O primeiro turno da Série A está quase terminado. Ainda faltam dois jogos atrasados (Santos x Inter, na Vila Belmiro, e Vasco x Corinthians, em São Januário), mas o campeonato vai começando a se desenhar. Vejamos como:
Na parte de cima da tabela, Fluminense e Corinthians devem brigar por título ou, no mínimo, Libertadores até o final da temporada. Santos e Inter vêm em boa ascensão. No entanto, dois aspectos importantíssimos pesam muito contra esses clubes: os santistas perderam Paulo Henrique Ganso e os Colorados disputam o Mundial em dezembro. O torcedor do Peixe pode dizer que o time está bem, mas contra o Flamengo, na segunda etapa, o ataque era Mádson e Zé Eduardo (pouco para quem quer ser campeão), pois Neymar estava suspenso (o que pode acontecer com qualquer clube e obriga as equipes a terem bons e numerosos elencos) e Keirrison ainda não encontrou a sua melhor forma; o fato é que o plantel santista foi enfraquecido com as perdas e faltam agora peças de reposição de qualidade parecida. No Colorado, o próprio técnico Celso Roth já admitiu que se a equipe não estiver muito bem pode largar o Brasileirão e focar na disputa do Mundial; ou seja, se o Inter amargar uma sequência ruim, talvez 3 ou 4 jogos sem vitória, e desistir da campanha pode ser tarde para recuperar depois. O Cruzeiro, que poderia ainda ser apontado como candidato ao título, é inconstante demais para a qualidade dos jogadores de que dispõe. Está pagando por ter trocado de técnico e reformulado o elenco em meio ao campeonato; isso demanda um mínimo de tempo, indisponível a um clube que quer brigar pelo título. Pode ser que o time dê liga rápido e engrene, mas a tendência é que alterne bons e maus momentos. O Botafogo, apesar de não ter um grande time, pode, sim, chegar ao final da competição lutando por vaga na Libertadores; entretanto, se isso ocorrer será mais por ausência de concorrentes à altura do que por méritos próprios. Vejo alguma possibilidade ainda para Vasco e São Paulo: os cariocas têm um bom elenco, principalmente com boas opções do meio para frente, e também contam com um PC Gusmão inspiradíssimo, tendo ajeitado o time rapidamente, tanto que ainda segue invicto. O São Paulo é conhecido que dispõe de grande elenco e a equipe parece estar reagindo; fez bons jogos fora de casa contra Fluminense e Atlético-MG e venceu o Atlético-GO em casa. Ainda é cedo para dizer, mas potencial não falta aos comandados de Sérgio Baresi.
O mais difícil de apontar são aquelas equipes que não farão nada no campeonato; nem tem força para chegar ao G-4 (atualmente, G-6), mas estão longe de serem rebaixáveis. Hoje, vejo apenas Atlético-PR, Guarani e Palmeiras nessa situação (claro que vale ressaltar o HOJE; não dá para dizer que são três equipes das mais confiáveis). O Furacão deu uma boa engrenada e Carpegiani parece estar chegando perto do time ideal. Quanto ao Bugre, as vitórias em casa têm ajudado a manter o time pelo menos longe do Z-4 (em Campinas, o fator chave nem é tanto a torcida, e sim o gramado, péssimo, que atrapalha demais os rivais; acho o pior gramado da primeira divisão, que esse ano não conta com nenhum pernambucano - com todo o respeito, mas Aflitos e Ilha do Retiro têm pisos horríveis). No Palmeiras, Felipão já conseguiu dar uma outra cara à equipe. Ajustou bem os reforços entre os titulares (Rivaldo, Fabrício, Valdívia e Kléber) e até têm algumas boas opções no banco (Vítor, Pierre, Lincoln e Ewerthon). Ainda existem parafusos a apertar (a derrota para o Cruzeiro, em casa, e de virada, exemplifica muito bem isso), o que deve manter a inconstância da equipe até o fim do Brasileirão. O Avaí não é dos piores, mas a sequência ruim, que aproximou os catarinenses do rebaixamento, não me permite descartá-los da corrida contra a degola.
Na parte de baixo, o Goiás precisa de um milagre à lá Fluminense no ano passado. Realmente é complicada a situação; tempo ainda há, a pontuação é ruim, mas nem tanto, agora, o desalentador mesmo é o elenco. Quem vai salvar o Esmeraldino? Atlético-GO e Grêmio Prudente ainda têm chances de reagir; ao menos, ao contrário do Goiás, têm equipes mais ou menos escaladas (se bem que o Prudente trocou de técnico recentemente e Antônio Carlos ainda não acertou a equipe como Toninho Cecílio, que estava próximo de um time ideal. O tempo, assim como no caso do Cruzeiro, corre contra os paulistas). Atlético-MG e Grêmio dão pinta de que vão lutar até o fim contra o Rebaixamento; contudo, não devem conseguir muito mais do que uma vaga à próxima Sul-Americana. Ceará, Avaí, Flamengo e Vitória são as grandes incógnitas do futebol nacional atual; os dois primeiros flertaram com a Libertadores durante quase todo o primeiro turno, mas vem em queda vertiginosa e o Brasileirão já mostrou equipes que começaram bem e foram rebaixadas depois (os chamados Cavalos Paraguaios); o atual campeão brasileiro, agora sob a batuta de Zico e o comando técnico de Silas, pode reencontrar o caminho das vitórias (o Galinho com certeza vai estruturar o clube fora dos gramados melhor que os seus antecessores e Silas é um bom técnico e pode, sim, ajeitar a equipe); o Rubro-Negro baiano foi finalista da Copa do Brasil, mas anda meio bagunçado (Toninho Cecílio está meio perdido e, além de ainda não ter definido os titulares, não parece contar com a simpatia de todo o grupo).
Para não ficar uma postagem enorme (e também para ter assunto para amanhã!), vou deixar para o próximo post uma análise da possível Seleção do primeiro turno e também, acatando a sugestão do Gabriel, discutir as projeções de pontuação para título, libertadores e rebaixamento, que começarão a aparecer seguidamente no dia-a-dia de quem acompanha o Brasileirão. Até breve!
Algumas impressões.
ResponderExcluirAcho que o time do Corinthians parece melhor defensivamente, do que o Fluminense. Vi o jogo entre Fluminense e Guarani, acho que o Fluminense, ao abdicar do esquema de 3 zagueiros para incluir o Deco, perdeu força defensiva (não tem 2 bons zagueiros e os laterais apóiam bastante), ficou com 2 articuladores que, embora muito talentosos, são lentos, e assim, perdeu velocidade de contra-ataque.
O Emerson vinha se destacando, por fazer muito bem o papel de ponta de lança, e imprimindo maior velocidade, além de poder de finalização. Mas está lesionado. Washington depende muito que a bola chegue com qualidade. Por ter alguns jogadores veteranos, parece cansar no segundo tempo.
O Corinthians, no empate com o Atlético-PR, pareceu um time muito retrancado. Depende muito da condução de bola do Elias, e, assim, necessita de dois atacantes de velocidade, o que deve funcionar apenas com Iarley e Jorge Henrique. O Ronaldo está obviamente lento, e, com ele jogando, o Corinthians deve fazer gol, apenas, de bola parada. Como o José Simão falou no UOL: O Corinthians, na verdade, não comemorou os 100 anos de existência, mas, sim, a marca de 100 kg que o Ronaldo atingiu (hehehe). Bruno César é um bom jogador, mas, ainda jovem, deve ter atuações irregulares. Mesmo assim, parece mais consistente na defesa.
São Paulo é um time claramente envelhecido. Já li que reformularão as categorias de base, lañçaram Casemiro, Marcelinho, e aguardam o retorno de Henrique e Mazola. Li que eles consideram o ano perdido, tanto que nem contrataram treinador.
Quanto ao Palmeiras, acho que a situação política interna deve ser muito complicada. Não é possível, do ponto de vista técnico, que não se perceba o trabalho do Luxemburgo, Muricy e Felipão. Os três fracassaram. Acho que o Felipão, embora com discurso semelhante ao tempo antigo, parece um pouco cansado e, isso sim, claramente desmotivado com o que encontrou.
Além disso, não tem jogadores para implantar o estilo de contra-ataque rápido que sempre gostou de aplicar nos times. Valdívia e Lincoln estão muito mal fisicamente, e Kleber tem que resolver tudo sozinho. O Palmeiras se resume a passes do Marcos Assunção para o Kleber. Além disso, como os zagueiros são inexperientes e inconstante, vai relutar em abandonar o esquema com 3 zagueiros. Cautela demais resulta em excesso de empates (10). Deve concentrar na Sul-Americana.
O Inter seria, ao natural, o maior candidato, ao lado dos Santos (por serem os vencedores do 1 semestre). Mas o Inter é baseado em posse de bola, marcação muito forte dos volantes e dupla de zagueiros muito boa. Com a saída do Taison, perdeu a velocidade e a jogada individual no contra-ataque. Assim, depende de bola parada e jogadas individuais do Kléber e D'Alessandro. Deve ter maior dificuldade em jogos fora.
Uma pequena impressão.
Abraço,
Gabriel.