terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Triste fim

O Brasileirão chegou ao fim e só do que se fala é da selvageria ocorrida em Joinville na partida que culminou no Rebaixamento do Vasco. Cenas muito fortes, de violência gratuita e com a chancela de quem era responsável pela segurança e falhou gravemente. Essa confusão toda tem dois lados principais, na minha opinião: o primeiro é averiguar realmente de quem foi a falha de segurança. Se deveria ter sido uma empresa privada fazendo o "policiamento" por assim dizer no Interior do estádio, a responsabilidade é do Atlético-PR, que contratou essa empresa, e também da empresa, claro, que não fez o serviço direito. No entanto, como ressaltou o promotor do Ministério Público de SC, não existe medida que determina a saída da Polícia Militar de dentro do estádio. O que houve foi uma ação civil pública ajuizada pelo MP-SC solicitando que só haja policiamento da PM em áreas onde houver torcedores para evitar o desvio de função por parte da PM. E essa ação civil proposta sequer teve o parecer do juiz ainda, sem falar que suas medidas só estão previstas para entrarem em vigor a partir de 2014. Ou seja, a Polícia Militar de Joinville também tem responsabilidade, uma vez que o Estatuto do Torcedor obriga que a PM faça a segurança dos jogos em todo o País, mesmo que em alguns Estados isso seja contestado, já que o futebol é um evento privado.

Foto: Gazeta Press/ESPN.com.br

O segundo lado é o do ser humano. O que passa na cabeça das pessoas para brigarem daquele jeito, chutando, enchendo de paulada torcedores caídos, completamente indefesos? Algo tem que ser feito de forma enérgica, e não é acabar com as torcidas organizadas ou proibir a venda de bebida alcoólica (o que não evitou a barbárie desse domingo, por exemplo). É investigar e punir severamente esses bandidos, é criar ações que busquem um maior diálogo entre a PM e os torcedores, é se importar com o problema e tentar resolvê-lo. A Copa do Mundo irá ocorrer no País e trouxe com ela muitas mudanças; mas como os torcedores que irão aos jogos não são os mesmos que costumam ir às partidas do campeonato brasileiro, nada foi feito para melhorar a segurança. Não dá mais, ninguém aguenta mais ver esse tipo de selvageria, o Poder Público tem que começar a se mexer já, pois as medidas que foram tomadas não surtiram efeito. Ou então nós vamos continuar vendo cenas como a desse domingo, que mais parecem de um filme de violência gratuita do que de uma partida de futebol.

BRASILEIRÃO

Poucas surpresas na última rodada. O Vasco perdeu (na verdade foi goleado pelo Atlético-PR) e foi rebaixado; o Fluminense até conseguiu vencer o Bahia, mas o triunfo do Coritiba sobre o São Paulo decretou o rebaixamento do campeão nacional do ano passado. A Série A de 2014 vai perder em qualidade, enquanto a Série B deve iniciar com duas equipes com acesso praticamente garantido. Isso se Vasco e Flu fizerem o dever de casa, reformulando o grupo e levando a competição a sério, como tem feitos todos os grandes que caíram nos últimos anos.

Na parte de cima da tabela, o Goiás levou uma chacoalhada do Santos em casa e deu adeus a qualquer chance de Libertadores. Quem se aproveitou foi o Botafogo, que venceu o Criciúma, garantiu o 4o lugar e agora espera pela decisão da Sul-Americana entre Lanús/ARG x Ponte Preta para confirmar ou não sua vaga na fase pré.

SELEÇÃO DO CAMPEONATO BRASILEIRO 2013

Goleiro: Fábio (Cruzeiro) - o mais regular. Apesar da boa defesa da Raposa, o goleiro e capitão do time foi bastante exigido e fez defesas fundamentais.
Lateral-direito: Léo (Atlético-PR) - também o mais regular na posição. Embora Mayke (Cruzeiro) e Luís Ricardo (Portuguesa) tenham chamado mais a atenção e feito gols importantes, Léo jogou bem do início ao fim do campeonato e era uma das principais armas do Furacão.
Zagueiro central: Manoel (Atlético-PR) - jogador fundamental na equipe. E, na minha humilde opinião, jogou mais que Dedé (Cruzeiro) nesse campeonato.
Quarto zagueiro: Gil (Corinthians) - sim, o Corinthians fez um campeonato pífio, ridículo. Mas sofreu apenas 22 gols em 38 jogos, méritos da defesa armada por Tite e que tinha como principal destaque o zagueiro Gil.
Lateral-esquerdo: Juan (Vitória) - Alex Telles (Grêmio) e Egídio (Cruzeiro) fizeram grande primeiro turno, mas caíram muito no segundo. William Matheus (Goiás) também fez ótimos jogos, mas sumiu. E Juan continuou sendo um dos principais jogadores do Vitória, um dos responsáveis pela grande ascensão da equipe após a chegada de Ney Franco.
1o Volante: Nilton (Cruzeiro) - outro que foi muito bem no primeiro turno e acabou caindo um pouco no segundo até se lesionar. Mas jogou bem mais que os outros atletas da posição. Além dele, vale destacar também Deivid (Atlético-PR).
2o Volante: Elias (Flamengo) - um dos principais responsáveis por o Flamengo não estar lá embaixo fazendo companhia a Vasco e Fluminense. De quebra, ainda jogou muito na Copa do Brasil e foi peça-chave na conquista do título. Destaque também para Ramiro (Grêmio) e Lucas Silvas (Cruzeiro), duas das revelações do campeonato.
Meia-direita: Cícero (Santos) - está meio deslocado na função, mas não podia ficar de fora. Apesar da campanha pífia do Peixe, Cícero jogou muito. E foi mais regular que nomes como Seedorf (Botafogo) e Paulo Baier (Atlético-PR).
Meia-esquerda: Éverton Ribeiro (Cruzeiro) - o craque do campeonato. Um primeiro turno espetacular, aliás, como quase todo time do Cruzeiro, e um segundo turno decisivo, com jogadas e gols como o da vitória sobre o Santos na Vila Belmiro. Apesar disso, acho que ainda não é jogador para uma equipe como o Manchester United/ING, por exemplo. Se ficar, jogar a Libertadores e mantiver o nível, aí sim é porque já pode partir.
Segundo atacante: Walter (Goiás) - grande responsável por o Goiás estar onde está e ter chegado às semifinais da Copa do Brasil. Se estivesse um pouco mais em forma e não tivesse se lesionado talvez o Esmeraldino conseguisse voos ainda mais altos em 2013. Se Maxi Biancuchi (Vitória) não tivesse ficado tanto tempo fora poderia concorrer com Walter, pois o primo de Messi jogou muito quando esteve em campo. Destaque também Marcelo (Atlético-PR) e Diego Tardelli (Atlético-MG), que fez uma reta final de campeonato sensacional.
Centroavante: Éderson (Atlético-PR) - andou um tempo em baixa, mas não há como deixar de fora o artilheiro do campeonato com 21 gols. Destaque também para Dinei (Vitória), Hernane (Flamengo) e Gilberto (Portuguesa), que foram muito bem como homens-gols das suas equipes.

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