A 35ª rodada começou na quarta-feira. Ceará e Botafogo empataram em 2 a 2 no Castelão (CE). Magno Alves e Geraldo marcaram para o Vozão; Loco Abreu fez dois do Alvinegro. O resultado mantém o Botafogo na luta por uma vaga na Libertadores; o Ceará "briga" apenas por Sul-Americana. O que mais chamou a atenção nessa partida foi o fato de ela ter ocorrido na quarta-feira. Os atletas do Botafogo reclamaram, com razão, de cansaço. Vejo que os cariocas foram prejudicados, pois o clube briga por vaga à Libertadores e teve menos tempo que os adversários para descansar. Em compensação, demorará mais para jogar a próxima partida (o que não faz tanta diferença). Faltando três rodadas para o fim da competição, seria melhor as equipes que lutam pela mesma coisa (título, libertadores ou rebaixamento) jogarem no mesmo horário. Em final de temporada, ter a metade do tempo para descansar entre um jogo e outro faz muita diferença.
No sábado, o Atlético-MG goleou o Flamengo por 4 a 1 e se manteve mais uma rodada fora do Z-4. O Galo ainda não escapou, mas vai se distanciando ponto a ponto do Rebaixamento, enquanto o Rubro-Negro carioca faz o caminho contrário (o Flamengo é 14º com 40 pontos; o Galo é o 15º, com 39; o primeiro time do Z-4 é o Avaí, com 37). Já passou da hora de ligar o "sinal de alerta" que os jogadores de futebol tanto falam. Ainda no sábado ocorreram outras duas partidas: o Santos, que não faz mais nada no campeonato, empatou sem gols com o Grêmio, ainda tentando chegar à Libertadores. Victor defendeu um pênalti e foi o herói da partida; Jonas deu uma cotovelada num adversário, ainda no 1º tempo, foi expulso e se tornou o vilão do jogo. Mais do que prejudicar a equipe no confronto contra o Peixe, o artilheiro do Brasileirão pode pegar um gancho (que seria merecido) e desfalcar a equipe no resto do campeonato.
O que realmente interessa?
A terceira partida do sábado merece uma atenção especial. Corinthians e Cruzeiro se enfrentavam no Pacaembú, em São Paulo. A partida estava 0 a 0 até que aos 42 do segundo tempo Ronaldo levou um tranco por trás, dentro da área, e caiu. Sandro Meira Ricci, do Distrito Federal, forte candidato a melhor apitador do campeonato, marcou pênalti. O próprio Ronaldo "Gordo/Fenômeno" bateu e converteu. Placar final: 1 a 0 Corinthians, novo líder. A Raposa segue na 3ª colocação.
Após o confronto, o pessoal do Cruzeiro fez uma gritaria sem tamanho. Tudo bem que a arbitragem vem errando a muito tempo no Brasil, mas não é gritando na imprensa que isso vai ser modificado. O clube mineiro deveria fazer um protesto formal, cobrando transparência nos critérios de escolha dos árbitros, reivindicando uma melhor formação dos profissionais... Simplesmente sair acusando todo mundo, ainda mais s
em ter prova alguma de nada, não ajuda. Acaba parecendo apenas desculpa de perdedor. Esse é um primeiro ponto. Já sobre o que o Cruzeiro reclama, e não de que jeito ele fez esse protesto, aí sim, acho que existem coisas a serem observadas. Acho que o lance do pênalti sobre Ronaldo (foto) é de interpretação sobre a força do toque. Pela televisão, não consegui definir se o tranco de Gil foi mesmo forte como pareceu. Se Ronaldo valorizou, não foi pênalti; se ele só caiu daquele jeito porque levou um tranco forte, foi pênalti. A questão sobre a força do lance é difícil de ver pela televisão. Já que o árbitro estava encoberto por Ronaldo, talvez esse lance possa ter sido melhor visto pelo bandeira, que não se manifestou. Agora, uma dúvida fica no ar: aquele mesmo lance, se ocorresse a favor do Cruzeiro, no Pacaembú, aos 42 do segundo tempo, seria marcada a penalidade? Sinceramente, eu acho que não.O Corinthians não tem nada com isso; o Cruzeiro vai ficar reclamando que foi lesado. Mas, se o clube mineiro perder esse campeonato, não vai ser só por esse lance, podem ter certeza. Assim como o Inter não perdeu em 2005 somente pelo pênalti não marcado em Tinga no fatídico jogo contra o... Corinthians, casualmente (ou não?) também no Pacaembú. No fim, acredito que o maior perdedor é o torcedor, não só das equipes prejudicadas pelas más arbitragens, mas todos nós. Um dos grandes jogos do campeonato, uma das muitas finais que os pontos corridos permitem, e não se lê uma vírgula sobre a partida nas entrevistas dos jogadores, nos comentários dos repórteres. É uma pena. Um grande campeonato, disputado ponto a ponto, e o que mais vai ficar marcado serão os inúmeros erros de arbitragem, alguns perdoáveis, outros não.
Flu tropeça; Furacão vence no finalzinho
No domingo, seis partidas completaram a 35ª rodada.
O Fluminense tropeçou no Goiás, jogando no Engenhão, e apenas empatou em
1 a 1. Rafael Moura abriu o placar para o Esmeraldino; Conca, em pênalti completamente inexistente marcado por Simon, empatou. Carlos Eugênio Simon (foto): um dos grandes árbitros da história do futebol brasileiro. Mas o que ele ainda faz apitando? Aos 45 anos, o gaúcho se despede dos gramados nesta temporada e vai sendo escalado para os principais jogos do campeonato. O problema é que ele não é mais o mesmo, sem falar que está tirando o espaço de árbitros promissores e melhores preparados (se é que ainda existe algum apitador de boa qualidade no Brasil). A repercussão do pênalti foi mínima se comparada ao que houve entre Corinthians e Cruzeiro. Isso porque o Goiás já está com um pé na cova e não chiou. Contudo, o lance a favor do Flu foi descaradamente mais mal marcado que o duvidoso lance a favor do Corinthians.Três jogos valiam apenas para quem luta contra o Rebaixamento. O Inter, à espera do Mundial, fez uma partida muito abaixo e perdeu do Avaí, em casa, por 3 a 2. O resultado mantém os catarinenses vivos no Brasileirão. No Brinco de Ouro, em Campinas, o Guarani deu um importante passo rumo à Série B. Em duelo direto contra o Vitória, apenas empatou em 1 a 1. Faltando três rodadas, o Bugre joga duas vezes fora de casa e, se não conseguiu vencer o Leão Baiano, primeiro clube fora do Z-4, vai ganhar de quem? Já para o Vitória o resultado não foi dos piores, mas ainda não livra a equipe do perigo de cair para a 2ª Divisão. O Atlético-GO recebeu o Palmeiras e fez 3 a 0. A equipe de Felipão jogou com muitos reservas, poupando os principais jogadores para o confronto do meio de semana, contra o Goiás, jogo de ida pelas semifinais da Copa Sul-Americana. O Dragão deu um importante passo rumo a permanência na Série A, mas ainda não está totalmente salvo.
Em São Januário, Vasco e São Paulo empataram em 1 a 1. A partida valia a aproximação do Tricolor do Morumbi ao G-4. Agora, com o empate, os paulistas devem fazer companhia aos cariocas na próxima Sul-Americana. Na Arena da Baixada, o Atlético-PR sofreu, pressionou, conseguiu vencer e rebaixar o Grêmio Prudente. Faltando três rodadas, ou seja, 9 pontos a serem disputados, os paulistas estão a 12 pontos do 16º colocado e selaram seu destino rumo à Série B 2011 na noite deste domingo. Já o Furacão ultrapassou Botafogo e Grêmio e assumiu a 4ª colocação. Na próxima rodada, os parananenses fazem confronto direto pela última vaga à Libertadores (se o G-4 não virar G-3, vale lembrar) contra o Grêmio, em Porto Alegre.
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