segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Até quando?

O campeonato Brasileiro 2013 está marcado pelo equilíbrio, talvez até mais do que nos últimos. As equipes já conhecem as virtudes e os defeitos de cada adversário. Dessa forma, mesmo jogos entre equipes distantes na tabela muitas vezes são decididos nos detalhes. Nessa rodada, por exemplo, três partidas ficaram no 0 a 0: duas delas entre times que estão longe na classificação - Flamengo (12o) x São Paulo (19o) e Inter (8o) x Atlético-MG (14o). Outras três terminaram 1 a 0, inclusive um duelo direto pelo G-4: Corinthians x Coritiba. E, em jogos tão iguais, a arbitragem assume papel fundamental, por vezes tornando-se protagonista, como foi o juiz Péricles Bassols na vitória do Corinthians sobre o Coritiba ao marcar um pênalti absurdo em Danilo no fim do jogo. Outro time paulista, o São Paulo, também ganhou uma penalidade máxima no fim do confronto contra o Flamengo. Mas como a fase do Tricolor do Morumbi é complicada, Jadson acabou parando no goleiro Felipe. E amenizou as críticas ao árbitro do jogo, Ricardo Marques, que havia feito boa partida, mas que exagerou ao ver o pênalti para o SP. Já o árbitro de Corinthians x Coxa, Péricles Bassols, tem a sua absolvição mais complicada, pois o lance da penalidade parece mais absurdo, ainda mais pelo ângulo encoberto do árbitro (veja o lance aqui). O erro pode acontecer, claro que pode. É o mesmo raciocínio que vale para os atletas. O problema, no caso da arbitragem, é pensar: e se fosse para o outro time (no caso, o Coxa), o pênalti seria dado?

Péricles Bassols (D) foi pressionado por atletas do Coritiba
após o pênalti marcado a favor do Corinthians. Ainda assim,
não relatou nada de anormal na súmula do jogo.
Foto:Fernando Dantas/Gazeta Press 
É difícil analisar a arbitragem brasileira. Apesar de muitas críticas merecidas, poucas pessoas lembram de considerar o lado dos profissionais do apito, que não são "profissionais", pois não sobrevivem de apitar jogos, ele têm outros empregos. São professores, policiais, empresários, que se preparam com um mínimo de orientação e apoio da CBF e das Federações Estaduais para jogos que mobilizam milhares de torcedores e as vezes decidem o futuro de clubes que se preparam, investem e treinam para vencer. Mas, enquanto a CBF e suas filiadas só se preocuparem com o saldo da conta bancária no final do mês, veremos sempre polêmicas relacionadas a arbitragem. Existe até quem gosta, pela questão cultural de poder discutir com os amigos na segunda-feira os lances duvidosos do fim de semana; mas para os profissionais que jogam, especialmente os de clubes menores, que as vezes investem tudo numa partida, não é nada legal.

Assim como a segurança nos estádios, as dívidas dos clubes (que mesmo assim seguem contratando atletas por altos valores), o curto período de pré-temporada e o baixo nível dos Estaduais, a profissionalização da arbitragem não irá trazer benefícios financeiros aos clubes, as federações e a CBF. Por isso, segue sem que nada seja alterado. Os clubes reclamam, os órgãos oficiais não dão bola e tudo fica como está. Não entendo como o STJD passa por cima do julgamento de qualquer árbitro ao julgar os atletas por lances de jogo como o carrinho de Zé Roberto em Lucas, que lesionou o atleta do Botafogo, mas que foi uma disputa normal. Por outro lado, bandeiras e árbitros são submetidos apenas a testes físicos, muitos dos quais ainda considerados desumanos e que tiram do esporte profissionais de maior qualidade, como a bandeirinha Ana Paula e Leonardo Gaciba. Quando erram, não passam por uma reciclagem, muitos parecem desconhecer regras básicas (e olha que o futebol tem apenas 17 regras). Será que eles têm algum tipo de acompanhamento psicológico para a pressão que sofrem? A sua vida fora dos campos é acompanhada? A sua ligação com clubes, dirigentes e jogadores? Enquanto as federações se recusam a perder 1 centavo sequer, o torcedor segue pagando caro, seja no ingresso, sofrendo com a falta de segurança ou a falta de preparo dos juízes, responsáveis por garantir a integridade das partidas.

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