O Cruzeiro bateu o Grêmio por 3 a 0 nesse domingo, no Mineirão, mas não garantiu o título matematicamente porque o Atlético-PR também fez 3 a 0 no São Paulo. Mesmo assim, o clube comemorou como se já fosse o campeão, pois essa é uma realidade já há algum tempo para o time de MG, que mesmo em vantagem para os rivais seguiu com o pé no acelerador. Num breve momento de desvio, quando perdeu 3 jogos em 4 disputados (entre a 27a e a 30a rodada), a equipe de Marcelo Oliveira contou com a incompetência dos rivais, que também vacilaram e não conseguiram diminuir muito a diferença para a Raposa. Após essa sequência ruim, o time celeste engatou três vitórias e voltou a abrir grande vantagem - são 13 pontos para o Atlético-PR, 2o colocado, faltando 5 rodadas.
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| Foto: Yuri Edmundo/Gazeta Press |
Nesse domingo, o Cruzeiro mostrou mais uma vez que é o "campeão da atitude" desse Brasileirão. Joga se impondo, mesmo que não consiga sempre ser brilhante. Em números, o confronto contra o Grêmio foi parecido; a diferença, como disse o técnico Renato, é que a Raposa fez os seus gols, e o Tricolor gaúcho não. Mas essa não foi a única diferença. A primeira das diversas diferenças entre o campeão Cruzeiro e o Grêmio (e quase todos os outros times do campeonato) começa na escalação. Marcelo Oliveira tem um time equilibrado, que marca, mas que também joga. Os ponteiros se movimentam, o centroavante também ajuda a marcar a saída de bola. Já o Grêmio entrou com 3 zagueiros e 3 volantes, uma equipe com vocação totalmente defensiva. E ainda por cima os dois atacantes seguidamente eram vistos dando combate na entrada da área defensiva. Isso extenua o jogador fisicamente. Na hora de arrematar, como tem acontecido com Kléber e Barcos frequentemente, os dois não têm força. Outra diferença: a atitude dos técnicos. Marcelo Oliveira, aos 30 do segundo tempo, fazia sua terceira e última modificação. Colocou 3 homens do meio para a frente no lugar de outros jogadores que estavam cansados. Já Renato, mesmo perdendo por 1 a 0 desde o primeiro tempo, esperou até depois dos 30 do segundo tempo para lançar Maxi Rodríguez e Yuri Mamute. Ainda assim, não desfez os 3 zagueiros; sacou Kléber e Riveros. Parecia que o treinador gremista estava apenas pensando em perder de pouco.
Claro que levar 3 a 0 do Cruzeiro não é motivo para grande crise. Mas o contexto de eliminação do Tricolor na Copa do Brasil e a forma como o time perdeu são preocupantes. O torcedor esperava uma resposta do técnico e do time, e qual recado foi passado? Com certeza, não foi uma mensagem positiva. O cansaço poderia ser uma desculpa, e talvez até tenha uma contribuição significativa, mas isso porque o time do Grêmio corre errado. Todos os 11 jogadores parecem ter incumbência de marcação igual, quando isso não funciona assim. Assim como nem todo mundo pode atacar, não pode a dupla de atacante ficar dando combate na entrada da área de defesa. Nesse meio de semana a Copa do Brasil tem uma parada e as equipes voltam a campo pela 34a rodada. Renato tem pouco tempo para pensar e precisa encontrar soluções logo para o time. O 3-5-2 e o 4-3-3 ficaram esquemas manjados, sem falar que ambos têm inúmeras falhas que os adversários já perceberam há tempos. Se continuar insistindo no que já fez e deu certo, ok, mas que também não tem dado certo há horas, Renato corre o risco de jogar por água abaixo a boa temporada que fez e ficar marcado pela não classificação à Libertadores quando ela parecia praticamente certa.
CAMPEÕES DE ATITUDE (2)
O Atlético-PR, que fez 3 a 0 no SP, também pode ser considerado um dos "campeões de atitude" do País nesse ano. Mesmo já classificado para a final da Copa do Brasil, o time de Vágner Mancini continua jogando com força máxima e indo para cima dos rivais. Não tem a mesma qualidade do elenco do Cruzeiro e isso é o grande fator diferencial para as campanhas de mineiros e paranaenses num torneio longo como o Brasileiro. Mas na CB, competição de mata-mata, enquanto a Raposa deu mole para o favoritismo e foi surpreendida pelo Flamengo, o Furacão já deixou Palmeiras, Inter e Grêmio pelo caminho. A final contra o Rubro-Negro carioca promete ser equilibrada e pelo bom momento das duas equipes na temporada não há favorito.
VITÓRIA E ALÍVIO
O Inter conquistou um grande resultado ao bater o Botafogo por 2 a 1. Respira na tabela, se afasta da Zona de Rebaixamento e ainda pode estar começando a montar a equipe de 2014. Jackson, Alan, João Afonso, Otávio e Caio (que não é formado na base Colorada) são atletas jovens e com potencial, que podem ser mais úteis do que foram nessa temporada. Claro que a utilização está condicionada ao novo técnico, mas é uma alternativa importante apostar na base, ainda mais para o Colorado que tem revelado atletas de destaque e não terá as receitas da Libertadores na próxima temporada.
SOBRE E DESCE NO Z-4
Faltando 5 rodadas para o fim do Brasileirão, a Zona de Rebaixamento apresentou mudanças nessa rodada. O Vasco perdia por 2 a 0 para o Santos no Maracanã, mas foi buscar o empate. Esse pontinho combinado com a derrota do Fluminense para o Corinthians tirou o Cruzmaltino da Zona da Degola. O Flu inclusive foi ultrapassado pelo Criciúma, que se aproveitou da fragilidade do Náutico e somou 3 pontos em PE. Quem se deu mal na rodada foi a Ponte Preta, que levou 3 do Vitória em Campinas. O time de Jorginho ainda está a 3 pontos de sair do Z-4, mas agora tem um jogo a menos em casa para realizar. O Bahia também jogou em casa, mas o empate com o Atlético-MG até pode ser considerado um bom resultado.
O jogo entre Vasco e Santos teve uma nota triste: Juninho Pernambucano foi cobrar uma falta e sentiu uma lesão no púbis. Ele afirmou depois que pode ter sido sua última partida como profissional. Uma pena o futebol perder um jogador com a sua qualidade e ainda mais assim, por força de uma lesão.

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