domingo, 30 de junho de 2013

A vitória do velho jeito de fazer futebol

Fred (2) e Neymar fizeram os gols da vitória brasileira.
Foto: Reuters/Globoesporte 
A primeira coisa que deve ser dita sobre o 3 a 0 do Brasil na Espanha é que foi plenamente merecido. Dentro de campo, o time de Felipão patrolou o de Vicente Del Bosque: na vontade, na técnica, na motivação, na sorte, em todos os sentidos. Mas foi uma vitória do velho jeito de jogar futebol: com um gol no início, no abafa; com muita catimba e provocação, especialmente no primeiro tempo; com marcação forte, mas por vezes violenta e impune. É o que Felipão sabe fazer e o que ele colocou em campo. Um especialista em unir o grupo, em fazer os atletas correrem atrás de cada bola como se fosse a última gota de água no deserto. Isso serve em competições de mata-mata, como a Copa das Confederações e o Mundial do ano que vem. A mudança de futebol, a reconstrução brasileira, não virá. Felipão é treinador para tiro curto, ele mesmo já anunciou que deve sair após o Mundial. Serve para usar os artifícios mais rápidos que podem levar a vitória, e é exatamente o retrato de como o futebol brasileiro atual funciona. Os treinadores são pagos para vencerem a qualquer custo. Não deu, estão fora. O trabalho, o planejamento, a filosofia de futebol, aqui não é levado em conta, para o Brasil não serve. Os espanhóis tocam a bola, os alemães têm força e velocidade, os italianos eram considerados bons defensores, e os brasileiros são moldados para ganharem de qualquer jeito. Para quem gosta de vencer, serve, mas será o suficiente para uma seleção com o potencial de um país como o Brasil?

Deve se reconhecer que o Brasil encarou a Espanha do jeito certo. Não deu a bola e ficou defendendo dentro da área; pelo contrário, pressionou a Fúria na saída de bola, jogou em velocidade, no contra-ataque, no erro do adversário. Fez um gol cedo e não recuou; continuou em cima, pressionou, foi chato na marcação e fez o segundo no fim do primeiro tempo. Na volta do intervalo, esperava que Del Bosque fosse tentar algo novo, mas não. Ele apenas tirou o amarelado Arbelo e colocou Azpilicueta. Como castigo, levou o 3 a 0. Depois da expulsão de Piqué, foi só esperar o tempo passar para comemorar a vitória.

Um capítulo à parte foi a sorte e a estrela do Brasil na Copa das Confederações inteira e especialmente nessa partida final. Fred fez um gol caído no chão com um minuto de partida; no fim do primeiro tempo, o Brasil conseguiu o segundo com Neymar, ampliando a vantagem que já era bem controlada na etapa inicial. A única chance espanhola no primeiro tempo, em um contra-ataque quase perfeito, David Luiz salvou em cima da linha. No segundo tempo, Fred fez o terceiro antes que a Fúria pudesse esboçar uma reação, e Sérgio Ramos errou um pênalti bobo cometido, sim, por Marcelo. Júlio César ainda pegou dois chutes cruzados de dentro da pequena área. Por tudo isso e pelo que fez em campo, não tinha como o Brasil perder.

Outro ponto a ser observado, embora não tenha sido decisivo para o resultado, foi a arbitragem. O Brasil foi favorecido em toda a competição, inclusive na final. Cavou muitas faltas, como a do gol de Neymar contra a Itália; no jogo desse domingo, Oscar cavou uma na entrada da área, inclusive gerando um cartão amarelo para Sérgio Ramos. O pênalti de Marcelo foi bem marcado, assim como a expulsão de Piqué, embora Neymar tenha driblado para o lado oposto ao gol; ainda assim, ia sair cara a cara com Casillas não fosse a intervenção do camisa 3 espanhol. A Seleção de Felipão fez muitas faltas, e não foi punida pelo rodízio. Daniel Alves, um dos zagueiros e Oscar deveriam ter recebido amarelo ainda no primeiro tempo pelo excesso de faltas. Thiago Silva e David Luiz se revezaram parando Fernando Torres antes que ele dominasse a bola, e um deles merecia uma advertência. Os rivais reclamaram muito, é verdade, mas também  têm uma boa dose de razão.

Se o objetivo é vencer, a Seleção está no caminho. Felipão armou um time competitivo, capaz de concorrer com a melhor seleção do mundo e fazer 3 a 0. Mas a volta da hegemonia brasileira como equipe que impõe um jeito de jogar, isso parece que não virá tão cedo. Goste ou não, a Espanha tem convicção no seu "tique-taque", que também é efetivo, rendeu duas Eurocopas e um Mundial. E na Copa o nível será mais difícil antes de uma final (que também poderia ser com a Espanha), com a vinda de equipes do nível de Alemanha, Holanda e Argentina. Algumas dessas equipes jogarão como o Brasil, no erro do adversário. E a nossa Seleção terá o peso de ser anfitriã, embora ganhe um fôlego extra pelo apoio das arquibancadas. Enfim, a esperança da torcida em vencer voltou, uma pena que não possamos comemorar a imposição do jeito brasileiro de ganhar. A Seleção venceu pela filosofia de ganhar a qualquer custo, usando métodos antigos do futebol, que ainda dão certo, embora cada vez mais raramente. Fica a imagem de que "o que vale para o Brasil é ganhar, jogar bom futebol fica para os outros".

A estranha demissão de Luxa e os novos desafios do "velho" Koff

Koff "herdou" Luxa do seu concorrente Odone
e aguentou o treinador até a metade desse ano.
Foto:Lucas Uebel/Grêmio 
Causa muita estranheza a demissão de Vanderlei Luxemburgo do comando técnico do Grêmio. Não há nenhum motivo que se possa afirmar como causador da demissão; com certeza, esta é uma situação que só quem vive os bastidores mais íntimos do clube pode dizer o que houve. Embora os resultados do treinador não fossem espetaculares, a sua permanência foi garantida após a queda na Libertadores, e o início de Brasileirão era razoável. Fábio Koff não iria esperar o fim da pausa para a Copa das Confederações para demitir Luxa, sendo que poderia ter feito no início e dar tempo para o novo comandante ajustar a equipe. Ele também não precisaria demitir Luxa na manhã de um jogo amistoso, pois sabe o desvio de foco que isso causa. E o treinador saiu de Porto Alegre em silêncio, logo ele, um especialista em media training, em dar a volta nos jornalistas. Ou seja: algo aconteceu entre sexta-feira e sábado, e não foi pela parte técnica, embora o time tenha deixado a desejar neste ano, que Luxa caiu.

Luxemburgo já foi um treinador espetacular, e hoje ainda o considero um dos melhores no futebol brasileiro. Está longe do que já foi um dia e é muito caro, é verdade, mas é um nome de respeito. Talvez a parte financeira tenha pesado nesse momento; contudo, se pensarmos por aí o Grêmio deveria devolver Vargas ao Napoli/ITA e colocar Barcos, Welliton e outros à venda, logo, não imagino que isso tenha pesado tanto. A ausência de bons nomes no mercado talvez fosse o que mais jogava a favor da sua permanência. Renato é o nome óbvio, Roger já fez bons jogos, mas não tem experiência, Mano acabou de acertar com o Flamengo... Acho que a experiência com Roger seria interessante, mas não nesse momento, em que o Grêmio tem um grupo com muitos medalhões. Dificilmente Roger teria jogo de cintura para lidar com todos, embora esteja há mais de um ano aprendendo a fazer isso com Luxa. Renato também não tem bruxos no vestiário, o que complica um pouco as coisas. Nesse ano, Luxa parece ter perdido a mão com os jogadores, e o desafio do Grêmio é achar alguém que consiga fazer o time jogar, mas também administre a feira das vaidades que se tornou o vestiário. Algo muito complicado de se fazer, quase tanto quanto renegociar o contrato com a OAS. São os novos desafios para o velho presidente Koff. Será que ele imaginou tantos problemas quando resolveu se candidatar novamente a presidência do clube?

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O legado da Copa das Confederações

A Copa das Confederações deixa grandes lições para o Brasil. Fora de campo, especialmente, a população deu um show saindo às ruas para reivindicar uma vida melhor, após ver tanto dinheiro gasto na realização do evento. E para a Copa do Mundo no ano que vem, muito mais será gasto, mais 6 estádios deverão estar prontos, e ao invés de 7 seleções visitantes, virão 31, ou seja, diversas cidades do país estarão lotadas de turistas. 

Foto: Douglas Freitas
Dentro de campo, a equipe de Felipão evoluiu. Acertou uma escalção-base, está conseguindo marcar muitos gols, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. A geração de Oscar, Lucas, Neymar e Bernard talvez só esteja pronta para vencer a Copa em 2018. Ainda assim, o futebol é uma "enorme" caixinha de surpresas, e até mesmo uma vitória contra a toda poderosa Espanha no próximo domingo, na final das Confederações, é algo plenamente possível.

Espanha e Brasil chegam à competição em momentos distintos. Os atuais campeões mundiais vêm numa curva descendente. Sufocaram o Uruguai no primeiro jogo e patrolaram o Taiti na segunda rodada, mas tiveram dificuldades contra Nigéria e Itália, tanto que só eliminaram a Azurra nos pênaltis. Já a seleção anfitriã venceu Japão e México sem grandes exibições, fez uma partida muito séria contra a Itália e mostrou raça extra para superar o Uruguai. O nível do time tem melhorado, apesar das dificuldades, especialmente defensivas. Se a zaga do Brasil foi o destaque do time nas últimas Copas, em 2002, 2006 e 2010, sendo parcialmente inocentada nos vexames, o mesmo não se pode dizer da atual equipe.

E nem adianta tentar resgatar um dos medalhões, pois Lúcio e Juan, hoje, não mereceriam uma convocação pelo que fazem no São Paulo e no Inter, respectivamente. Há uma ressalva, entretanto: Júlio César também não mereceria ser chamado, mas foi por ser da confiança de Felipão. Como conhece o ambiente, tem sido destaque, inclusive pegando pênalti contra o Uruguai. Assim como alguns jogadores não conseguem desenvolver na seleção o que fazem nos clubes, outros estão acostumados ao ambiente e as vezes podem ser até melhores do que no seus clubes. Felipão conhece Lúcio e Juan, e talvez o primeiro, especialmente por levar vantagem na parte física, pudesse receber uma chance para ser o esteio da zaga. Thiago Silva e David Luiz no miolo da defesa não estão inspirando confiança, ainda mais com a avenida às costas de Marcelo. Os volantes estão sendo sobrecarregados, e embora sejam voluntariosos não conseguem carregar o sistema defensivo sozinhos. Por isso, Felipão tem cobrado participação de Oscar, Hulk e Neymar, que chamam a atenção pelo número de faltas cometidas no campeonato.

Entre as demais seleções que vieram ao país, o Japão já carimbou o passaporte para voltar. É uma equipe interessante, mas ainda longe de competir com as seleções mais tradicionais. Talvez passe de fase dependendo do seu grupo na Copa, mas é difícil imaginar a equipe nas quartas ou semifinais. O Taiti já foi eliminado na Oceania, o que pouco importa, pois entrou para a história e com certeza aproveitou a sua viagem ao Brasil. O Uruguai está a perigo nas Eliminatórias, e o futebol apresentado mostra o porquê. Falta fôlego e criatividade no meio-campo para abastecer o ótimo ataque. Ramíres, Cristian Rodríguez e até mesmo Forlán não são meias organizadores, a equipe também não tem volantes armadores, alguém com as características (não a qualidade, a característica) de um Pirlo ou de um Hernanes. A Itália realiza um bom trabalho de reconstrução, e sofreu mais do que outras equipes com os problemas físicos do final de temporada. Mas pode fazer uma boa Copa, brigando com os favoritos, sem ser um deles. Nigéria e México podem voltar ao Brasil em 2014; contudo, são equipes medianas, um pouco menos ingênuas do que o Japão, mas ainda sem qualidade suficiente para surpreender e chegar entre os 8 melhores da Copa. E a Espanha está pronta; se tiver um dos atacantes com a mira afiada na Copa, será muito difícil de derrotar a Fúria.

No fim das contas, o grande legado para o Brasil será extra-campo, não há como negar. A situação chegou num ponto insustentável, a má administração sequer estava disfarçando os seus problemas, ou por estar enrolada demais ou também porque não queria mesmo, uma vez que ninguém nunca faz nada contra. Mas o povo deu a resposta, e todos esperam que a partir de agora as coisas mudem. Com rapidez, mas também de forma efetiva, nada de tapar buracos de qualquer jeito. O trabalho que ocorre em todo o país de melhorias na infraestrutura chegou ao povo, que foi às ruas, e deve chegar à esfera política agora: é hora dos eleitos arregaçarem as mangas e trabalharem por um país melhor para o povo, mais justo e com serviços públicos de qualidade.

sábado, 22 de junho de 2013

A verdade sobre a PEC 37

Por Diego Ferreira Pheula

Muito se tem falado ultimamente sobre a Proposta de Emenda à Constituição n.º 37, popularmente conhecida como PEC 37, a qual, segundo algumas opiniões, suprimiria os poderes investigatórios do Ministério Público e incentivaria a impunidade no Brasil, principalmente em relação aos crimes relacionados à corrupção, interpretação que tem causado inúmeras manifestações, tanto favoráveis quanto contrárias, tendo o assunto sido levado à sociedade civil, motivo pelo qual mostram-se necessárias algumas considerações a respeito.

Antes de se chegar ao cerne da discussão, cabível a conceituação do que é investigação criminal, a qual pode ser definida singelamente como a atividade praticada tendente a desvendar a ocorrência e a autoria de um crime. Dito isso, é possível afirmar que, à vista da Constituição Federal, lei máxima que rege nosso país, o Ministério Público não possui poder para investigar crimes, podendo tão somente requisitar diligências investigatórias (art. 129), isto é, solicitar que a polícia proceda à determinada investigação e, com isso, produzir provas que serão utilizadas para condenar ou absolver um réu em um processo penal.

É evidente que o Ministério Público tem papel importante no combate ao crime, sendo instituição essencial à função jurisdicional, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica e da democracia, cabendo-lhe promover, privativamente, a ação penal pública quando tiver notícia da existência de algum crime e de seu autor, no entanto, reitera-se, não há nenhuma disposição constitucional autorizando o MP a investigar diretamente crimes, cabendo tal atividade à polícia.

Na realidade, o texto da PEC 37 apenas enfatiza que cabe às polícias civil e federal, privativamente, a apuração de infrações penais, o que, de nenhuma forma, pode ser interpretado como redução dos poderes do Ministério Público, sendo mantidos integralmente as suas funções institucionais.

O que não foi dito até agora é a verdadeira razão pela qual esta PEC foi proposta: o Ministério Público, em vários estados do Brasil, têm procedido a interceptações telefônicas (que ocorre quando há escuta de conversas telefônicas sem que as pessoas que estão falando saibam disso) sem autorização judicial e sem controle de nenhum órgão, violando a Lei de Interceptações Telefônicas (Lei n.º 9.296/96), a qual autoriza somente a polícia a proceder a tais atividades, sempre com autorização da justiça. Além de interceptar os telefonemas, o MP tem procedido à interceptação de e-mails também, devendo ser destacado que, segundo levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público, órgão fiscalizador do MP, já somam 17 as unidades do Ministério Público que possuem o sistema Guardião, o mesmo utilizado pela polícia para realizar as atividades de interceptação.

Dessa forma, é fácil concluir que uma instituição possuidora de aparelhamento apto para ouvir conversas telefônicas e ler e-mails de pessoas sem que estas saibam e sem fiscalização de nenhum órgão torna-se extremamente perigosa para um Estado Democrático de Direito, como é o caso do Brasil, pois o Ministério Público, ao interceptar telefonemas sem prestar contas para ninguém, poderá violar a privacidade dos cidadãos, utilizando um dispositivo usado para combater o crime para interesses próprios, o que não pode ser aceito de nenhuma forma.

Caso exista a pretensão de autorizar o Ministério Público a investigar crimes, este tema deverá ser discutido em conjunto com a sociedade, sendo necessário alterar, inicialmente, a Constituição Federal, mas, mesmo se isso acontecer, os abusos decorrentes dos poderes que esta instituição possui deverão ser combatidos, assim como o das demais instituições (Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, Defensoria Pública, etc), aumentando-se a fiscalização, permitindo que cada um exerça suas funções nos limites da lei. Se começar o MP a atuar de forma arbitrária e unilateral, sem respeitar os direitos dos cidadãos, principalmente o da privacidade, teremos um Estado Policialesco, e não um Estado de Direito, fato que explicaria, de certa maneira, a discussão que está ocorrendo em torno do teor da PEC 37.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Começo equilibrado

O primeiro ato do campeonato brasileiro foi marcado pelo equilíbrio. As principais equipes ainda não se mostraram nas primeiras 5 rodadas, o que não quer dizer que deixaram de ser favoritas. Atlético-MG e Corinthians venceram apenas uma vez, enquanto o Fluminense venceu três, mas perdeu duas. Botafogo e São Paulo largaram relativamente bem em termos de pontuação, assim como o Grêmio. Por outro lado, Santos, Flamengo e Internacional começaram mal; os dois primeiros inclusive já demitiram os treinadores, Muricy Ramalho e Jorginho, respectivamente, enquanto o Colorado desperdiçou pontos contra equipes fracas.

Por falar nos piores times, a Ponte Preta surpreende de certa forma. Perdeu 4 partidas em 5 disputadas, mas havia feito um bom Estadual e tinha a perspectiva de ficar pelo meio da tabela. Chegou a vencer o Flamengo, no RJ, mas perdeu 3 vezes em casa. É verdade que a tabela não ajudou, pois a Macaca encarou São Paulo, Corinthians e Botafogo, grandes clubes do futebol nacional. Náutico e Portuguesa também parecem candidatos ao Rebaixamento pelos times que apresentaram, embora a Lusa tenha tido atuações medianas.

Entre as surpresas estão os rivais Bahia e Vitória. O Tricolor venceu Botafogo e Inter, o Colorado em Caxias do Sul. Já do Leão se esperava um bom desempenho ao menos em casa, e foi o que a equipe apresentou. Triunfos sobre Atlético-PR e Vasco, além de um empate com o Inter. Fora de casa, ainda conquistou três pontos contra o Náutico.

Alex marcou seu gol 400 na carreira contra o Flu.
Foto: Geraldo Bubniak/Fotoarena
Coritiba e Criciúma também iniciaram o campeonato bem. O Coxa ganha moral por ser o líder durante a parada para a Copa das Confederações; no entanto, quando o Brasileirão voltar, a responsabilidade aumenta, pois a equipe será mais visada. O time não fez atuações tão boas quanto algumas do ano passado, mas conseguiu vencer Atlético-MG e Fluminense, em casa, com gols nos últimos minutos. Para animar ainda mais a torcida, o gol da vitória contra o Flu foi de Alex, mostrando que a equipe tem um craque capaz de desequilibrar grandes jogos a favor dos paranaenses.

A Dupla Gre-Nal decepcionou, especialmente o Inter. As atuações de ambos não foram desastrosas, embora tenham sido muito abaixo do que podem render. Os resultados do Grêmio até foram aceitáveis do ponte de vista da tabela, incluindo o empate com o São Paulo, na Arena, e a derrota para o Atlético-MG, em MG. Já o Colorado perdeu, em casa, para o Bahia, e apenas empatou com a Portuguesa. Mesmo tendo sido no Canindé, era jogo para 3 pontos.

COPA DAS CONFEDERAÇÕES

A competição serve como teste para o Brasil e para a Seleção Brasileira. Embora os adversários não levem a disputa tão a sério quanto os convocados de Felipão, México, Uruguai Itália e Espanha têm totais condições de fazerem grandes jogos; Nigéria e Japão podem complicar, enquanto o Taiti deve apenas fazer figuração. Mais importante do que vencer, é arrumar a equipe, dar um pouco mais de entrosamento como grupo e ritmo de competição para os jogadores, além de ter ganhar pontos com o torcedor, para chegar afinado com as arquibancadas na disputa do Mundial em 2014.

A preocupação para a Copa no Brasil talvez seja ainda maior do que foi com a competição na África do Sul. Em todo o país, a população tem se manifestado. Não fundamentalmente contra a disputa da Copa, mas por conta dos valores gastos, sendo que em muitas áreas mais vitais faltam investimentos. Os ônibus deixam a desejar, enquanto a passagem é cara; a inflação subiu, a cesta básica também, o SUS continua o mesmo martírio para se conseguir uma consulta, e o governo gasta 2 bilhões de reais para reformar o Maracanã, sendo que desconfigurou o Estádio. A Copa das Confederações será um teste em vários setores do país: para a equipe de Felipão, para a estrutura de recebimento dos turistas e delegações das seleções, e também para o comportamento do povo. Se a participação despertada, principalmente, na luta contra o preço abusivo das passagens de ônibus continuar crescendo, o ambiente do Mundial no ano que vem será bastante conflituoso. É bom para o país e irá nos ajudar a crescer, mas por outro lado vai tumultuar o desenvolvimento do Mundial.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Nós somos os culpados

Por Diego Ferreira Pheula

As recentes manifestações contra o Deputado Federal/pastor evangélico Marco Feliciano, Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, e contra o Senador Renan Calheiros, Presidente do Senado Federal, trouxeram à tona inúmeras discussões sobre os referidos políticos, por conta de suas biografias polêmicas, e também uma pergunta que ainda não foi feita: se estes parlamentares são abominados pelo povo, por que foram eleitos para cargos tão importantes?

O deputado/pastor Feliciano, acusado de ser racista e homofóbico, que disse que os “africanos eram amaldiçoados”, foi alvo de diversas manifestações por ter sido escolhido para ser o Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, o que é um paradoxo, ao que tudo indica, pois se esta Comissão visa à proteção de grupos raciais e étnicos menos favorecidos, deveria contar com alguém que os defenda, não com um indivíduo declaradamente preconceituoso. Apesar de tudo isso, o deputado/pastor foi o evangélico com maior número de votos no país e o 12° entre os 70 deputados eleitos por São Paulo, recebendo 211 mil votos nas eleições de 2010.

Já o Senador Renan Calheiros, que já foi Presidente do Senado Federal do Brasil de 2005 até 2007, renunciou ao cargo, após várias denúncias de corrupção contra si. Ao todo, houve seis representações no Conselho de Ética do Senado do Brasil, por seus pares, pedindo a cassação de Renan. Inexplicavelmente, nas eleições parlamentares de 2010, Renan Calheiros foi eleito Senador pelo estado de Alagoas e, posteriormente, escolhido para ser novamente Presidente do Senado a partir deste ano.

Podem ser citados ainda outros políticos ilustres alvos de críticas e eleitos democraticamente, como José Sarney, que ocupa o cargo eletivo de Senador desde 1991, mesmo sendo apontado como um dos maiores representantes do coronelismo no Brasil; Fernando Collor de Mello, que, após ser afastado da Presidência da República pelo processo de impeachment, envolvido em vários casos de corrupção, foi eleito Senador por Alagoas; e, por fim, Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito Presidente de República apenas 1 ano depois de eclodir o escândalo do Mensalão, embora havendo inúmeros indícios de que comandou o esquema de corrupção.

As campanhas feitas contra políticos, como a feita contra o deputado Feliciano pela internet denominada Feliciano não me representa, denotam uma enorme contradição em relação à atitude dos próprios eleitores, pois aqueles (os políticos) não ingressaram em seus respectivos cargos por concurso público nem pela via pelo direito hereditário (o que só acontece em monarquias), mas sim pelo voto direto, pela vontade do eleitor.

Dessa forma, pode-se concluir que, à vista da biografia dos mencionados parlamentares, que ajudaram a transformar o Brasil em um dos países mais atrasados do mundo, até hoje apontado como sinônimo de corrupção e impunidade, eles não são os únicos responsáveis por esta calamidade, sendo até injusto responsabilizá-los isoladamente.

A verdade é que nós (eleitores) somos os culpados, nós que votamos mal, votamos em troca de dinheiro, emprego, comida ou até de benefícios assistenciais (Bolsa Família), enfim, de acordo com nossos interesses particulares, e não votamos com o coração, pensando no bem coletivo, na vontade geral, naquilo que é mais favorável à sociedade.

A situação atual do Brasil, um país com milhões de analfabetos, com saúde e educação deficitárias, com imensa dívida interna e externa, com inúmeros impostos e sem a prestação de serviços públicos de forma digna, antro de corrupção, sem estrutura, que se vangloria de falsas conquistas e de pseudo-avanços, é responsabilidade exclusivamente do povo eleitor, que continua votando com a barriga, e não com a cabeça.

Enquanto permanecer a cultura do toma lá da cá, do voto de favor em vez do voto de opinião, nada se alterará, continuando as velhas estruturas do país a tomar conta do país, caracterizadas pelo jeitinho brasileiro e pela lei da vantagem, que transformaram o Brasil num país onde as pessoas mais valorizadas são as que “vencem na vida” através de vantagens ilícitas, de fraudes, prejudicando outros, se for preciso, sem se preocupar com as consequências de seus atos.

A única coisa que fará com que as mudanças no país sejam implementadas é uma transformação dentro das pessoas, em suas índoles, em sua moral, em sua forma de pensar o mundo, de pensar mais no coletivo e menos no individual, de pensar que uma nação cresce e se faz com o trabalho de todos em prol de todos, e não em favor de alguns poucos. Mas isso só será alcançado com uma profunda transformação na sociedade brasileira a ser iniciada pelo próprios brasileiros, processo que deve demorar anos ou séculos, não sendo uma tarefa nada fácil. Será que um dia conseguiremos?

sábado, 8 de junho de 2013

Duelo de copa

Foto: Fifa.com/AFP
Argentina e Colômbia fizeram um bom jogo no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Apesar do placar de 0 a 0, as equipes mostraram solidez defensiva e boas alternativas de ataque. No segundo tempo, a partida foi um pouco prejudicada pela expulsões do colombiano Zapata e do argentino Higuaín. Com 10 em campo, as equipes se resguardaram e arriscaram menos na etapa final. Os colombianos não se intimidaram e fizeram uma partida muito boa, atacando sempre que tinham a bola. Os laterais Zuniga e Armero apoiam muito bem; o meio-campo Cuadrado se revezava apoiando pela direita e pela esquerda, e Falcão García estava no ataque, saindo para tabelar e incomodando os zagueiros. Quando uma equipe joga fora de casa, não pode apenas se defender. É normal haver uma precaução maior, até porque o adversário provavelmente terá mais ímpeto pelo apelo da torcida na arquibancada; mas equipes que se limitam a não levar gols e ficam à mercê de um lance esporádico para fazerem um gol não merecem sucesso. Os argentinos mostraram limitações na criação. Montillo e Di María atuaram muito abertos, os volantes Mascherano e Biglia (substituto de Gago, atua no Anderlecht/BEL) apoiaram pouco, assim como os laterais Zabaleta e Rojo (que é zagueiro de origem). Com Messi no banco por ainda não estar 100% fisicamente, Aguero e Higuaín ficaram isolados. No segundo tempo, o camisa 10 do Barcelona/ESP entrou e provocou lances de perigo. Contudo, ficou nítido que Messi ainda não está bem. A alternativa de criação poderia ser Pastore, do PSG/FRA, mas ele sequer foi convocado pelo técnico Sabella.

BRASILEIRÃO

O campeonato nacional ainda está engrenando. O equilíbrio tem sido a marca dos jogos, e as principais equipes não conseguiram mostrar sua força. Embora a reta final do campeonato vá decidir muitas coisas, os pontos conquistados agora também são importantes. É uma obviedade dizer que todos os jogos valem os mesmos três pontos, mas a afirmação faz muito sentido. Algumas equipes valorizam mais e se doam mais em determinados jogos, especialmente clássicos e duelos mais difíceis. Contudo, os pontos perdidos para equipes pequena por desatenções e bobeadas, em muitos casos fazem muita falta no final do campeonato.

Com base nisso, a campanha do Inter está sendo bastante prejudicada com os resultados da equipe. Pior mesmo são as atuações do time de Dunga. A derrota em casa para o Bahia e o empate com a Portuguesa tem muito para serem lamentados. Já o Grêmio de Luxemburgo fez bons jogos em casa contra equipes médias/fracas, Náutico e Vitória, e contra o Santos, na Vila, conquistou um ponto. O Tricolor pode melhorar muito; embora esteja pontuando, o que é muito importante, as atuações não empolgam a torcida para a disputa do título. O torcedor Colorado está mais preocupado. O Inter não é candidato ao Rebaixamento, de forma alguma, mas as atuações do início do Brasileirão lembram o time do ano passado, que ficou longe do G-4. 

 A parada para a Copa das Confederações será fundamental para as equipes que iniciaram mal o campeonato. Servirá para recuperar os atletas fisicamente, contratar e entrosar novos jogadores. No começo de julho, veremos de forma mais clara quem é quem. Quais equipes irão brigar por título, quais as surpresas, quem vai lutar contra o Rebaixamento. Antes da pausa tem jogos pela quinta rodada nesse sábado e quarta-feira, além das partidas atrasadas entre Atlético-MG x Grêmio e Portuguesa x Fluminense.

A CULPA É SEMPRE DO TÉCNICO (?)

O técnico Jorginho foi demitido do Flamengo. A pressão estava grande, mas ao contrário do que eu imaginava, a nova diretoria não está tão afim de reorganizar a casa. Jorginho conhece o clube e é um bom nome para trabalhar com equipes médias/ruins, o que é o caso do Flamengo. O time foi muito bem na primeira rodada contra o Santos, que jogou muito mal, é verdade, mas isso não tira o mérito dos cariocas. As derrotas em casa para Náutico e Ponte Preta com certeza geraram revolta, mas a derrota fortalece o time, desde que as lições corretas sejam aprendidas. No fim das contas, os resultados vitimaram Jorginho e podem provocar a queda do diretor de futebol Paulo Pelaipe. O recado aos jogadores é que eles podem perder que nada irá acontecer. Reforços de qualidade não vêm, quem paga a conta sozinho é o técnico. A diretoria rubro-Negra ignora o fato de que projetos de 2,3 meses têm menores condições de dar certo, é preciso confiar nas suas escolhas, ter paciência, dar tranquilidade para o técnico e o grupo trabalharem. A diretoria tinha que segurar o rojão, pedir compreensão ao torcedor e buscar reforços. Atirando Jorginho na fogueira, o clube com certeza dá um passo atrás na busca de melhores resultados na temporada.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Tropeço Duplo

Foto: Ricardo Rimoli/LANCE!Press
A Dupla Gre-Nal tropeçou nessa rodada. Em cenários diferentes, ambos desperdiçaram 3 pontos importantes. O Inter foi derrotado no Centenário pelo Bahia, 2 a 1; já o Grêmio empatou com o Santos na Vila Belmiro, 1 a 1. Embora o Colorado tenha perdido pontos em casa contra um adversário fraco, ao menos o Bahia fez uma boa partida e mereceu vencer. O Tricolor jogou fora de casa, mas pegou um arremedo de adversário que em momento algum no jogo ameaçou a meta de Dida. É verdade que o pênalti de Souza foi polêmico e levanta dúvidas, que sempre irão existir enquanto a regra falar em intenção de colocar a mão na bola. Se vamos levar a intenção em consideração, um vidente terá que apitar os jogos para decifrar o que os atletas estão pensando de verdade.

Foto: Guilherme Dionizio/Gazeta Press
Mas o lance não apaga a fraca atuação da equipe de Luxemburgo, que não tem ambição. Começa bem, controla o jogo, eventualmente faz um gol e senta na vantagem.O Bahia deu o exemplo, ontem: mesmo com todos os seus problemas, fez 1 a 0 e depois foi lá e fez mais um, matou o jogo. Foi correto, pois logo depois do segundo gol, Forlán descontou e recolocou o Inter no jogo. Havia tempo para o Colorado tentar o empate e a vitória, faltou inspiração ao time de Dunga. Mas se o Bahia tivesse sentado no 1 a 0, fatalmente teria sofrido o empate ou até mesmo a virada.

No campeonato brasileiro, os mandantes levam vantagem, é um fato. As equipes precisam vencer o máximo de jogos em casa e buscar eventuais vitórias para recuperar pontos perdidos em seus domínios. O Inter perdeu como mandante para o Bahia; terá que buscar uma vitória num jogo teoricamente "perdível", contra um Fluminense, no RJ, ou um São Paulo, no Morumbi. Já o Grêmio conquistou um ponto contra o Santos, que em diversas circunstâncias seria muito bem vindo, mas não hoje, não no atual momento do Peixe e da forma como foi a partida, com o Tricolor dominando as ações.

No meio de semana, o Tricolor recebe o embalado Vitória na Arena. É uma equipe que largou bem, mas ainda não saiu do Nordeste. Empatou com o Inter após abrir 2 a 0, se mostrando um time bipolar; venceu o Náutico, em PE, e o Vasco, em Salvador, ou seja, dois times fracos. Já o Inter viaja a SP para encarar a Portuguesa. Ótima oportunidade para o time de Dunga se recuperar, pois a Lusa muito provavelmente será candidata a Rebaixamento nesta temporada. Mas o Colorado precisa melhorar, especialmente no seu sistema defensivo. Até agora, o Inter enfrentou Vitória, Criciúma e Bahia, os dois últimos em casa. Empatou, ganhou e perdeu, respectivamente; fez 5 gols e levou 4. São apenas três rodadas, mas resultados ruins contra adversários de menor expressão com relação aos demais times do campeonato.

MELHOROU, MAS...

O Brasil, enfim, melhorou sob o comando de Felipão, especialmente no primeiro tempo do empate contra a Inglaterra, 2 a 2, na reabertura do Maracanã. Mas, convenhamos, não teve adversários nos 45 minutos iniciais. Os ingleses entraram em campo pensando na praia e no Cristo, apenas defenderam a entrada da área. Ainda assim, o Brasil não marcou. Na volta do intervalo, Hernanes entrou muito bem; foi no rebate de um chutaço seu que Fred abriu o placar. Em chutes de fora da área, um deles contando com desvio no zagueiro (porque quando a fase não é boa, nada ajuda), os ingleses viraram. E, no abafa, com um golaço de Paulinho, o Brasil evitou nova derrota, pois em fevereiro, na estreia de Felipão, havia perdido para os ingleses.

O próximo desafio é dia 09/06, na Arena do Grêmio, contra a França. Será a última oportunidade para Felipão ajustar a equipe em amistosos antes da estreia na Copa das Confederações, dia 15/06, contra o Japão. O Brasil não terá adversários fáceis. As piores equipes do torneio, Taiti e Nigéria, ficaram na chave da campeã mundial Espanha. O Japão vive bom momento, ainda tentando decolar mundialmente, enquanto o México é uma eterna toca da Seleção. A Itália tenta se reerguer, mas já quase derrotou o Brasil esse ano. Se não melhorar, especialmente na defesa, o time de Felipão corre sério risco de ficar pelo caminho já na primeira fase.

ADEUS, AFLITOS

Fui pego de surpresa nesse final de semana com a notícia do adeus ao estádio dos Aflitos. A despedida foi no domingo, na partida entre Náutico e Portuguesa, que terminou 2 a 2. O Timbú passará a jogar na Arena Pernambuco, construída para a Copa das Confederações e o Mundial do ano que vem. Escolhido pelos próprios jogadores como um dos piores gramados da Série A, os Aflitos eram o grande reduto de pontos da equipe pernambucana. No Brasileirão do ano passado, por exemplo, das 14 vitórias do Náutico, 13 foram em casa. O clube permaneceu na Série A até com certa tranquilidade por conta destes pontos.

Mas as novas Arenas estão chegando. O torcedor é obrigado a se acostumar, os jogadores são obrigados a se adaptarem, enfim, até uma equipe estabelecer aquela química com o local, ainda levará uns anos. Uma nova história de glórias e insucesso será construída. No Sul, o Grêmio deu adeus ao Olímpico; em São Paulo, Palmeiras e Corinthians terão estádios novos. Alguns lugares tiveram a sorte de serem reformados, como o Maracanã, o Mineirão e a Fonte Nova. São estádios modernizados, mas que continuam ali, numa base já criada, sem apagar a história e ter que construir uma nova. É a mesma identidade, mas com uma roupa diferente. São os novos tempos, tudo em nome da Copa do Mundo.