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| Foto: Daniel Ramalho/Terra |
Contestações sempre vão existir nas convocações da Seleção Brasileira, afinal, em uma lista com 23 nomes é quase impossível achar unanimidade em toda ela, mas vejo o Brasil novamente no caminho certo, como ocorria no final da Era Mano Menezes. Felipão acertou em deixar os medalhões Kaká, Ronaldinho e Luís Fabiano de fora. Os três já não tem mais o que provar e embora R10 esteja bem no seu clube, há tempos que não produz na Seleção. Com muitos jovens e inexperientes usando a amarelinha, talvez falte cancha em alguns momentos durante o torneio, mas a Copa das Confederações é o de menos, o que importa é preparar a equipe para a Copa do Mundo do ano que vem. Por isso, será importante dar tempo a este grupo junto, jogando uma competição, não amistosos, e uma derrota, dependendo das circunstâncias, pode ajudar muito no crescimento da equipe e finalmente começar a tornar a Seleção um grupo, uma equipe, não um amontoado de atletas que se encontrar para atuar junto.
Com os nomes que a Seleção tem, dá para fazer um time bem interessante do meio para a frente, o problema pode ser Felipão. Embora tenha ganho a Copa do Brasil ano passado com o Palmeiras, ele parece taticamente no passado. É claro que a sua experiência, especialmente em competições curtas, pode e deve ajudar muito, mas para encarar seleções como a Espanha e a Alemanha - que não vem à Copa das Confederações, mas com certeza virá ao Mundial - é preciso muito mais do que isso. Aliás, é preciso jogar, não dá para contar com o erro do adversário, como muitas vezes atuam os times de Felipão.
Com base na lista de Felipão e em suas preferências, dá para imaginar Júlio César no gol; uma linha de quatro atrás com Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Fernando (Luiz Gustavo) e Paulinho como volantes; Lucas aberto pela direita, Oscar centralizado e Neymar aberto na esquerda; e Fred como centroavante. O treinador chamou jogadores para manter essa estrutura: Jean e L. Gustavo para volantes, Hulk e Bernard para atuarem abertos, Hernanes e Jádson para armarem o jogo e Leandro Damião para ser a sombra da camisa 9. Dá para notar também que Felipão privilegiou o momento dos jogadores: Réver é o melhor do zagueiro atuando no Brasil no momento; Dante e Luiz Gustavo, embora reservas do Bayern de Munique/ALE, jogam com certa regularidade no grande time da Europa neste ano; Bernard e Damião também vivem boa fase, assim como Jádson, com o são-paulino em menor escala.
O que vai acontecer é impossível de prever, claro. Mas vejo como muito positiva a atitude de Felipão chamando uma Seleção jovem e sem os principais nomes do país, que realmente não deram resposta quando atuaram com a amarelinha. O primeiro passo para o Brasil voltar a se reerguer era superar os dramas do passado: não adianta chamar jogadores que perderam e querem dar a volta por cima se eles não querem de verdade, como é o caso de R10 e Kaká. Ronaldinho está bem no Galo, é verdade, mas ele não tem mais o mesmo destaque. No segundo jogo com o São Paulo pela Libertadores, por exemplo, Tardelli, Bernard e Jô foram mais fundamentais para o time do que ele. O caso de Kaká é pior; sem sequência no Real Madrid/ESP, fica difícil para ele voltar ao mesmo nível. Ao mesmo tempo, se ele não tem sequência é porque não deve estar mostrando nos treinamentos que é melhor do que os colegas. Caso parecido é o de Robinho que estava bem no Milan/ITA antes de lesionar, mas ficou um bom tempo parado.
Enfim, acho que Felipão deve aproveitar o momento para criar um espírito de grupo mais forte, apostar mais nesses atletas, que têm boas chances de estarem bem no ano que vem. Mas a Copa do Mundo é outra coisa, como disse o próprio Felipão, falta um ano e a lista ainda irá mudar. Por agora, o técnico precisa confiar nos nomes que chamou e criar um time competitivo. Resgatar o apoio do torcida, que virá mesmo com derrotas desde que a equipe se saia bem, é outro ponto chave para Scolari. O primeiro passo foi dado, fora de campo, agora é armar a equipe e mostrar dentro de campo que o torcedor pode confiar em uma Seleção competitiva, que pode encarar as melhores do mundo.

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