Assistindo aos jogos da 21ª rodada do Brasileirão, chama a atenção a quantidade de variações táticas da equipes. Em um campeonato com nível técnico baixo e poucos gols, as novidades na formação dos times é um ponto positivo. Nada dos convencionais 3-5-2 ou 4-4-2. As equipes têm inovado, escalado laterais como zagueiros e meias abertos pelos lados, duas tendências vistas há bastante tempo nas equipes europeias. Desconsiderando os desfalques e analisando as escalações da rodada, e levando em conta o posicionamento em que os atletas estão jogando e não a sua posição de origem (por exemplo: Éder Luís, do Vasco, é atacante, mas se posiciona como um meia pelos lados, revezando com Zé Roberto), observamos:
- 3-5-2 (com 2 volantes): Flamengo e Ceará;
-4-3-1-2: Vitória, Atlético-GO e Cruzeiro;
-4-2-3-1: Corinthians, Avaí, Vasco, Inter e Atlético-PR;
-4-2-2-2: Grêmio e Atlético-MG;
-3-6-1: Fluminense, Grêmio Prudente e Botafogo;
-4-4-2 (duas linhas): São Paulo, Guarani e Santos;
-4-3-3: Palmeiras; e
-3-5-2 (com dois meias): Goiás.
Para (tentar) não fazer (mais uma) postagem enorme, vou destacar apenas algumas equipes que vem chamando a atenção nas últimas rodadas (não necessariamente por estarem bem):
Grêmio: há cinco jogos sem perder (3 vitórias e 2 empates), Renato parece estar dando forma ao tricolor. A defesa tem se repetido com Gabriel, Vilson, Rafael Marques e Fábio Santos. No meio campo, o 4-3-1-2, com Souza e Gílson fazendo as vezes de um volante-meia pelos lados, deu lugar ao 4-2-2-2, com dois volantes (inclusive Souza jogou assim contra o Atlético-GO, em que o Tricolor tinha apenas Adílson à disposição) e dois meias. Na boa vitória sobre o Corinthians, Adílson e Ferdinando protegeram a entrada da área enquanto Souza e Douglas eram encarregados da armação. Para compensar a defasagem física de Douglas, Jonas tem voltado fechando o lado-esquerdo, com Souza fazendo o mesmo pelo outro lado. Silas já havia tentado atuar com dois meias e dois volantes, sem sucesso. A diferença para o 4-2-2-2 de Renato é que Souza está se esforçando na marcação, coisa que Hugo não fazia (ou, quando fazia, se restringia a ficar na ponta-esquerda, deixando o meio para os volantes). É cedo para afirmar alguma coisa, mas o Tricolor gaúcho parece estar solidificando a sua equipe para, ao menos, passar longe do Rebaixamento no resto do campeonato.
Avaí: o clube catarinense está há sete jogos sem vencer (2 empates e 5 derrotas). E qual é a diferença tática do time atual para aquela equipe que era 3ª colocada há 7 rodadas atrás? Nenhuma. O Avaí tem jogado o campeonato inteiro no 4-2-3-1, tanto com Péricles Chamusca quanto com Antônio Lopes. O problema está em duas peças-chave e na fase de alguns jogadores, que já não é mais tão boa. No início do campeonato, Caio, Róbson e Daví formavam a linha de meias ofensivos, com o inspirado Roberto no comando de ataque. Na última partida a equipe contou, sim, com Caio e Daví (entretanto, sem as melhores condições físicas, pois os dois jogadores voltam de lesão), mas com o complemento de Sávio no meio-campo e com Rafael Costa (a terceira opção para centroavante, pois Vandinho é o reserva imediato de Roberto) no ataque. O resto do time é quase o mesmo: Renan no gol, Patric e Eltinho nas laterais, Émerson na zaga, agora na companhia de Rafael (antes era Gabriel), e Marcinho Guerreiro e Rudnei na frente da área. Repetir a escalação faz bem, mas Lopes precisa mudar, pois não está conseguindo simplesmente repor as peças. Talvez um esquema com dois atacantes possa ajudar, já que apenas um homem brigando com os zagueiros não tem sido suficiente. Para não sofrer com o rebaixamento até o fim do campeonato, o Avaí precisa reagir logo. Os sinais de alerta estão sendo dados.
Botafogo: o Alvinegro passa a lutar pelo título após essa rodada. A diferença para o Fluminense é de apenas 4 pontos. Ainda não acredito que Joel Santana tenha time para ser campeão brasileiro, mas o bom momento do clube vem na hora certa, pois de nada adianta arrancar muito cedo no campeonato e logo perder o fôlego (Avaí e Ceará que o digam). O Botafogo está crescendo e, apesar das dificuldades, tem conseguido vencer inclusive fora de casa. O esquema preferido é o 3-5-2, com Leandro Guerreiro atuando como líbero, geralmente, apenas um volante a frente da área, Marcelo Mattos (nas últimas rodadas, com a ausência de Somália, Fahel tem ajudado Marcelo na proteção à defesa) e dois meias. Nas vitórias sobre São Paulo e Santos, Joel escalou um 3-6-1, com 2 meias e apenas um centroavante. Deu certo porque os meias tem boa chegada na área (Maicossuel e Renato Cajá). Com as voltas de Jóbson e Herrera, lesionados, Joel poderá repetir o seu esquema preferido, que deve estar desenhado na capa da sua tão popular prancheta. Aliás, já que falei na prancheta, será que dentro dela está o segredo do caminho para o título? É o que veremos, mas, para a felicidade da torcida do Botafogo, é bom que não esteja em inglês.
Cruzeiro: com 5 vitórias e um empate nas últimas rodadas, o time mineiro está superando a diminuição da sua força como mandante com vitórias fora de casa (das 10 vitórias mineiras, 5 foram em casa e 5 fora) e já encostou nos líderes (tem a mesma pontuação do Botafogo). Nas últimas 6 partidas, Cuca atuou 3 vezes no 3-5-2 (com dois volantes) e 3 vezes no 4-3-1-2. Não há grande inovação tática no Cruzeiro e talvez essa seja a chave do bom momento da equipe. Explico: o elenco foi bastante reformulado e a manutenção do esquema mais utilizado por Adílson Batista nos dois anos e meio em que esteve lá (o 4-3-1-2), além da espinha dorsal da equipe (Fábio no gol, Jonathan e Diego Renan nas laterais, Fabrício, Marquinhos Paraná e Henrique no meio, Thiago Ribeiro no ataque) está ajudando na remontagem da equipe. Com o aproveitamento destes jogadores e o acréscimo de Edcarlos e Léo na zaga, Montillo no meio e Farías na frente, a Raposa pode aproveitar o momento instável de Fluminense e Corinthians e mostrar o que há anos se espera do clube: potencial para brigar até o fim do Brasileirão pelo título.
Esclarecimento
Há uma dúvida sobre como se dará a divisão das vagas à Libertadores se o campeão da Sul-Americana for brasileiro. Retomando então: Santos, campeão da Copa do Brasil, e Inter, atual campeão da Libertadores, já estão classificados. Assim, se classificam pelo Brasileirão os 4 primeiros colocados, excetuados essas duas equipes. Contudo, se um dos brasileiros (Palmeiras, Atlético-MG, Goiás ou Avaí) vencer a Sul-Americana deste ano (que, a partir desta edição, reserva uma vaga à Libertadores ao seu campeão), serão apenas 3 vagas pelo Brasileirão. Essa informação foi divulgada pela Conmebol.
Fácil, fácil
Palmeiras e Vasco se enfrentaram no Pacaembú, com resultado final de 0 a 0. Em 21 rodadas, o Verdão empatou 11 vezes, e o Cruzmaltino, 10. Não precisava ser nenhum grande conhecedor do futebol para imaginar que a possibilidade de um empate no duelo era grande.
Que dureza!
O gol do jogo entre Guarani e Atlético-PR é o retrato perfeito da partida. A vitória do bugre foi merecida em virtude da atitude da equipe, que, apesar de errar muito, assim como seu adversário, foi mais incisiva na busca dos três pontos. Reparem bem no detalhe do gol: Mazola adianta a bola demais (olha o gramado vivo aí, gente!), o zagueiro atleticano Manoel chuta no companheiro de equipe, o zagueiro-lateral Leandro, a bola corre e está quase saindo quando o camisa 11 do Guarani rola para trás e a redonda bate em cima do outro beque do Atlético-PR, o capitão Rodolpho, e entra. A velocidade da jogada e a birrazice do gol evidenciam de forma muito clara a sonolência que a partida provocou na torcida e a quantidade de erros das duas equipes, que se encontram bem pertinho na tabela.
http://globoesporte.globo.com/jogo/brasileirao2010/2010-09-12/guarani-atletico-pr.html
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