terça-feira, 5 de outubro de 2010

O patinho feio e a grife

Nesta semana, dois técnicos experientes, pórem com trajetórias distintas nos últimos anos de carreira, assumiram dois dos principais clubes do país. Paulo César Carpegiani, que trabalhou em Atlético-PR e Vitória mais recentemente, é o novo comandante do São Paulo, e Vanderlei Luxemburgo, ex-Atlético-MG e Santos, entre outros, acertou com o Flamengo para o lugar de Silas. Dois técnicos rodados e que buscam um recomeço na carreira em equipes de ponta, certo? Correto, mas as coincidências param por aí...

Paulo César Carpegiani, (foto) campeão Brasileiro (1982), da Libertadores (1981) e do Mundo (1981) como técnico do Flamengo e tendo treinado o Paraguai na Copa do Mundo de 1998, é hoje considerado um técnico mediano no atual cenário do futebol nacional. Após fazer uma campanha ruim com o Corinthians em 2007, foi demitido, deixando a equipe em 13º (o Timão veio a ser rebaixado naquele ano); em 2009, foi campeão baiano pelo Vitória, começou o Brasileirão muito bem, mas acabou demitido após uma queda brusca nos resultados, deixando o Leão baiano em 10º; e, mais recentemente, levou o Atlético-PR da Zona de Rebaixamento à 4ª posição no atual Brasileirão. Com esse currículo recente, Carpegiani chega sob desconfiança ao São Paulo. Mesmo que não se admita, duvido que a imprensa e os próprios torcedores paulistas estejam esperando grandes resultados. Puro preconceito, pois Paulo César treinou 3 equipes bem limitadas e, ainda assim, conseguiu resultados satisfatórios.

O Corinthians de 2007 tinha nomes como Gustavo Nery, Betão, Fábio Ferreira, Zelão, Moradei, Nilton, Vampeta, Lulinha, Clodoaldo, Éverton Santos e Finazzi. E não estou exagerando, pois esse jogadores, de fato, atuavam, não eram 5º ou 6º reserva. Agora, tem como fazer alguma coisa melhor que o 13º lugar com essa equipe? O Vitória, que é um time com recursos bem mais limitados que o Corinthians, também não tinha um elenco dos melhores, apesar de contar com bons valores; a 10ª colocação, posição em que Carpegiani deixou o time, estava de muito bom tamanho, se compararmos o elenco do Leão baiano com as demais equipes; e, por fim, o time-base de PC no Atlético-PR de 2010, o qual ele tirou do Z-4 e levou até próximo dos líderes: Neto; Wágner Diniz, Manoel, Rodolpho e Paulinho; Chico, Vitor (Guérron), Branquinho, Paulo Baier e Maikon Leite; Bruno Mineiro. Essa equipe, em termos de nomes, é para o 4º lugar do Brasileirão? Ainda assim, mesmo com (na minha visão) bons trabalhos, a desconfiança segue rondando o novo técnico são-paulino, um dos tantos patinhos feios do futebol.

Vanderlei Luxemburgo (foto) tem outro tratamento, o de estrela. Agora mesmo estava no Atlético-MG, que montou um belo elenco, e está quase todo o campeonato na Zona de Rebaixamento. Pode se contestar o ego dos jogadores atleticanos (Diego Souza, Tardelli..., atletas com temperamentos nem tão amenos, por assim dizer), mas não a sua qualidade. Em 2009, mesmo com o bom time do Palmeiras, sofreu para avançar à segunda fase da Libertadores e foi eliminado pelo Nacional, do Uruguai. Ainda assim, ficou pouco tempo desempregado, sendo logo contratado pelo Santos. E, claro, arrumando emprego para toda a sua comitiva e recebendo uma quantia astronômica (é difícíl saber ao certo os valores, mas diz-se que Luxa cobra R$ 500 mil).

Agora, chega ao Flamengo sem ser contestado por ninguém. Ele mesmo admitiu que precisa de uma reciclagem. E das grandes, pode-se completar. Desde que voltou do Real Madrid que Luxa está mais preocupado em impor as coisas do seu jeito e não em arrumar as suas equipes. E ninguém o contesta. Tudo bem, ele tem uma história dentro do futebol, já ganhou incriveís 5 campeonatos brasileiros. Mas, há anos que ele apenas tira o dinheiro dos clubes, além de desfilar atitudes arrogantes e resultados insatisfatórios. E ainda assim é reverenciado. O que a grife não faz...

Um comentário:

  1. Me permita discordar em parte. O Carpegiani, na minha opinião, tem uma trajetória ímpar no futebol. Jogou quase toda a década de 70 pelo Inter, ganhou os Brasileiros de 75 e 76, foi titular da Seleção na copa de 74 (pelo que me parece). Transferiu-se ao Flamengo, ganhou o Brasileirão de 1980, como jogador. A seguir, virou técnico, ganhou Libertadores, Mundial em 1981 e Brasileiro em 1982. Teve grandes desempenhos como treinador do Cerro Portenho do Paraguai, foi muito bem na Seleção. Fez grande campanha como treinador do São Paulo em 1999.
    O time dele tinha Raí, Marcelinho Paraíba, França, Edmílson. Só que enfrentou um time imbatível do Corinthians.
    É um profissional de conhecimentos táticos e habilidade de detectar craques insuperáveis. Tanto que revelou vários no RS Futebol.
    Retomou a carreira de técnico recentemente. Já fez excelentes trabalhos. Não faz o estilo motivador na base do grito, o que fez com que nunca tivesse chance nos clubes do sul, principalmente o Inter.
    Várias vezes cogitaram uma dobradinha Falcão-Carpegiani (já que são grandes amigos), mas não sai do papel (questões políticas?).
    E um mérito maior: tem grande capacidade de arrumar sistemas defensivos: vide o Paraguai na Copa de 1998 e o Atlético-PR atual.
    Apenas uma contribuição.
    Abraço,

    Gabriel.

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