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| Foto: Masashi Hara/Getty Images |
A excursão pela Europa veio em boa hora para o time do São Paulo; embora a equipe tinha perdido para Bayern de Munique/ALE e Milan/ITA pela Copa Audi, as atuações da equipe de Paulo Autuori deixaram um certo ar de esperança, que se tornou mais forte após a vitória contra o Benfica/POR. E, então, veio o jogo pela Copa Suruga e a derrota de 3 a 2 para o Kashima Antlers/JAP, seguido da turbulência gerada pelas declarações de Ney Franco sobre os mandos e desmandos de Rogério Ceni no clube. Na volta, o time é superado pela Portuguesa, um dos piores times do campeonato, com direito a pênalti perdido de Ceni. Assim como não fazia com o Vasco, Autuori segue sem conseguir coordenar um clube em crise.
O time do São Paulo é bom e ainda faltam muitas rodadas para o fim do Brasileirão, mas depois dos fatos recentes o clube dá sinais de que precisa de mudanças radicais para agora. E receio que não se restrinjam apenas a troca de treinador, mas da direção e de alguns atletas. É sempre temerário "trocar o pneu com o carro andando"; contudo, é mais arriscado ainda continuar como está. O São Paulo caminha para o Rebaixamento e após 12 jogos, analisando além dos resultados ruins o ambiente péssimo, a falta de resposta dos jogadores e as crises nos bastidores, só uma mudança brusca pode salvar o Tricolor do Morumbi. Os grandes clubes já viram que a falta de humildade para admitir o erro cobra um preço caro. Nos últimos anos, Botafogo, Palmeiras, Grêmio, Vasco, Corinthians e novamente o Palmeiras mostraram que é bom não duvidar do Rebaixamento, muito menos se contentar com discursos da boca para fora. Ceni falou há alguns jogos que esse ano a equipe brigaria para não cair; pareceu exagero, mas pensando bem, o goleiro pode estar certo. Apesar de que ele também não está fazendo a sua parte para ajudar a equipe.
O Grêmio conquistou um grande resultado em Salvador ao vencer o Bahia por 3 a 0. Mas é bom que o grupo não se iluda, pois o torcedor com certeza não se empolgou muito. A equipe de Renato foi sofrível, e o momento chave da vitória foi o gol de Riveros, que mostrou raça e coragem incomuns para se atirar numa bola perigosíssima e abrir o placar. Até ali, o Tricolor gaúcho tinha sido um amontoado de atletas em campo. O 3-6-1 com 3 volantes e alas que não chegavam à intermediária ofensiva foi nulo. Sem falar que no primeiro tempo a equipe passou por apuros, especialmente em bolas aéreas. Mesmo com 3 zagueiros.
Na volta do intervalo, as coisas melhoraram um pouco até o 1 a 0. E, então, veio a expulsão de Titi e as substituições covardes e infelizes de Cristóvão Borges, empurrando o seu time mais para atrás e facilitando a vida de Renato. A equipe Tricolor teve seu empenho coroado com um gol de sorte de Maxi Rodríguez, e aproveitou um único contra-ataque entre 3 ou 4 que teve para selar o 3 a 0 com Guilherme Biteco. Os três pontos talvez fossem o mais importante nesse domingo por conta dos inúmeros desfalques e por isso a equipe está de parabéns. Mas pareceu muito mais uma vitória do acaso do que mérito do treinador. Renato parece perdido, as referências da equipe (Elano e Barcos) mais uma vez sucumbiram e nem a defesa melhorou apesar dos inúmeros jogadores com vocação para marcar. Ao menos o grupo ganha um pouco de tranquilidade para trabalhar até o próximo jogo; mas uma atuação ruim vai despertar a ira da torcida rapidamente, e a equipe precisará de muita vontade para mais uma vez superar os diversos problemas estruturais que vem apresentando.
TROPEÇO
O empate do Inter por 2 a 2 com o Atlético-PR representa um tropeço Colorado em um jogo como mandante e contra uma equipe inferior. Embora não tenha dado muito certo, a escalação com Alex, D´Alessandro, Scocco e Leandro Damião pode dar certo. Era a primeira vez dos quatro juntos, sem falar que Alex e Scocco têm defasagem física do resto do grupo. Isso não é a pior parte e está longe de ser dor de cabeça para Dunga, até porque os gols saíram. O problema maior do Colorado está na defesa.
Ednei é sofrível e Ronaldo Alves é o pior jogador do elenco Colorado. O lado direito da defesa está entregue a sorte, como foi visto no Gre-Nal e novamente nesse domingo. Improvisar um volante e contratar um zagueiro (ou dar uma chance a Jackson ou Romário, jovens da base que parecem mais promissores do que Ronaldo Alves) se impõe como uma urgência à equipe. Jorge Henrique ou Josimar são os principais candidatos a lateral, mesmo que os dois possam fazer falta no meio. Hoje, a ausência de um camisa 2 está comprometendo muito mais, pois no meio existem alternativas, como Airton, Fabrício, Alex e até mesmo Otávio, que fez o gol do empate. Dunga precisa entender a diferença entre ter as suas convicções e ignorar as deficiências. Os dois atletas que estão comprometendo podem ser exemplos de disciplina e determinação, mas não podem fardar como titulares de um clube como o Inter.
Cruzeiro e Botafogo jogaram em casa contra adversários teoricamente vencíveis: Santos e Goiás, respectivamente. Mas ambos não passaram de empates: 0 a 0 para Raposa e Peixe, e 1 a 1 entre Alvinegro e Esmeraldino. São resultados que ocorrem em algum momento de uma campanha por pontos corridos, assim como o empate do Inter contra o Atlético-PR; mas os últimos títulos de Fluminense e Corinthians mostraram que é mais importante jogar mal e vencer mais do que encantar e desperdiçar pontos. Em inúmeras oportunidades, Flu e Corinthians atuaram pior do que seus adversários no campeonato. O Atlético-MG, em 2012, era o time que encantava, mas foi o Flu quem ficou com a taça. Nesse ano, Cruzeiro e Botafogo são disparados as melhores equipes, e apesar da liderança não abriram grande vantagem para o restante das equipes. A sorte é que muitos concorrentes ainda não se encontraram, como São Paulo, Flamengo e Galo. Os principais rivais do momento são o Coritiba, que vem cambaleante, mas tem Alex; o Corinthians, que tenta engrenar e já está em quarto; e o Inter, que mantém campanha regular, mas também tropeçou na rodada.

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