Além de dar a minha seleção dos melhores do primeiro turno do Brasileirão, só para efeito de comparação eu apresentarei também os onze melhores do fantasy game Cartola e da Bola de Prata da revista Placar.
Escolhi esses dois comparativos porque acho os sistemas de avaliação mais justos. Juntamente com a Bola de Prata, o prêmio dado pela CBF aos melhores do campeonato é bastante valorizado, mas, além de não haver votação para um primeiro turno, acredito que a premiação dada pela Placar é mais justa, pois a maioria dos jornalistas que votam para eleger os melhores pela CBF são do centro do país e, na minha visão, claro, não olham as outras equipes com a mesma frequência e atenção com que observam os jogos de equipes paulistas e cariocas.
Cartola x Placar
Para quem não conhece, um breve resumo dos dois:
Cartola é um fantasy game do Sportv. Nele, você pode escalar onze jogadores e um técnico a cada rodada. O "cartola" (você) recebe um dinheiro no início do Brasileirão e vai gastando ele nas compras dos jogadores. A cada rodada é possível escalar onze jogadores e um técnico diferentes.
A grande sacada do cartola é a forma de pontuação. Os jogadores não recebem notas de comentaristas (como ocorre na Bola de Prata), mas pontos por sua participação na partida. Alguns critérios para ganhar pontos são: gols marcados, faltas sofridas, passes certos, assistências para gols, penâltis defendidos (pelos goleiros, claro)... Também é possível perder pontos: faltas cometidas, gols contra, cartões amarelos e vermelhos...
Em virtude disso acho que, apesar de ser um fantasy game, o cartola traduz bem as atuações dos atletas, pois avalia eles segundo sua produção durante os jogos. Claro que não é à prova de falhas, mas considero um bom parâmetro.
A Seleção do Cartola no primeiro turno (com um mínimo de 9 jogos e considerando como esquema o 4-4-2 para padronizar com a minha Seleção e a da Bola de Prata): Fernando Henrique (Fluminense); Mariano (Fluminense), Manoel (Atlético-PR), Dedé (Vasco) e Diego Renan (Cruzeiro); Willians (Flamengo), Guiñazu (Inter), Elias e Bruno César (Corinthians); Elias (Atlético-GO) e Jonas (Grêmio).
Antes que alguém me atire uma pedra, vale ressaltar que o fantasy não é a prova de falhas. Um dos critérios para os goleiros, por exemplo, é "defesas difíceis"; no entanto, quem avalia a dificuldade da defesa? Vale lembrar também que não tomar gol é não perder ponto e o Flu é a segunda melhor defesa do campeonato. O meio de campo tem dois grandes ladrões de bolas (Willians e Guiñazu) e o critério "bolas roubadas" conta pontos a favor; já Elias e Bruno César são os principais jogadores corintianos até aqui. No ataque, Elias, do Atlético-GO, é um dos artilheiros do campeonato (marcou 9 gols, assim como Bruno César) e Jonas é o vice goleador com 8 (apesar do mau momento do Grêmio). Pode se falar o que quiser sobre qualquer um desses jogadores, mas todos têm se destacado nas suas equipes.
O regulamento da Bola de Prata é o seguinte: jornalistas de Placar assistem, sempre nos estádios, a todas as partidas do Brasileirão e atribuem notas de 0 a 10 aos jogadores. Encerrado o campeonato, receberão a Bola de Prata os craques que tenham sido avaliados em pelo menos 16 partidas. Jogadores que deixarem o clube antes do final do campeonato serão eliminados. Em caso de empate, leva o prêmio quem tiver o maior número de partidas. Ganhará a Bola de Ouro aquele que obtiver a melhor nota média.
A Seleção da Bola de Prata (4-4-2): Rogério Ceni (São Paulo); Mariano (Fluminense), Bolívar (Inter), Antônio Carlos (Botafogo) e Roberto Carlos (Corinthians); Elias, Jucilei, Bruno César (Corinthians) e Conca (Fluminense); Jóbson (Botafogo) e Jorge Henrique (Corinthians).
Também, antes que alguém me atire uma pedra vale ressaltar que o Corinthians venceu todos os jogos em seu estádio, alguns com grandes atuações (4 a 2 no Santos, 3 a 0 no São Paulo e 5 a 1 no Goiás, por exemplo). Isso deve ter enchido os olhos de quem analisou a partida (só pode). Particularmente, acho Jucilei (que está atrás de Sandro e Hernanes na posição de volante, mas como já foram embora estão desclassificados) e Jorge Henrique um exagero. Os outros corintianos até é compreensível. Antônio Carlos já marcou 5 vezes no campeonato, o que certamente deve pesar a seu favor (ainda mais quando não temos tantos destaques individuais no miolo de zaga). O resto das alternativas é aceitável (Jóbson fez o mínimo de jogos, mas teve atuações decisivas, marcando gols importantes).
Agora, a minha Seleção e o porque:
Fábio (Cruzeiro) - goleiro com nível de Seleção Brasileira, não é reconhecido, apesar de sempre ser elogiado e lembrado pela imprensa. Victor, do Grêmio, por exemplo, só foi chamado porque ganhou os prêmios da CBF e os últimos treinadores da Seleção são gaúchos (não me entendam mal, acho que o goleiro gremista mereceu, mas quem não é do centro do país sabe que somente atuar bem não basta);
Mariano (Fluminense) - acho que este é unanimidade. Difícil apontar alguém que esteja tão bem individualmente e seja tão importante coletivamente quanto o lateral-direito do Flu. Acho que ainda não está preparado para a Seleção, mas é jovem e tem muito a melhorar. Até 2014 ainda resta bastante tempo;
Bolívar (Inter) - além de ter feito uma grande Libertadores, o atual capitão Colorado alcançou seu ápice. Está realmente jogando muito, fazendo o simples e atuando com uma firmeza e uma segurança impressionantes;
Leandro Euzébio (Fluminense) - Díficil achar um beque para fazer companhia a Bolívar. Esse Brasileirão não nos mostrou grandes jogadores nessa posição. Acredito que Leandro é quem mais se destaca na zaga do Flu, uma das melhores da competição, tendo ainda anotado três gols;
Ernandes (Ceará) - pensei bem antes de fazer essa escolha. Carlinhos, do Fluminense, e Roberto Carlos também têm se destacado, mas até pela campanha que o Ceará realiza até aqui acho a escolha pelo lateral-esquerdo do Vozão bastante acertada. Quem já o viu jogando vai concordar comigo (alguém já viu?);
Rafael Carioca (Vasco) - com as saídas de Sandro e Hernanes ficou difícil apontar um parceiro à altura de Elias. Rafael não fez um bom primeiro semestre pelo Vasco, mas cresceu muito com a chegada de PC Gusmão, que o recuou à função de primeiro volante (atuou como segundo volante, quase um meia, na primeira metade do ano). Na posição certa, Carioca vai retomando o futebol que o fez destaque do Grêmio vice campeão em 2008 e o levou a ser vendido;
Elias (Corinthians) - outro que pode ser considerado quase uma unanimidade. Atuando algumas vezes como meia, o camisa 7 corintiano vêm se destacando nesta temporada também pelos gols, além de ter aprimorado o poder de marcação e a saída de bola rápida;
Conca (Fluminense) - maestro dos cariocas no primeiro turno, vem sofrendo com a marcação nos últimos jogos e tem se destacado um pouco menos. A tendência, no entanto, é de que ele cresça com a ajuda de Deco. Basta Muricy reencontrar o melhor posicionamento para o argentino;
Bruno César (Corinthians) - apesar de o campeonato contar com jogadores do nível de Ganso, D'Alessandro, Maicossuel e Carlos Alberto, sem contar Deco, Valdívia, Montillo e Renato Abreu (que chegaram a pouco tempo), o camisa 10 corintiano está gastando a bola nesse Brasileirão. Além de ter marcado nove vezes e ser um dos artilheiros da competição, ele é o autor das principais jogadas da equipe, sendo ainda o cobrador oficial de faltas (inclusive já marcou assim). É um dos principais candidatos a craque do campeonato.
Misael (Ceará) - sei que muitos vão achar absurda essa indicação, mas quem acompanha o campeonato de uma forma mais geral há de me entender. O Ceará não foi brilhante, contudo, não passou grande parte do primeiro turno no G-4 sem querer. Misael fez apenas 13 partidas, pois está lesionado. E já anotou 6 gols e deu 4 assistências. Émerson, do Flu, é, na minha opinião, o melhor atacante atualmente, mas não fez o mínimo de 9 jogos que considero como um dos critérios de escolha; e
Fred (Fluminense) - apesar de estar há muito tempo parado, ninguém alcançou a média do camisa 9 carioca. Fred fez 6 gols em 9 partidas. Não há como negar que os atacantes estão em baixa nessa temporada. A média do Campeonato é uma das piores e os artilheiros têm apenas 9 gols em 19 rodadas (sendo que Bruno César, do Corinthians, é meia e Elias, do Atlético-GO, desandou a marcar gols nas últimas 4 rodadas, tendo feito na sequência 3 contra o Palmeiras, 2 contra o Avaí, passando em branco contra o São Paulo - mas dando a assistência do gol de honra dos goianos - e fazendo 2 no Vitória). Então, a escolha de Fred é, no mínimo, comreensível, até mesmo em virtude da falta de opções.
Não imaginei que me alongaria demais na postagem. Com isso, as projeções ficam para uma próxima.
Até breve!
Fala sério?
ResponderExcluirMisael e Rafael Carioca.
Tá certo que não vejo jogo do vasco, mas será que ele tá jogando tanto assim? O Celso Roth falou, em uma entrevista, que ele não evoluía tecnicamente, embora bom no passe e desarme, falava no avanço, tanto pelo flanco e, principalmente, na falta de finalização.
Mas, quanto à questão do segundo atacante, fica complicado. O Jonas esteve irregular, embora seja um dos artilheiros. O Iarley está aparecendo bem. Mas não tinha espeaço nem para o Ganso, nem para o Neymar?
Afinal, o Santos, depois que terminou a Copa do Brasil, ganhou quase todos os jogos.
Já que votou em jogadores do Ceará, não tinha nenhum do Avaí? Tem aquele atacante, bom jogador.
Também lembraria do Maicossuel, que arrumou o meio-campo do Botafogo. Parece um jogador quase completo, tem velocidade, chute, passe e bola parada.
Por fim, acho meio estranho não incluir o Roberto Carlos. Tenho escutado em vários lugares que é, provavelmente, o melhor jogador do campeonato até agora. Ontem, no empate do Corinthians e o A|tlético-PR, o gol só saiu por conta da saída dele.
Abraço,
Gabriel.