Por Diego Ferreira Pheula
O esporte mais popular do Brasil, o
futebol, sofreu uma supervalorização nos últimos tempos,
preenchendo boa parte do tempo da vida social dos brasileiros, tanto
homens quanto mulheres, a ponto de serem cobrados preços
exorbitantes em relação aos produtos que lhes são relacionados
(ingressos, camisetas de times, etc). Mas, afinal, por que os
torcedores brasileiros gastam tanto dinheiro com o futebol?
O fenômeno do encarecimento
do futebol no Brasil teve seu
ápice com a Copa do Mundo que será realizada no país, o que
“autorizou” as entidades futebolísticas (leia-se FIFA) a
cobrarem ingressos em valores estratosféricos. Para se ter uma
ideia, os preços dos ingressos para os jogos do Mundial variam
entre R$ 60,00 e R$ 1.980,00, muito distantes do salário mínimo
pago ao trabalhador no Brasil (R$ 724,00). E não é só isso:
imaginem, por exemplo, quanto custarão os serviços prestados em
torno dos estádios? Será que o torcedor brasileiro apelará para os
empréstimos bancários para irem aos jogos da Copa? Quanto custará,
por exemplo, um simples cachorro quente no estádio?
O “efeito Copa do
Mundo” atingiu também os clubes brasileiros, que, cada vez mais
endividados por conta de suas corruptas e incompetentes
administrações, resolveram repassar todos os seus prejuízos para
os torcedores, suas vítimas favoritas. O Flamengo, ao jogar a final
da Copa do Brasil de 2013, fixou o preço dos ingressos de R$ 250,00
a R$ 800,00, tendo o Maracanã recebido cerca 60 mil pessoas, o que
demonstra que o torcedor tem aderido incondicionalmente aos produtos
do futebol, mesmo que isso custe uma boa parte da renda mensal dos
torcedores.
Além dos ingressos
caríssimos, vale lembrar o valor das camisetas dos times de futebol,
em especial da Seleção Brasileira de Futebol, que custa em torno de
R$ 400,00. Camisetas de outras agremiações tradicionais do futebol
brasileiro, como Internacional, Grêmio, Flamengo e Corinthians, por
exemplo, não saem por menos de R$ 170,00, encontrando sempre um
público significativo, rendendo milhões aos clubes com vendas de
uniformes e outros produtos licenciados.
Sobre o perfil do
torcedor brasileiro que consome os produtos do futebol, nem é
preciso fazer extensa pesquisa para se afirmar que as pessoas
pertencentes às classes C e D são as que mais consomem o futebol no
Brasil, incluindo não só o torcedor que vai aos estádios
acompanhar seus times quanto os que assistem aos jogos pela
televisão.
Diante de tudo
isso, é difícil de entender a razão pela qual um indivíduo, que
possui renda média de R$ 1.000,00 por mês, por exemplo, dispõe-se
a gastar cerca de R$ 500,00 por mês para assistir a jogos de seu
time, “apertando” seu orçamento para poder comprar a camiseta de
seu clube de R$ 200,00, tendo esposa e filhos para sustentar, com
gastos com alimentação, educação, saúde, etc, o que, no Brasil,
não é barato, sendo a oferta pública destes serviços muito
deficitária.
A resposta para tal
indagação talvez esteja na falta de consciência do cidadão
brasileiro, muito marcado por um perfil passivo, de poucas
manifestações, de poucos protestos e de adesão a eventos sociais
alienadores, como o Carnaval, ou na chamada “elitização” do
futebol, fenômeno paradoxal, que mostra que, apesar de os públicos
espectadores do futebol serem das classes B e C, a exigência por um
melhor padrão da qualidade do futebol brasileiro pode ter
justificado o encarecimento deste esporte.
De toda sorte, as
recentes manifestações de junho/julho de 2013, em meio à Copa das
Confederações, relativizou um pouco essa doentia “paixão” dos
brasileiros pelo futebol, tanto que o Governo Federal já anunciou um
contingente de 10 mil agentes para evitar quaisquer manifestações
durante a Copa do Mundo, possibilidade real e alvissareira. A partir
de agora, a expectativa é de que os brasileiros gastem seu dinheiro
mais com educação e saúde, por exemplo, visando ao crescimento
profissional e pessoal, e menos com futebol, um esporte que, do ponto
do puro entretenimento, pouco ou nada contribuiu para o
crescimento/desenvolvimento das pessoas.
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