhum político ou partido como suspeito. O mais importante é que tal manobra, ao que tudo indica, parece ter um objetivo bem definido: enfraquecer os protestos havidos no Brasil, desacreditando um movimento constitucionalmente legítimo, vinculando-o ao cometimento de crimes, como o do cinegrafista, bem como tentando confundir vândalo (aquele que pratica arruaças em manifestações) com manifestante (aquele que deseja, de fato, mudar os rumos do país através de passeatas pacíficas), deturpando totalmente a ideia dos movimentos sociais.

A história brasileira é marcada pela participação negativa dos políticos nos rumos do país, direta ou indiretamente, sempre com o intuito de locupletar-se ilicitamente, utilizando os cargos públicos eletivos não como uma oportunidade de contribuir com o processo de desenvolvimento nacional, mas, sim, como um “trampolim” para o enriquecimento ilícito às custas dos cidadãos, beneficiando a si mesmos, seus parentes, seus amigos, etc.. Os poucos atos políticos que supostamente trazem vantagens para o povo são sempre acompanhados de intenções escusas, como a distribuição gratuita e desmedida de benefícios assistenciais (bolsas famílias e outros) e a finalização de obras públicas no ano de eleições, práticas que pouco agregam à população, mas que são decisivas para candidatos no momento das eleições.

Agora, resta esperar que o advogado dos suspeitos diga os nomes dos políticos envolvidos nos crimes cometidos em passeatas, para que a justiça comece a ser feita neste país, mas já é possível concluir que os verdadeiros vândalos, os que patrocinam os atos de violência nas manifestações, são os políticos, estes que, direta ou indiretamente, sempre se privilegiam, auferindo imensas vantagens em detrimento do povo, prejudicando, afinal, os interesses do país. É preciso que os verdadeiros vândalos, os políticos, sejam responsabilizados por seus crimes, pois, além de já terem suprimido todos os serviços públicos que cabem aos cidadãos (como educação, saúde, segurança, etc.), querem tirar a única coisa que lhes resta: a esperança de mudar o país através da manifestação popular.

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