sábado, 27 de abril de 2013

Renascimento Alviverde

A vitória do Juventude sobre o Grêmio, nos pênaltis, valoriza o enfrentamento feito pelo time de Caxias do Sul. O Tricolor foi abaixo do que pode jogar, mais uma vez, mas foi um pouco melhor do que nas últimas oportunidades, o que valoriza o resultado por parte do Alviverde. O time de Lisca correu poucos riscos na defesa, não se limitou a apenas marcar o Grêmio e fez uma partida muito intensa ofensivamente, embora não tenha criado grandes oportunidades. Nos pênaltis, o goleiro Fernando brilhou, pegou a cobrança de Vargas e contou com um erro bisonho de André Santos. Na transmissão da rádio Band lembraram da Copa América de 2011, quando o Brasil errou 4 pênaltis contra o Paraguai. André Santos era um dos atletas, e sua cobrança neste sábado foi bastante parecida com a daquele dia (veja neste link http://www.youtube.com/watch?v=k5rQ7hEHpsQ os pênaltis daquele  jogo, em que Elano, também do atual elenco gremista, perdeu uma cobrança). No jogo, o camisa 27 também falhou no gol do Ju. Com Alex Telles bem, não seria o momento de dar uma chance para o garoto?

O Ju fez um grande jogo. A defesa esteve bem, especialmente o lateral-direito Moisés e o goleiro Fernando. Os meias Diogo Oliveira e Alan tiveram boa participação ofensiva; na frente, o time sentiu a falta de Bérgson, emprestado pelo Grêmio e que não jogou por questões contratuais, deixando Zulu muito isolado. Mas o Grêmio segue abaixo, segue devendo. Nem a defesa, o setor mais desfalcado (composto por Bressan e Grolli), foi a culpada, mas sim o meio-ataque. Fábio Aurélio foi um a menos, teve atuação comprometedora. Elano faz muita falta, mas a equipe precisa achar soluções. A opção com Alex Telles e André Santos no meio parece melhor do que insistir com Fábio Aurélio. Luxemburgo sabe, e não parece muito preocupado com o resultado do Gauchão. O treinador gremista entendeu que o Estadual é o melhor lugar para um laboratório, e parecia muito mais afim de testar o time do que de vencer. Acabou pagando o pato.

Para a partida contra o Santa Fé/COL, Luxa com certeza não irá por Fábio Aurélio. Elano ou Marco Antônio (que entrou no segundo tempo contra o Ju) devem aparecer na equipe, não juntos, pois os dois voltam de lesão; e André Santos pode ser a opção na meia-esquerda, com Alex Telles na lateral. Na frente, Vargas foi um pouco melhor do que em outros jogos, mas Kléber pode aparecer no time. Até mesmo porque não entrou contra o Juventude, talvez sendo poupado para quarta-feira.

Quanto a demissão de Luxemburgo, nos últimos anos foi um dos poucos treinadores que fez o time crescer, ao lado de Renato Gaúcho. A falta de vitórias incomoda e uma hora a situação fica insustentável para qualquer treinador que perde sempre, mas duvido que Fábio Koff vá demiti-lo em caso de eliminação na Libertadores. Ainda assim, no futebol brasileiro, nenhum treinador estará 100% garantido, nem mesmo quando está ganhando.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Que pasó?

Alguém viu o que atingiu os times espanhóis nessa semana durante os confrontos pela Liga dos Campeões da Europa? Na terça, apesar de dois gols irregulares do Bayern de Munique/ALE, os próprios atletas do Barcelona/ESP reconheceram que foram atropelados. Nem reclamaram dos lances, pois estavam completamente sem forças. O time de Jupp Heynckes marcou sem a bola e jogou quando teve a posse dela, simples assim. O resultado foi um atropelo nos catalães. O Barça já dava sinais contra o PSG/FRA de que essa não é a sua temporada, e a partida contra o Bayern de certa forma castiga uma equipe que não parece mais tão afim de jogar. Realmente, marcou época esse time do Barça, quando os atletas estavam em seus dias normais eram os melhores, mas tudo parece estar indo para o passado. Se os catalães reverterem o resultado de 4 a 0 do primeiro jogo, será a maior amarelada da história do futebol mundial; o Bayern já amarelou recentemente, mas terá que se superar para conseguir ser eliminado.

Polonês Lewandowski deu show e fez 4 no Real.
Foto: Reuters 
No outro duelo das semifinais, o melhor time, com mais conjunto e mecânica de jogo, venceu. O Borussia Dortmund/ALE, que neste ano viu o rival Bayern sobrar no campeonato nacional e impedir o seu tricampeonato, goleou o Real Madrid/ESP empurrado pela Muralha Amarela. Na mesma semana em que prevaleceu o desejo do Grêmio e foi confirmado que o espaço da Geral seguirá sem cadeiras, um respiro no modelo das novas Arenas, que primam pelo conforto e incitam os torcedores à realmente assistirem a partida. O time madrilenho tem bons jogadores, mas depende muito de Cristiano Ronaldo. Quando a coisa está complicada, lá vem o português tirar um gol da cartola e resolver. Mas ontem a noite era de Lewandowski. O polonês, que foi bastante especulado no Manchester United/ING para o começo desta temporada e dificilmente permanecerá em Dortmund, deu show, marcou 4 vezes e colocou o time de Jurgen Klopp muito perto da final. Na fase de grupos, os alemães já haviam encarado o Real e conquistado 4 pontos em 6, ou seja, não foram derrotados. Aliás, o Borussia segue como o único time ainda invicto na Liga dos Campeões.

A situação do Real é bem melhor que a do Barça. Se o time de Tito Vilanova precisa fazer 4 a 0 para levar o jogo para os pênaltis e vencer por 5 gols de diferença para se classificar direto, à equipe de Mourinho basta um 3 a 0. Difícil, muito difícil, claro, mas bem menos impossível.

O futebol alemão vem tentando se reaproximar de ingleses, espanhóis e italianos. O país roubou uma das vagas antes destinadas à Itália na Liga dos Campeões por conta dos bons resultados nos últimos anos em competições europeias. A seleção de Joachim Low é formada por muitos jogadores que atuam no país, assim como ocorre com Inglaterra, Itália e Espanha. Esses são alguns indícios da força que um país tem, pois consegue segurar seus atletas e formar uma liga forte.

Com o Brasil acontece o oposto. Quando formamos uma seleção apenas com atletas que atuam no país conseguimos fazer um time tão pouco confiável quanto a seleção composta também pelos jogadores que atuam fora do País. Perder, empatar, estar desentrosado, tudo faz parte, mas a atitude da equipe é que chama a atenção. É muita apatia. Sem falar que Felipão está ultrapassado. O comentário dele sobre os volantes nessa semana foi de uma infelicidade sem tamanho. No futebol moderno, apenas marcar é pouco, muito pouco. Assim como para os atacantes apenas jogar com a bola já não serve. Se Tite estivesse no nível em que está hoje há um ano atrás, com um pouco mais de tempo para preparar a equipe, diria que ele é o nome para comandar a seleção. Mas do jeito que a coisa anda, não sei se alguém pode salvar a seleção do vexame, e quem assumir a barca agora estará fadado ao fracasso.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sem lugar para a Zebra

Juan: zagueiro lembrou seus momentos de artilheiro
e marcou os dois gols da virada Colorada.
Foto: Alexandre Lopes/Internacional
O Inter passou pelo Lajeadense por 2 a 1 neste domingo com certa dificuldade, muito em parte pela boa atuação do adversário no primeiro tempo, mas também por uma certa falta de opção ofensiva do time. Fred e Forlán estiveram muito abaixo do que podem render, e deixaram D`Ale, Damião e os laterais sem muitas alternativas. Coube ao zagueiro Juan aproveitar duas bolas bem cruzadas e definir a classificação. Na metade do segundo tempo, imaginei que estivesse faltando pernas ao Lajeadense, que levou a virada rapidamente; mas não, o time é que recuou demais, não conseguiu suportar a pressão na volta do intervalo e agora volta o seu pensamento para a Série D. Se mantiver o conjunto e tiver o apoio da torcida, pode fazer uma grande campanha e quem sabe chegar ao acesso. O adversário Colorado nas semifinais será o Veranópolis, que derrotou o Passo Fundo, nos pênaltis, após um empate em 0 a 0 no tempo normal.

Assim como o Lajeadense, o Juventude, o outro gaúcho na Série D, pode fazer bonito e tentar avançar de divisão no cenário nacional. Ontem, o Ju eliminou o Novo Hamburgo. Abriu 3 a 0, levou dois gols, mas garantiu a vaga e espera o classificado de Grêmio x São Luiz. O jogo de hoje à noite, na Arena, tem um certo risco para o Tricolor. Embora favorito, são muitos desfalques, sem falar no desgaste após a viagem para o Chile. Se for eliminado, o que pode, sim, ocorrer, o Inter põe automaticamente uma mão na taça. Já está muito claro que se a Dupla levar o Gauchão a sério, fica muito complicado para os rivais, e o time de Dunga ao longo de toda o campeonato tem mostrado isso, seriedade e competitividade.

LIÇÕES DA VITÓRIA

O Inter está mostrando organização tática e competitividade, mas precisa melhorar muito ainda para o Brasileirão e as fases decisivas da Copa do Brasil. A equipe carece de alternativas ofensivas, especialmente contra adversários que jogam esperando o Colorado, o vai ocorrer muitas vezes ao longo do ano. No jogo deste domingo, Fred e Forlán foram mal, apareceram pouco e deixaram D`Ale e Damião jogando sozinhos. Willians e Airton acrescentam pouco ofensivamente, e Gabriel e Fabrício apoiaram menos do que de costume, sem falar que os dois têm limitações técnicas, especialmente o lateral-esquerdo. No grupo, Dunga tem como opções principais para o meio Dátolo, em má fase, Otávio, ainda pouco confiável, e Vitor Jr., que deu pouca resposta nas chances que teve; para o atacante há Caio e Rafael Moura, que dificilmente jogará o lado de Damião, mas é uma opção de jogada aérea para o desespero. O time precisaria de um volante que soubesse jogar mais e de um meia com características de articulação, não de velocidade. Para um campeonato longo como o Brasileirão, o grupo atual do Inter pode ser insuficiente.

SUÁREZ: UM CASO EXTRAORDINÁRIO

O que passa na cabeça do uruguaio Luis Suárez, do Liverpool/ING? É um craque, um jogador com espírito de luta, capaz de jogadas geniais como a defesa que fez na Copa do Mundo, evitando o gol de Gana na prorrogação. Mas também consegue se envolver em polêmicas de racismo e chega ao ponto de morder um rival durante a partida. O que há com Luizito?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Vexame evitado

Zé Roberto comemora o seu gol no Chile.
Capitão e camisa 10 da equipe está suspenso do
jogo de ida pelas oitavas de final.
Foto: Globoesporte/AP
As classificações de Fluminense e Grêmio no grupo 8 evitam um grande vexame do futebol brasileiro. É verdade que não existem mais bobos no futebol, é verdade que Caracas/VEN e Huachipato/CHI têm suas qualidades, mas não dava para o atual campeão brasileiro (Flu) e uma equipe que investiu pesado (Grêmio) ficarem de fora da Libertadores já na fase de grupos. Com isso, apesar do sufoco, dos sustos e da emoção, cariocas e gaúchos se juntam aos outros quatro brasileiros também classificados (Atlético-MG, Corinthians, São Paulo e Palmeiras) nas oitavas de final.

Para quem pensa que a Libertadores começa agora, talvez não seja bem assim. Para o Grêmio, começou já contra a LDU/EQU, em janeiro; todos lembram das dificuldades, e a classificação veio apenas nos pênaltis. Na fase de grupos, tanto Grêmio quanto Fluminense e São Paulo não tiveram dificuldades porque atuaram sem vontade, mas porque jogaram mal. O time gaúcho é uma equipe com muitas caras novas, ainda em formação; o carioca perdeu atletas importantes lesionados, como Deco e Fred; e a equipe do Morumbi perdeu Lucas e ainda não reencontrou a melhor forma de jogar, sem falar nas confusões de Luís Fabiano. Corinthians e Atlético-MG são equipes mais prontas, e por isso passaram de fase com maior tranquilidade. O Palmeiras também mexeu demais na equipe, mas pegou um grupo que se mostrou muito fraco, tanto que o Verdão ficou em primeiro lugar, mas com a pior campanha entre os líderes, 6 pontos abaixo do Galo, o melhor time da fase de grupos. Alguém acredita que o Verdão vai longe?

Agora, que mata-mata é outra história, bom, aí, sim. Classificado em primeiro ou segundo no grupo não faz tanta diferença, porque as equipes têm chances iguais. Dois jogos, um na casa de cada equipe, classifica quem tiver melhor saldo, e é isso. Nada de vários jogos, chances de recuperação. Uma goleada na primeira partida e a classificação praticamente se evapora.

Nas oitavas de final, teremos duelos muito interessantes, nessa que promete ser (e já está sendo) uma das maiores Libertadores dos últimos tempos, pela qualidade e pelo nome dos times que a disputam. Entre os brasileiros, apenas dois se enfrentam: São Paulo x Atlético-MG, que já jogaram pela fase de grupos. Favoritismo para o Galo, mas a vitória de quarta-feira mostrou que o Tricolor não está morto, muito pelo contrário. O Palmeiras pegará o Tijuana/MEX, que estava no grupo com o Corinthians. Pedreira para o Verdão, que irá decidir em SP a vaga; para isso, precisa voltar do México com um bom resultado.

Corinthians x Boca/ARG fazem a reedição da última final. Mais uma vez, os argentinos fizeram uma péssima primeira fase e vão mal também no campeonato nacional. Após as vitórias de Fluminense (2008 e 2012) e do título corintiano, o Boca já não assusta mais tanto os brasileiros, mas ainda assim é um time copeiro que inspira todos os cuidados, obviamente. O Fluminense irá encarar o Emelec/EQU, que se classificou em segundo atrás do Vélez/ARG e eliminou o tradicional Peñarol/URU. Apesar de tudo, os equatorianos são fregueses dos brasileiros nos últimos anos e o Tricolor não deve ter grandes problemas.

Por fim, o Grêmio encara o Santa Fé/COL. A equipe de Luxemburgo já sofreu na Colômbia ano passado, sendo eliminada da Sul-Americana pelo Millonarios/COL. O Santa Fé ficou na primeira colocação de um grupo que tinha Real Garcilaso/PER (2o), Tolima/COL e Cerro Porteño/PAR. Com certeza, o time gaúcho não terá vida fácil, mas é um adversário completamente derrotável.

Os demais duelos das oitavas reúnem Olímpia/PAR x Tigre/ARG, Vélez/ARG x Newell's/ARG e  Nacional/URU x Real Garcilaso/PER. 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ressucitou?

A vitória do São Paulo sobre o Atlético-MG na noite dessa quarta-feira foi completamente legítima. Os 2 a 0 traduzem bem o que foi jogo: ampla superioridade defensiva dos paulistas e muita disposição, mas também alguns problemas do meio para a frente. Aliás, ambos os ataques estavam com 50% da sua força total: no Tricolor, Jadson e Luís Fabiano estavam suspensos, enquanto no Galo, Bernard e Tardelli ficaram de fora por lesões. Os reservas estão longe da qualidade dos titulares, embora a dupla Douglas-Aloísio tenha mostrado muita disposição; no Galo, Cuca optou pelo jovem Luan, de pouca participação, e mexeu na estrutura do time colocando Serginho no meio para ajudar a marcar Osvaldo. Ainda no primeiro tempo, Serginho foi para a lateral e Marcos Rocha, para o meio. Na etapa inicial, funcionou; nos 45 mins finais, Osvaldo começou a se mexer mais, foi para o centro, para a direita, e aí a marcação foi para o espaço. No fim, mais do que o duelo tático, prevaleceu a vontade do São Paulo; o time do Morumbi jogou uma decisão, o Galo entrou firme no primeiro tempo, mas voltou mole do intervalo. Não adiantou Cuca se esgoelar na beira do campo; como disse Ronaldinho, o time queria apenas treinar.

A classificação paulista não tira o favoritismo do Galo para o confronto de oitavas de final e até mesmo para o título da Libertadores. Mas com certeza dá muita moral para que o time de Ney Franco reencontre as melhores atuações, ao menos com mais disposição, como na noite desta quarta.

PROJEÇÃO PARA AS OITAVAS

Ney Franco pode ter encontrado uma escalação bem próxima da ideal. Tolói e Lúcio foram firmes na zaga, Paulo Miranda tem bom apoio para um zagueiro improvisado na lateral-direita e Carleto mostrou muito disposição na esquerda, além de ter apoiado o tempo todo. No meio, Denílson e Wellington são cães de guarda, embora acrescentem pouco ao ataque; Ganso mostrou mais vivacidade do que em outras oportunidades e participou do segundo gol com um belo lançamento para Osvaldo. Com a volta de Jadson, Douglas poderia perder o lugar no time, mas o Tricolor perderia em combatividade no meio-campo. Na frente, mesmo com a volta de Luís Fabiano, que deve ocorrer apenas para o segundo jogo das oitavas, manteria a dupla Osvaldo e Aloísio. Os dois jovens têm qualidade e estão a fim de jogo, ao contrário do Fabuloso, que embora seja um matador nato, ultimamente anda mais atrapalhando a equipe do que ajudando.

No Galo, Cuca vai sofrer se Bernard não voltar a tempo para as oitavas. O camisa 11 era o melhor jogador da Libertadores até a lesão sofrida no ombro. Sem ele, o time fica muito lento; sem Tardelli, então, a coisa piora. Neto Berola é opção de velocidade, mas mostrou ontem que não dá para jogar em time grande. Ficou cara a cara com Ceni, e não teve apetite para dar uma bomba e fazer o gol. A opção com três volantes também não funcionou; o time ficou torto, muito marcador pela direita e com Richarlyson sozinho na esquerda. Cuca precisará achar opções dentro do grupo; no entanto, o fundamental será recuperar a combatividade da equipe. Se igualar na vontade, os rivais que se cuidem, pois o Galo irá incomodar. Mas se entrar mole como nessa quarta, não chegará longe na Libertadores.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Aberta temporada de caça à Dupla

Uruguaio Forlán reencontrou seu futebol em 2013
e lidera a artilharia do Gauchão com 9 gols.
Foto: Divulgação
Terminada a fase de grupos do segundo turno do Gauchão, começa a temporada de caça à Dupla Gre-Nal. Grandes favoritos do campeonato, principalmente quando utilizam titulares, Grêmio e Inter praticamente não tiveram dificuldades; quando se enrolaram, foi mais por culpa sua do que por imposição do adversário. Como aconteceu com o Tricolor neste domingo contra o Novo Hamburgo: os três volantes de Luxemburgo (Adriano, Fernando e Souza) só marcam. Se um deles não for à frente ou os laterais não aparecerem no ataque toda hora, ficará impossível para Zé Roberto, Vargas e Barcos (a possível escalação contra o Huachipato/CHI, na quinta) jogarem, pois toda a defesa adversária estará marcando apenas os três. Para fazer um gol, o time de Luxa precisará de uma bola parada.

Já o Colorado pegou o embalado Juventude, que fez boa campanha e anima o torcedor para a temporada na Série D, quem sabe com chances de acesso. Páreo para os comandados de Dunga? Nem um pouco. Forlán e Damião, mais uma vez, mostraram todo o seu entrosamento, inclusive como garçons um para o outro, e destruíram o Ju. Garantiram a primeira posição no grupo, o que assegura mando de campo até a final do turno, e também no geral, ou seja, em caso de uma possível final entre campeões de turno o segundo jogo deve ter o mando do Colorado. Ah, de quebra são os principais goleadores do campeonato: Forlán tem 9 gols, e Damião, 8.

No segundo turno, as equipes do Gauchão tiveram melhor tempo para entrosar seus times e fica mais fácil imaginar o que cada uma delas pode fazer nesse mata-mata. O Inter recebe o Lajeadense, que voou no primeiro turno, mas quase não classificou no segundo. A equipe de Lajeado venceu apenas dois jogos, embora tenha perdido um - empatou 4. Isso indica solidez, mas a falta de um ataque mais efetivo pode fazer falta contra um adversário tão poderoso como o Inter. Quem passar do duelo encara Passo Fundo x Veranópolis, que promete ser muito interessante. A equipe de Beto Campos segurou o Grêmio no Vermelhão da Serra há algumas rodadas e levou a partida das quartas para o seu estádio; já o time de Julinho Camargo foi ainda mais longe e venceu o Colorado de Dunga, D`Alessandro e cia por 1 a 0.

Na outra chave o Grêmio recebe o São Luiz. Também não é aquele do primeiro turno, mas a equipe do técnico Leandro Machado pode ter aprendido com os erros cometidos contra o Inter na goleada por 5 a 0 na final do primeiro turno. Precisa se defender melhor, muito melhor, e buscar formas de atacar. Senão ficará difícil. Esperar estar perdendo para se lançar ao ataque será suicídio, e a equipe corre grande risco de levar outra surra se adotar a mesma tática. O classificado encara o vencedor de Juventude x Novo Hamburgo nas semifinais. O Ju é o favorito, se a goleada para o Inter não tiver abalado a sua confiança. O Nóia virá embalado pelo bom jogo e pelo resultado contra o Grêmio na última rodada.

ESTAVA DEMORANDO

Tanto a imprensa atiçou e tanto Marcelo Moreno falou que finalmente a bomba estourou: Kléber, ex-companheiro de ataque do centroavante, saiu disparando contra o falastrão boliviano, que entrou na onda da RBS/Zero Hora e não para de chorar na TV, no rádio e nos jornais. Já se defendeu, já "desafiou" os colegas, que nada tinham a ver com a sua situação até este momento, já viu seu pai xingar o clube, enfim, já houve de tudo. O Torcedor, passional acima de tudo, chegou a pedir seu nome contra o Nóia, lembrando a antiga máxima de que sempre quem não está jogando é o melhor. Mas se uma enquete fosse feita, será que o torcedor estaria a favor do clube ou do atleta? Agora que nem os colegas estão a seu lado, o que fará Moreno? A torcida pode amá-lo ao ver Willian José e Welliton jogando, mas Luxemburgo e Rui Costa devem estar dia e noite pensando o que fazer com o jogador, que a cada declaração estapafúrdia se afasta do Tricolor e se desvaloriza para uma negociação com outro clube. O caos está criado.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ficou tudo para o final

O treinador da Seleção Brasileira, Felipão, esteve na Arena.
Viu um jogo disputado e com poucos destaques individuais.
O melhor em campo foi Fernando (na foto, dando carrinho),
que luta por vaga no meio-campo da Seleção.
Foto: Globoesporte/AFP. 
O duelo entre Grêmio e Fluminense, válido pelo grupo 8 da Libertadores, correu dentro do esperado. O time carioca, recheado de desfalques, entrou no jogo se preocupando unicamente em marcar o Tricolor, que jogou muito pouco enquanto teve 11 em campo. Após a expulsão de Cris, Luxa fez bem em segurar o empate e arriscar quando desse. Claro que para o torcedor fica um jogo chato, de muitas faltas, sem lances de perigo. Contudo, para os dois tricolores, um empate significava encaminhar a classificação dos dois, e foi por esse resultado que as equipes se enfrentarem, o Grêmio ainda mais depois que teve um a menos. Para a última rodada, o Flu entra como primeiro do grupo e joga em casa contra o Caracas/VEN, logo tem a vida mais fácil. Mas para o Grêmio, empatar com o Huachipato/CHI fora de casa não pode ser nada demais, ou então era melhor nem ter disputado a Libertadores.

A arbitragem foi um triste capítulo à parte. O árbitro Ricardo Marques Ribeiro e seus auxiliares erraram o que puderam e o que não puderam. Ribeiro apitou faltas demais, nem no futebol feminino apitam infração em qualquer choque físico. Além disso, não puniu o rodízio de faltas, das mesmas faltas ridículas que insistia em marcar. Depois, exagerou na expulsão de Cris, que realmente chegou forte, mas não passou nem perto de agredir Rafael Sóbis a ponto de levar o vermelho direto. O Flu ainda teve um gol legítimo de Rhayner anulado por impedimento. No fim das contas, a arbitragem acabou errando para os dois lados, o que contribuiu para o placar sem gols.

Outra nota lamentável da noite foi o rojão que atingiu uma torcedora gremista. Até quando vamos acompanhar fatos como esses? Para quem acha que só acontece nos países mais pobres, varzeanos, se engana. Logo no RS, um povo tido como politizado, não deveríamos mais ver cenas absurdas como essas, ainda mais em um estádio como a Arena, de alto padrão. Não adianta se preocupar com o menino morto na Bolívia, realizar amistoso para ajudar a família (se é que o dinheiro vai chegar até ela) e não olhar para dentro do próprio país.

LIBERTADORES

O Palmeiras, quem diria, confirmou a classificação às oitavas de final da Libertadores com uma rodada de antecedência após a vitória contra o Libertad/PAR. Na última rodada, visita o já eliminado Sporting Cristal/PER e se vencer garante a primeira posição do grupo. O trabalho feito no clube, sob o comando técnico de Gilson Kleina, já começa a dar algum resultado. A diretoria manteve o treinador após o 6 a 2 sofrido para o Mirassol pelo Paulistão, e fez bem, pois o jogo realmente foi atípico e demitir o técnico seria um retrocesso enorme no planejamento do clube.

No grupo 1, os temíveis Nacional/URU e Boca/ARG já estão classificados, mesmo faltando uma rodada ainda a ser disputada. Embora longe do futebol de anos anteriores, conhecem a Libertadores como ninguém e é bom levá-los a sério. 

No grupo 6, o São Paulo joga a sobrevivência contra o Atlético-MG. Não sei, não, mas acho que o Galo não irá de sangue doce por já estar classificado e ainda por cima já ter garantido a melhor campanha da primeira fase. O Tricolor do Morumbi terá que jogar como ainda não jogou nessa temporada para vencer, sem falar que depende de tropeço do The Strongest/BOL no duelo contra o Arsenal/ARG. Menos mal para o São Paulo que o jogo será na Argentina.

Três grupos já encerraram seus jogos pela primeira fase e definiram seus classificados: no 4, o Vélez/ARG ficou em primeiro, com 13 pontos, e o Emelec/EQU, em segundo, com 10. Pontuação baixa para os equatorianos, que podem ser um dos 3 piores segundos e encarar os adversários mais temíveis já nas oitavas.

Na chave 5, o Corinthians garantiu a primeira colocação com 13 pontos pelo saldo de gols, deixando o Tijuana/MEX em segundo com o mesmo número de pontos. Ambos sobraram na chave, mas foram beneficiados pelas péssimas partidas do Millonarios/COL, que era um bom time ano passado, e pela fraqueza do San José/BOL.

No grupo 7, o Olímpia/PAR garantiu a primeira posição com 13 pontos. O Newell´s/ARG ficou em segundo, com 9, eliminando os chilenos de La U pelo saldo de gols. Mesmo assim, a pontuação dos argentinos foi baixa. Há grande risco de eles serem os piores da primeira fase e encararem o Atlético-MG nas oitavas.

UEFA CHAMPIONS LEAGUE

Os duelos de volta das quartas de final da Liga dos Campeões da Europa apresentaram momentos inesperados, mas no fim os favoritos avançaram. Destaque para a classificação suada do Borussia Dortmund/ALE contra o Málaga/ESP, com direito a virada nos minutos finais. Nos outros jogos, o Real Madrid/ESP não correu riscos contra o Galtasaray/TUR, embora tenha perdido, assim como o Bayern de Munique/ALE, que derrotou a Juventus/ITA na Itália. No Camp Nou, o Barcelona/ESP foi surpreendido  pelo PSG/FRA e precisou de Messi para empatar e avançar às semifinais.

Em sorteio na manhã dessa sexta, ficaram definidos os confrontos das semifinais entre alemães e espanhóis: Bayern de Munique x Barça e Real x Borussia. O último duelo ocorreu na fase de grupos: na Alemanha, 2 a 1 para o Borussia, e no Santiago Bernabéu, 2 a 2. A equipe de Dortmund é a única ainda invicta na competição.

Também foram definidas as semifinais da Liga Europa, o segundo campeonato mais importante do continente: Fehnerbaçe/TUR x Benfica e Basel/SUI x Chelsea/ING.

domingo, 7 de abril de 2013

Em busca de um lar

Inter abriu as portas para mostrar a reforma do Beira-Rio.
Foto: Divulgação Inter/AG
O Internacional testará a sexta casa em 2013 para a partida contra o Juventude, dia 14. Será a Arena Alviazul, estádio do Lajeadense. O Colorado ainda busca o melhor estádio para sediar os jogos da Copa do Brasil e do Brasileirão. Atlético-MG e Cruzeiro tiveram prejuízos enormes durante as reformas do Mineirão e do Independência, flertando com o Rebaixamento embora tivessem equipes de boa qualidade. Em um campeonato tão equilibrado como o Brasileiro, em que existem pelo menos 11 clubes gigantes do futebol nacional, o fator casa é um diferencial significativo. A ideia inicial de mandar os jogos em Caxias do Sul se mostrou ruim, pelo pouco envolvimento do público, pelo gramado do Centenário, que não é dos melhores, e pela distância de Porto Alegre. Dividir estádio com o rival, ainda mais a recém inaugurada Arena, está completamente fora de cogitação, assim como a grama sintética do Passo D`Areia.

Embora Dunga esteja criando uma equipe competitiva, como demonstrou a vitória sobre o Rio Branco-AC, pela Copa do Brasil, o fator casa pode pesar, e muito, contra o Colorado em 2013. Resta à direção tentar achar o melhor lugar, equilibrando presença de torcida, bom gramado e distância da Capital, para tentar minimizar os efeitos. Nenhum lugar será como o Beira-Rio, mas é fundamental que o time possa se sentir em casa, adaptado ao gramado e a presença do torcedor, para conquistar bons resultados na temporada.

RECUO ESTRATÉGICO

A confirmação de Marco Antônio na vaga de Elano parece um acerto do treinador Luxemburgo. O futebol é competitivo demais para uma equipe atuar com três homens que praticamente não marcam, o que aconteceria se o Tricolor fosse para o jogo no 4-3-3. Além disso, Barcos teria que recuar demais e se desgastaria, sem falar que Zé Roberto apoiaria muito o menos o ataque. Dessa forma, o Grêmio perderia duas importantes jogadas: os avanços de surpresa do camisa 10 e o faro de gol do argentino.

Marco Antônio não é um craque, mas um excelente jogador. Sofre o que aconteceu com Tcheco em vários momentos no Grêmio, uma certa perseguição da torcida, acostumada com atletas de mais força e vivacidade. Marco Antônio, assim como Tcheco, tem um estilo de jogo diferente, mais cadenciado. É um atleta de grupo, que não cria confusão, uma liderança positiva. E dentro de campo é um reserva interessante, mas claro que longe da qualidade e da diferença que Elano e Zé Roberto fazem. Luxemburgo acerta na sua colocação, mexe pouco na estrutura do time e já começa a vencer o duelo com o Fluminense desistindo dos 3 atacantes. Poderia dar certo, claro que sim, mas há um limite entre ousar e ser irresponsável, e Luxa parece ter entendido que o esquema com 3 atacantes dificilmente iria funcionar.

ATÉ QUANDO?

O Flamengo tenta mudar desde a eleição da nova diretoria que assumiu em janeiro deste ano. O treinador Dorival Jr. chegou a ser dispensado por não ter se adequado a nova realidade financeira do clube. Contudo, o início do processo é extremamente tortuoso e dolorido. Os resultados de campo até o momento são péssimos, embora o time tenha vencido o jogo de ida pela Copa do Brasil contra o Remo/PA, no Pará. O grupo de jogadores é fraco, a aposta para o ataque são vários meninos e a diretoria terá que se desdobrar na busca de bons nomes para reforçar o time do técnico Jorginho, recém chegado. Se conseguir suportar esse primeiro momento de turbulência, evitar o Rebaixamento no Brasileirão e formar uma base para a próxima temporada, o Flamengo colherá bons frutos muito em breve. Mas será que a torcida, acostumada às glórias e a jogadores badalados, com grandes salários, irá comprar a ideia de mudança e apoiar o time?

terça-feira, 2 de abril de 2013

Fala muito

Sou adepto do ditado que diz "roupa suja se lava em casa". Não discutir os problemas publicamente não é mascará-los, mas evitar que as coisas piorem. Semana passada, no ônibus, estava com os fones ouvindo música e não ouvi o que um casal dizia ao meu lado, mas pelo gestual a mulher estava dando uma bela de uma bronca no cara. Ninguém gosta de ser "mijado" em público, isso é totalmente desnescessário. No caso dos futebolistas, é ainda pior, pois é uma grande burrice.

Foto: site oficial do Grêmio
Marcelo Moreno foi razoavelmente bem no Grêmio ano passado. Fez 22 gols, é verdade, uma média relativamente interessante, ainda mais se compararmos com os demais atacantes do futebol nacional. Contudo, perdeu gols feitos, por vezes provocou a ira da torcida e não chamou a responsabilidade nos jogos mais importantes. A diretoria e o treinador Luxemburgo, desconfiados do potencial dele e com Kléber lesionado, investiram no ataque e trouxeram Vargas e Barcos. Posteriormente, com a saída de André Lima para a China, buscaram Welliton. É errado reforçar a equipe? Para o boliviano, sim. Ele se disse surpreso com as contratações. Ora, pare de chorar e busque a vaga dentro de campo. Com certeza, se ele jogar bem será escalado, nem que seja pelo grito do torcedor. Dessa forma, choramingando na imprensa e com seu pai volta e meia dando declarações que só lhe prejudicam, sua situação no clube ficará insustentável.

Não gosto deste tipo de discussão, mas essa história do Moreno está indo longe demais. Nesse ano, nas oportunidades que teve contra a LDU/EQU, o boliviano parecia morto em campo, não ganhou nenhuma jogada. Fatalmente iria perder a vaga para André Lima, Mamute ou até mesmo Lucas Coelho, que despontava bem no Gauchão. Com as chegadas de Vargas, Barcos e Welliton, somadas a recuperação de Kléber, Luxa ganhou opções e deu chances para todos, que deram resposta melhor do que Moreno. Agora, resta a ele treinar para tentar recuperar o seu espaço, ou sair se está insatisfeito. Quero ver é achar um time que pague o que ele ganha por um atleta que joga o que ele joga.

O meia Wágner saiu do Brasil como um dos melhores meias do futebol nacional. Ano passado, era reserva do Fluminense, assim como Rafael Sóbis. O Fluminense e o Corinthians são as melhores equipes do país porque seus treinadores conseguem diminuir a vaidade dos elencos e estimular a concorrência. Douglas sequer é relacionado no Timão e as vezes entra 5 minutos cheio de vontade tentando merecer mais chances. Por que a esmagadora maioria dos atletas se acomoda e quer jogar no carteiraço? Luxa está certo, e quanto mais Moreno falar pior fica a sua situação.