terça-feira, 11 de junho de 2013

Nós somos os culpados

Por Diego Ferreira Pheula

As recentes manifestações contra o Deputado Federal/pastor evangélico Marco Feliciano, Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, e contra o Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, trouxeram à tona inúmeras discussões sobre os referidos políticos, por conta de suas biografias polêmicas, e também uma pergunta que ainda não foi feita: se estes parlamentares são abominados pelo povo, por que foram eleitos para cargos tão importantes?

O deputado/pastor Feliciano, acusado de ser racista e homofóbico, que disse que os “africanos eram amaldiçoados”, foi alvo de diversas manifestações por ter sido escolhido para ser o Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, o que é um paradoxo, ao que tudo indica, pois se esta Comissão visa à proteção de grupos raciais e étnicos menos favorecidos, deveria contar com alguém que os defenda, não com um indivíduo declaradamente preconceituoso. Apesar de tudo isso, o deputado/pastor foi o evangélico com maior número de votos no país e o 12° entre os 70 deputados eleitos por São Paulo, recebendo 211 mil votos nas eleições de 2010.

Já o Senador Renan Calheiros, que já foi Presidente do Senado Federal do Brasil de 2005 até 2007, renunciou ao cargo, após várias denúncias de corrupção contra si. Ao todo, houve seis representações no Conselho de Ética do Senado do Brasil, por seus pares, pedindo a cassação de Renan. Inexplicavelmente, nas eleições parlamentares de 2010, Renan Calheiros foi eleito Senador pelo estado de Alagoas e, posteriormente, escolhido para ser novamente Presidente do Senado a partir deste ano.

Podem ser citados ainda outros políticos ilustres alvos de críticas e eleitos democraticamente, como José Sarney, que ocupa o cargo eletivo de Senador desde 1991, mesmo sendo apontado como um dos maiores representantes do coronelismo no Brasil; Fernando Collor de Mello, que, após ser afastado da Presidência da República pelo processo de impeachment, envolvido em vários casos de corrupção, foi eleito Senador por Alagoas; e, por fim, Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito Presidente de República apenas 1 ano depois de eclodir o escândalo do Mensalão, embora havendo inúmeros indícios de que comandou o esquema de corrupção.

As campanhas feitas contra políticos, como a feita contra o deputado Feliciano pela internet denominada Feliciano não me representa, denotam uma enorme contradição em relação à atitude dos próprios eleitores, pois aqueles (os políticos) não ingressaram em seus respectivos cargos por concurso público nem pela via pelo direito hereditário (o que só acontece em monarquias), mas sim pelo voto direto, pela vontade do eleitor.

Dessa forma, pode-se concluir que, à vista da biografia dos mencionados parlamentares, que ajudaram a transformar o Brasil em um dos países mais atrasados do mundo, até hoje apontado como sinônimo de corrupção e impunidade, eles não são os únicos responsáveis por esta calamidade, sendo até injusto responsabilizá-los isoladamente.

A verdade é que nós (eleitores) somos os culpados, nós que votamos mal, votamos em troca de dinheiro, emprego, comida ou até de benefícios assistenciais (Bolsa Família), enfim, de acordo com nossos interesses particulares, e não votamos com o coração, pensando no bem coletivo, na vontade geral, naquilo que é mais favorável à sociedade.

A situação atual do Brasil, um país com milhões de analfabetos, com saúde e educação deficitárias, com imensa dívida interna e externa, com inúmeros impostos e sem a prestação de serviços públicos de forma digna, antro de corrupção, sem estrutura, que se vangloria de falsas conquistas e de pseudo-avanços, é responsabilidade exclusivamente do povo eleitor, que continua votando com a barriga, e não com a cabeça.

Enquanto permanecer a cultura do toma lá da cá, do voto de favor em vez do voto de opinião, nada se alterará, continuando as velhas estruturas do país a tomar conta do país, caracterizadas pelo jeitinho brasileiro e pela lei da vantagem, que transformaram o Brasil num país onde as pessoas mais valorizadas são as que “vencem na vida” através de vantagens ilícitas, de fraudes, prejudicando outros, se for preciso, sem se preocupar com as consequências de seus atos.

A única coisa que fará com que as mudanças no país sejam implementadas é uma transformação dentro das pessoas, em suas índoles, em sua moral, em sua forma de pensar o mundo, de pensar mais no coletivo e menos no individual, de pensar que uma nação cresce e se faz com o trabalho de todos em prol de todos, e não em favor de alguns poucos. Mas isso só será alcançado com uma profunda transformação na sociedade brasileira a ser iniciada pelo próprios brasileiros, processo que deve demorar anos ou séculos, não sendo uma tarefa nada fácil. Será que um dia conseguiremos?

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