segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Champions League define confrontos das oitavas

Foto: argentinos Messi e Agüero se encaram nas oitavas.
Foram sorteados nessa segunda-feira os confrontos das oitavas de final da UEFA Champions League. Dois jogadores se candidatam fortemente a serem os melhores: Manchester City/ING x Barcelona/ESP e Arsenal/ING x Bayern de Munique/ALE. Os ingleses fazem ótima temporada, enquanto os espanhóis têm o ainda melhor do mundo (Messi) e os alemães são os atuais campeões. Inclusive, na última temporada, Arsenal e Bayern se enfrentaram nessa mesma fase. Na partida de ida, em Londres, vitória avassaladora dos Bávaros, 3 a 1. Na volta, em Munique, os Gunners surpreenderam, fizeram 2 a 0 e quase colocaram água no chope alemão. O Bayern segue muito forte nessa temporada, mas o Arsenal tem se apresentado na melhor forma dos últimos anos sob o comando de Arséne Wenger. Já o Barça não encanta mais como em outros anos, mas segue muito forte, enquanto o City ainda "aprende" a jogar a Champions League (havia sido eliminado na fase de grupos nas duas últimas temporadas do torneio).

Nos demais duelos, outro jogo promete ser muito mais que interessante: Milan/ITA x Atlético de Madri/ESP. Os espanhóis vivem um momento excepcional e se mantêm na briga pelo título nacional com o Barcelona (ambos têm 43 pontos após 16 rodadas). Já o clube rossoneri tem muita tradição, mas vive um momento de definhamento (aliás, como os clubes italianos em geral, com exceção do Napoli). Ainda assim, em um duelo de mata-mata, a mística de San Siro e a dupla Kaká-Balotelli equilibram um pouco o confronto. Será também uma prova de fogo para os madrilenhos, que ao derrotarem um rival de peso (mesmo que em baixa na temporada) podem ser vistos com outros olhos na Europa, quem sabe até mesmo como candidatos ao título também na Champions League.

Os demais confrontos têm marcada de forma mais clara as disparidades entre os dois adversários. São eles:

- Olympiacos/GRE x Manchester United/ING: o ex-time de Alex Ferguson faz uma temporada pobre, o que até certo ponto poderia ser esperado pela mudança de comando após 27 anos. No campeonato nacional, a equipe comandada por David Moyes é apenas 8a, 10 pontos atrás do líder Arsenal. Já o Olympiacos tenta reerguer o futebol grego após a crise econômica que atingiu o país. A classificação em segundo no grupo atrás do PSG/FRA e eliminando o tradicional Benfica/POR é uma mostra de que o time pode ser perigoso e causar grandes problemas ao United.

- Bayer Leverkusen/ALE x PSG/FRA: o grande favorito é a equipe de Ibrahimovic e companhia, mas o Leverkusen vem surpreendendo pela grande temporada. Parece um time mais sólido que o dos últimos, quando fazia boas campanhas, mas ficava pelo caminho. Em 2013/14, o time é vice-líder do nacional (8 pontos atrás do Bayer de Munique) e deixou Shaktar Donetsk/UCR e Real Sociedad/ESP pelo caminho na Champions League. Apesar do favoritismo francês, o Leverkusen pode surpreender.

- Galatasaray/TUR x Chelsea/ING: os turcos vão com moral após a surpreendente campanha na última edição, quando chegaram às quartas de final, e por terem eliminado a Juventus/ITA na última rodada da fase de grupos. Os grandes destaques são Sneijder e Drogba. Apesar da moral turca, os Blues têm tudo para conseguirem a classificação, pois a campanha do Galatasaray foi modesta na primeira fase (em um grupo difícil com Juventus e Real Madri, diga-se de passagem). O time começou a temporada de forma turbulenta, trocou de técnico (é comandado por Roberto Mancini atualmente), mas desenvolveu uma boa forma de encarar os grandes na Champions League.

- Schalke/ALE x Real Madri/ESP: os alemães encararam um grupo fraco e se classificaram nos confrontos diretos contra o Basel/SUI. Embora um time perigoso, não acredito que tenham o suficiente para eliminar o fortíssimo Real, que agora conta de fato com o reforço de Bale, melhor integrado ao time. Ainda assim, um bom resultado na partida de ida, na Alemanha, pode fazer renascer o filme das eliminações do Real nas últimas edições e jogar uma grande pressão em cima dos merengues.

- Zenit/RUS x Borussia Dortmund/ALE: o Dortmund não repete a temporada anterior, é verdade, mas agora já não pode mais ser considerado franco-atirador na Champions League. Depois de ter chegado à final em 2012/13, a equipe de Jurgen Klopp se classificou em um grupo muito equilibrado, deixando o Arsenal na segunda colocação e eliminando o excelente time do Napoli. Já os russos deixaram o decadente Porto/POR para trás e se classificaram na segunda posição, atrás do Atlético de Madri, mas sem assustarem os espanhóis no grupo.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

E que venha a Libertadores 2014!

O Grêmio pode até ter pego um grupo um pouco mais complicado, mas os times brasileiros - Cruzeiro, Atlético-MG, Atlético-PR, Flamengo e Botafogo - não podem reclamar muito do sorteio dos grupos da Libertadores 2014. Até mesmo o Tricolor gaúcho, pois apenas o Newells Old Boys/ARG é um adversário que assusta, ainda assim perdeu seu melhor jogador, Scocco, e não trouxe ninguém do mesmo nível. Para Botafogo e Atlético-PR, os adversários na fase pré, Deportivo Quito/EQU e Sporting Cristal/PER, respectivamente, são completamente vencíveis.

Foto: montagem Estadão
Além do Newell´s, farão companhia ao Grêmio no grupo 6 o Atlético Nacional/COL e o vencedor do confronto entre Oriente Petrolero/BOL x Nacional/URU. Se os colombianos têm sido uma pedra no sapato do Tricolor nos últimos anos - com as eliminações da Sul-Americana em 2012 para o Millonários e da Libertadores desses ano para o Santa Fé -, o Nacional perdeu muito de sua força no continente. Na última Libertadores, se classificou em primeiro em um grupo que se mostrou muito equilibrado, com Boca Jrs./ARG, Barcelona/EQU e Toluca/MEX, mas caiu logo nas oitavas contra o limitado Real Garcilaso/PER. Ainda tem em Recoba a sua maior esperança; para o ataque, perdeu Loco Abreu, mas se reforçou com Santiago García, que foi jogador de Renato no Atlético-PR em 2011.

A Libertadores tem duas competições bem diferentes: uma na fase de grupos e outra no mata-mata. A última temporada deixou isso bastante claro. O Atlético-MG conseguiu o título porque entendeu que jogar bonito não era o mais importante e que a espetacular primeira fase que o time fez pouco ou nada valia. Assim, ter um grupo um pouco mais difícil também pode ser bom, pois o time já pode entrar mais ligado no mata-mata. Melhor do que pegar adversários muito fracos, vencer de goleada e depois ir para as oitavas sem ter tido o time testado de verdade.

Entre os demais brasileiros, o Galo caiu no grupo 4 com Nacional/PAR, Zamora/VEN e o vencedor de Morelia/MEX x Santa Fé/COL. O adversário mais difícil deverá ser quem vier da fase pré. Já o seu rival Cruzeiro está na chave 5 com o Defensor/URU, o 2o representante do Peru e o vencedor do confronto entre o 3o representante do Chile e o Guaraní/PAR. O Flamengo está no grupo 7, já definido, ao lado Bolívar/BOL, Emelec/EQU e León/MEX. Equatorianos e mexicanos podem dar trabalho, mas contra os bolivianos a obrigação é fazer 6 pontos. O problema do Rubro-Negro carioca pode ser o deslocamento, pois terá que viajar bastante para encarar os adversários.

Botafogo e Atlético-PR têm boas chances de avançarem à fase de grupos. Se o Alvinegro eliminar o Deportivo Quito, vai para o grupo 2, com Unión Española/CHI, Independiente J. Terran/EQU e o 3o representante argentino. A rigor, adversário perigoso mesmo devem ser os hermanos. Já o Furacão, derrotando o Sporting Cristal, vai para a chave 1, ao lado de Vélez Sarsfield/ARG, o 2o representante da Bolívia e o 1o representante do Peru. Quem mais assusta, certamente, é o Vélez. Mas vale lembrar que os argentinos sempre têm entrado como favoritos e deixado a desejar na Libertadores. Para piorar, foram eliminados pela Ponte Preta há pouco tempo na Copa Sul-Americana.

Enfim, claro que tudo agora é teoria e pouco se sabe também como vão estar as equipes para o ano que vem. Mas os brasileiros podem se considerar sortudos. Primeiro, porque os times da Pré não irão cair em um grupo onde já tem uma equipe brasileira, o que aumenta as chances do País de avançarem os 6 representantes. E, segundo, porque mesmo quando existe uma equipe perigosa no grupo, como no caso do Atlético-PR, os demais representantes são muito fracos. Flamengo e Grêmio são os que têm mais motivos para abrirem o olho, mas ainda assim possuem todas as condições de avançarem ao mata-mata.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Triste fim

O Brasileirão chegou ao fim e só do que se fala é da selvageria ocorrida em Joinville na partida que culminou no Rebaixamento do Vasco. Cenas muito fortes, de violência gratuita e com a chancela de quem era responsável pela segurança e falhou gravemente. Essa confusão toda tem dois lados principais, na minha opinião: o primeiro é averiguar realmente de quem foi a falha de segurança. Se deveria ter sido uma empresa privada fazendo o "policiamento" por assim dizer no Interior do estádio, a responsabilidade é do Atlético-PR, que contratou essa empresa, e também da empresa, claro, que não fez o serviço direito. No entanto, como ressaltou o promotor do Ministério Público de SC, não existe medida que determina a saída da Polícia Militar de dentro do estádio. O que houve foi uma ação civil pública ajuizada pelo MP-SC solicitando que só haja policiamento da PM em áreas onde houver torcedores para evitar o desvio de função por parte da PM. E essa ação civil proposta sequer teve o parecer do juiz ainda, sem falar que suas medidas só estão previstas para entrarem em vigor a partir de 2014. Ou seja, a Polícia Militar de Joinville também tem responsabilidade, uma vez que o Estatuto do Torcedor obriga que a PM faça a segurança dos jogos em todo o País, mesmo que em alguns Estados isso seja contestado, já que o futebol é um evento privado.

Foto: Gazeta Press/ESPN.com.br

O segundo lado é o do ser humano. O que passa na cabeça das pessoas para brigarem daquele jeito, chutando, enchendo de paulada torcedores caídos, completamente indefesos? Algo tem que ser feito de forma enérgica, e não é acabar com as torcidas organizadas ou proibir a venda de bebida alcoólica (o que não evitou a barbárie desse domingo, por exemplo). É investigar e punir severamente esses bandidos, é criar ações que busquem um maior diálogo entre a PM e os torcedores, é se importar com o problema e tentar resolvê-lo. A Copa do Mundo irá ocorrer no País e trouxe com ela muitas mudanças; mas como os torcedores que irão aos jogos não são os mesmos que costumam ir às partidas do campeonato brasileiro, nada foi feito para melhorar a segurança. Não dá mais, ninguém aguenta mais ver esse tipo de selvageria, o Poder Público tem que começar a se mexer já, pois as medidas que foram tomadas não surtiram efeito. Ou então nós vamos continuar vendo cenas como a desse domingo, que mais parecem de um filme de violência gratuita do que de uma partida de futebol.

BRASILEIRÃO

Poucas surpresas na última rodada. O Vasco perdeu (na verdade foi goleado pelo Atlético-PR) e foi rebaixado; o Fluminense até conseguiu vencer o Bahia, mas o triunfo do Coritiba sobre o São Paulo decretou o rebaixamento do campeão nacional do ano passado. A Série A de 2014 vai perder em qualidade, enquanto a Série B deve iniciar com duas equipes com acesso praticamente garantido. Isso se Vasco e Flu fizerem o dever de casa, reformulando o grupo e levando a competição a sério, como tem feitos todos os grandes que caíram nos últimos anos.

Na parte de cima da tabela, o Goiás levou uma chacoalhada do Santos em casa e deu adeus a qualquer chance de Libertadores. Quem se aproveitou foi o Botafogo, que venceu o Criciúma, garantiu o 4o lugar e agora espera pela decisão da Sul-Americana entre Lanús/ARG x Ponte Preta para confirmar ou não sua vaga na fase pré.

SELEÇÃO DO CAMPEONATO BRASILEIRO 2013

Goleiro: Fábio (Cruzeiro) - o mais regular. Apesar da boa defesa da Raposa, o goleiro e capitão do time foi bastante exigido e fez defesas fundamentais.
Lateral-direito: Léo (Atlético-PR) - também o mais regular na posição. Embora Mayke (Cruzeiro) e Luís Ricardo (Portuguesa) tenham chamado mais a atenção e feito gols importantes, Léo jogou bem do início ao fim do campeonato e era uma das principais armas do Furacão.
Zagueiro central: Manoel (Atlético-PR) - jogador fundamental na equipe. E, na minha humilde opinião, jogou mais que Dedé (Cruzeiro) nesse campeonato.
Quarto zagueiro: Gil (Corinthians) - sim, o Corinthians fez um campeonato pífio, ridículo. Mas sofreu apenas 22 gols em 38 jogos, méritos da defesa armada por Tite e que tinha como principal destaque o zagueiro Gil.
Lateral-esquerdo: Juan (Vitória) - Alex Telles (Grêmio) e Egídio (Cruzeiro) fizeram grande primeiro turno, mas caíram muito no segundo. William Matheus (Goiás) também fez ótimos jogos, mas sumiu. E Juan continuou sendo um dos principais jogadores do Vitória, um dos responsáveis pela grande ascensão da equipe após a chegada de Ney Franco.
1o Volante: Nilton (Cruzeiro) - outro que foi muito bem no primeiro turno e acabou caindo um pouco no segundo até se lesionar. Mas jogou bem mais que os outros atletas da posição. Além dele, vale destacar também Deivid (Atlético-PR).
2o Volante: Elias (Flamengo) - um dos principais responsáveis por o Flamengo não estar lá embaixo fazendo companhia a Vasco e Fluminense. De quebra, ainda jogou muito na Copa do Brasil e foi peça-chave na conquista do título. Destaque também para Ramiro (Grêmio) e Lucas Silvas (Cruzeiro), duas das revelações do campeonato.
Meia-direita: Cícero (Santos) - está meio deslocado na função, mas não podia ficar de fora. Apesar da campanha pífia do Peixe, Cícero jogou muito. E foi mais regular que nomes como Seedorf (Botafogo) e Paulo Baier (Atlético-PR).
Meia-esquerda: Éverton Ribeiro (Cruzeiro) - o craque do campeonato. Um primeiro turno espetacular, aliás, como quase todo time do Cruzeiro, e um segundo turno decisivo, com jogadas e gols como o da vitória sobre o Santos na Vila Belmiro. Apesar disso, acho que ainda não é jogador para uma equipe como o Manchester United/ING, por exemplo. Se ficar, jogar a Libertadores e mantiver o nível, aí sim é porque já pode partir.
Segundo atacante: Walter (Goiás) - grande responsável por o Goiás estar onde está e ter chegado às semifinais da Copa do Brasil. Se estivesse um pouco mais em forma e não tivesse se lesionado talvez o Esmeraldino conseguisse voos ainda mais altos em 2013. Se Maxi Biancuchi (Vitória) não tivesse ficado tanto tempo fora poderia concorrer com Walter, pois o primo de Messi jogou muito quando esteve em campo. Destaque também Marcelo (Atlético-PR) e Diego Tardelli (Atlético-MG), que fez uma reta final de campeonato sensacional.
Centroavante: Éderson (Atlético-PR) - andou um tempo em baixa, mas não há como deixar de fora o artilheiro do campeonato com 21 gols. Destaque também para Dinei (Vitória), Hernane (Flamengo) e Gilberto (Portuguesa), que foram muito bem como homens-gols das suas equipes.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Quem explica?

O campeonato brasileiro mostra que o futebol das duas primeiras divisões do País está equilibrado. Na série A, excluindo-se o Cruzeiro e o Náutico, todos os times são muito parecidos, tendo a irregularidade como uma marca. O maior exemplo destes talvez seja o Santos, que realiza grandes jogos, como a virada sobre o Atlético-PR na última rodada, e consegue vencer apenas 4 partidas fora de seus domínios, uma delas contra o lanterna Náutico. Na série B, além do Palmeiras, único dos grandes a disputar o campeonato, a Chapecoense foi quem conseguiu a maior folga para confirmar o acesso, e isso graças a Bruno Rangel, artilheiro da segunda divisão com incríveis 31 gols! Além deles, Sport e Figueirense só conquistaram o acesso na penúltima e na última rodada, respectivamente, sendo que quando faltavam umas 4,5 rodadas para o fim do certame até o 10o colocado ainda tinha chances de acesso (o Figueirense, por exemplo, era 10o na 33a rodada e conquistou a vaga).

Foto: Guito Moreto/O Globo
Com tanto equilíbrio, os pequenos detalhes se somam e se tornam cruciais a quem não dá bola para eles. Só isso pode explicar que equipes como Fluminense (na foto o técnico Dorival Jr.) e Inter cheguem à última rodada com chances de serem rebaixados, sendo que o Tricolor carioca depende de uma vitória contra o Bahia, fora de casa, e de tropeços dos rivais. O Vasco, outro gigante do futebol que ocupa o Z-4, não surpreende, pois apesar do seu tamanho já iniciou o Brasileirão como candidato a no máximo uma zona do limbo. Ainda assim, a julgar pelas últimas atuações, o Cruzmaltino tem maiores chances de vencer o Atlético-PR, fora de casa, na última rodada e escapar, do seus demais concorrentes têm de vencerem seus jogos.

No caso do Inter, a falta de conhecimento futebolístico de quem comanda o clube vai pagando o seu preço mais alto. É o acúmulo de erros ao longo de 3,4 anos que coloca o time na situação onde está. O torcedor se acostumou a ganhar e talvez tenha afrouxado a corda sobre o time; isso, aliado a falta do Beira-Rio e de comando no vestiário colocam o time numa perigosa situação. Só depende de si e provavelmente irá se manter na série A, pois encara a já rebaixada Ponte Preta (que ainda estará em meio às finais da Sul-Americana). Mas é uma vergonha para um time do tamanho do Colorado, com o grupo que tem e com os resultados que obteve no início, quando ficou um bom número de jogos sem perder e disputou o topo da tabela. O que explica essa queda de rendimento tão brusca do Inter?

Já o Fluminense conseguiu fazer ainda pior. Entrou o ano disputando a Libertadores e como um dos favoritos ao título, até porque é o ATUAL CAMPEÃO BRASILEIRO. Como se transforma uma equipe que tem muitos jogadores do time que foi campeão no ano passado (perdeu Deco, Welington Nem, Thiago Neves e Fred, lesionado há um bom período) em 18o colocado nesse ano faltando uma rodada para o fim do campeonato?

Outras equipes que começaram o ano empolgando e terminam em baixa são Botafogo e Coritiba. Nesse caso, dá para se explicar as dificuldades pela qualidade dos times, que são inferiores àquilo que um dia deram a entender. Largaram muito bem no Brasileirão, mas não se sustentaram e hoje o Botafogo precisa de resultados paralelos para chegar à Libertadores (sendo que passou 30 rodadas dentro do G-4) e o Coritiba decide a sua permanência na Série A contra o São Paulo no Morumbi.

Enfim, o futebol é apaixonante, mas também tem alguns aspectos tão intrigantes que parecem que nunca serão solucionados. Para os amantes do esporte, teremos um ano bem atípico em 2014. Além da Copa do Mundo em nosso País, veremos uma Série A com provavelmente 3 times de SC (o Criciúma tem todas as condições de se manter) e talvez apenas 2 do RJ. A série B, por outro lado, terá além do renascido Santa Cruz, quem sabe 2 gigantes do RJ e talvez um do RS. Como se não faltassem coisas estranhas nesse ano, quem acreditaria que o Flamengo, depois de todos os problemas, da campanha mediana no Brasileirão e com o desconhecido Jayme de Almeida como técnico seria campeão da Copa do Brasil? Em 2013, os deuses do futebol estavam com "a pá virada"; e preparem-se, pois em 2014 a situação tende a ficar ainda mais maluca e imprevisível!

DITADURA NO FUTEBOL

Lamentável o que ouviu do presidente do Náutico e de alguns jornalistas sobre a cobrança dos jogadores pelos salários atrasados. O mandatário do Timbu, Paulo Wanderley, ameaçou os atletas publicamente e ainda tentou manchar o nome de Martinez, líder do grupo. O jornalista Fernando Duarte participou de um programa do canal SporTV e criticou a possibilidade de greve porque iria contra os interesses do torcedor, pois agora não seria o momento de fazer isso. Deve ser o mesmo tipo de pessoa que questionou quem era de classe média e estava nas manifestações do meio do ano com a dúvida: "se você tem dinheiro para pagar médico particular, está protestando por quê"? São pessoas como essas (se é que dá para considerar seres humanos) que contribuem para essa sociedade injusta e desigual em que nós convivemos.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Tradição e camisa

Foto: Getty/ESPN Brasil
O bom futebol esteve em falta nessa quarta-feira durante a final da Copa do Brasil. Como na partida de ida, jogo sofrível, com muitos erros e dominado pelo nervosismo dos dois times. No fim das contas, o título do Flamengo foi justificado pela equipe ter conseguido jogar quase tudo o que sabe e também por ter eliminado o grande favorito, o Cruzeiro, ainda nas oitavas de final. O Atlético-PR se mostrou muito mais time ao longo de todo o ano, mas seus atletas parecem ter sentido a decisão. O Furacão foi minguando até se tornar um sopro, não conseguindo impor o seu futebol de muita velocidade e finalizações certeiras. O placar de 2 a 0 da partida no Maracanã veio para coroar individualmente os dois melhores do Rubro-Negro carioca em 2013: Elias e Hernane. O primeiro gol, já no fim da partida, representou uma enorme pá de cal nas esperanças do torcedor paranaense. Com o gol sofrido, o CAP precisava empatar para levar o jogo aos pênaltis. Mas realmente não era o dia do time de Vágner Mancini. Totalmente batido em campo, sofreu o segundo, coroando a artilharia de Hernane na Copa do Brasil com 8 gols.

Por falar em gol, o chutaço de Amaral empatando o jogo de ida pode ter sido decisivo para o título do Flamengo. Ali, o Atlético-PR levou um grande susto, se perdeu na partida e desperdiçou a chance de abrir vantagem em casa. Pior: "deu" o placar de 0 a 0 para o time carioca. No duelo do Maracanã, o Furacão até começou se impondo. Mas não conseguiu jogar nem perto do futebol que o levou à final da CB e à vice-liderança do Brasileirão. Já o time de Jayme de Almeida foi organizado, se defendeu bem e ainda conseguiu apresentar as suas armas ofensivas, que não são lá grande coisa, mas apareceram. Ao contrário do poderio do CAP, superior como equipe num conjunto de fatores, mas que não mostrou seu potencial.

Um ponto que talvez traga mais justiça ao título do Flamengo é que os cariocas eliminaram o Cruzeiro. Como se viu ao longo de toda a temporada, a Raposa é um dos poucos times equilibrados do Brasil, que se defende com competência e ataca também com qualidade. O time carioca se defende razoavelmente bem e explora a velocidade para surpreender os adversários. Para o Brasileirão foi pouco, também levando em consideração os problemas que a equipe teve durante o ano. Mas para a CB foi mais do que suficiente.

MACACA HISTÓRICA

"No futebol são 11 contra 11". Uma das maiores obviedades do futebol saltou aos olhos na semifinal da Copa Sul-Americana entre Ponte Preta e São Paulo. Amplo favorito, o Tricolor do Morumbi se recuperou em grande estilo no Brasileirão após a chegada de Muricy Ramalho e conseguiu duas classificações contra times tradicionais na Sul-Americana. Já a Ponte continuou cambaleante no Brasileiro, mas foi se afirmando na competição continental. O SP fez jogo duro e se negou a atuar na partida de volta no Moisés Lucarelli. Pronto. Foi a questão chave que definiu a gana dos dois times em chegar à final. A partir dessa discussão idiota, a Ponte jogou ainda mais com a faca entre os dentes e atropelou o São Paulo em disposição no Morumbi. Incrível como esse time de Jorginho deu liga na Sul-Americana. Na partida de volta, apesar da pressão (que também já havia sido suportada no primeiro jogo), a Macaca ainda saiu na frente. E o empate dos são-paulinos não foi suficiente para a classificação.

Agora, o time de Campinas avança para encarar Lanús/ARG ou Libertad/PAR na final. Se vencer, será um sonho, algo inacreditável para uma equipe rebaixada no Brasileirão. E irá repetir o Palmeiras de 2013, disputando a Libertadores e a Série B. E se perder já terá feito história e ainda assim o torcedor terá do que se orgulhar nessa louca temporada, em que a equipe foi bem no Paulista e na Sul-Americana, mas deve ser rebaixada para a Série B.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Muita transpiração, pouca inspiração

A primeira partida da final da Copa do Brasil entre Atlético-PR e Flamengo deixou a desejar. O placar de 1 a 1 reflete bem um jogo disputado em altíssima velocidade, mas não no bom sentido. A velocidade esteve aliada a pressa e provocou inúmeros erros de passes, dribles e conclusões. No fim das contas, o resultado aparentemente parece melhor para o Flamengo, que irá decidir em casa. Mas uma vitória simples por 1 a 0 dá o título ao Furacão, que tem se destacado na temporada por marcar gols em quase todos os jogos e ainda assim se defender bem.

Paulo Baier (E) e Amaral são observados por Hernane.
Volante flamenguista marcou golaço do empate.
Foto: Cleber Yamaguchi/Agência Eleven/Gazeta Press 
A queda de rendimento de Paulo Baier, que acabou saindo no segundo tempo, e a atuação muito recuada de Elias contribuíram para o baixo rendimento técnico do jogo. O camisa 30 do Furacão era o responsável pelas melhores iniciativas de ataque do time mandante, uma vez que Marcelo não conseguiu superar o marcador e Éverton errou demais no último passe. Do lado do Fla, as melhores oportunidades foram com Luiz Antônio e Léo Moura em escapadas pelo lado direito. Mas ambos erraram as conclusões e desperdiçaram boas chances.

Para o duelo da volta, o Flamengo não precisa sair pro jogo, uma vez que o 0 a 0 lhe dá o título. Mas é prudente que o time carioca tente se impor, especialmente no primeiro tempo. Se o gol não sair, aí sim, na volta do intervalo, é hora de começar a administrar o jogo. No entanto, se o Fla entrar administrando o resultado desde o apito inicial, corre sério risco de sair atrás no placar. E para reverter a situação será bem complicado.

VAI ENTENDER?!

A Ponte Preta está cada vez mais morta no campeonato Brasileiro. Nem a chegada de Jorginho conseguiu recuperar o time, que está a 7 pontos de sair do Z-4 faltando 3 rodadas para o fim do Brasileirão; logo, está praticamente rebaixada e pode confirmar matematicamente este cenário no final de semana.

Contudo, assim como fez o Goiás em 2010, a Macaca surpreende na Sul-Americana e está muito perto de ir à final após vencer o São Paulo, no Morumbi, por 3 a 1, na partida de ida. São coisas difíceis de explicar racionalmente e que só o futebol pode proporcionar...

TUDO DEFINIDO

As 32 seleções que virão ao País em 2014 para a Copa do Mundo já estão definidas. Entre as últimas vagas, praticamente nenhuma surpresa. Uruguai e México superaram os rivais na repescagem com extrema tranquilidade. Na África, seleções mais fortes como Camarões, Nigéria, Gana e Costa do Marfim confirmaram a vaga, juntamente com a Argélia. E na Europa, apesar do sufoco, a França também carimbou o seu passaporte, assim como Portugal, Grécia e Croácia.

Será uma Copa bem interessante do ponto de vista técnico. As grandes seleções estão confirmadas e equipes medianas vêm com boas credenciais, como Bélgica, Bósnia, Colômbia e Suíça. Ainda assim, o time de Felipão entra como um dos grandes favoritos.

Além de ter vencido a Copa das Confederações, a equipe está criando uma liga muito forte. Algumas opções têm sido resgatadas, como Robinho e Maicon, enquanto outros nomes surgem cada vez melhores, como Bernard e Willian. Em menos de um ano, Felipão conseguiu preparar a equipe como Mano não havia feito em 2. Claro que o ex-treinador pegou a parte mais difícil do processo de transição e quando parecia engrenar o seu modelo de jogo proposto ele acabou sendo demitido. Mas é inegável que a seleção parece muito mais pronta para vencer agora, sob o comando de Felipão, do que estaria se ainda estivesse sob o comando de Mano. E como o que importa, afinal, é vencer, ponto positivo para os cartolas da CBF. Ou não?!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ano Dourado nas Minas Gerais

O Cruzeiro confirmou nessa quarta-feira o que todo mundo já sabia: é o campeão Brasileiro de 2013. Ganha com sobras o campeonato mais importante e difícil do futebol nacional. O seu maior rival, o Atlético-MG, conquistou no primeiro semestre o inédito título da Copa Libertadores. E na Copa do Brasil, se o Atlético-PR for campeão, teremos um ano histórico, sem títulos das equipes do eixo Rio-São Paulo.

Os dois rivais de Minas apresentaram fórmulas parecidas para as conquistas. Investiram forte no elenco, mesclaram atletas mais badalados com outros de grande potencial. Além disso, têm em comum o fato de colocarem os times para a frente. Ambos marcam, se defendem bem, mas essa não é a principal força dos times, pois é do meio para a frente que as equipes brilham e se destacam. O Galo encantou na primeira fase da Libertadores com um futebol ainda melhor do que o apresentado no Brasileiro do ano passado. Quando iniciou o mata-mata, a equipe sofreu, não conseguiu mais se impor com a mesma facilidade, e aí brilhou a entrega da equipe e a estrela de alguns jogadores, fundamentais em competições eliminatórias. Já a Raposa esteve muito acima dos rivais durante todo o Brasileiro. Num breve período de instabilidade, em que teve 3 derrotas em 4 jogos, contou com a incompetência dos concorrentes, que não conseguiram se aproximar do time celeste.

Não é porque venceram que está tudo certo e todos os jogadores são ótimos, mas os títulos dos mineiros simbolizam mais do que apenas a vitória do melhor time. Os treinadores, Cuca e Marcelo Oliveira, fazem parte de uma geração intermediária de técnicos, nem do grupo dos badalados e menos ainda dos recém iniciantes na profissão. Ambos vinham de bons trabalhos em clubes menores ou com muitas dificuldades. E os dois se mostraram grandes estrategistas, além de terem o controle dos seus grupos a ponto de deixarem medalhões no banco sem que alguém se manifestasse de forma negativa.

Foto: Douglas Magno/O Tempo
O outro ponto em comum nos rivais mineiros, talvez esse o mais importante, foi a montagem dos elencos. Ao contrário do que pode parecer, o Cruzeiro formou o seu grupo a dedo e investiu para isso. Trouxe jogadores como Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, que se não eram afirmados vinham de grandes temporadas e tinham diversas propostas. O clube ainda trouxe nomes experientes como Dagoberto, Dedé e Júlio Baptista, sendo que o último amargou a reserva para Goulart, artilheiro do time no Brasileirão até aqui ao lado de Borges. Alguns negócios de ocasião, como Nilton e Willian, mas sempre com uma proposta clara: um time forte na defesa e muito veloz no ataque.

Foto: EFE/Foxsports
Já o Galo talvez tenha investido um pouco mais em Ronaldinho, Diego Tardelli, Réver e Victor. A eles somam-se nomes que vieram compor o elenco, como Gilberto Silva, Josué (que virou titular), Rosinei e Alecsandro. O time trouxe ainda Luan, revelação da Ponte Preta em 2012 e o coringa da equipe de Cuca, e manteve nomes como Marcos Rocha, Leonardo Silva e Pierre. Sem falar em , uma aposta que deu muito certo e foi decisiva para o estilo de jogo desenvolvido por Cuca.

O ano foi de ouro para o futebol mineiro. E pode ficar ainda mais reluzente com o sucesso do Galo no Mundial de Clubes. Se ambos mantiverem a base dos seus elencos e os treinadores, 2014 promete ser um ano ainda mais infernal para os rivais, pois Cruzeiro e Atlético-MG entrarão como grandes favoritos aos títulos da Libertadores, do Brasileirão e da Copa do Brasil.

ALÍVIO E SÓ

O Grêmio voltou a vencer, 1 a 0 contra o Vasco, na Arena, e isso era o mais importante no momento. Mas a equipe ganhou pelas deficiências do rival e em um lance fortuito. O time não conseguiu pressionar, não criou e nem mesmo o esquema mais equilibrado no 4-3-1-2 com Zé Roberto na meia deu resultado. Pelo visto ontem, acho que Renato poderia testar Zé como volante pela esquerda, sacando Riveros do time e colocando Maxi Rodríguez na meia. Assim, não vai perder muito em recomposição, ganha colocando Zé onde rende mais (partindo de trás e não jogando de costas) e conta com o talento de Maxi.

Embora tenha errado alguns lances e um gol, Maxi deu outra dinâmica ao time. É de se pensar também a utilização de Elano no ataque ao lado de Barcos. Com a queda de rendimento principalmente físico de Kléber, o camisa 7 pode deixar o time ainda mais inteligente na frente, sem falar que é outro jogador com capacidade de deixar Barcos na cara do gol. Enfim, Renato tem alguns dias para pensar no time até o jogo com o Flamengo e a mudança na escalação dá indícios de que ele pode estar revendo alguns de seus conceitos. Essa é a melhor notícia para o torcedor.

CLÁSSICO CARIOCA NA SÉRIE B?

A vitória do Criciúma, 2 a 1 contra o Atlético-PR, tirou os catarinenses da Zona de Rebaixamento. Assim, Vasco e Fluminense fazem companhia no Z-4 ao já rebaixado Náutico e a Ponte Preta, que está na UTI quase tendo seus aparelhos desligados. A esperança do Flu, agora sob o comando de Dorival Jr., é que uma vitória sua contra o Náutico, no RJ, combinada a uma derrota do Bahia para o Santos na Vila, livre a equipe do Z-4, empurrando o Tricolor baiano para a Zona da Degola.

BOM SENSO F.C.

O grupo criado por atletas para combater em parte os desmandos da CBF começa a dar esperanças de que o futebol brasileiro pode evoluir. A mudança no calendário e em outras questões pontuais propostas pelo grupo pode ser um gancho para que o futebol varra uma boa parte dos sanguessugas que estão no meio. Pessoas como os presidentes de federações do RS, Francisco Noveletto, e do PR, Hélio Cury, que criticaram o movimento com base em alegações financeiras e até mesmo dizendo que era "um grupo de jogadores veteranos". Será que o dinheiro que eles ganham é mais digno do que o dos jogadores? O que fazem os presidentes das federações? Recentemente as federações tiveram sua "mesada" dada pela CBF dobrada, casualmente (?), às vésperas das eleições na entidade marcadas para abril do ano que vem. Estranho, não? (leia mais sobre as manifestações durante a rodada nessa quarta-feira na coluna de Mauro Cézar Pereira)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Campeões de atitude

O Cruzeiro bateu o Grêmio por 3 a 0 nesse domingo, no Mineirão, mas não garantiu o título matematicamente porque o Atlético-PR também fez 3 a 0 no São Paulo. Mesmo assim, o clube comemorou como se já fosse o campeão, pois essa é uma realidade já há algum tempo para o time de MG, que mesmo em vantagem para os rivais seguiu com o pé no acelerador. Num breve momento de desvio, quando perdeu 3 jogos em 4 disputados (entre a 27a e a 30a rodada), a equipe de Marcelo Oliveira contou com a incompetência dos rivais, que também vacilaram e não conseguiram diminuir muito a diferença para a Raposa. Após essa sequência ruim, o time celeste engatou três vitórias e voltou a abrir grande vantagem - são 13 pontos para o Atlético-PR, 2o colocado, faltando 5 rodadas.

Foto: Yuri Edmundo/Gazeta Press
Nesse domingo, o Cruzeiro mostrou mais uma vez que é o "campeão da atitude" desse Brasileirão. Joga se impondo, mesmo que não consiga sempre ser brilhante. Em números, o confronto contra o Grêmio foi parecido; a diferença, como disse o técnico Renato, é que a Raposa fez os seus gols, e o Tricolor gaúcho não. Mas essa não foi a única diferença. A primeira das diversas diferenças entre o campeão Cruzeiro e o Grêmio (e quase todos os outros times do campeonato) começa na escalação. Marcelo Oliveira tem um time equilibrado, que marca, mas que também joga. Os ponteiros se movimentam, o centroavante também ajuda a marcar a saída de bola. Já o Grêmio entrou com 3 zagueiros e 3 volantes, uma equipe com vocação totalmente defensiva. E ainda por cima os dois atacantes seguidamente eram vistos dando combate na entrada da área defensiva. Isso extenua o jogador fisicamente. Na hora de arrematar, como tem acontecido com Kléber e Barcos frequentemente, os dois não têm força. Outra diferença: a atitude dos técnicos. Marcelo Oliveira, aos 30 do segundo tempo, fazia sua terceira e última modificação. Colocou 3 homens do meio para a frente no lugar de outros jogadores que estavam cansados. Já Renato, mesmo perdendo por 1 a 0 desde o primeiro tempo, esperou até depois dos 30 do segundo tempo para lançar Maxi Rodríguez e Yuri Mamute. Ainda assim, não desfez os 3 zagueiros; sacou Kléber e Riveros. Parecia que o treinador gremista estava apenas pensando em perder de pouco.

Claro que levar 3 a 0 do Cruzeiro não é motivo para grande crise. Mas o contexto de eliminação do Tricolor na Copa do Brasil e a forma como o time perdeu são preocupantes. O torcedor esperava uma resposta do técnico e do time, e qual recado foi passado? Com certeza, não foi uma mensagem positiva. O cansaço poderia ser uma desculpa, e talvez até tenha uma contribuição significativa, mas isso porque o time do Grêmio corre errado. Todos os 11 jogadores parecem ter incumbência de marcação igual, quando isso não funciona assim. Assim como nem todo mundo pode atacar, não pode a dupla de atacante ficar dando combate na entrada da área de defesa. Nesse meio de semana a Copa do Brasil tem uma parada e as equipes voltam a campo pela 34a rodada. Renato tem pouco tempo para pensar e precisa encontrar soluções logo para o time. O 3-5-2 e o 4-3-3 ficaram esquemas manjados, sem falar que ambos têm inúmeras falhas que os adversários já perceberam há tempos. Se continuar insistindo no que já fez e deu certo, ok, mas que também não tem dado certo há horas, Renato corre o risco de jogar por água abaixo a boa temporada que fez e ficar marcado pela não classificação à Libertadores quando ela parecia praticamente certa.

CAMPEÕES DE ATITUDE (2)

O Atlético-PR, que fez 3 a 0 no SP, também pode ser considerado um dos "campeões de atitude" do País nesse ano. Mesmo já classificado para a final da Copa do Brasil, o time de Vágner Mancini continua jogando com força máxima e indo para cima dos rivais. Não tem a mesma qualidade do elenco do Cruzeiro e isso é o grande fator diferencial para as campanhas de mineiros e paranaenses num torneio longo como o Brasileiro. Mas na CB, competição de mata-mata, enquanto a Raposa deu mole para o favoritismo e foi surpreendida pelo Flamengo, o Furacão já deixou Palmeiras, Inter e Grêmio pelo caminho. A final contra o Rubro-Negro carioca promete ser equilibrada e pelo bom momento das duas equipes na temporada não há favorito.

VITÓRIA E ALÍVIO

O Inter conquistou um grande resultado ao bater o Botafogo por 2 a 1. Respira na tabela, se afasta da Zona de Rebaixamento e ainda pode estar começando a montar a equipe de 2014. Jackson, Alan, João Afonso, Otávio e Caio (que não é formado na base Colorada) são atletas jovens e com potencial, que podem ser mais úteis do que foram nessa temporada. Claro que a utilização está condicionada ao novo técnico, mas é uma alternativa importante apostar na base, ainda mais para o Colorado que tem revelado atletas de destaque e não terá as receitas da Libertadores na próxima temporada.

SOBRE E DESCE NO Z-4

Faltando 5 rodadas para o fim do Brasileirão, a Zona de Rebaixamento apresentou mudanças nessa rodada. O Vasco perdia por 2 a 0 para o Santos no Maracanã, mas foi buscar o empate. Esse pontinho combinado com a derrota do Fluminense para o Corinthians tirou o Cruzmaltino da Zona da Degola. O Flu inclusive foi ultrapassado pelo Criciúma, que se aproveitou da fragilidade do Náutico e somou 3 pontos em PE. Quem se deu mal na rodada foi a Ponte Preta, que levou 3 do Vitória em Campinas. O time de Jorginho ainda está a 3 pontos de sair do Z-4, mas agora tem um jogo a menos em casa para realizar. O Bahia também jogou em casa, mas o empate com o Atlético-MG até pode ser considerado um bom resultado.

O jogo entre Vasco e Santos teve uma nota triste: Juninho Pernambucano foi cobrar uma falta e sentiu uma lesão no púbis. Ele afirmou depois que pode ter sido sua última partida como profissional. Uma pena o futebol perder um jogador com a sua qualidade e ainda mais assim, por força de uma lesão.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Faltou o gol. E isso a torcida e o técnico não podem fazer

Flamengo e Atlético-PR disputarão a final da Copa do Brasil 2013. O jogo de ida acontece no dia 20/11, no Durival de Brito, com a grande decisão ficando para 27/11 no Maracanã. Duas equipes de trajetórias bastante distintas nessa temporada: o Rubro-Negro carioca cresceu apenas há poucos jogos sob o comando de Jayme de Almeida; até então, fazia temporada ruim e inclusive chegou a ficar perto da Zona de Rebaixamento no Brasileirão. Já o Furacão paranaense inovou: não participou do Estadual com a equipe principal, mas com um time sub-23. Enquanto isso, o elenco principal realizou uma extensa pré-temporada, inclusive com viagens e jogos no Exterior. Foi crescendo ao longo da temporada, atingiu maturidade para se manter no G-4 do Brasileirão e chegar à final da CB.

Para Grêmio e Goiás, os eliminados, resta tentar uma vaga na próxima Libertadores via Brasileirão. Para isso, além de fazerem a sua parte é interessante que torçam para que um clube do país não vença a Sul-Americana, o que diminuiria uma vaga do G-4. Além disso, se o Atlético-PR ficar à frente deles no nacional, mas for campeão da CB, abre-se uma vaga a mais via Brasileirão.

DOMÍNIO INCOMPETENTE

Foto: Gustavo Granata/Agif/Gazeta Press
No jogo desta quarta à noite, na Arena, faltou o gol, como disseram o técnico Renato e a maioria dos jogadores. A torcida fez a sua parte: lotou o estádio mesmo com os ingressos caros postos à venda. Incentivou, jogou junto até o apito final do árbitro. Renato também fez o seu papel: equilibrou a equipe com Zé Roberto no meio, embora o camisa 10 não tenha feito um grande jogo. Como a equipe tinha dificuldades na armação, colocou primeiro Elano em campo no lugar de Riveros, para depois lançar mão de mais atacantes, Vargas e Yuri Mamute, terminando a partida no 4-2-4. Apesar da pouca criatividade, o Grêmio conseguiu diversos lances de gol, os mais claros nos pés de Barcos. O camisa 9, capitão da equipe, é o retrato do ataque Tricolor: inoperante. Briga com os zagueiros, se esforça e até consegue a vitória pessoal, mas não faz o gol.

O Atlético-PR foi um adversário duro, claro, se fechou muito bem, mas a equipe paranaense não fez uma partida maravilhosa defensivamente. Pelo contrário. O goleiro Wéverton foi um dos nomes do jogo ao lado do volante Deivid, incansável na marcação aos meias e atacantes gaúchos. E assim, com méritos, principalmente por ter conseguido fazer o dever de casa vencendo no PR, mas também com uma grande ajuda do rival, incompetente para marcar os gols necessários apesar das chances criadas, o Furacão se garantiu na primeira final de CB da sua história.

FINAL DE FESTA

Grêmio e Inter vão terminando mais uma temporada de forma melancólica. Mais do que não ganharem títulos ou chegarem às finais dos principais campeonatos, as atuações da Dupla deixam muito a desejar. O Tricolor foi um pouco melhor, isso porque teve boa organização defensiva durante quase toda temporada. Já o Colorado sofreu com a sua defesa, desorganizada e lenta. No ataque, Grêmio e Inter também são opostos: enquanto o Tricolor tem muitos problemas, o Colorado conseguiu um bom rendimento em quase toda temporada, tendo uma queda de produção com a chegada de Clemer, quando a equipe passou a atuar de forma mais equilibrada e a sofrer menos gols.

No Brasileiro, o Inter não tem mais chances de Libertadores, mas também não vai cair. Com uma vitória contra o Botafogo, neste final de semana, o Colorado afasta de vez qualquer fantasma e poderá terminar o campeonato tranquilo, sem a pressão de uma disputa contra o Rebaixamento. É importante aproveitar essas últimas rodadas e começar a preparar a próxima temporada. Escolher logo um técnico, colocar pra jogar quem deve ser aproveitado ano que vem, casos de Otávio e Caio e dos zagueiros Jackson e Alan, e retirar do time atletas que não devem continuar, como Índio e Kléber.

Ao Grêmio, ainda resta a chance de Libertadores. Mas para isso, o time de Renato precisará melhorar muito. O Cruzeiro já tem uma das vagas; as outras três (que podem virar duas se o SP vencer a Sul-Americana) estão entre Atlético-PR, Grêmio, Botafogo e Goiás. Outras equipes como Vitória e São Paulo precisariam de uma sequência muito boa para alcançarem a pontuação do 5o colocado, o que a essa altura do campeonato é pouco provável. Dos quatro principais candidatos, Grêmio e Botafogo estão em curva descendente, enquanto Atlético-PR e Goiás cresceram ao longo do ano. O cenário ideal para essas equipes seria o título da CB pelo Furacão e nenhum brasileiro sendo campeão da Sul-Americana. Assim, todos (Atlético-PR, Grêmio, Botafogo e Goiás) poderiam se juntar a Cruzeiro e Atlético-MG na próxima Libertadores. Mas como o SP já foi campeão da Sul-Americana e cresceu na temporada sob o comando de Muricy Ramalho, é bom que o time de Renato se garanta pelo menos entre os primeiros do nacional. Ou o risco de a temporada ser ainda mais frustrante será gigantesco.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Voo para a final

O Flamengo deu um grande passo rumo à final da Copa do Brasil. Jogando no Serra Dourada, o time comandado por Jayme de Almeida derrotou o Goiás, 2 a 1, na partida de ida das semifinais da Copa do Brasil. No outro duelo, o Atlético-PR venceu o Grêmio, 1 a 0. As partidas de volta - no Maracanã e na Arena - acontecem na próxima quarta-feira, dia 06/11.

Foto: Rafaella Felicciano/Ag. Estado
O Rubro-Negro carioca se favoreceu do bom momento da equipe na temporada e da ausência de Wálter, a principal estrela do Esmeraldino. Com alguns jogadores em grande fase, como Paulinho e Hernane, o Urubu o voou uma boa parte do percurso para chegar à final da CB. Contou ainda para o triunfo os erros individuais de alguns jogadores experientes do time da casa: no primeiro gol, o zagueiro Rodrigo, que faz boa temporada, foi ingênuo ao dar o bote em Paulinho, que driblou o camisa 3 e abriu o placar. No segundo gol, a cobrança de falta do zagueiro Chicão (foto) foi no canto onde estava o goleiro Renan, que não conseguiu fazer a defesa. Para a partida de volta, o Esmeraldino vai precisar estar muito inspirado, contar com uma atuação diferenciada de Wálter e torcer ainda para que o Flamengo não esteja no seu dia. Parece muito difícil, e é, mas o melhor do futebol são as surpresas que ele proporciona.

LIÇÃO DE CASA

Foto: Cleber Yamaguchi/Ag. Eleven/Gazeta Press
No Durival de Brito, o Atlético-PR se aproveitou da inoperância ofensiva do Grêmio para vencer. Foi um jogo bastante disputado, até com certa movimentação nas áreas, mas praticamente sem chances de gols para as equipes. O Furacão teve as melhores oportunidades no primeiro tempo: o gol de Delattorre, antecipando o zagueiro e cabeceando sem chances para Dida; e um chute cruzado de Éverton que o goleiro gremista salvou com a ponta dos dedos. Já o Tricolor gaúcho teve a sua única chance no segundo tempo, quando Elano tentou cabecear uma bola que veio muito baixa e poderia ser chutada. Fora isso, para o estilo de jogo da equipe, a dupla de ataque Yuri e Lucas Coelho não favoreceu os companheiros. Jogando no erro do adversário e com muita ligação direta, os avantes gremistas não conseguiram reter a bola como fazem os titulares Kléber, Vargas e Barcos.

Apesar de ter vencido e não sofrer gol em casa, a vantagem do Atlético-PR neste momento é realmente mínima. Isso porque o time já perdeu para o Grêmio na Arena, 1 a 0, em partida disputada recentemente no começo de outubro. A pressão será grande, Renato terá a volta de seus atacantes que se não estão em grande fase, inegavelmente têm mais qualidade do que os meninos que atuaram no PR. Se optar por só se defender, o Furacão pode pagar o pato, com o perdão do trocadilho.

SUL-AMERICANA

O São Paulo venceu o Atlético Nacional/COL no Morumbi, 3 a 2, pela partida de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana. Resultado ruim por conta dos 2 gols sofridos em casa. A pressão no jogo de volta será enorme, e mesmo que os colombianos saiam atrás no marcador um 2 a 1 já é suficiente para a classificação. O lado positivo é a lembrança da fase anterior, quando o Tricolor paulista empatou em casa com a Universidade Católica/CHI e venceu fora por 4 a 3.

Hoje, a Ponte Preta entra em campo contra o Vélez Sarsfield/ARG no Moisés Lucarelli pela partida de ida das quartas de final. Será um jogo bem curioso de acompanhar entre uma equipe do interior do país e que faz campanha ruim no Brasileirão contra um dos gigantes do futebol argentino. Legal foi ver a matéria que o Vélez fez em seu site (confira matéria do globoesporte aqui e a original no site do Vélez aqui) para apresentar o adversário aos seus torcedores: mostrou respeito pela história da equipe e não desmereceu a Macaca por se tratar de um time pouco conhecido no continente Sul-Americano.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Inferno carioca

Foto: Paulo Sérgio/Lance!Press
Atual campeão brasileiro, o Fluminense se complicou muito após a derrota para o Vitória, em casa, na última rodada. Ao lado do Vasco, os dois são os principais candidatos à última vaga que se apresenta para a Série B. Isso o porque o Náutico já caiu, enquanto Ponte Preta e Criciúma se apresentam com muita pompa de rebaixados. Assim, a última vaga hoje está entre os cariocas Flu e Vasco, e o Bahia. A sorte do atual campeão brasileiro é que Vasco e Bahia também tropeçaram na rodada. O Cruzmaltino inclusive perdeu para um rival direto, a Ponte, e voltou a dar esperanças ao time de Campinas. Apesar da péssima fase de todos esses times, acho que uma das vagas está se oferecendo aos cariocas. O Vasco tem um time muito ruim, desde o início do campeonato já era apontado como candidato ao descenso. Melhorou com Dorival Jr. e até achei que o time poderia surpreender no returno, mas a reação era fogo de palha e o desespero pelo Rebaixamento recente parece deixar o ambiente ainda mais tenso entre torcida e jogadores. Mas o Flu também fez a sua parte para estar onde está. Após uma temporada ruim, Abel Braga foi demitido quando a equipe não conseguia reagir. E veio Luxemburgo, que já demonstrou nos últimos anos que não sabe como lidar com a pressão do Rebaixamento. Se o Flu tivesse contratado Celso Roth, por exemplo, já estaria livre do perigo há algum tempo. O time não é tão ruim, mas uniram um ano em que as coisas não iam dar ao certo ao técnico errado na hora errada.

"ACIDENTE DE PERCURSO"

O vexame gremista, goleado por 4 a 0 pelo Coritiba, não deve influenciar no duelo de quarta-feira pela Copa do Brasil. Pelo contrário, serve como um alerta para a euforia que poderia ter sido criada após a eliminação do Corinthians na CB. Valeu para lembrar das limitações do time e para deixar um recado claro à direção: falta grupo. Adriano é esforçado, mas é jogador para a Série B, no máximo. Matheus Biteco está perdido. Pará não consegue acertar um cruzamento com a bola rolando, sem falar no lance da expulsão. E Renato Gaúcho ainda usou a estratégia errada: se não vai ter os 3 atacantes na CB, por que já não testou o time para quarta? Poderia ter entrado no 3-5-2, com Saimon no lugar de Barcos, desgastado fisicamente. O argentino está fora da partida no meio de semana, mas mesmo assim poderia ser poupado, pois ainda existem jogos importantes a serem jogados no restante da temporada. Além disso, ao levar o 2 a 0 estava claro que o Grêmio se perdeu completamente em campo, mas Renato não mexeu. Nem no intervalo o treinador fez substituições, sequer corrigiu o posicionamento da equipe, que continuou entregue e poderia ter levado uma goleada histórica se o Coxa estivesse em melhor fase.

QUANDO A FASE NÃO É BOA...

Não pude assistir ao jogo Inter x São Paulo, mas deu pra ver pelos comentários que o Colorado não jogou tão mal, pelo contrário, detalhes fizeram com que o placar terminasse 3 a 2 para o Tricolor paulista. Lances principalmente em que a arbitragem falhou. Acontece. Quando a fase não é boa, nada ajuda. O São Paulo já sofreu com essa falta de sorte também, mas hoje vive outro momento. Mesmo com desfalques, conseguiu fazer 4 a 3 na Universidad Católica/CHI e avançar na Copa Sul-Americana. No domingo, com uma ajudinha da arbitragem e três gols de Aloísio, conquistou importante vitória no Brasileiro. Vai garantindo um final de ano mais tranquilo pelas bandas de Cotía.

CLÁSSICO CA-JU NA SÉRIE C 2014

Está confirmada a participação de Juventude e Caxias na Série C do ano que vem. O time Grená lutava pelo acesso à Série B, mas foi eliminada pelo bom time da Luverdense/MT. Como a Série C é regionalizada, provavelmente haverá clássico Ca-Ju pela 3a Divisão Nacional no ano que vem. O Ju, aliás, além de já ter garantido o acesso, agora luta pelo título da Série D. Na partida de ida, neste domingo, na Arena do Grêmio (o time perdeu mandos de campo), 2 a 1 para o Ju em cima do Botafogo-PB. A equipe agora joga pelo empate no duelo da volta, no próximo domingo, no estádio Almeidão, em João Pessoa.

BRIGA ACIRRADA PELO ACESSO NA SÉRIE B

O Palmeiras confirmou a volta à elite do futebol brasileiro nesse final de semana. Sem brilho, a equipe empatou em 0 a 0 com o São Caetano, que luta para não cair. Mesmo confirmando o acesso, o time foi vaiado pela fraca atuação. E o alerta que veio das arquibancadas foi ressaltado por alguns jornalistas, como o Mauro Cézar Pereira, da ESPN Brasil (leia aqui). O grupo do Palmeiras é limitado, e apesar de ter feito uma Libertadores acima das expectativas, na Copa do Brasil ficaram claras as deficiências do grupo. O 3 a 0 sofrido para o Atlético-PR, que eliminou o Alviverde, foi o grande alerta para a diretoria de que o grupo de jogadores precisa ser qualificado.Faltando 6 rodadas para o fim do certame, a surpreendente Chapecoense, do técnico Gilmar Dal Pozzo, também já está quase lá com 10 pontos de vantagem sobre o 5o colocado.

A briga pelas duas últimas vagas promete ser muito quente. Sete equipes estão separadas por 6 pontos: Sport (3o, 53 pontos), Avaí (4o, 53), Icasa (5o, 50), Paraná (6o, 50), Joinville (7o, 49), América-MG (8o, 48) e Ceará (9o, 47). Há ainda o Figueirense (10o, 46), que apesar de estar mais atrás é um clube de tradição na Série B e de recentes passagens pela 1a Divisão.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Raio X: semifinalistas da Copa do Brasil

Nesta semana foram definidos os quatro classificados às semifinais da Copa do Brasil. Atlético-PR, Flamengo, Goiás e Grêmio foram os eleitos, uns com mais tranquilidade, outros com menos. Embora cariocas e gaúchos tenham mais camisa, mais tradição e mais história na CB, os goianos vivem o melhor momento na temporada e os paranaenses talvez tenham o time mais perigoso. Competição em aberto, sem favoritos, pois os prós e contras das equipes acabam se anulando. Promessa de bons jogos e muito equilíbrio, o que vai acabar decidindo os jogos no detalhe e premiando principalmente aqueles que conseguirem um melhor resultado dentro de casa.

Por esse ponto de vista, Atlético-PR e Goiás têm partidas extremamente decisivas no dia 30, pois jogam em casa contra Grêmio e Flamengo, respectivamente. Os duelos da volta estão marcados para a semana seguinte em 6/11. Sabendo da enorme força de gaúchos e cariocas como mandantes, paranaenses e goianos precisam não somente fazer a tarefa de casa, mas precisam fazê-la bem. Vencer é o primeiro objetivo e se não levar gols aí então os dois terão uma boa vantagem; contudo não dá para se iludir. Grêmio e Flamengo têm se mostrado competitivos e não irão entregar os pontos facilmente.

ATLÉTICO-PR x GRÊMIO

Ida: Durival de Brito, 30/10
Volta: Arena, 06/11

Mesmo sendo fundamental em 2013, Baier não deve ter
o contrato renovado e pode se despedir dos gramados.
Foto: Geraldo Bubniak/FotoArena 
O Furacão empolgou com uma arrancada incrível no primeiro turno, que estabilizou a equipe no G-4. O time comandado por Vágner Mancini se mantém entre os quatro primeiros desde a 16a rodada do campeonato Brasileiro. Na Copa do Brasil, deixou os gigantes Palmeiras e Internacional pelo caminho mostrando força e competitividade. Contra os paulistas, derrota no primeiro jogo, em SP, e grande virada na volta com um sonoro 3 a 0. Contra os gaúchos, empate por 1 a 1 no primeiro jogo, no RS, e atuação "com o regulamento embaixo do braço" no jogo da volta para garantir a classificação. A grande dúvida sobre o Atlético-PR era se o time não seria um "cavalo paraguaio", o que a equipe já mostrou que não é. Talvez entre os quatro semifinalistas o Furacão tenha o time mais equilibrado e perigoso. O ataque perdeu força com a queda de rendimento de Éderson, mas ainda tem Marcelo e Paulo Baier inspirados. O problema da equipe podem ser os desfalques, já que o grupo atleticano é mais limitado do que os outros quatro semifinalistas. O time-base de Mancini no 4-3-1-2 vem jogando com Wéverton; Léo, Manoel, Luiz Alberto e Pedro Botelho; Deivid, João Paulo, Éverton e Paulo Baier; Marcelo e Éderson. A equipe joga com os atacantes bem abertos, é muito forte pela esquerda com o meia Éverton mais avançado e tem o toque de classe de Paulo Baier como diferencial.

Elano hoje é reserva, mas pode ganhar chance
com a suspensão do trio ofensivo para
o jogo de ida das semifinais.
Foto: Lucas Uebel/Grêmio 
Já o Grêmio chegou a ensaiar uma briga pelo título em alguns momentos do campeonato Brasileiro. Mas como o Cruzeiro não perdia nunca, a equipe continuou longe do líder. Quando a Raposa tropeçou perdendo 3 dos últimos 4 jogos, o Tricolor também vacilou e não conseguiu diminuir muito a diferença, atualmente de 9 pontos. Na Copa do Brasil, o time passou raspando por Santos e Corinthians. Contra o Peixe, fazia bom jogo na Vila Belmiro até sofrer um gol no fim. A virada, na Arena, foi dura para um time que tem como principal característica bloquear os avanços adversários. Os duelos com o Corinthians foram ainda mais complicados. Com duas boas defesas, os ataques sofreram. Na partida em São Paulo, 0 a 0 com praticamente nenhuma chance de gol. Na volta, Vargas teve duas grandes oportunidades, mas desperdiçou os lances e a partida foi para os pênaltis. Nas cobranças brilhou a estrela de Dida e a péssima temporada corinthiana cobrou seu preço na ridícula cobrança de Alexandre Pato. Renato hoje deve mandar a campo como time-base no 4-3-3: Dida; Pará, Werley (Bressan), Rhodolfo e Alex Telles; Souza, Ramiro e Riveros; Vargas, Kléber e Barcos. A equipe tem como principal característica a solidez defensiva e a correria. Ofensivamente, atenção com os lançamentos para os atacantes e a chegada surpresa do paraguaio Riveros.

GOIÁS x FLAMENGO

Ida: Serra Dourada, 30/10
Volta: Maracanã, 06/11

Wálter tem 12 gols no Brasileiro e 5 na CB.
Foto: Carlos Costa/Agência Estado
O Goiás vive o melhor momento entre os quatro semifinalistas. A equipe cresceu muito de produção e hoje já não depende mais tanto de Wálter, embora o camisa 18 ainda seja o grande diferencial do time montado por Enderson Moreira. Nos últimos 4 jogos pelo campeonato Brasileiro, o Esmeraldino obteve 100% de aproveitamento, incluindo vitórias fora de casa contra a Portuguesa, que vinha embalada, e o Vasco, que luta contra o Rebaixamento. Na CB, o time impôs uma freguesia carioca, deixando pelo caminho Fluminense e Vasco. Embora tivesse menos tradição, o bom momento do Esmeraldino contra a fase ruim de tricolores e alvinegros fez a diferença para o Goiás, que venceu seus jogos em casa, mas foi derrotado fora, garantindo a classificação pelo saldo de gols. Enderson tem mandado a campo no 4-2-3-1: Renan; Vítor, Ernando, Rodrigo e William Matheus; Amaral, David, Hugo, Eduardo Sasha e Roni; Wálter. O time tem uma defesa bastante sólida com uma dupla de zaga com boa experiência e volantes marcadores. A bola aérea também é muito forte, além da velocidade no contra-ataque e da qualidade de Wálter. O ponto negativo é justamente o seu maior ponto positivo: Wálter. O camisa 18 está desgastado, sentiu uma lesão contra o Vasco e pode virar dúvida para os próximos jogos.

Hernane "Brocador" tirou onda após marcar o seu
terceiro gol no clássico contra o Botafogo.
Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo 
O Flamengo se reencontrou sob o comando de Jayme de Almeida. Ele deu ao time o que Mano Menezes não conseguiu: vibração e agressividade com a bola. Os 11 titulares são praticamente os mesmos, inclusive o contestado Carlos Eduardo, mas a diferença de atitude é gigantesca. Mesmo assim, o time vive uma gangorra no Brasileirão. Embora tenha se afastado do Z-4, o que já é um alívio para a torcida, a equipe nunca empolgou a ponto de se candidatar ao G-4. Na Copa do Brasil, o Rubro-Negro foi quem enfrentou os rivais mais duros: Cruzeiro e Botafogo. O primeiro já era o líder do Brasileiro à época dos confrontos pelas oitavas de final. Na partida de ida, em MG, tudo poderia ter ido por água abaixo, mas um gol de Carlos Eduardo manteve a equipe viva para a volta, quando Elias, atuando no sacrifício, anotou o gol da classificação. Na fase seguinte o rival era o Botafogo: na ida, 1 a 1. E na volta, em uma atuação luxuosa do centroavante Hernane, goleada por 4 a 0, com direito a 3 gols do camisa 9, o artilheiro do Maracanã na fase pós-reforma. Jayme tem escalado como base no 4-2-3-1 Felipe; Léo Moura, Chicão, Wallace e João Paulo; Amaral, Elias, André Santos, Paulinho e Carlos Eduardo; Hernane. O grande trunfo da equipe são as jogadas de Elias e André Santos no meio para a velocidade de Paulinho. A grande fase de Hernane exige atenção máxima dos zagueiros adversários. Os pontos fracos são o grupo limitado de atletas e a defesa, especialmente a dupla de zaga, que não inspira muita confiança.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Clássico das individualidades

Apesar do placar de 2 a 2, o Gre-Nal deste domingo disputado no estádio Centenário, em Caxias do Sul, foi parecido com os últimos clássicos: muita marcação, pouca inspiração e gols em lampejos (ou falhas) individuais. O clássico teve um pouco menos de briga "fora da bola" do que os últimos, o que é um ponto positivo. Mas na disposição tática e no jogo em si, as equipes praticamente se anularam e alternaram momentos de leve domínio. O Colorado começou mais acesso e em uma roubada de bola no campo de ataque, Otávio tocou para Willians, que arriscou de fora da área e contou com o atraso do goleiro Dida para ir na bola: 1 a 0. Durante toda a primeira etapa, o Tricolor não conseguiu criar um lance de perigo sequer. Sem armadores em campo e com Pará e Alex Telles mais presos no esquema 4-3-3, o time perdeu a sua melhor alternativa de ataque: pelos lados. Com isso, só mesmo um lance fortuito para sair o gol, e foi exatamente o que aconteceu quando Jackson cortou de canela um lançamento para Barcos e encobriu Muriel: 1 a 1.

Vargas e D'Ale: chileno e argentino foram os melhores
do clássico individualmente.
Foto: Ricardo Rimolli/Lance!Press
Na volta para o segundo tempo, o Grêmio perdeu Werley, ficando a zaga com Saimon e Bressan. Logo aos 6 mins, contra-ataque puxado por Ramiro e Kléber, passe do camisa 30 e gol do chileno Vargas, virada Tricolor. O Grêmio seguiu melhor, Clemer colocou Forlán na vaga do apagado Jorge Henrique e aos 12 mins, em boa jogada de velocidade do Colorado, D'Ale invadiu a área e foi derrubado por Bressan. Na cobrança, o argentino não pegou muito bem na bola, Dida acertou o canto e chegou a tocar nela, mas não o suficiente para impedir o gol de empate. A partir daí, as chances ficaram mais raras e os times foram sentindo o desgaste. Ao mesmo tempo, quem marcasse provavelmente sairia vencedor. O Colorado teve algumas chegadas em tabelas parecidas com o lance do pênalti, mas que foram afastadas pelos adversários antes do arremate. E o Tricolor teve a melhor chance do jogo no finalzinho: Alex Telles pegou rebote de escanteio e obrigou Muriel a grande defesa; na sobra, Kléber foi travado por Gabriel, mas a bola ficou para ele que levantou para Souza, livre na segunda trave, cabecear na rede pelo lado de fora.

No fim, o Gre-Nal foi um jogo em que o empate pode ter sido o resultado mais justo, pelo que as equipes fizeram em campo. Por outro lado, pelas chances que tiveram, se algum deles saísse vencedor também não seria um absurdo. Os Tricolores vão lamentar a chance perdida no fim, enquanto os Colorados vão lembrar do gol contra que recolocou o Grêmio no jogo. Enfim, como jogava em casa, está atrás na tabela e dois rivais diretos venceram (Goiás e Santos), o resultado é ruim para o Inter em termos de campeonato; com a derrota do Cruzeiro para o Coritiba, também não é bom o empate para o Tricolor, que perde a chance de se aproximar da Raposa. Ao menos os rivais diretos Botafogo e Atlético-PR também não venceram na rodada.

GRANDES DO RIO A PERIGO

Com o título do Cruzeiro cada vez mais perto e o G-4 consolidado por Grêmio, Atlético-PR e Botafogo, as brigas mais interessantes do campeonato são pelo quinto lugar, já que o título da Copa do Brasil por gremistas, atleticanos e botafoguenses abriria mais uma vaga à Libertadores via Brasileirão, e contra o Rebaixamento. Diante disso, grande resultado do Goiás, 3 a 0 para cima do Furacão, que deixa os goianos a 4 pontos do Botafogo, o quarto colocado. O Santos se aproveitou do lanterna Náutico e mesmo em Pernambuco goleou por 5 a 1. Goianos e santistas crescem na hora certa do campeonato, diminuíram bastante a diferença para o G-4 e se as equipes de cima bobearem podem até beliscar uma vaga no G-4.

Mais para baixo na tabela, o São Paulo conquistou um grande resultado vencendo o Bahia fora de casa e abriu 7 pontos para o Z-4. Não irá cair, ao menos nesse ano. O Corinthians também venceu, 1 a 0 no Criciúma, mas a crise continua grande. Talvez uma classificação na Copa do Brasil amenize a bronca da torcida, pois só escapar do Rebaixamento com certeza não será motivo de alegria para os torcedores, somente de alívio. Quem se complicou um pouco mais foram os cariocas Vasco e Fluminense. O Cruzmaltino empatou o clássico com o Botafogo, 2 a 2, resultado bom, mas que o deixou a três pontos do primeiro time fora do Z-4, o Bahia. Já o Flu empatou em casa com a Ponte Preta. Com a surpreendente vitória do Coritiba sobre o líder, o Coxa ultrapassou os tricolores cariocas e empurrou o time de Luxemburgo para um pouco mais perto da zona do Descenso. O Náutico já está rebaixado, Ponte Preta e Criciúma têm a sua vida muito complicada, e a quarta vaga na Série B de 2014 pode ser de um grande: há 8 rodadas do fim, Vasco, Bahia e Fluminense são os principais candidatos.

GAÚCHOS PELO BRASIL

A rivalidade em Caxias do Sul não se acirrou nesse final de semana somente pela disputa do clássico Gre-Nal: os dois grandes times da cidade, Caxias e Juventude, estão às voltas com decisões nas divisões inferiores do campeonato Brasileiro. Nas quartas de final da Série C, o Caxias perdeu o jogo de ida para a Luverdense-MT, 2 a 1. Precisará reverter a vantagem para alcançar às semifinais e conquistar o acesso para a Série B. Já o Juventude eliminou o Tupi-MG e está na final da Série D. Já havia conquistado o acesso, agora se garante na disputa pelo título, contra o Botafogo-PB.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Reta final

Com 9 rodadas ainda para serem disputadas, o campeonato Brasileiro entra na sua reta final. A partir de agora, não há mais como recuperar os pontos perdidos, a missão de cada equipe depende do sucesso em cada um dos próximos 9 jogos. Errar agora além de ser decisivo vai cobrar o seu preço; por exemplo, o Náutico está praticamente rebaixado e perdeu 20 dos 29 jogos no campeonato. Ainda vai conquistar pontos, provavelmente, mas quem os ceder ao Náutico com certeza terá seu objetivo no campeonato dificultado, seja ele o título, a Libertadores ou a fuga do rebaixamento. Até aqui, perder para os pernambucanos, embora fosse um tropeço, fazia parte, pois o Timbú estava na briga. Agora, com o Rebaixamento praticamente selado, a situação muda.

Nesse cenário de reta final, a Dupla Gre-Nal inicia a sequência decisiva com um clássico. Uma vitória a essa altura do campeonato com certeza vai dar um embalo grande às equipes, especialmente ao Inter, que recentemente trocou de técnico e ainda tenta se estabilizar no campeonato. Para o Grêmio, pode significar uma confiança a mais para ainda tentar o título (embora o Cruzeiro esteja com uma das mãos na taça) ou pontos importantes para disparar em busca do segundo lugar, que dá vaga direta na Libertadores.

OS CAMINHOS DO CLÁSSICO

Foto: montagem zerohora.clicrbs.com.br
Gre-Nal, em geral, é extremamente truncado e os técnicos entram pensando, primeiramente, em não perder. Mas eu gostaria de me surpreender e ver Clemer e Renato arriscando em busca da vitória. Inicialmente, claro, pode se prever um jogo de poucas emoções, devido a forma como o Grêmio atua e ao fato de o Inter estar mais equilibrado e seguro na defesa. Nos 4 jogos com Clemer, o time melhorou e levou 3 gols, uma média bem melhor do que sob o comando de Dunga (foram 37 gols sofridos em 25 jogos). Além da entrada de Jackson na defesa, Clemer mexeu no time do meio para frente, lançando alguns garotos no segundo tempo que têm mantido o time mais veloz e participativo na marcação. Jogadores mais experientes, como Alex, Scocco e Forlán, que não vinham acrescentando ao time, perderam um pouco de espaço. D´Alessandro continua sendo o grande esteio da equipe na temporada, enquanto Leandro Damião é mantido na frente por falta de opções, já que o esquema 4-2-3-1 de Clemer exige um homem de referência na área. Como Rafael Moura não conta com a simpatia de ninguém no clube, sequer é cogitada a sua entrada como titular. Até agora pelo menos. Considerando esse cenário, o time pode ter D´Ale, Otávio e Jorge Henrique na linha de meias. A dúvida fica por conta do ataque: após mais uma atuação pífia contra o Santos, Damião pode perder a vez para Forlán (que volta da seleção uruguaia) ou Scocco. Seria uma opção interessante está com um jogador de mais mobilidade para tentar sair do meio dos 3 zagueiros gremistas e surpreender na movimentação ofensiva.

Do lado Tricolor, Renato deve repetir o consolidado 3-5-2. A dúvida é quanto a participação de Riveros. Sem ele, o time perde muito na sua dinâmica de jogo, pois Souza não sabe fazer a marcação ofensiva do paraguaio ao lado de Ramiro. O camisa 5 ainda sai do lugar onde rende melhor, à frente dos três zagueiros, e abre espaço para a entrada do fraco Adriano. Se Riveros não tiver condições, talvez fosse interessante Renato entrar com Maxi ou Elano, dois jogadores que melhoraram de rendimento nas últimas suas últimas participações e representam uma opção de criação de jogadas que o time não tem, algo a mais do que jogar a bola na área ou chutar de longe. Como ambos não parecem aguentar 90 minutos, o técnico poderia até mesmo revezá-los para tentar manter a intensidade do time. De resto, a equipe deve ser a mesma que vem jogando, com a volta de Kléber ao ataque.

Em um Gre-Nal, sempre se pensa primeiro na instabilidade que uma derrota pode representar. Mas como o Grêmio está consolidado no G-4 e o Inter, longe do Rebaixamento e ainda sonhando com o título da Copa do Brasil ou com a classificação à Libertadores por um possível G-6 do Brasileirão, vejo um cenário um pouco mais propício para as equipes arriscarem. Ambos precisam pensar em pontuar, claro, até mesmo porque estão colados aos rivais (no caso Tricolor, Botafogo e Atlético-PR, e no caso Colorado, Vitória, Goiás, Santos e Flamengo), mas uma postura mais agressiva e arriscada no jogo, mesmo em caso de derrota do time, poderia trazer uma confiança extra aos jogadores e mostrar na prática que o torcedor pode confiar que o seu time, embora tenha dificuldades, é competitivo e quer, sim, na prática, vencer, não se contentando apenas em jogar para evitar a derrota.

ELIMINATÓRIAS COPA DO MUNDO 2014

A Copa do Mundo no Brasil começa a tomar forma com 21 seleções já classificadas e a definição dos possíveis cabeças de chave. Na Europa, nenhuma surpresa, com a confirmação das grandes seleções como Itália, Espanha, Inglaterra, Holanda e Alemanha. A França vai para a repescagem porque estava no grupo dos espanhóis; já Portugal foi superado pela Rússia, mas já está acostumado a decidir sua vaga em repescagens. O problema é que a divisão das equipes na repescagem colocou portugueses e franceses em lados opostos; se o destino quiser ser cruel, pode colocá-los frente a frente na repescagem e permitir que só um venha ao Brasil. Entre os demais classificados, destaques para a Bélgica e a Suíça, que parecem vir fortes ao Brasil. Claro que ainda pensar em título é um pouco de otimismo exacerbado, mas dá para esperar que as duas seleções compliquem a vida dos favoritos. Considerando as equipes que ainda sonham com a vaga, destaque para a Romênia, que após anos na obscuridade volta a ter chance de ir a uma competição importante, e para a Islândia, que apresentou uma evolução impressionante das últimas eliminatórias para esta.

Na América do Sul, Argentina, Chile, Colômbia e Equador estão garantidos, enquanto o Uruguai vai encarar a Jordânia por uma vaga no Mundial. A Argentina se organizou e evoluiu muito sob o comando de Sabella; com Messi inteiro fisicamente e a possibilidade de uma invasão portenha ao Brasil, pode ser que vejamos os hermanos finalmente voltando a uma condição de favoritismo. Entre as demais equipes, a Colômbia parece ter mais chances, pois conta com uma boa safra de jogadores que mescla atletas experientes e afirmados, como Falcão García, com jovens de potencial confirmado, caso de James Rodríguez. O Chile é sempre esperança de jogo ousado, mas tem decepcionado na hora de disputar grandes competições. O Equador se aproveitou da ausência brasileira nas eliminatórias e do desempenho aquém do esperado do Uruguai para se classificar, mas suas chances na Copa são pequenas. Enquanto a Celeste tem tudo para superar a Jordânia, mas na fase em que a seleção anda não dá para considerar a repescagem "jogo jogado".

As eliminatórias africanas estão em sua reta final. Dez seleções se enfrentam em jogos de ida e volta para definir os 5 classificados. As partidas de ida já ocorreram e os duelos de volta serão entre 16 e 19 de novembro. Gana é quem está mais perto do Mundial após golear o Egito por 6 a 1. Costa do Marfim, Nigéria e Burkina Faso também venceram seus jogos de ida contra Senegal, Etiópia e Argélia, respectivamente, mas com placares que permitem aos adversários sonharem com a classificação no jogo de volta. Camarões e Tunísia é o confronto mais equilibrado: empataram em 0 a 0 na ida, e os camaroneses decidem em casa a classificação para a Copa 2014.

Na Concacaf, uma surpresa: o México, presença constante da confederação junto com os Estados Unidos nos últimos mundiais, vai disputar a repescagem. O time é bom, tem atletas como Rafa Márquez, Guardado e Chicharito Hernández, mas parece muito acomodado e sem alternativas táticas de jogo. Entrou em campo nas eliminatórias parecendo cumprir tabela (assisti a quatro ou cinco dos últimos jogos, inclusive o último, derrota para Costa Rica por 2 a 1), esperando a hora de confirmar a classificação. E quase ficou de fora, sendo salvo pelos EUA, que viraram o jogo na última rodada contra o Panamá e colocaram os vizinhos na repescagem, tirando a seleção do ex-zagueiro gremista Baloy da briga. Junto com os norte-americanos se classificaram Costa Rica e Honduras. Os mexicanos encaram a Nova Zelândia na repescagem e do jeito que vêm atuando é de se esperar a classificação da seleção da Oceania, que inclusive esteve no último Mundial na África do Sul.

Por fim, a Ásia definiu cedo os seus classificados: são eles Japão, Austrália, Coréia do Sul e Irã. A Jordânia encara o Uruguai na briga pela última vaga. A julgar pelo último amistoso entre Coréia e Brasil, pode se esperar uma postura diferente das equipes no Mundial. Ao contrário do que costumavam fazer e do que o Japão fez nas Confederações, os sul-coreanos endureceram o duelo, marcaram muito e de forma por vezes ríspida, tentando explorar uma falha dos brasileiros para chegar num contra-ataque. Nada daquele futebol que se vislumbra com os na presença dos grandes adversários. E isso pode mostrar, finalmente, a evolução que falta aos asiáticos. Os jogadores melhoraram a qualidade técnica, tática e física, precisam agora é mostrar um espírito mais competitivo para, aí sim, se tornarem pedras nos sapatos dos grandes favoritos.