segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A GRANDE DIFERENÇA

Que o futebol virou negócio todo mundo sabe. Faz tempo que mais importam dinheiro e marketing que dedicação e amor à camiseta. O grande sonho não é ser campeão, mas sim receber em euros. A ganância europeia ataca os CTs dos clubes brasileiros e as jovens promessas, incentivadas por empre$ários, antes mesmos de vestirem as cores de seu clube na equipe profissional, pegam um avião e vão jogar em Bulgárias, Croácias, Hungrias... Mas isso é consequência do capitalismo esportivo, o FAMIGERADO futebol moderno. Não quero entrar nessa discussão. Não agora.

Esses dias me perguntaram qual o melhor time: o Grêmio de 1983 ou o Inter de 2006. Ambos conquistaram a américa e o mundo. Comparando os plantéis talvez achemos alguns melhores, outros piores. Cada um em seu tempo, difícil dizer quem foi de fato superior. Com certeza nos anos 80 a competição sul-americana era mais acirrada, mais sangrenta e muito mais complicada. Não havia câmeras de TV flagrando cada ato de cada jogador, não havia tribunal que punia por qualquer excesso... Enfim, o futebol ainda era futebol. Mas o Inter de 2006 nada tem com isso, e acho errado ir por esse caminho.

A grande diferença – e que poucos vêem – está no ídolo de cada conquista. (Não, não é o fato de o Gabiru ter feito o gol do título mundial colorado. O próprio Grêmio já teve gols decisivos marcados por jogadores saídos da sombra. Aílton em 1996, na final do Campeonato Brasileiro, é exemplo.) Quem é o responsável pelos títulos Tricolores em 1983? Sem dúvida alguma, é Renato Portaluppi. Foi dele o cruzamento iluminado pro gol de César na final da Libertadores, contra o Peñarol. Foram dele os gols que deram ao Grêmio o mundo. E quem é o responsável pelo sucesso colorado, não só em 2006 como em toda a década que se encerra com o bicampeonato da América e o possível bi mundial? Também não restam dúvidas de que esse homem é Fernando Carvalho. Nunca um dirigente agiu de forma tão direta em um time. Existe um Inter antes e outro completamente diferente depois de Fernando Carvalho. O torcedor colorado deve DEVOÇÃO CEGA a ele. É por causa dele que o Inter cresceu e se tornou, finalmente, internacional.

E é exatamente essa a GIGANTESCA diferença, não entre Grêmio e Inter, mas entre o futebol de hoje e o de ontem. Hoje mais importa o planejamento frio de um dirigente que o LAMPEJO inspirado de um ponta-direita. Um time com dinheiro e um bom GESTOR tem meio caminho andado rumo aos títulos. O caminho para as glórias depende de visão estratégica e de MODERNIZAÇÃO.

É, não adianta, no fim tudo gira em torno dele. Maldito futebol moderno. Tudo começa e acaba nele.


Por Arthur Viana.

Um comentário:

  1. Arthur

    Permita-me discordar em parte do comentário.
    Obviamente que não era tão "velho" assim em 1983, mas lembro de alguns detalhes.
    Não concordo exatamente quando dizem que a Libertadores é diferente de qualquer outro campeonato, mas acho que algumas considerações são necessárias.
    Todos sabem que os times brasileiros têm mais qualidade técnica do que os outros times (além do mais com a penúria e o êxodo generalizado na Argentina) mas perdíamos em um detalhe importante: a Personalidade.
    Existem jogadores que têm personalidade. Não é à toa que muitos são zagueiros. É esta condição que pode fazer um time enfrentar adversidades.
    Senão, vejamos o processo do Grêmio na década de 80. No final de 1980, trouxe o Hugo de León do Nacional do Uruguai. Ele havia vencido a Libertadores (em cima do Inter), o Mundial Interclubes e o Mundialito de Seleções. Inicialmente, preferiu um futebol clássico, com Ênio Andrade e meias (Paulo Isidoro) e volantes (Vilson Tadei) de talento. Ganhou o Brasileirão de 1981. Com o mesmo time, fez um papelão e foi eliminado na primeira fase da Libertadores de 1982.
    Mesmo sendo vice-campeão brasileiro de 1982, o presidente Fábio Koff percebeu que a Libertadores exigia um enfoque diferente. Trouxe Valdir Espinosa, implantou um volante xerifão (China), jogadores rodados (Caio) e bancou a explosão de Renato. Mesmo tecnicamente inferior, o time tinha mais pegada e venceu o torneio.
    Agora, grupo com experiência em Libertadores tem seu diferencial. Tanto que o Grêmio chegou na final do ano seguinte.
    Em 1995, Fábio Koff implantou filosofia semelhante. Bancou a presença de xerifes do meio para trás: Adilson, Dinho. Quem não lembra que, ainda insatisfeito, Felipão trouxe Rivarola no meio da competição?
    O Internacional fez o mesmo. Fernando Carvalho trouxe os mesmos zagueiros de 2006, Bolívar e Fabiano Eller, para juntarem-se a Índio, em 2010. Provavelmente, seu sonho era reviver o 3-5-2 de 2006. O Inter ganhou pela sua solidez defensiva e o estilo xerifão de Bolívar-Índio.
    Ainda assim, acho que o Inter oscilou muito e contou com uma certa dose de sorte por pegar o Chivas na final. Mas o Grêmio, em 1995, pegou o Nacional da Colômbia, que não marcava ninguém...

    Abraço,

    Gabriel.

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