Por Diego Ferreira Pheula
As revelações do advogado Jonas
Tadeu de que os envolvidos na morte de um cinegrafista da Rede Bandeirantes,
durante protesto ocorrido no centro do Rio de Janeiro, teriam sido aliciados
por políticos para que promovessem desordens em manifestações, trouxe à tona
algumas suspeitas suscitadas à época das passeatas de junho/julho de 2013. Mas
afinal, quem são e o que pretendem estes políticos que patrocinam atos de
violência nas manifestações realizadas no país?
É verdade que a intenção do
advogado pode ser tão somente inocentar seus clientes da acusação de homicídio
doloso, ou, ao menos, indicar alguém como autor mediato (intelectual) do delito e transformar os atuais suspeitos em autores
imediatos, o que poderia significar uma pena menor para os jovens que acionaram
o rojão, mas também é sabida a participação de políticos como financiadores de
delitos, tendo como exemplo o caso das milícias no Rio de Janeiro, ocorrido em
2008. Na ocasião, a Assembléia Legislativa daquele Estado, através de CPI,
apurou a ligação de deputados e vereadores com as milícias, grupos criminosos
formados por agentes da Segurança Pública (Policiais Militares, Civis, agentes
penitenciários, militares, etc.), que atuavam em comunidades urbanas de baixa
renda (conjuntos habitacionais e favelas), sob o pretexto de combater os
narcotraficantes, sustentando-se com os recursos financeiros provenientes da “venda”
de proteção à população, mantendo a sua hegemonia nestes locais à base da
violência, tendo vários políticos e milicianos sido condenados por diversos
crimes, como homicídio doloso e roubo, dentre outros.
Motivos para políticos
patrocinarem atos de vandalismo não faltam, isso porque as manifestações
prejudicam e muito a imagem política do país, principalmente em época de Copa
do Mundo e de eleições, podendo tal iniciativa ter partido tanto dos governistas
quanto dos oposicionistas, o que não descarta nenhum político ou partido como
suspeito. O mais importante é que tal manobra, ao que tudo indica, parece ter
um objetivo bem definido: enfraquecer os protestos havidos no Brasil,
desacreditando um movimento constitucionalmente legítimo, vinculando-o ao
cometimento de crimes, como o do cinegrafista, bem como tentando confundir vândalo
(aquele que pratica arruaças em manifestações) com manifestante (aquele que
deseja, de fato, mudar os rumos do país através de passeatas pacíficas),
deturpando totalmente a ideia dos movimentos sociais.
A história brasileira é marcada
pela participação negativa dos políticos nos rumos do país, direta ou indiretamente,
sempre com o intuito de locupletar-se ilicitamente, utilizando os cargos
públicos eletivos não como uma oportunidade de contribuir com o processo de
desenvolvimento nacional, mas, sim, como um “trampolim” para o enriquecimento ilícito
às custas dos cidadãos, beneficiando a si mesmos, seus parentes, seus amigos,
etc.. Os poucos atos políticos que supostamente trazem vantagens para o povo
são sempre acompanhados de intenções escusas, como a distribuição gratuita e
desmedida de benefícios assistenciais (bolsas
famílias e outros) e a finalização de obras públicas no ano de eleições, práticas
que pouco agregam à população, mas que são decisivas para candidatos no momento
das eleições.
Agora,
resta esperar que o advogado dos suspeitos diga os nomes dos políticos envolvidos
nos crimes cometidos em passeatas, para que a justiça comece a ser feita neste
país, mas já é possível concluir que os verdadeiros
vândalos, os que patrocinam os atos de violência nas manifestações, são os políticos, estes que, direta ou
indiretamente, sempre se privilegiam, auferindo imensas vantagens em detrimento
do povo, prejudicando, afinal, os interesses do país. É preciso que os
verdadeiros vândalos, os políticos, sejam responsabilizados por seus crimes,
pois, além de já terem suprimido todos os serviços públicos que cabem aos
cidadãos (como educação, saúde, segurança, etc.), querem tirar a única coisa
que lhes resta: a esperança de mudar o país através da manifestação popular.
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