quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O futebol e seus mitos

Reta final de campeonato é sempre a mesma história: mala preta (para entregar um jogo) pode? E a mala branca, que "estimula" uma equipe desinteressada a vencer?

Essa é uma das muitas discussões que a imprensa usa para rechear os cadernos esportivos. Que tipo de pessoa maldosa apoiaria a ação de dar dinheiro para uma equipe perder? Além de ser anti-ético, existem ainda outras complicações. Que clube iria negociar com essa equipe que compra resultados? Qual a credibilidade desta instituição? A própria torcida, provavelmente, não veria a atitude com bons olhos.

A mala branca, geralmente, é aceita pelos atletas como "incentivo". Mas, dependendo do ponto de vista, ela pode ser contestada. O jogador recebe seu salário mensal para atuar em todas as partidas do campeonato. Essa história de motivar atleta para entrar em campo é uma das maiores besteiras do futebol. A motivação é o dinheiro na conta. Por isso o atraso de salários é um erro gravíssimo dos clubes, já que, a partir do momento em que não cumprem com a sua obrigação, dão margem para que o atleta faça o mesmo. Voltando ao raciocínio: se o jogador é pago para jogar até o fim do campeonato, porque a mala branca, que estimula um time a vencer, é aceita por boa parte dos atletas?

Assim como um dirigente é mal caráter ao oferecer dinheiro para um clube perder, o jogador também é ao aceitar um "incentivo" financeiro para ganhar um jogo. Ele já não é pago pelo seu clube? Pois então respeite a camisa e o torcedor e jogue para valer sempre.

A ética e o respeito estão cada vez mais distorcidos no futebol. Amor ao clube não é beijar o escudo ao comemorar um gol ou puxar o saco da torcida. Amor ao clube é ter respeito pela instituição e jogar sempre no seu limite. A resposta se dá nos jogos, dentro de campo; no dia a dia dos treinos. E não com gestos e atitudes sugeridas pelo empresário. Isso é apenas um golpe de marketing.

É por isso que algumas pessoas são tão queridas por onde passam e outras não deixam saudade. O torcedor pode até ser ludibriado por um tempo, mas ele sabe reconhecer o jogador marketeiro. Só para ficar em um exemplo: Diego Souza. Foi ídolo no Grêmio durante a sua passagem em 2008. E o clube fez das tripas coração para pagar o que o Benfica queria. Ainda assim ele preferiu ir para o Palmeiras, que teria oferecido um sálario maior, além da vitrine natural que é atuar em São Paulo.

Vejam bem: não estou aqui dizendo que Diego Souza é mau caráter. Há lógica em ir para um clube do centro do país e que paga melhor. Mas, se você é este tipo de jogador, então não beije o escudo e não declare amor ao clube.

Hoje em dia, alguns técnicos ganham tanto e são tão respeitados por isso. Muricy Ramalho teve o salário aumentado ao receber um convite para a Seleção; o contrato de Mano Menezes foi renovado mesmo após a eliminação do Corinthians na Libertadores. Ney Franco continou no Coxa após cair com o clube para a Série B. Enfim, os bons exemplos ainda existem, mas, infelizmente, não com a frequência que o futebol mereceria.

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