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| Foto: Shaun Botterill/Getty Images |
Sir Alex Ferguson irá deixar o cargo de treinador do Manchester United/ING após quase 30 anos. Uma hora todos têm que parar, é verdade, mas o futebol vai sentir falta da sua experiência e da sua qualidade. Ferguson deve continuar no Manchester, em um cargo administrativo, e com certeza será questionado e dará a sua opinião sempre com muita elegância e inteligência. Mas o seu comando e o seu olhar de quem sabe tudo à beira do campo ficarão no passado, na história, nas lembranças dos grandes momentos, sejam eles títulos ou fracassos.
O maior exemplo atual de continuidade na história do futebol, de ligação entre clube e pessoa, se encerra. Após quase 1.500 jogos no comando da equipe, Ferguson tem o incrível aproveitamento de quase 60%. Hoje, pode se dizer que sua vida é fácil, devido a estrutura e o poderio financeiro do clube. Mas é bom lembrar que se as coisas estão assim atualmente, é também graças ao trabalho de Ferguson. Para se ter uma ideia, dos 20 títulos do campeonato inglês conquistados pelo United, 13 foram sob o comando do escocês. É por isso que ele é um dos poucos a ter tanto reconhecimento do seu trabalho ainda em vida, como ele mesmo brincou quando construíram uma estátua sua no pátio de Old Trafford: “Normalmente, as pessoas morrem sem ver uma estátua própria. Eu superei a morte. É um momento de muito orgulho”.
Ferguson tem defeitos e fez escolhas erradas, é claro, mas dados os seus números impressionantes e a sua conduta eles passam despercebidos. O que ele representa é muito maior do que qualquer erro ou acerto. No Brasil, valorizamos e nos surpreendemos com atletas que ficam por muito tempo no mesmo clube, como os goleiros Marcos, no Palmeiras, e Rogério Ceni, no São Paulo. Imagine um técnico desenvolver tamanha sintonia com um clube a ponto de permancer quase 30 anos no comando da equipe, enfrentando crises, reformulações de grupo, vaias da torcida, conquistando títulos e ajudando a transformar o clube num dos grandes do mundo.
O caso de Ferguson é raro, e com certeza não vai se repetir facilmente. Por mais que o United tenha histórico de apostar num mesmo comandante, é muito difícil que alguém permaneça no clube por tanto tempo. Sem falar que agora, a sombra de Ferguson irá acompanhar os comandantes do clube, e essa transição precisará ser feita com muito cuidado. A torcida precisará ser paciente, os atletas precisarão entender uma nova filosofia, e para isso mais uma vez a presença e a experiência do escocês serão fundamentais no processo de construção de uma nova era no United.
NOITE DECISIVA PARA SÃO PAULO, FLU E GALO NA LIBERTADORES
Nesta quarta, dois jogos movimentam os clubes brasileiros na competição mais importante da América do Sul. O Fluminense recebe o Emelec/EQU após ter perdido por 2 a 1 no Equador. No último minuto, um pênalti absurdamente marcado a favor do time da casa decretou a derrota dos comandados de Abel Braga. Para o duelo desta quarta, o Flu chega com algumas turbulências: a perda do segundo turno do Carioca para o Botafogo e o doping do garoto Michael. Dentro de campo, o reforços de Fred e Thiago Neves animam, embora os dois ainda estejam fora das melhores condições físicas. Como o rival é fraco, não cabe ao Flu se lançar desesperadamente ao ataque, pois se levar um gol terá que fazer 3 para se classificar sem a necessidade de pênaltis. Prudência e paciência, mas com intensidade ofensiva, pode ser a melhor receita para a classificação tricolor.
No outro duelo da noite, talvez o mais equilibrado dessas oitavas de final, o Atlético-MG recebe o São Paulo no Independência. Com o quarteto ofensivo R10, Bernard, Tardeli e Jô em campo, o Galo tenta atropelar mais um oponente em seus domínios e avançar rumo ao título. Mas a tarefa não será fácil. O São Paulo tem camisa em Libertadores e cresceu nos últimos jogos da competição. Venceu o time mineiro na última partida da fase de grupos e jogava bem até ter Lúcio expulso no duelo do Morumbi. Com Ganso e Jadson na armação, Osvaldo correndo na frente e Luís Fabiano dentro da área, mesmo que o Fabuloso esteja em má fase, é bom o Galo não descuidar da defesa. Promessa de jogaço e muitos gols, pois o Galo é ofensivo por natureza e o SP precisa deles para se classificar.

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