quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A PEDRA FUNDAMENTAL

Ontem fui com a gurizada no lançamento da pedra fundamental da Arena do Grêmio. Enfrentamos longa viagem até o distante Humaitá, ainda tendo que aguentar um desagradável cheiro de vômito dentro do carro. Culpa minha, não segurei: a ideia era FERTILIZAR a arena. Mas em dia de festa, quem se importa? Chegando perto do terreno da futura casa azul, acompanhamos a pequena multidão que se dirigia ao próximo santuário de glórias Tricolores.

Tudo muito bom, tudo muito bem, tudo muito bonito.

Mas a pequena multidão encontrou os portões fechados. Justificativa: lotação máxima. Pouco depois dos portões serem reabertos, a verdade era outra: havia espaço para mais – no mínimo – duas mil pessoas do lado de dentro. E assim foi durante toda a tarde – ao invés da festa prometida em largas ações de marketing, o que se viu foram diversas falhas de planejamento, marca registrada da atual direção do Grêmio. Mesmo com um palco montado junto ao torcedor, a cerimônia ocorreu num canto do terreno, em uma área vip para privilegiados. A festa era para poucos. Quem tivesse coragem e tentasse uma aproximação sem convite era IMPEDIDO pela lama, pelas grades e por alguns seguranças. A Arena começa com o torcedor de fora.

Mas e aí, e o GRANDE Estádio Olímpico Monumental, vai ser simplesmente esquecido? Dinamitam um território sagrado e depois deixam uma placa de lembrança, como aconteceu na ocasião da troca da Baixada pela Azenha? E que porra é essa de “arena padrão Fifa”? Cadeiras confortáveis no estádio? Tchê, arquibancada é de pedra fria! Se o ingresso já é 40 reais hoje, no Olímpico, quanto custará para entrar na Arena em um dia de jogo?

Mas vamos do começo. O verdadeiro problema não é o fato de o estádio ser tão longe que o nome Grêmio Foot-Ball PORTO-ALEGRENSE se torna quase mentiroso, afinal, ATÉ A PÉ NÓS IREMOS; não é o DESCASO com o sócio, pois isso nem depende de estádio, e sim da incompetência da direção; não é a demolição do Olímpico e também não é o tal “padrão Fifa”. O problema é a PRESSA. Explico.

O estádio da Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre vai ser o Beira-Rio. Isso é certo, e tanto faz a Arena ser boa ou ruim. O que aconteceu foi que os politiqueiros tricolores se aproveitaram da nobreza do torcedor, que é quase sempre tão cego quanto eles gostariam, e simplesmente fizeram parecer que ainda havia chance de o Grêmio sediar os jogos da Copa – SE OS TRÂMITES DA ARENA FOSSEM RÁPIDOS, afinal a burocracia não podia impedir o avanço do clube. As contestações ficavam pra outra hora, não dava tempo. Não dava tempo nem pra pensar. Na sede de sempre ser melhor que o rival, os gremistas compraram o discurso dos dirigentes. O Projeto Arena foi aprovado praticamente sem a participação do sócio. A única alteração feita a pedido da torcida foi a instalação de cadeiras removíveis atrás de um dos gols, para que a Geral RESISTA em pé.

E, pra completar, apareceu a construtora. O Grêmio contratou a OAS. Coincidentemente (?), uma construtora envolta em diversas FALCATRUAS, desde o caso Bancoop até o superfaturamento na obra de ampliação da pista do aeroporto de Congonhas... Tudo muito SUSPEITO. Por que tanta pressa dos politiqueiros do Grêmio em passar o Projeto Arena? Não me entendam mal: é sim um grande passo a ser dado pelo Tricolor, e a ideia de estar a alguns metros do campo, e não a 40, como acontece hoje no Olímpico, é incrível. O passo é importante, mas deve ser dado com cautela. Cuidado pra não tropeçar, Grêmio. E até onde eu sei, quem faz as coisas com pressa não tem cuidado.

A pedra fundamental da Arena foi lançada. Sentirei saudades da pedra fria do meu Olímpico.

Por Arthur Viana

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