Com 9 rodadas ainda para serem disputadas, o campeonato Brasileiro entra na sua reta final. A partir de agora, não há mais como recuperar os pontos perdidos, a missão de cada equipe depende do sucesso em cada um dos próximos 9 jogos. Errar agora além de ser decisivo vai cobrar o seu preço; por exemplo, o Náutico está praticamente rebaixado e perdeu 20 dos 29 jogos no campeonato. Ainda vai conquistar pontos, provavelmente, mas quem os ceder ao Náutico com certeza terá seu objetivo no campeonato dificultado, seja ele o título, a Libertadores ou a fuga do rebaixamento. Até aqui, perder para os pernambucanos, embora fosse um tropeço, fazia parte, pois o Timbú estava na briga. Agora, com o Rebaixamento praticamente selado, a situação muda.
Nesse cenário de reta final, a Dupla Gre-Nal inicia a sequência decisiva com um clássico. Uma vitória a essa altura do campeonato com certeza vai dar um embalo grande às equipes, especialmente ao Inter, que recentemente trocou de técnico e ainda tenta se estabilizar no campeonato. Para o Grêmio, pode significar uma confiança a mais para ainda tentar o título (embora o Cruzeiro esteja com uma das mãos na taça) ou pontos importantes para disparar em busca do segundo lugar, que dá vaga direta na Libertadores.
OS CAMINHOS DO CLÁSSICO
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| Foto: montagem zerohora.clicrbs.com.br |
Gre-Nal, em geral, é extremamente truncado e os técnicos entram pensando, primeiramente, em não perder. Mas eu gostaria de me surpreender e ver Clemer e Renato arriscando em busca da vitória. Inicialmente, claro, pode se prever um jogo de poucas emoções, devido a forma como o Grêmio atua e ao fato de o Inter estar mais equilibrado e seguro na defesa. Nos 4 jogos com Clemer, o time melhorou e levou 3 gols, uma média bem melhor do que sob o comando de Dunga (foram 37 gols sofridos em 25 jogos). Além da entrada de Jackson na defesa, Clemer mexeu no time do meio para frente, lançando alguns garotos no segundo tempo que têm mantido o time mais veloz e participativo na marcação. Jogadores mais experientes, como Alex, Scocco e Forlán, que não vinham acrescentando ao time, perderam um pouco de espaço. D´Alessandro continua sendo o grande esteio da equipe na temporada, enquanto Leandro Damião é mantido na frente por falta de opções, já que o esquema 4-2-3-1 de Clemer exige um homem de referência na área. Como Rafael Moura não conta com a simpatia de ninguém no clube, sequer é cogitada a sua entrada como titular. Até agora pelo menos. Considerando esse cenário, o time pode ter D´Ale, Otávio e Jorge Henrique na linha de meias. A dúvida fica por conta do ataque: após mais uma atuação pífia contra o Santos, Damião pode perder a vez para Forlán (que volta da seleção uruguaia) ou Scocco. Seria uma opção interessante está com um jogador de mais mobilidade para tentar sair do meio dos 3 zagueiros gremistas e surpreender na movimentação ofensiva.
Do lado Tricolor, Renato deve repetir o consolidado 3-5-2. A dúvida é quanto a participação de Riveros. Sem ele, o time perde muito na sua dinâmica de jogo, pois Souza não sabe fazer a marcação ofensiva do paraguaio ao lado de Ramiro. O camisa 5 ainda sai do lugar onde rende melhor, à frente dos três zagueiros, e abre espaço para a entrada do fraco Adriano. Se Riveros não tiver condições, talvez fosse interessante Renato entrar com Maxi ou Elano, dois jogadores que melhoraram de rendimento nas últimas suas últimas participações e representam uma opção de criação de jogadas que o time não tem, algo a mais do que jogar a bola na área ou chutar de longe. Como ambos não parecem aguentar 90 minutos, o técnico poderia até mesmo revezá-los para tentar manter a intensidade do time. De resto, a equipe deve ser a mesma que vem jogando, com a volta de Kléber ao ataque.
Em um Gre-Nal, sempre se pensa primeiro na instabilidade que uma derrota pode representar. Mas como o Grêmio está consolidado no G-4 e o Inter, longe do Rebaixamento e ainda sonhando com o título da Copa do Brasil ou com a classificação à Libertadores por um possível G-6 do Brasileirão, vejo um cenário um pouco mais propício para as equipes arriscarem. Ambos precisam pensar em pontuar, claro, até mesmo porque estão colados aos rivais (no caso Tricolor, Botafogo e Atlético-PR, e no caso Colorado, Vitória, Goiás, Santos e Flamengo), mas uma postura mais agressiva e arriscada no jogo, mesmo em caso de derrota do time, poderia trazer uma confiança extra aos jogadores e mostrar na prática que o torcedor pode confiar que o seu time, embora tenha dificuldades, é competitivo e quer, sim, na prática, vencer, não se contentando apenas em jogar para evitar a derrota.
ELIMINATÓRIAS COPA DO MUNDO 2014
A Copa do Mundo no Brasil começa a tomar forma com 21 seleções já classificadas e a definição dos possíveis cabeças de chave. Na Europa, nenhuma surpresa, com a confirmação das grandes seleções como Itália, Espanha, Inglaterra, Holanda e Alemanha. A França vai para a repescagem porque estava no grupo dos espanhóis; já Portugal foi superado pela Rússia, mas já está acostumado a decidir sua vaga em repescagens. O problema é que a divisão das equipes na repescagem colocou portugueses e franceses em lados opostos; se o destino quiser ser cruel, pode colocá-los frente a frente na repescagem e permitir que só um venha ao Brasil. Entre os demais classificados, destaques para a Bélgica e a Suíça, que parecem vir fortes ao Brasil. Claro que ainda pensar em título é um pouco de otimismo exacerbado, mas dá para esperar que as duas seleções compliquem a vida dos favoritos. Considerando as equipes que ainda sonham com a vaga, destaque para a Romênia, que após anos na obscuridade volta a ter chance de ir a uma competição importante, e para a Islândia, que apresentou uma evolução impressionante das últimas eliminatórias para esta.
Na América do Sul, Argentina, Chile, Colômbia e Equador estão garantidos, enquanto o Uruguai vai encarar a Jordânia por uma vaga no Mundial. A Argentina se organizou e evoluiu muito sob o comando de Sabella; com Messi inteiro fisicamente e a possibilidade de uma invasão portenha ao Brasil, pode ser que vejamos os hermanos finalmente voltando a uma condição de favoritismo. Entre as demais equipes, a Colômbia parece ter mais chances, pois conta com uma boa safra de jogadores que mescla atletas experientes e afirmados, como Falcão García, com jovens de potencial confirmado, caso de James Rodríguez. O Chile é sempre esperança de jogo ousado, mas tem decepcionado na hora de disputar grandes competições. O Equador se aproveitou da ausência brasileira nas eliminatórias e do desempenho aquém do esperado do Uruguai para se classificar, mas suas chances na Copa são pequenas. Enquanto a Celeste tem tudo para superar a Jordânia, mas na fase em que a seleção anda não dá para considerar a repescagem "jogo jogado".
As eliminatórias africanas estão em sua reta final. Dez seleções se enfrentam em jogos de ida e volta para definir os 5 classificados. As partidas de ida já ocorreram e os duelos de volta serão entre 16 e 19 de novembro. Gana é quem está mais perto do Mundial após golear o Egito por 6 a 1. Costa do Marfim, Nigéria e Burkina Faso também venceram seus jogos de ida contra Senegal, Etiópia e Argélia, respectivamente, mas com placares que permitem aos adversários sonharem com a classificação no jogo de volta. Camarões e Tunísia é o confronto mais equilibrado: empataram em 0 a 0 na ida, e os camaroneses decidem em casa a classificação para a Copa 2014.
Na Concacaf, uma surpresa: o México, presença constante da confederação junto com os Estados Unidos nos últimos mundiais, vai disputar a repescagem. O time é bom, tem atletas como Rafa Márquez, Guardado e Chicharito Hernández, mas parece muito acomodado e sem alternativas táticas de jogo. Entrou em campo nas eliminatórias parecendo cumprir tabela (assisti a quatro ou cinco dos últimos jogos, inclusive o último, derrota para Costa Rica por 2 a 1), esperando a hora de confirmar a classificação. E quase ficou de fora, sendo salvo pelos EUA, que viraram o jogo na última rodada contra o Panamá e colocaram os vizinhos na repescagem, tirando a seleção do ex-zagueiro gremista Baloy da briga. Junto com os norte-americanos se classificaram Costa Rica e Honduras. Os mexicanos encaram a Nova Zelândia na repescagem e do jeito que vêm atuando é de se esperar a classificação da seleção da Oceania, que inclusive esteve no último Mundial na África do Sul.
Por fim, a Ásia definiu cedo os seus classificados: são eles Japão, Austrália, Coréia do Sul e Irã. A Jordânia encara o Uruguai na briga pela última vaga. A julgar pelo último amistoso entre Coréia e Brasil, pode se esperar uma postura diferente das equipes no Mundial. Ao contrário do que costumavam fazer e do que o Japão fez nas Confederações, os sul-coreanos endureceram o duelo, marcaram muito e de forma por vezes ríspida, tentando explorar uma falha dos brasileiros para chegar num contra-ataque. Nada daquele futebol que se vislumbra com os na presença dos grandes adversários. E isso pode mostrar, finalmente, a evolução que falta aos asiáticos. Os jogadores melhoraram a qualidade técnica, tática e física, precisam agora é mostrar um espírito mais competitivo para, aí sim, se tornarem pedras nos sapatos dos grandes favoritos.

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