
"Um bom time começa por um bom goleiro." A maioria dos amantes do futebol conhece este ditado do esporte. E vários clubes, não somente do Brasil, como do Mundo todo, levam isso muito à sério. Contudo, o Campeonato Brasileiro de 2010 está sendo surpreendente neste aspecto, com alguns goleiros jovens virando titulares e outros eternos reservas assumindo a camisa 1 das duas maiores torcidas do país.
Entre as 20 equipes que disputam a Série A deste ano, quatro apostaram em goleiros jovens, por diferentes razões. O Atlético-PR, após a saída de Galatto, que não deixou saudades, resolveu investir na base mais uma vez e efetivou Neto como seu camisa 1. O Furacão é, por tradição, um clube que confia em seus jovens guarda-metas. Como exemplo podemos citar Guilherme, que se destacou e foi vendido em 2007 e hoje é titular absoluto do Lokomotiv Moscou, um dos grandes do futebol russo. Já o Avaí, que perdeu o goleiro destaque no ano passado, Eduardo Martini, e trouxe como substituto Zé Carlos, ex-Criciúma, se rendeu às defesas do jovem Renan, que inclusive já foi convocado por Mano para a Seleção. O Grêmio Prudente apostou em Márcio, ex-São Paulo e Grêmio, goleiro rodado, mas, após a sua lesão no joelho, que o deixará afastado dos gramados até o ano que vem, não hesitou em confiar à sua meta a Giovanni, arqueiro de 23 anos, com passagens por Marília e Ponte Preta, que está sendo um dos poucos destaques do Prudente. A quarta equipe a apostar na juventude para o gol foi o Santos. Devido aos problemas de Fábio Costa com a diretoria e a sua condição física ruim, Dorival Jr. efetivou Felipe, também jovem, como o camisa 1. Contudo, em virtude da irregularidade de Felipe, o técnico santista deu uma chance a Rafael, que, após alguns vacilos iniciais, vem demonstrando segurança e fazendo boas atuações.
Três goleiros podem ser considerados a cara dos seus times: Harlei, do Goiás, Rogério Ceni, do São Paulo, e Marcos, do Palmeiras. Esses arqueiros são titulares absolutos e incostestáveis, capitães e símbolos dos seus clubes. Marcão tem sofrido com as lesões, mas a diretoria Alviverde tem demonstrado confiança em Deola e Bruno (27 e 26 anos respectivamente, mas sem experiência como titulares de uma grande equipe), que desde a saída de Diego Cavallieri vem cobrindo Marcos em seus eventuais períodos de afstamento. O Goiás também perdeu Harlei por lesão no início do ano e teve problemas com isso. O Esmeraldino contratou Fábio, ex-Portugesa, de 2 metros de altura, que não agradou e acabou revezando na meta com o eterno reserva Rodrigo Calaça, há 10 anos no clube.
Grêmio e Cruzeiro são duas equipes sortudas, pois contam com os goleiros do melhor nível técnico do país. Victor e Fábio são ídolos da torcida e essas duas equipes não tem do que reclamar e muito menos com o que se preocupar com esses dois monstros debaixo das suas traves.
Além do Tricolor gaúcho e da Raposa mineira, mais seis goleiros são muito bem vistos dentro dos seus clubes, contudo, sem serem tão reconhecidos fora deles. Márcio é o capitão do Atlético-GO e batedor oficial de faltas e penâltis da equipe; Jefferson teve a boa fase no Botafogo coroada com a lembrança de Mano Menezes ao convocar a sua Seleção pela primeira vez; Douglas é o destaque do Guarani e grande responsável pelas boas campanhas do Bugre na Série B do ano passado e na Série A deste ano; Viáfara é capitão, batedor de penâltis e ídolo da torcida do Vitória (apesar de ter vacilado algumas vezes na atual temporada); Fernando Prass também já foi capitão do Vasco e a cada dia se firma como um dos grandes líderes do elenco; e, por último, Renan vai recuperando a velha forma e fechando o gol do Internacional (tudo bem, Renan é bem acima da média, com experiência internacional, mas por ter voltado recentemente e assumido a titularidade no meio do ano resolvi incluí-lo nessa lista e não junto a Fábio e Victor; nada contra a sua qualidade, se trata apenas de uma questão de tempo para mostrar tudo o que ele sabe).
Além dos jovens, das muralhas e dos ídolos, o Brasileirão apresenta também dois casos muito especiais de eternos reservas alçados a titularidade repentina e uma reviravolta. No Flamengo, após a prisão repentina de Bruno, Marcelo Lomba assumiu a camisa 1 Rubro-Negra (na verdade, ele é o 29, mas isso é irrelevante) e, em momento algum, deu margem à dúvida. Com personalidade e grandes defesas, Lomba tem mostrado que Zico não precisará quebrar a cabeça atrás de um goleiro, pois já tem em casa a solução para esse problema. Já Felipe encheu tanto o saco para ir embora, que o Corinthians se irritou e resolveu mandá-lo procurar um novo clube. Com a sua saída, o então técnico Mano Menezes efetivou Júlio César como titular, mas trouxe o goleiro paraguaio Aldo Bobadilla, que disputou a última Copa do Mundo. Entretanto, após a chegada de Adílson Batista e com a manutenção de atuações seguras, até agora Júlio parece garantido na meta do Timão, mesmo com a sombra de um goleiro experiente no banco. Nas Laranjeiras, Fernando Henrique vive um caso curioso de amor e ódio com a torcida do Fluminense. Foi titular da equipe campeã da Copa do Brasil (2007) e vice da Libertadores (2008), mas caiu em desgraça e foi substituído por Rafael no Brasileirão do ano passado, quando os cariocas escaparam mirasculosamente, como as defesas do novo goleiro, da Série B. Contudo, após manter a titularidade esse ano, Rafael falhou algumas vezes e teve uma pequena lesão, dando chance para FH. Após a chegada de Muricy, o antigo titular continuou na reserva e Fernando Henrique segue na meta do Flu, ora fazendo grandes defesas (principalmente com os pés, a sua especialidade), ora tendo que ouvir as vaias da torcida após uma falha.
O Atlético-MG é um caso à parte. Nos últimos dois anos, 4 goleiros foram contratados para resolverem o problema da meta Alvinegra. Ano passado, vieram Carini, com passagem pela Inter de Milão, da Itália, e Aranha, destaque da Ponte Preta. Os dois se revezeram na camisa 1 e este ano ganharam a concorrência de Fábio Costa, emprestado pelo Santos, e Marcelo, ex-Bahia e Corinthans. Ultimamente, Fábio Costa parece ter assumido a titularidade de vez, respaldado por Luxemburgo, com quem trabalhou no Peixe ano passado. Mas Marcelo já foi testado (e não agradou) e Aranha já foi pedido pela torcida, após algumas falhas bizonhas do ex-goleiro santista. A camisa 1 passou tanto de mão em mão no Galo, que até um jogador de linha, Diego Souza, já a usou nessa temporada. É mole?
Michel Alves, do Ceará, não se encaixa em nenhuma das categorias. Não é jovem (29 anos), nem ídolo da torcida (recém assumiu a meta do Vozão, substituindo Diego, ex-Flamengo), foi reserva no Inter e no próprio Ceará, mas foi titular nos outros clubes em que passou, como Vila Nova-GO e Juventude. É um bom goleiro que está tentando se firmar e tem qualidade para assumir a meta do Vozão nessa nova etapa do campeonato que se inicia para os cearenses sob um novo comando técnico.
Bom, resumindo, é um campeonato bem incomun do pontos de vista dos goleiros. Nada daquelas figuras carimbadas de sempre: as equipes que subiram ou perderam seus titulares apostaram em pratas da casa ou desconhecidos e, até agora, os goleiros estão sendo um dos grandes nomes do Brasileirão, responsáveis (claro que junto com a má pontaria dos atacantes) por uma das menores médias de gol da história dos Campeonatos nacionais.
Muito bom esse post. Parabéns!
ResponderExcluirNão sei como consegue acompanhar, com tanta profundidade, vários campeonatos, e sendo tão detalhista.
Olha só, acredito que este campeonato está acabando com aqueles goleiros-símbolos que citaste. Marcos e Harlei estão abandonando a carreira.
Na minha opinião, os três goleiros de alto nível são Fábio, Victor e Jefferson.
O Fábio, inexplicavelmente, nunca foi convocado para a seleção.
O goleiro do Avaí, Renan, não me impressionou, pela partida de ontem. Pareceu inseguro nas saídas de bola, acho que não consegue dar tranquilidade para a defesa. Ou o contrário, pois a defesa do Avaí...
Aliás, impressionou o time do Avaí. Parecia que não tinha nenhum jogador que enfrentou o Grêmio na Copa do Brasil. E o jogo foi há 4 meses!
Fui conferir, dos times que saíram jogando, estavam apenas o zagueiro Rafael e o volante Marcinho Guerreiro. Assim, não há campanha que aguente.
Abraço,
Gabriel.