sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Comprovações e dúvidas

Falta apenas uma rodada para o final do primeiro turno do Brasileirão (sem contar os jogos atrasados entre Santos x Inter e Corinthians x Vasco). E, até agora, o torcedor acúmula muito mais dúvidas do que comprovações. Nem Fluminense e Corinthians, que haviam dado uma boa disparada, passam AQUELA confiança. Claro, seus torcedores confiam, apoiam, mas os comandados de Muricy, por exemplo, ouviram vaias no empate com o Palmeiras, na quarta-feira. E isso que estão há muitas rodadas na liderança.

O futebol das equipes brasileiras é desanimador. E quando escrevo isso não acredito estar sendo exigente demais. A verdade é que as equipes que não tramam jogadas, não armam. Tudo bem que agora nem há muito tempo para treinar. Contudo, vale a lembrança: os clubes ficaram mais de um mês parados em meio à Copa do Mundo e o resultado dos trabalhos coletivos é pífio. Além disso, a parte física dos atletas também parece bastante defasada.

Para deixar mais claro, vejamos um exemplo: Vitória x Inter. Os atuais vice da Copa do Brasil e Campeão da Libertadores, respectivamente, se enfrentaram no Barradão, em Salvador. 0 a 0 em um jogo pobre tecnicamente, com raras exceções de lances de gol e jogadas criativas. Se duas equipes que, teoricamente, são boas e tiveram sucesso em competições do peso da Copa do Brasil e da Libertadores fazem um jogo desses, o que esperar das demais?

Outro exemplo: Fluminense x Palmeiras. O Flu - líder do Campeonato e contando com jogadores do quilate de Deco, Beletti e Conca - contra o Verdão - que tem um campeão Mundial na casamata e em campo Marcos (goleiro), Valdívia e Kléber. Que jogo foi esse? Vale um elogio pela luta e pela disposição dos atletas; a ambição, ausente em algumas equipes, não faltou a nenhum dos dois adversários. Mas a criatividade sim. Com raríssimas exceções, a maioria por parte de Deco, Fluminense e Palmeiras deixaram a desejar criativamente. O que o torcedor exigente cobra não é jogo bonito, com toques de letra e jogadas sensacionais; mas, sim, que as equipes tenham um mínimo de organização para saber o que fazer com a bola na hora de atacar. Se defender é fácil; qualquer um consegue armar uma defesa, nem que seja colocando um esquema retranqueiro do tipo 4-5-1 ou 5-4-1. Saber criar com a bola é outra história; exige um mínimo de qualidade e treino.

Vale destacar o equilíbrio entre as equipes. Diferentemente dos principais campeonatos europes, em que sempre vemos as mesmas equipes brigando pelo título, no Brasil as coisas são diferentes. Está difícil apontar rebaixados, assim como cravar as equipes que irão brigar pelo Título ou Libertadores. Claro que a lógica aponta Flu e Corinthians na disputa pelo topo, mas fica complicado definir alguma coisa até mesmo com relação a essas equipes. Santos e Internacional estão se aproximando do topo da tabela: os dois têm time para brigar pelo título, resta saber se terão fôlego para buscar Flu e Corinthians (e se esses dois vão manter o embalo também). O Botafogo segue no G-4, mas as suas magras vitórias por 1 a 0 (contra Avaí e Ceará, em casa, e Grêmio Prudente, fora), apesar de importantes e valendo os mesmo 3 pontos de uma goleada, evidenciam que a equipe não é lá essas coisas.

Para se ter uma ideia de como ainda está embolado o campeonato: a diferença entre o Cruzeiro, 6º colocado com 28 pontos, último integrante do G-6 (Santos, 3º, e Inter, 5º, já estão classificados à Libertadores), para o Vitória, 14º, 22 pontos, é de apenas 6 pontos.

Na parte de baixo da tabela, as coisas estão um pouco mais defasadas: o Goiás, lanterna com 13 pontos e que não vence há 11 rodadas no Campeonato, está há 6 pontos do Grêmio, primeiro clube fora do Z-4. O Atlético-GO também tem a sua vida bem complicada: soma apenas 14 pontos em 18 jogos. Analisando apenas as últimas cinco rodadas do Brasileirão temos:

- 16º Grêmio (duas vitórias, 1 empate e duas derrotas);
- 17º Grêmio Prudente (uma vitória, um empate e três derrotas, sendo que perdeu as últimas três partidas que fez como mandante);
- 18º Atlético-MG (duas vitórias, um empate e duas derrotas);
- 19º Atlético-GO (uma vitória, dois empates e duas derrotas); e, por fim
- 20º Goiás (5 derrotas).

Ou seja, entre essas cinco equipes, as quais tem estado desde o início do campeonato na parte de baixo da tabela, Grêmio, Atlético-MG e até mesmo o Atlético-GO (que empatou fora com o Inter e venceu o Palmeiras em SP) têm dado uma reagida. Até onde podem chegar é a grande questão, pois essas equipes oscilam muito e não conseguem engrenar uma sequência de resultados positivos. O Flamengo, que acumula uma vitória, um empate e três derrotas nas últimas cinco rodadas, precisa reagir rápido. Com 21 pontos, a equipe será sugada ao Z-4 e ocupará o posto daquele que conseguir reagir.

Neymar
Mais uma atitude rídicula e infantil do mais novo queridinho do Brasil. Realmente, é necessário fazer o que ele fez (aplicou um chapéu em um jogador deitado com a bola parada)? Volto a repetir: é um bom jogador de futebol, mas parece que não tem cérebro (muito menos humildade). Isso é Série A do Campeonato Brasileiro, não é o campeonato infantil de Santos. As pessoas têm que parar de passar a mão na cabeça, porque essas atitudes não tem nada a ver com futebol moleque e para frente; são, sim, uma falta de respeito com atletas profissionais que, assim como ele, treinam e jogam por suas equipes e também sonham em ir para a Europa. A maioria é pai de família e não está em campo para brincar; uma coisa é aplicar um chapéu ou uma janelinha em campo, para tentar fazer um gol. O drible faz parte do futebol e deve ser estimulado. Essas brincadeiras que Neymar faz com a bola parada são molecagens, coisas de várzea.
http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2010/09/neymar-aplica-outro-chapeu-com-jogo-parado-e-diz-dou-mesmo.html


Um comentário:

  1. Interessante o que mostrou. Chamou a atenção, no jogo do Inter, a grande apatia dos jogadores, que certamente estão com a cabeça voltada para o Mundial de Clubes.
    O Goiás joga claramente desinteressado. Acho que, dificilmente, escapará. Este é o preço de ter o Leão no banco (que até já saiu).
    O Prudente não tem torcida, e piorou com a saída do Toninho Cecílio. O estádio de Presidente Prudente é um campo neutro, em Barueri o fator local parecia mais evidente.
    Chama a atenção que, entre os lanternas, Grêmio e Atlético-MG tem algum crescimento. O detalhe é que as vitórias deles foram, justamente, contra Goiás e Guarani. Sinal de queda do Guarani?

    Abraço,

    Gabriel.

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