quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Os grupos da Champions 2013/14

A melhor competição de clubes do mundo é a UEFA Champions League, que sorteou os seus grupos para a temporada 2013/14 nessa quinta-feira. Pelo que apresentaram na última temporada, dá para imaginar alguns confrontos bem interessantes. Entre os principais clubes do continente, o atual campeão Bayern de Munique/ALE, o Chelsea/ING, o Barcelona/ESP e o Milan/ITA foram os principais privilegiados após o sorteio das chaves. Vejamos por que:

Bernard chegou para ser o 10 do Shaktar.
Apesar de grupo complicado,
ucranianos entram com boas chances. 
Grupo A: Manchester United/ING, Shaktar Donetsk/UCR, Bayer Leverkusen/ALE e Real Sociedad/ESP -  o Manchester é o favorito natural, mas tem tido dificuldades nas últimas temporadas na fase de grupos. O novo comandante, David Moyes, debuta em Liga dos Campeões e ainda não está 100% afinado com a equipe, o que também é normal, diga-se de passagem, depois de Ferguson ficar quase 30 anos à frente da equipe. E os Red Devils irão encarar adversários perigosos. O Shaktar, recheado de brasileiros e reforçado por Bernard, ficou em segundo lugar no seu grupo na última temporada, eliminando o atual campeão Chelsea. Já Leverkusen e Real Sociedad fizeram grandes campanhas em ligas extremamente difíceis - os dois últimos finalistas da Champions foram os alemães Bayern e Dortmund, enquanto na Espanha a Sociedad duela com os poderosos Real Madrid e Barcelona. Difícil apontar quem passa, mas aposto em Manchester e Shaktar.

Grupo B: Real Madri/ESP, Juventus/ITA, Galatasaray/TUR e Copenhaguen/DIN - Real e Juventus naturalmente são os favoritos. Os espanhóis têm passado com facilidade pela fase de grupos e mais uma vez não devem ter grandes problemas. O Copenhaguen entra como azarão e se conseguir ir para a Liga Europa já estará de bom tamanho. A segunda vaga na fase de mata-mata deve ficar entre a Juve - reforçada por Tévez e Llorente, que dominou os dois últimos campeonatos italianos sem ter conseguido se impor na competição europeia - e os turcos, que comandados por Sneijder e Drogba foram uma das grandes surpresas da última edição chegando até as quartas de final. Palpite: Real e Juve.

Grupo C: Benfica/POR, PSG/FRA, Olympiacos/GRE e Anderlecht/BEL - portugueses e franceses se deram bem, já que o futebol grego perdeu força após a crise econômica e os belgas não têm tradição em competições continentais. Novamente, o milionário PSG, de Thiago Silva, Ibra e Cavani, caiu em uma chave tranquila e tem tudo para ficar em primeiro. O Benfica foi tri vice na temporada passada (do campeonato português, da copa de Portugal e da Liga Europa) e espera melhor sorte. O centroavante Óscar Cardozo se desentendeu com o técnico Jorge Jesus e pode deixar o clube. Ainda assim, o palpite é que PSG e Benfica avancem.

Grupo D: Bayern de Munique/ALE, CSKA/RUS, Manchester City/ING e Viktoria Pilsen/TCH - o atual campeão da Champions, agora sob o comando de Pep Guardiola, teve muita sorte. Russos e tchecos não assustam nem um pouco, enquanto o City não passou de fase nas últimas duas Ligas dos Campeões, dando o vexame de ter ficado em último lugar no grupo na temporada passada. Agora, sob o comando de Manuel Pellegrini - que já levou o Villarreal às semifinais e na temporada passada colocou o Málaga/ESP entre os 8 melhores do torneio -, o City espera finalmente se impor no continente. Palpite: Bayern e City.

Grupo E: Chelsea/ING, Schalke/ALE, Basel/SUI e Steua Bucareste/ROM - o Chelsea era o atual campeão quando estreou no torneio na temporada passada, mas vacilou e acabou eliminado ainda na primeira fase. Foi jogar a Liga Europa na segunda metade da temporada e, então, resolveu levar o torneio a sério. Como resultado, conquistou o título, sob o comando de Rafa Benítez, que deixou o clube para a chegada de José Mourinho. A expectativa é de que os Blues dominem o grupo, seguidos pelo Schalke. O Basel corre por fora, tentando repetir a temporada 2011/12, quando se classificou em segundo no grupo e deixou o Manchester United de fora. Palpite: Chelsea e Schalke avançam.

Grupo F: Arsenal/ING, Olympique de Marselha/FRA, Borussia Dortmund/ALE e Napoli/ITA - o grupo mais equilibrado, com certeza. Borussia e Napoli têm brigado por títulos nas suas ligas locais, enquanto ingleses e franceses se tornaram mero coadjuvantes em seus países. Com isso, alemães e italianos são os meus favoritos para avançarem à fase de mata-mata. Mas o Arsenal, mesmo com equipes cada vez mais fracas, tem conseguido se garantir na Liga dos Campeões a cada temporada e tem avançado na fase de grupos, por isso é bom não duvidar dos Gunners.

Grupo G: Porto/POR, Atlético de Madri/ESP, Zenit/RUS e Austria Viena/AUS - outro bom grupo, com três equipes praticamente em iguais condições e um azarão, o time austríaco. O Porto tem uma leve vantagem por estar mais acostumado com a Liga dos Campeões, inclusive foi campeão em 2004; já o Atlético de Madri teve algum sucesso na Liga Europa, mas ainda está devendo na Champions e perdeu Falcão; e o Zenit provavelmente é o clube que mais investiu entre os três, inclusive comprando o brasileiro Hulk por um valor astronômico na temporada passada. Meu palpite? Atlético de Madri e Zenit avançam. Acho que o fato de terem um time melhor que o Porto, que perdeu jogadores importantes e não repôs à altura, pode fazer a diferença.

Grupo H: Barcelona/ESP, Milan/ITA, Ajax/HOL e Celtic/ESP - espanhóis e italianos irão se enfrentar pela terceira vez consecutiva, após dividirem o mesmo grupo na temporada 2011/12 e se encontrarem nas oitavas na temporada passada. São os grandes favoritos ao grupo, mesmo que o time Rossonero mais uma vez entre fragilizado na competição, muito dependente da caixinha de surpresas chamada Balotelli. Já o Ajax outra vez tem o azar de cair num grupo com 2 gigantes - na temporada passada ficou na mesma chave dos semifinalistas Real Madri e Borussia Dortmund. Pior mesmo é a situação do Celtic, que na temporada anterior já havia caído no grupo do Barça, mas conseguiu deixar o Benfica na saudade e avançou ao mata-mata, sendo eliminado pela Juventus. O treinador do time, o escocês Neil Lennon, não gostou muito do sorteio, ao menos pelo que pareceu (veja aqui). Palpite: Barcelona e Milan, sem dificuldades.

domingo, 25 de agosto de 2013

Poupar ou não poupar?

O Brasileirão se aproxima do fim do seu primeiro turno, quando o campeonato começa a encaminhar algumas definições na tabela. Ao mesmo tempo, a Copa do Brasil e a Sul-Americana surgem com jogos no meio de semana, trazendo à tona o velho dilema: poupar ou não jogadores? Particularmente, sou contra mudar todo o time de um jogo para o outro. Primeiro, porque isso prejudica demais a mecânica da equipe e, segundo, porque é temerário priorizar demais uma competição, ainda mais de mata, aonde a imprevisibilidade do futebol se torna ainda maior. Outro ponto é que os atletas sentem o desgaste físico de forma diferente; por isso, entendo que poupar alguns jogadores é importante, mas nunca o time todo.

Juninho (c) foi poupado pela CB. Nesse domingo,
deu o passe para o gol de André.
Foto: Marcelo Sadio/Flickr do Vasco
Essa, por exemplo, foi a estratégia do Vasco. Privilegiado por encarar o Nacional/AM na Copa do Brasil, Dorival Jr. deixou alguns jogadores de fora do confronto no meio de semana, como Juninho e André. O substituto do camisa 9 foi Tenório, que anotou os dois gols da vitória vascaína no Amazonas. Nesse domingo, o time encarou o Corinthians e fez bom jogo, apesar do 1 a 1. O gol dos cariocas, curiosamente, saiu em uma jogada entre Juninho e André. Já o Grêmio, derrotado pelo Santos no meio de semana pela CB, repetiu praticamente a mesma escalação, apenas com a volta de Bressan na defesa. Venceu o Flamengo, em Brasília, por 1 a 0. Enquanto isso os cariocas, derrotados pelo Cruzeiro na quarta, acabaram perdendo jogadores importante para o duelo contra os gaúchos, como Elias e Carlos Eduardo. O time sentiu as ausências, que se somaram as carências naturais do elenco, e teve atuação pífia no sábado.

O Cruzeiro ensaiou time reserva, mas foi com força máxima a Campinas e derrotou a Ponte Preta sem grandes dificuldades. Resultado importante, já que o Botafogo tropeçou e perdeu a liderança para os mineiros. O Alvinegro, aliás, teve uma semana bem oscilante. Na quinta, sem Seedorf, fez 4 a 2 no Atlético-MG, com atuação exaltada pela imprensa. Neste domingo, sem poupar jogadores e com o holandês em campo, foi engolido pela vontade do Atlético-PR, o time do momento no Brasileirão. A vitória colocou o Furacão no G-4 - é 4o, com 27 pontos - e os dois gols do atacante Éderson (veja os gols aqui) o deixam ao lado de William, da Ponte, na artilharia do Brasileirão com 10 gols.

O DESGASTE DE TITE

O Corinthians empatou com o Vasco nesse domingo. No meio de semana, foi derrotado pelo Luverdense/MT pela Copa do Brasil. No entanto, o que menos chama a atenção são os resultados. Até mesmo a derrota pela CB, apesar do vexame que representou, pode ter uma explicação que a amenize. O problema do Timão são as atuações da equipe. O time de Tite não se encontrou desde a saída de Paulinho e ainda tem o agravante das lesões de Guilherme, seu substituto, e da inconstância de Renato Augusto, que poderia ser uma opção, mas oscila muito entre o departamento médico e a disponibilidade para jogar.

Além disso, o modelo de trabalho de Tite parece ter sofrido um desgaste com os jogadores. Nesse domingo, curiosamente, um dos poucos que correu e se doou ao jogo como nos acostumamos a ver na equipe de Tite foi Douglas. O camisa 10 participou efetivamente do jogo na frente e até mesmo atrás, inclusive salvando um gol do Vasco em um lance de cruzamento. Trocar de técnico é sempre uma situação delicada e talvez não seja essa a melhor alternativa ao Corinthians, mas parece evidente que o clube precisa de um fato novo. Quem sabe um ou outro jogador diferente, uma solução tática alternativa. Depender de um bom dia de Pato ou de gols de bola aérea é pouco. Talvez a alternativa passe por Douglas, que foi bem no domingo e é um articulador como nenhum outro do elenco corintiano.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Até quando?

O campeonato Brasileiro 2013 está marcado pelo equilíbrio, talvez até mais do que nos últimos. As equipes já conhecem as virtudes e os defeitos de cada adversário. Dessa forma, mesmo jogos entre equipes distantes na tabela muitas vezes são decididos nos detalhes. Nessa rodada, por exemplo, três partidas ficaram no 0 a 0: duas delas entre times que estão longe na classificação - Flamengo (12o) x São Paulo (19o) e Inter (8o) x Atlético-MG (14o). Outras três terminaram 1 a 0, inclusive um duelo direto pelo G-4: Corinthians x Coritiba. E, em jogos tão iguais, a arbitragem assume papel fundamental, por vezes tornando-se protagonista, como foi o juiz Péricles Bassols na vitória do Corinthians sobre o Coritiba ao marcar um pênalti absurdo em Danilo no fim do jogo. Outro time paulista, o São Paulo, também ganhou uma penalidade máxima no fim do confronto contra o Flamengo. Mas como a fase do Tricolor do Morumbi é complicada, Jadson acabou parando no goleiro Felipe. E amenizou as críticas ao árbitro do jogo, Ricardo Marques, que havia feito boa partida, mas que exagerou ao ver o pênalti para o SP. Já o árbitro de Corinthians x Coxa, Péricles Bassols, tem a sua absolvição mais complicada, pois o lance da penalidade parece mais absurdo, ainda mais pelo ângulo encoberto do árbitro (veja o lance aqui). O erro pode acontecer, claro que pode. É o mesmo raciocínio que vale para os atletas. O problema, no caso da arbitragem, é pensar: e se fosse para o outro time (no caso, o Coxa), o pênalti seria dado?

Péricles Bassols (D) foi pressionado por atletas do Coritiba
após o pênalti marcado a favor do Corinthians. Ainda assim,
não relatou nada de anormal na súmula do jogo.
Foto:Fernando Dantas/Gazeta Press 
É difícil analisar a arbitragem brasileira. Apesar de muitas críticas merecidas, poucas pessoas lembram de considerar o lado dos profissionais do apito, que não são "profissionais", pois não sobrevivem de apitar jogos, ele têm outros empregos. São professores, policiais, empresários, que se preparam com um mínimo de orientação e apoio da CBF e das Federações Estaduais para jogos que mobilizam milhares de torcedores e as vezes decidem o futuro de clubes que se preparam, investem e treinam para vencer. Mas, enquanto a CBF e suas filiadas só se preocuparem com o saldo da conta bancária no final do mês, veremos sempre polêmicas relacionadas a arbitragem. Existe até quem gosta, pela questão cultural de poder discutir com os amigos na segunda-feira os lances duvidosos do fim de semana; mas para os profissionais que jogam, especialmente os de clubes menores, que as vezes investem tudo numa partida, não é nada legal.

Assim como a segurança nos estádios, as dívidas dos clubes (que mesmo assim seguem contratando atletas por altos valores), o curto período de pré-temporada e o baixo nível dos Estaduais, a profissionalização da arbitragem não irá trazer benefícios financeiros aos clubes, as federações e a CBF. Por isso, segue sem que nada seja alterado. Os clubes reclamam, os órgãos oficiais não dão bola e tudo fica como está. Não entendo como o STJD passa por cima do julgamento de qualquer árbitro ao julgar os atletas por lances de jogo como o carrinho de Zé Roberto em Lucas, que lesionou o atleta do Botafogo, mas que foi uma disputa normal. Por outro lado, bandeiras e árbitros são submetidos apenas a testes físicos, muitos dos quais ainda considerados desumanos e que tiram do esporte profissionais de maior qualidade, como a bandeirinha Ana Paula e Leonardo Gaciba. Quando erram, não passam por uma reciclagem, muitos parecem desconhecer regras básicas (e olha que o futebol tem apenas 17 regras). Será que eles têm algum tipo de acompanhamento psicológico para a pressão que sofrem? A sua vida fora dos campos é acompanhada? A sua ligação com clubes, dirigentes e jogadores? Enquanto as federações se recusam a perder 1 centavo sequer, o torcedor segue pagando caro, seja no ingresso, sofrendo com a falta de segurança ou a falta de preparo dos juízes, responsáveis por garantir a integridade das partidas.

domingo, 11 de agosto de 2013

Calvário sem fim?

Foto: Masashi Hara/Getty Images
A excursão pela Europa veio em boa hora para o time do São Paulo; embora a equipe tinha perdido para Bayern de Munique/ALE e Milan/ITA pela Copa Audi, as atuações da equipe de Paulo Autuori deixaram um certo ar de esperança, que se tornou mais forte após a vitória contra o Benfica/POR. E, então, veio o jogo pela Copa Suruga e a derrota de 3 a 2 para o Kashima Antlers/JAP, seguido da turbulência gerada pelas declarações de Ney Franco sobre os mandos e desmandos de Rogério Ceni no clube. Na volta, o time é superado pela Portuguesa, um dos piores times do campeonato, com direito a pênalti perdido de Ceni. Assim como não fazia com o Vasco, Autuori segue sem conseguir coordenar um clube em crise.

O time do São Paulo é bom e ainda faltam muitas rodadas para o fim do Brasileirão, mas depois dos fatos recentes o clube dá sinais de que precisa de mudanças radicais para agora. E receio que não se restrinjam apenas a troca de treinador, mas da direção e de alguns atletas. É sempre temerário "trocar o pneu com o carro andando"; contudo, é mais arriscado ainda continuar como está. O São Paulo caminha para o Rebaixamento e após 12 jogos, analisando além dos resultados ruins o ambiente péssimo, a falta de resposta dos jogadores e as crises nos bastidores, só uma mudança brusca pode salvar o Tricolor do Morumbi. Os grandes clubes já viram que a falta de humildade para admitir o erro cobra um preço caro. Nos últimos anos, Botafogo, Palmeiras, Grêmio, Vasco, Corinthians e novamente o Palmeiras mostraram que é bom não duvidar do Rebaixamento, muito menos se contentar com discursos da boca para fora. Ceni falou há alguns jogos que esse ano a equipe brigaria para não cair; pareceu exagero, mas pensando bem, o goleiro pode estar certo. Apesar de que ele também não está fazendo a sua parte para ajudar a equipe.

VITÓRIA DO ACASO?

O Grêmio conquistou um grande resultado em Salvador ao vencer o Bahia por 3 a 0. Mas é bom que o grupo não se iluda, pois o torcedor com certeza não se empolgou muito. A equipe de Renato foi sofrível, e o momento chave da vitória foi o gol de Riveros, que mostrou raça e coragem incomuns para se atirar numa bola perigosíssima e abrir o placar. Até ali, o Tricolor gaúcho tinha sido um amontoado de atletas em campo. O 3-6-1 com 3 volantes e alas que não chegavam à intermediária ofensiva foi nulo. Sem falar que no primeiro tempo a equipe passou por apuros, especialmente em bolas aéreas. Mesmo com 3 zagueiros.

Na volta do intervalo, as coisas melhoraram um pouco até o 1 a 0. E, então, veio a expulsão de Titi e as substituições covardes e infelizes de Cristóvão Borges, empurrando o seu time mais para atrás e facilitando a vida de Renato. A equipe Tricolor teve seu empenho coroado com um gol de sorte de Maxi Rodríguez, e aproveitou um único contra-ataque entre 3 ou 4 que teve para selar o 3 a 0 com Guilherme Biteco. Os três pontos talvez fossem o mais importante nesse domingo por conta dos inúmeros desfalques e por isso a equipe está de parabéns. Mas pareceu muito mais uma vitória do acaso do que mérito do treinador. Renato parece perdido, as referências da equipe (Elano e Barcos) mais uma vez sucumbiram e nem a defesa melhorou apesar dos inúmeros jogadores com vocação para marcar. Ao menos o grupo ganha um pouco de tranquilidade para trabalhar até o próximo jogo; mas uma atuação ruim vai despertar a ira da torcida rapidamente, e a equipe precisará de muita vontade para mais uma vez superar os diversos problemas estruturais que vem apresentando.

TROPEÇO

O empate do Inter por 2 a 2 com o Atlético-PR representa um tropeço Colorado em um jogo como mandante e contra uma equipe inferior. Embora não tenha dado muito certo, a escalação com Alex, D´Alessandro, Scocco e Leandro Damião pode dar certo. Era a primeira vez dos quatro juntos, sem falar que Alex e Scocco têm defasagem física do resto do grupo. Isso não é a pior parte e está longe de ser dor de cabeça para Dunga, até porque os gols saíram. O problema maior do Colorado está na defesa.

Ednei é sofrível e Ronaldo Alves é o pior jogador do elenco Colorado. O lado direito da defesa está entregue a sorte, como foi visto no Gre-Nal e novamente nesse domingo. Improvisar um volante e contratar um zagueiro (ou dar uma chance a Jackson ou Romário, jovens da base que parecem mais promissores do que Ronaldo Alves) se impõe como uma urgência à equipe. Jorge Henrique ou Josimar são os principais candidatos a lateral, mesmo que os dois possam fazer falta no meio. Hoje, a ausência de um camisa 2 está comprometendo muito mais, pois no meio existem alternativas, como Airton, Fabrício, Alex e até mesmo Otávio, que fez o gol do empate. Dunga precisa entender a diferença entre ter as suas convicções e ignorar as deficiências. Os dois atletas que estão comprometendo podem ser exemplos de disciplina e determinação, mas não podem fardar como titulares de um clube como o Inter.

FREIO NOS LÍDERES

Cruzeiro e Botafogo jogaram em casa contra adversários teoricamente vencíveis: Santos e Goiás, respectivamente. Mas ambos não passaram de empates: 0 a 0 para Raposa e Peixe, e 1 a 1 entre Alvinegro e Esmeraldino. São resultados que ocorrem em algum momento de uma campanha por pontos corridos, assim como o empate do Inter contra o Atlético-PR; mas os últimos títulos de Fluminense e Corinthians mostraram que é mais importante jogar mal e vencer mais do que encantar e desperdiçar pontos. Em inúmeras oportunidades, Flu e Corinthians atuaram pior do que seus adversários no campeonato. O Atlético-MG, em 2012, era o time que encantava, mas foi o Flu quem ficou com a taça. Nesse ano, Cruzeiro e Botafogo são disparados as melhores equipes, e apesar da liderança não abriram grande vantagem para o restante das equipes. A sorte é que muitos concorrentes ainda não se encontraram, como São Paulo, Flamengo e Galo. Os principais rivais do momento são o Coritiba, que vem cambaleante, mas tem Alex; o Corinthians, que tenta engrenar e já está em quarto; e o Inter, que mantém campanha regular, mas também tropeçou na rodada.

sábado, 10 de agosto de 2013

Atalho tortuoso

Foto:Marcos Ribolli/Globoesporte
A Copa do Brasil mudou. A competição não deixa de ser um atalho para a Copa Libertadores, pois ainda tem bem menos jogos do que o Brasileirão, mas o caminho se tornou muito mais tortuoso com a reinclusão das equipes que disputam a Libertadores, sem falar que agora a competição dura o ano todo, logo exige uma maior regularidade. O caso do Palmeiras ano passado - que fez um bom primeiro semestre, inclusive conquistando a CB, mas acabou rebaixado no Brasileiro - será mais difícil de ser repetido. Da mesma forma a Sul-Americana será diferente para o Brasil: saem os clubes grandes, desinteressados em sua maioria, que colocam equipes reservas em muitos jogos, e entram clubes médios e pequenos - nesse ano, os representantes do país serão Portuguesa x Bahia, Náutico x Sport, Vitória x Coritiba e Criciúma x Ponte Preta. Fica mais difícil para o país conquistar um título, mas por outro lado se torna uma vitrine internacional interessante para esses clubes, inclusive com equipes que atualmente disputam a série B, caso do Sport.

Mas voltando a Copa do Brasil: a chance das zebras também diminui. Na CB de antigamente, uma equipe média/pequena que eliminasse um grande nas primeiras fases - e isso sempre acontecia, especialmente porque as equipes estavam em início de temporada - assumiria o seu caminho para o título, encarando rivais mais fracos. Agora, pelo critério técnico, eles ficam no pote 2 do sorteio para as oitavas de final. Com isso, as surpresas desse ano, Salgueiro/PE, Luverdense/MT e Nacional/AM, irão encarar Inter, Corinthians e Vasco, respectivamente. Os clássicos regionais também foram pensados para acontecer antes da final. Logo, poderemos ter nas semifinais Gre-Nal e Corinthians x Palmeiras, além de clássicos cariocas. Os confrontos entre equipes do RJ, aliás, podem acontecer já nas quartas, assim como o clássico mineiro Cruzeiro x Atlético-MG.

Como se pode perceber, a Copa do Brasil assume uma nova importância para os clubes e as torcidas. Acho que será uma competição muito mais atraente, com a emoção do mata-mata presente durante todo o ano no país. Também poderá acalmar os saudosistas dos antigos Brasileirões, que tinham confrontos eliminatórios na sua última fase. A dificuldade aumenta para as equipes que ficavam fora da Libertadores e tinham na CB a principal esperança de encaminhar à vaga a competição continental. Mas com certeza o saldo é positivo, especialmente para os torcedores e os espectadores, que poderão ver grandes confrontos entre todas as principais equipes do país com os ingredientes emocionais do mata-mata.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Empate da cautela

Foto: Fernando Gomes/Zero Hora
O Gre-Nal 397, o primeiro disputado na Arena, terminou 1 a 1 e pode ser considerado o clássico da cautela. O primeiro passo foi dado por Renato ao escalar o Grêmio no 3-5-2 com a ausência de Zé Roberto. Durante a partida, o Inter de Dunga foi quem tratou de segurar o jogo, especialmente no segundo tempo. No fim das contas, para termos de classificação, o empate beneficia o Colorado, que conquistou um ponto fora de casa. E acaba sendo relativamente bom para os dois times, pois não aprofunda o princípio de crise instaurado. No Tricolor, uma derrota certamente iria aumentar a bronca da torcida com as má atuações fora de Porto Alegre; no Colorado, provocaria uma ira ainda maior após o réves de 3 a 0 para o então lanterna Náutico.

Nos 20 minutos de jogo mesmo, os primeiros da partida, a proposta de Renato deu certo. O 3-5-2 anulou o ataque Colorado, enquanto o Tricolor conseguiu fazer os alas trabalharem e os atacantes participarem do jogo. O gol saiu naturalmente pelo domínio do time casa após pênalti estabanado de Willians em Kléber convertido por Barcos. No lance seguinte, na primeira vez que tentou atacar, o Inter empatou. O mesmo Willians, vilão no lance anterior, fez grande jogada pelo lado esquerdo do time gremista, o mesmo que incomodava no ataque, e cruzou para Leandro Damião empatar. A partir daí, houve muita confusão, uma péssima arbitragem de Fabrício Neves Corrêa e frustração de ambas as torcidas. Dentro de campo, os jogadores pareciam até de certa forma conformados, talvez a orientação dos técnicos não fosse "vamos ganhar o jogo", mas sim "não podemos perder de jeito nenhum".

Na volta do intervalo, o Inter veio para "cozinhar" o rival. Manteve a bola no campo ofensivo, trabalhava as jogadas, ganhava tempo a cada falta e arremesso de lateral. E o Grêmio entrou na pilha, muito conduzido também pela atuação do apitador Fabrício Neves. Jorge Henrique na lateral-direita estancou os avanços de Alex Telles, enquanto Kléber e Fabrício passaram a assombrar Pará e Werley. Riveros e Elano cansaram, e a bola parou de chegar nos avantes tricolores. Renato não teve coragem ou não quis tirar um dos zagueiros para tentar ganhar o meio-campo, nem mesmo quando a equipe passou a ter um jogador a mais. Mesmo assim, a entrada de Maxi deu um novo gás, e o Grêmio conseguiu segurar um pouco a bola na frente e rondar a área Colorada, mas sem grande perigo. E o Inter, com as expulsões, passou a se contentar bastante com a igualdade, e ainda teve a melhor chance do segundo tempo em chute do estreante Scocco.

O primeiro Gre-Nal da Arena teve a cara da maioria dos clássicos, muito truncado e pouco jogado. Renato venceu o duelo inicial com Dunga, pois o Tricolor foi melhor na primeira metade do jogo, especialmente nos 20 minutos iniciais. Mas o treinador Colorado viu muito bem o duelo e consertou os problemas no intervalo. No fim, se o Inter não tivesse tido a expulsão de Jorge Henrique, Dunga poderia ter tentado vencer, colocando Alex ou Scocco no lugar de Kléber ou de um dos volantes. Mas a postura Colorada na volta do intervalo também não era a de quem estava muito preocupado em vencer. No fim das contas, o Gre-Nal foi um clássico xoxo, nem bom nem ruim para os clubes, pior para os torcedores, que viram uma partida sofrível, em diversos momentos parecida com uma pelada de várzea, e ainda foram para casa indignados com o árbitro, que conseguiu desagradar aos dois lados.

Fabrício Neves Corrêa, infelizmente, foi o personagem do jogo. Assim como as duas equipes, adotou a cautela. Qualquer esbarrão era falta; um lance visualmente mais duro era para cartão amarelo. Das 3 expulsões, talvez nenhuma tenha sido justa, enquanto Willians e Adriano poderiam ter ido para o chuveiro ainda na primeira etapa. A seu favor, o pênalti bem marcado em Kléber, no qual o árbitro estava em cima do lance, e a absolvição na expulsão de Jorge Henrique muito bem cavada por Barcos, que sequer foi tocado; mas Fabrício estava encoberto, não tinha como ver o lance. No cartão vermelho do Colorado Fabrício, o árbitro exagerou, influenciado pelo teatro do jogador gremista, assim como na expulsão de Werley, que foi estabanado, mas estava olhando para a bola. Enfim, nenhuma das equipes pode dizer que não venceu por culpa do juiz, mas com certeza ele ajudou a tornar a partida ainda mais tensa e menos jogada do que já seria naturalmente por se tratar de um clássico Gre-Nal.

A melhor notícia do clássico veio das arquibancadas. Felizmente, não houve registros de nenhum incidente no deslocamente próximo a Arena e nem no interior do estádio.

BRASILEIRÃO

Entre os demais duelos da 11a rodada, os destaques ficam com Flamengo e Botafogo. O Rubro-Negro reagiu fazendo 3 a 0 no Atlético-MG após ter perdido pelo mesmo placar para o Bahia no meio de semana. Enquanto o Galo patina no Brasileirão, vejo gente falando que o time deve focar no campeonato nacional e esquecer o Mundial. Concordo, mas não vamos achar que o Galo está perdendo por falta de foco; o que está acontecendo é um reflexo natural do título da Libertadores, conquistado há cerca de 10 dias! É claro que o ideal seria não perder tempo e reagir logo, pois os comandados de Cuca têm chances de lutar pelo título do Brasileiro. Mas a equipe está desgastado, longe de estar 100% focada no nacional. Vai reagir, só pode ser que demore um pouco, e nesse caso o título nacional fica mais distante.

Já o Botafogo venceu o clássico com o Vasco, que vinha embalado por bons resultados, e se manteve na liderança do Brasileirão. Logo no seu encalço vêm Cruzeiro e Coritiba, que se enfrentaram em MG, com vitória da Raposa por 1 a 0. Na parte de baixo, além do Náutico, as equipes de Portuguesa, Criciúma e Goiás dão fortes indícios de que devem lutar para não cair. Os resultados de catarinenses e goianos até não são tão ruins, mas as atuações... Vale lembrar que Galo e São Paulo, que hoje ocupam o Z-4, têm times muito superiores aos rivais de Z-4 e logo devem sair dessa situação incômoda.