segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Indefinições e polêmicas...

O Brasileirão deste ano está fazendo força para derrubar os palpiteiros. Na reta final do campeonato, então, só louco para arriscar alguma coisa. A rodada 35 não foi diferente do resto da competição: ocorreram surpresas, como o empate entre Flu x Goiás, arbitragens polêmicas, jogos fracos, outros um pouco melhores...

A 35ª rodada começou na quarta-feira. Ceará e Botafogo empataram em 2 a 2 no Castelão (CE). Magno Alves e Geraldo marcaram para o Vozão; Loco Abreu fez dois do Alvinegro. O resultado mantém o Botafogo na luta por uma vaga na Libertadores; o Ceará "briga" apenas por Sul-Americana. O que mais chamou a atenção nessa partida foi o fato de ela ter ocorrido na quarta-feira. Os atletas do Botafogo reclamaram, com razão, de cansaço. Vejo que os cariocas foram prejudicados, pois o clube briga por vaga à Libertadores e teve menos tempo que os adversários para descansar. Em compensação, demorará mais para jogar a próxima partida (o que não faz tanta diferença). Faltando três rodadas para o fim da competição, seria melhor as equipes que lutam pela mesma coisa (título, libertadores ou rebaixamento) jogarem no mesmo horário. Em final de temporada, ter a metade do tempo para descansar entre um jogo e outro faz muita diferença.

No sábado, o Atlético-MG goleou o Flamengo por 4 a 1 e se manteve mais uma rodada fora do Z-4. O Galo ainda não escapou, mas vai se distanciando ponto a ponto do Rebaixamento, enquanto o Rubro-Negro carioca faz o caminho contrário (o Flamengo é 14º com 40 pontos; o Galo é o 15º, com 39; o primeiro time do Z-4 é o Avaí, com 37). Já passou da hora de ligar o "sinal de alerta" que os jogadores de futebol tanto falam. Ainda no sábado ocorreram outras duas partidas: o Santos, que não faz mais nada no campeonato, empatou sem gols com o Grêmio, ainda tentando chegar à Libertadores. Victor defendeu um pênalti e foi o herói da partida; Jonas deu uma cotovelada num adversário, ainda no 1º tempo, foi expulso e se tornou o vilão do jogo. Mais do que prejudicar a equipe no confronto contra o Peixe, o artilheiro do Brasileirão pode pegar um gancho (que seria merecido) e desfalcar a equipe no resto do campeonato.

O que realmente interessa?

A terceira partida do sábado merece uma atenção especial. Corinthians e Cruzeiro se enfrentavam no Pacaembú, em São Paulo. A partida estava 0 a 0 até que aos 42 do segundo tempo Ronaldo levou um tranco por trás, dentro da área, e caiu. Sandro Meira Ricci, do Distrito Federal, forte candidato a melhor apitador do campeonato, marcou pênalti. O próprio Ronaldo "Gordo/Fenômeno" bateu e converteu. Placar final: 1 a 0 Corinthians, novo líder. A Raposa segue na 3ª colocação.

Após o confronto, o pessoal do Cruzeiro fez uma gritaria sem tamanho. Tudo bem que a arbitragem vem errando a muito tempo no Brasil, mas não é gritando na imprensa que isso vai ser modificado. O clube mineiro deveria fazer um protesto formal, cobrando transparência nos critérios de escolha dos árbitros, reivindicando uma melhor formação dos profissionais... Simplesmente sair acusando todo mundo, ainda mais sem ter prova alguma de nada, não ajuda. Acaba parecendo apenas desculpa de perdedor. Esse é um primeiro ponto. Já sobre o que o Cruzeiro reclama, e não de que jeito ele fez esse protesto, aí sim, acho que existem coisas a serem observadas. Acho que o lance do pênalti sobre Ronaldo (foto) é de interpretação sobre a força do toque. Pela televisão, não consegui definir se o tranco de Gil foi mesmo forte como pareceu. Se Ronaldo valorizou, não foi pênalti; se ele só caiu daquele jeito porque levou um tranco forte, foi pênalti. A questão sobre a força do lance é difícil de ver pela televisão. Já que o árbitro estava encoberto por Ronaldo, talvez esse lance possa ter sido melhor visto pelo bandeira, que não se manifestou. Agora, uma dúvida fica no ar: aquele mesmo lance, se ocorresse a favor do Cruzeiro, no Pacaembú, aos 42 do segundo tempo, seria marcada a penalidade? Sinceramente, eu acho que não.

O Corinthians não tem nada com isso; o Cruzeiro vai ficar reclamando que foi lesado. Mas, se o clube mineiro perder esse campeonato, não vai ser só por esse lance, podem ter certeza. Assim como o Inter não perdeu em 2005 somente pelo pênalti não marcado em Tinga no fatídico jogo contra o... Corinthians, casualmente (ou não?) também no Pacaembú. No fim, acredito que o maior perdedor é o torcedor, não só das equipes prejudicadas pelas más arbitragens, mas todos nós. Um dos grandes jogos do campeonato, uma das muitas finais que os pontos corridos permitem, e não se lê uma vírgula sobre a partida nas entrevistas dos jogadores, nos comentários dos repórteres. É uma pena. Um grande campeonato, disputado ponto a ponto, e o que mais vai ficar marcado serão os inúmeros erros de arbitragem, alguns perdoáveis, outros não.

Flu tropeça; Furacão vence no finalzinho

No domingo, seis partidas completaram a 35ª rodada.

O Fluminense tropeçou no Goiás, jogando no Engenhão, e apenas empatou em 1 a 1. Rafael Moura abriu o placar para o Esmeraldino; Conca, em pênalti completamente inexistente marcado por Simon, empatou. Carlos Eugênio Simon (foto): um dos grandes árbitros da história do futebol brasileiro. Mas o que ele ainda faz apitando? Aos 45 anos, o gaúcho se despede dos gramados nesta temporada e vai sendo escalado para os principais jogos do campeonato. O problema é que ele não é mais o mesmo, sem falar que está tirando o espaço de árbitros promissores e melhores preparados (se é que ainda existe algum apitador de boa qualidade no Brasil). A repercussão do pênalti foi mínima se comparada ao que houve entre Corinthians e Cruzeiro. Isso porque o Goiás já está com um pé na cova e não chiou. Contudo, o lance a favor do Flu foi descaradamente mais mal marcado que o duvidoso lance a favor do Corinthians.

Três jogos valiam apenas para quem luta contra o Rebaixamento. O Inter, à espera do Mundial, fez uma partida muito abaixo e perdeu do Avaí, em casa, por 3 a 2. O resultado mantém os catarinenses vivos no Brasileirão. No Brinco de Ouro, em Campinas, o Guarani deu um importante passo rumo à Série B. Em duelo direto contra o Vitória, apenas empatou em 1 a 1. Faltando três rodadas, o Bugre joga duas vezes fora de casa e, se não conseguiu vencer o Leão Baiano, primeiro clube fora do Z-4, vai ganhar de quem? Já para o Vitória o resultado não foi dos piores, mas ainda não livra a equipe do perigo de cair para a 2ª Divisão. O Atlético-GO recebeu o Palmeiras e fez 3 a 0. A equipe de Felipão jogou com muitos reservas, poupando os principais jogadores para o confronto do meio de semana, contra o Goiás, jogo de ida pelas semifinais da Copa Sul-Americana. O Dragão deu um importante passo rumo a permanência na Série A, mas ainda não está totalmente salvo.

Em São Januário, Vasco e São Paulo empataram em 1 a 1. A partida valia a aproximação do Tricolor do Morumbi ao G-4. Agora, com o empate, os paulistas devem fazer companhia aos cariocas na próxima Sul-Americana. Na Arena da Baixada, o Atlético-PR sofreu, pressionou, conseguiu vencer e rebaixar o Grêmio Prudente. Faltando três rodadas, ou seja, 9 pontos a serem disputados, os paulistas estão a 12 pontos do 16º colocado e selaram seu destino rumo à Série B 2011 na noite deste domingo. Já o Furacão ultrapassou Botafogo e Grêmio e assumiu a 4ª colocação. Na próxima rodada, os parananenses fazem confronto direto pela última vaga à Libertadores (se o G-4 não virar G-3, vale lembrar) contra o Grêmio, em Porto Alegre.

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