quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ano Dourado nas Minas Gerais

O Cruzeiro confirmou nessa quarta-feira o que todo mundo já sabia: é o campeão Brasileiro de 2013. Ganha com sobras o campeonato mais importante e difícil do futebol nacional. O seu maior rival, o Atlético-MG, conquistou no primeiro semestre o inédito título da Copa Libertadores. E na Copa do Brasil, se o Atlético-PR for campeão, teremos um ano histórico, sem títulos das equipes do eixo Rio-São Paulo.

Os dois rivais de Minas apresentaram fórmulas parecidas para as conquistas. Investiram forte no elenco, mesclaram atletas mais badalados com outros de grande potencial. Além disso, têm em comum o fato de colocarem os times para a frente. Ambos marcam, se defendem bem, mas essa não é a principal força dos times, pois é do meio para a frente que as equipes brilham e se destacam. O Galo encantou na primeira fase da Libertadores com um futebol ainda melhor do que o apresentado no Brasileiro do ano passado. Quando iniciou o mata-mata, a equipe sofreu, não conseguiu mais se impor com a mesma facilidade, e aí brilhou a entrega da equipe e a estrela de alguns jogadores, fundamentais em competições eliminatórias. Já a Raposa esteve muito acima dos rivais durante todo o Brasileiro. Num breve período de instabilidade, em que teve 3 derrotas em 4 jogos, contou com a incompetência dos concorrentes, que não conseguiram se aproximar do time celeste.

Não é porque venceram que está tudo certo e todos os jogadores são ótimos, mas os títulos dos mineiros simbolizam mais do que apenas a vitória do melhor time. Os treinadores, Cuca e Marcelo Oliveira, fazem parte de uma geração intermediária de técnicos, nem do grupo dos badalados e menos ainda dos recém iniciantes na profissão. Ambos vinham de bons trabalhos em clubes menores ou com muitas dificuldades. E os dois se mostraram grandes estrategistas, além de terem o controle dos seus grupos a ponto de deixarem medalhões no banco sem que alguém se manifestasse de forma negativa.

Foto: Douglas Magno/O Tempo
O outro ponto em comum nos rivais mineiros, talvez esse o mais importante, foi a montagem dos elencos. Ao contrário do que pode parecer, o Cruzeiro formou o seu grupo a dedo e investiu para isso. Trouxe jogadores como Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, que se não eram afirmados vinham de grandes temporadas e tinham diversas propostas. O clube ainda trouxe nomes experientes como Dagoberto, Dedé e Júlio Baptista, sendo que o último amargou a reserva para Goulart, artilheiro do time no Brasileirão até aqui ao lado de Borges. Alguns negócios de ocasião, como Nilton e Willian, mas sempre com uma proposta clara: um time forte na defesa e muito veloz no ataque.

Foto: EFE/Foxsports
Já o Galo talvez tenha investido um pouco mais em Ronaldinho, Diego Tardelli, Réver e Victor. A eles somam-se nomes que vieram compor o elenco, como Gilberto Silva, Josué (que virou titular), Rosinei e Alecsandro. O time trouxe ainda Luan, revelação da Ponte Preta em 2012 e o coringa da equipe de Cuca, e manteve nomes como Marcos Rocha, Leonardo Silva e Pierre. Sem falar em , uma aposta que deu muito certo e foi decisiva para o estilo de jogo desenvolvido por Cuca.

O ano foi de ouro para o futebol mineiro. E pode ficar ainda mais reluzente com o sucesso do Galo no Mundial de Clubes. Se ambos mantiverem a base dos seus elencos e os treinadores, 2014 promete ser um ano ainda mais infernal para os rivais, pois Cruzeiro e Atlético-MG entrarão como grandes favoritos aos títulos da Libertadores, do Brasileirão e da Copa do Brasil.

ALÍVIO E SÓ

O Grêmio voltou a vencer, 1 a 0 contra o Vasco, na Arena, e isso era o mais importante no momento. Mas a equipe ganhou pelas deficiências do rival e em um lance fortuito. O time não conseguiu pressionar, não criou e nem mesmo o esquema mais equilibrado no 4-3-1-2 com Zé Roberto na meia deu resultado. Pelo visto ontem, acho que Renato poderia testar Zé como volante pela esquerda, sacando Riveros do time e colocando Maxi Rodríguez na meia. Assim, não vai perder muito em recomposição, ganha colocando Zé onde rende mais (partindo de trás e não jogando de costas) e conta com o talento de Maxi.

Embora tenha errado alguns lances e um gol, Maxi deu outra dinâmica ao time. É de se pensar também a utilização de Elano no ataque ao lado de Barcos. Com a queda de rendimento principalmente físico de Kléber, o camisa 7 pode deixar o time ainda mais inteligente na frente, sem falar que é outro jogador com capacidade de deixar Barcos na cara do gol. Enfim, Renato tem alguns dias para pensar no time até o jogo com o Flamengo e a mudança na escalação dá indícios de que ele pode estar revendo alguns de seus conceitos. Essa é a melhor notícia para o torcedor.

CLÁSSICO CARIOCA NA SÉRIE B?

A vitória do Criciúma, 2 a 1 contra o Atlético-PR, tirou os catarinenses da Zona de Rebaixamento. Assim, Vasco e Fluminense fazem companhia no Z-4 ao já rebaixado Náutico e a Ponte Preta, que está na UTI quase tendo seus aparelhos desligados. A esperança do Flu, agora sob o comando de Dorival Jr., é que uma vitória sua contra o Náutico, no RJ, combinada a uma derrota do Bahia para o Santos na Vila, livre a equipe do Z-4, empurrando o Tricolor baiano para a Zona da Degola.

BOM SENSO F.C.

O grupo criado por atletas para combater em parte os desmandos da CBF começa a dar esperanças de que o futebol brasileiro pode evoluir. A mudança no calendário e em outras questões pontuais propostas pelo grupo pode ser um gancho para que o futebol varra uma boa parte dos sanguessugas que estão no meio. Pessoas como os presidentes de federações do RS, Francisco Noveletto, e do PR, Hélio Cury, que criticaram o movimento com base em alegações financeiras e até mesmo dizendo que era "um grupo de jogadores veteranos". Será que o dinheiro que eles ganham é mais digno do que o dos jogadores? O que fazem os presidentes das federações? Recentemente as federações tiveram sua "mesada" dada pela CBF dobrada, casualmente (?), às vésperas das eleições na entidade marcadas para abril do ano que vem. Estranho, não? (leia mais sobre as manifestações durante a rodada nessa quarta-feira na coluna de Mauro Cézar Pereira)

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