quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Coração x Qualidade

Milan e Real Madrid fizeram um jogo bastante corrido no San Siro, em Milão. O placar de 2 a 2 acabou ficando de bom tamanho, pois coroou o esforço físico descomunal que a equipe italiana fez e também livrou da derrota aquela equipe que jogou futebol de verdade, com toque de bola e criação de jogadas. No primeiro tempo, após um amplo domínio espanhol, Higuaín abriu o marcador para os Merengues. Na segunda etapa, Massimiliano Allegri, técnico do Milan, sacou o desinteressado Ronaldinho e apostou no talismã Inzaghi. Resultado: virada rossonera com dois gols de Pippo (um deles impedido, é verdade). No finalzinho da partida, o meia-atacante Pedro León, colocado em campo no lugar do zagueiro Pepe, em uma atitude de muita coragem de Zé Mourinho, empatou.

É difícil olhar os jogos de determinadas equipes e não se envolver emocionalmente. E não falo das partidas do clube do coração, mas sim de outras. O Milan, por exemplo: por toda a sua história, pela tradição do futebol italiano, é complicado não se identificar com o estilo de jogo aguerrido da equipe (ou se irritar com os erros de passe). Mas foi triste, apesar de toda a raça demonstrada, ver que o Milan dificilmente ganhará alguma coisa nesta temporada: além de ter um técnico limitado, a equipe rossonera não tem meio de campo. O Barcelona de 2006, onde Ronaldinho brilhou na ponta-esquerda, posição em que tem sido escalado por Allegri, tinha um meio de campo que marcava e armava, além de Giuly e Eto'o que, se não voltavam tanto para marcar, ao menos apertavam a saída de bola. No 4-3-3 de Allegri, Ronaldinho e Pato não fazem o mínimo esforço para fechar o espaço no meio de campo ou apertar a saída de bola. Ibra até aperta, mas vai desleixado para a bola, com a intenção de fazer as faltas. Com isso, Pirlo, Gattuso e Boateng ficam extremamente sobrecarregados, pois tem de proteger a zaga, o meio campo e ainda cobrir os limitados laterais. E a equipe ainda padece de um goleiro mais confiável: o gol de empate do Real foi um chute defensável, em cima de Abiatti.

Já o Real é uma equipe praticamente pronta. A defesa está bem montada; Sérgio Ramos e Marcelo são laterais que marcam bem, mas que também saem quando têm espaço. Khedira e Xabi Alonso protegem a entrada da área e têm uma qualidade no passe extraordinária para sairem jogando. Özil, Di María e C. Ronaldo se movimentam e encomodam demais a defesa adversária, sempre buscando o espaço para bater em gol ou deixar o centroavante Higuaín na boa para balançar as redes. E ainda falta Kaká que, apesar de não ter mostrado a que veio na equipe Merengue, tem tudo para encaixar muito bem, na minha opinião. Com Özil centralizado, C. Ronaldo e Kaká flutuando, o emprego de centroavante do Real Madrid vai ser o mais fácil do mundo, e mesmo que Benzema ou Higuaín talvez não sejam os melhores nomes para marcar os gols da equipe, ambos podem brilhar, simplesmente pela companhia que vão ter.

Algumas considerações individuais:

- o brasileiro naturalizado Pepe fez um bom primeiro tempo. Mas voltou enlouquecido do intervalo. Errou bisonhamente em bola no 1º gol milanista e estava prestes a ser expulso quando Zé Mourinho o tirou de campo.

- C. Ronaldo está em grande fase, mas passou o jogo todo preocupado em provocar Gattuso e Abate e em fazer firulas. Não jogou nada.

- Gattuso foi o melhor em campo. Apesar da sua limitação técnica, o capitão rossonero correu demais e foi um dos poucos jogadores que não simplificou na saída de bola dando chutões, como o Milan fez várias vezes. Uma pena o lateral-direito da equipe não ser alguém melhor, que pudesse tramar boas jogadas com ele e Pato (Abate foi abaixo da crítica, para não dizer coisa pior).

- Ronaldinho decepcionou. Defendi a sua volta para a Seleção Brasileira, mas não do jeito que está jogando. Acomodado, se preocupou em apitar a partida, resumindo a sua atuação com a bola a lançamentos em diagonal para o Pato, quase todos errados. Ainda assim, apesar de mal na partida, deixou Ibra na cara do gol quando a partida ainda estava 0 a 0, oportunidade desperdiçada pelo sueco.

Um comentário:

  1. Ronaldinho na Seleção é brincadeira!
    Com todo respeito, mas já foi a época.
    O Milan não tem meio de campo. Gostei da frase do Mauro Beting: "A bola não chega no Ronaldinho, e ele não chega na bola."
    Afinal, quem é o armador do time?
    Senão, de que adianta deixar o Seedorf fora?

    ResponderExcluir