A Copa das Confederações deixa grandes lições para o Brasil. Fora de campo, especialmente, a população deu um show saindo às ruas para reivindicar uma vida melhor, após ver tanto dinheiro gasto na realização do evento. E para a Copa do Mundo no ano que vem, muito mais será gasto, mais 6 estádios deverão estar prontos, e ao invés de 7 seleções visitantes, virão 31, ou seja, diversas cidades do país estarão lotadas de turistas.
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| Foto: Douglas Freitas |
Dentro de campo, a equipe de Felipão evoluiu. Acertou uma escalção-base,
está conseguindo marcar muitos gols, mas ainda há um longo caminho a
ser percorrido. A geração de Oscar, Lucas, Neymar e Bernard
talvez só esteja pronta para vencer a Copa em 2018. Ainda assim, o
futebol é uma "enorme" caixinha de surpresas, e até mesmo uma vitória
contra a toda poderosa Espanha no próximo domingo, na final das
Confederações, é algo plenamente possível.
Espanha e Brasil chegam à competição em momentos distintos. Os atuais campeões mundiais vêm numa curva descendente. Sufocaram o Uruguai no primeiro jogo e patrolaram o Taiti na segunda rodada, mas tiveram dificuldades contra Nigéria e Itália, tanto que só eliminaram a Azurra nos pênaltis. Já a seleção anfitriã venceu Japão e México sem grandes exibições, fez uma partida muito séria contra a Itália e mostrou raça extra para superar o Uruguai. O nível do time tem melhorado, apesar das dificuldades, especialmente defensivas. Se a zaga do Brasil foi o destaque do time nas últimas Copas, em 2002, 2006 e 2010, sendo parcialmente inocentada nos vexames, o mesmo não se pode dizer da atual equipe.
E nem adianta tentar resgatar um dos medalhões, pois Lúcio e Juan, hoje, não mereceriam uma convocação pelo que fazem no São Paulo e no Inter, respectivamente. Há uma ressalva, entretanto: Júlio César também não mereceria ser chamado, mas foi por ser da confiança de Felipão. Como conhece o ambiente, tem sido destaque, inclusive pegando pênalti contra o Uruguai. Assim como alguns jogadores não conseguem desenvolver na seleção o que fazem nos clubes, outros estão acostumados ao ambiente e as vezes podem ser até melhores do que no seus clubes. Felipão conhece Lúcio e Juan, e talvez o primeiro, especialmente por levar vantagem na parte física, pudesse receber uma chance para ser o esteio da zaga. Thiago Silva e David Luiz no miolo da defesa não estão inspirando confiança, ainda mais com a avenida às costas de Marcelo. Os volantes estão sendo sobrecarregados, e embora sejam voluntariosos não conseguem carregar o sistema defensivo sozinhos. Por isso, Felipão tem cobrado participação de Oscar, Hulk e Neymar, que chamam a atenção pelo número de faltas cometidas no campeonato.
Entre as demais seleções que vieram ao país, o Japão já carimbou o passaporte para voltar. É uma equipe interessante, mas ainda longe de competir com as seleções mais tradicionais. Talvez passe de fase dependendo do seu grupo na Copa, mas é difícil imaginar a equipe nas quartas ou semifinais. O Taiti já foi eliminado na Oceania, o que pouco importa, pois entrou para a história e com certeza aproveitou a sua viagem ao Brasil. O Uruguai está a perigo nas Eliminatórias, e o futebol apresentado mostra o porquê. Falta fôlego e criatividade no meio-campo para abastecer o ótimo ataque. Ramíres, Cristian Rodríguez e até mesmo Forlán não são meias organizadores, a equipe também não tem volantes armadores, alguém com as características (não a qualidade, a característica) de um Pirlo ou de um Hernanes. A Itália realiza um bom trabalho de reconstrução, e sofreu mais do que outras equipes com os problemas físicos do final de temporada. Mas pode fazer uma boa Copa, brigando com os favoritos, sem ser um deles. Nigéria e México podem voltar ao Brasil em 2014; contudo, são equipes medianas, um pouco menos ingênuas do que o Japão, mas ainda sem qualidade suficiente para surpreender e chegar entre os 8 melhores da Copa. E a Espanha está pronta; se tiver um dos atacantes com a mira afiada na Copa, será muito difícil de derrotar a Fúria.
No fim das contas, o grande legado para o Brasil será extra-campo, não há como negar. A situação chegou num ponto insustentável, a má administração sequer estava disfarçando os seus problemas, ou por estar enrolada demais ou também porque não queria mesmo, uma vez que ninguém nunca faz nada contra. Mas o povo deu a resposta, e todos esperam que a partir de agora as coisas mudem. Com rapidez, mas também de forma efetiva, nada de tapar buracos de qualquer jeito. O trabalho que ocorre em todo o país de melhorias na infraestrutura chegou ao povo, que foi às ruas, e deve chegar à esfera política agora: é hora dos eleitos arregaçarem as mangas e trabalharem por um país melhor para o povo, mais justo e com serviços públicos de qualidade.

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