segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Brasileirão sob suspeita

Não sou a favor da intervenção da Justiça Comum em resultados decididos pelo STJD. Se existe um órgão máximo para controlar as decisões esportivas, então que se faça valer a sua existência. Essas liminares de torcedores pedindo a anulação da perda de pontos do Flamengo ou da Portuguesa só ajudam a bagunçar ainda mais o que já está uma confusão. Sou a favor, entretanto, de uma investigação mais profunda sobre o futebol nacional. O Ministério Público de São Paulo está investigando o caso da escalação irregular de Héverton na última rodada do Brasileirão e o promotor responsável acredita ter indícios de que funcionários do clube receberam dinheiro para que o atleta fosse escalado. Como eles conseguiram burlar a mente do técnico Guto Ferreira é que parece intrigante, uma vez que como treinador ele decide quem entra ou não. De qualquer forma, estamos diante de uma importante descoberta, com provas e fatos, da máfia que existe no futebol brasileiro, mas que ainda não foi investigada e segue operando impunemente. Quanto ao Brasileirão 2014, seu futuro ainda é bastante incerto, e a julgar como as coisas andam dentro e fora de campo (nas obras para a Copa do Mundo), o ano poderá ser decisivo para mudanças radicais no futebol nacional. Esperamos que elas venham logo, doa a quem doer.

PRIMEIROS PASSOS

Os grandes clubes nacionais iniciam suas trajetórias na temporada. Muitos ainda colocam reservas, em virtude do pouco tempo de pré-temporada, enquanto o Inter ainda sequer estreou o grupo principal após três rodadas do Gauchão. No entanto, a colocação de reservas ou atletas da base nas primeiras partidas dos Estaduais traz um grande prejuízo técnico à competição e aos clubes pequenos, que têm raras chances de verem os atletas dos principais times e ainda assim muitas vezes são obrigados a verem apenas reservas. Quem lucra com essa situação? Um Estadual com menos datas poderia dar a chance as equipes das principais divisões nacionais de se prepararem melhor e ainda evitaria a escalação de times com atletas jovens ou que não estão sendo aproveitados. Parece algo tão óbvio que fica difícil entender porque nada muda. Ou melhor, é fácil entender: alguém está se beneficiando dessa situação. Os jogadores e os torcedores não são, então, quem será?

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A quem serve a Polícia?

Por Diego Ferreira Pheula

A notícia de que o Governo Federal contará com mais de 10 mil agentes para conter possíveis protestos durante a realização da Copa do Mundo fez surgir críticas da população de que há somente segurança em eventos esportivos ou que beneficiem o governo de alguma forma, principalmente nas cidades brasileiras onde há altos índices de criminalidade e inexiste um eficaz e quantitativo trabalho policial para prevenir e resolver crimes. Afinal, a quem serve a polícia?

No Rio Grande do Sul, por exemplo, em 2013, a polícia militar reforçou a segurança em frente à casa do Governador do Estado, Tarso Genro, para evitar protestos de taxistas de Porto Alegre após uma série de assassinatos cometidos contra motoristas de táxi. Já durante os protestos havidos à época da Copa das Confederações em 2013, políticos e algumas sedes de empresas (como a RBS TV, em Porto Alegre) tiveram especial proteção policial, enquanto os centros das grandes cidades do país eram depredados por arruaceiros. Mais recentemente, no livro Assassinato de Reputações, o autor Romeu Tuma Júnior denunciou que, à época em que trabalhou no Ministério da Justiça do Governo Lula, entre 2007 e 2010, o aludido ministério, em conjunto com a Polícia Federal, “fabricou” diversos dossiês contra inimigos políticos e mandou investigar pessoas sem nenhum critério, com provas forjadas e sem direito à ampla defesa e ao contraditório, violando direitos constitucionais.

Na contramão do uso indevido da polícia, estão os milhares de assassinatos e de outros delitos (como roubo, furto, etc), que ocorrem diariamente em todo o país e que permanecem sem prevenção e sem solução, deixando a população à própria sorte de iniciativas privadas (como a contratação de seguranças privados para policiar bairros, por exemplo), medidas ineficazes, na maioria das vezes, dada a estrutura e organização dos criminosos no Brasil, os quais estão cada vez mais fortemente armados e cada vez mais violentos. Além disso, é importante destacar um fenômeno crescente no país, que é o da politização da polícia, o qual consiste na transformação dos órgãos policiais em mero instrumento de partidos políticos e de grupos empresariais, tendo alguns grupos de agentes pertencentes às polícias civis e militares dos Estados e à Polícia Federal trabalhado diretamente para atender interesses particulares tanto de políticos quanto de empresários, deixando de atender às demandas da população carente de segurança.

Desde o surgimento do Estado Moderno, isto é, do começo da organização das sociedades em governos, a polícia, em geral, sempre teve como função a proteção dos cidadãos e a tarefa de investigar os crimes ocorridos, tratando-se a segurança de um serviço público, remunerado pelos contribuintes (os cidadãos) através de impostos, estes em índices exorbitantes no Brasil. Dessa forma, caberia à polícia dar proteção aos cidadãos para que estes pudessem praticar atos comuns da vida civil (trabalhar, andar nas ruas, etc) com segurança, com liberdade para ir de um lugar a outro sem ser incomodados por criminosos, bem como tentar solucionar os crimes cometidos, trazendo um pouco de justiça às famílias das vítimas e à população em geral.

Ao invés disso, políticos ávidos pela perpetuação no poder e empresários gananciosos por lucros exorbitantes, na ânsia de manterem uma espécie de status quo, utilizam-se da polícia como se fosse sua, como se fosse uma organização privada, para proteger seus “negócios privados”, não se importando com o fato de que, enquanto usam policiais para lhes auxiliarem em suas empreitadas particulares, faltam policiais para defender os cidadãos.

Por tudo isso, um dos alvos dos protestos de junho de 2013 foi justamente a segurança pública, grande mazela brasileira que, se não for corrigida em tempo razoável, continuará a permitir os assassinatos e delitos de toda sorte e a perpetuar as injustiças ocorridas. E isso começará quando a polícia voltar a ser utilizada para beneficiar a população como um todo, sua única e real atribuição, e não políticos e empresários em suas empreitadas particulares. Mas, para isso, os protestos de 2013 deverão retornar com toda a força, uma vez que, no Brasil, as coisas só funcionam à base de muita pressão e a partir de acontecimentos isolados, nunca fruto de um planejamento a longo prazo. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O preço do futebol

Por Diego Ferreira Pheula
O esporte mais popular do Brasil, o futebol, sofreu uma supervalorização nos últimos tempos, preenchendo boa parte do tempo da vida social dos brasileiros, tanto homens quanto mulheres, a ponto de serem cobrados preços exorbitantes em relação aos produtos que lhes são relacionados (ingressos, camisetas de times, etc). Mas, afinal, por que os torcedores brasileiros gastam tanto dinheiro com o futebol?
O fenômeno do encarecimento do futebol no Brasil teve seu ápice com a Copa do Mundo que será realizada no país, o que “autorizou” as entidades futebolísticas (leia-se FIFA) a cobrarem ingressos em valores estratosféricos. Para se ter uma ideia, os preços dos ingressos para os jogos do Mundial variam entre R$ 60,00 e R$ 1.980,00, muito distantes do salário mínimo pago ao trabalhador no Brasil (R$ 724,00). E não é só isso: imaginem, por exemplo, quanto custarão os serviços prestados em torno dos estádios? Será que o torcedor brasileiro apelará para os empréstimos bancários para irem aos jogos da Copa? Quanto custará, por exemplo, um simples cachorro quente no estádio?
O “efeito Copa do Mundo” atingiu também os clubes brasileiros, que, cada vez mais endividados por conta de suas corruptas e incompetentes administrações, resolveram repassar todos os seus prejuízos para os torcedores, suas vítimas favoritas. O Flamengo, ao jogar a final da Copa do Brasil de 2013, fixou o preço dos ingressos de R$ 250,00 a R$ 800,00, tendo o Maracanã recebido cerca 60 mil pessoas, o que demonstra que o torcedor tem aderido incondicionalmente aos produtos do futebol, mesmo que isso custe uma boa parte da renda mensal dos torcedores.
Além dos ingressos caríssimos, vale lembrar o valor das camisetas dos times de futebol, em especial da Seleção Brasileira de Futebol, que custa em torno de R$ 400,00. Camisetas de outras agremiações tradicionais do futebol brasileiro, como Internacional, Grêmio, Flamengo e Corinthians, por exemplo, não saem por menos de R$ 170,00, encontrando sempre um público significativo, rendendo milhões aos clubes com vendas de uniformes e outros produtos licenciados.
Sobre o perfil do torcedor brasileiro que consome os produtos do futebol, nem é preciso fazer extensa pesquisa para se afirmar que as pessoas pertencentes às classes C e D são as que mais consomem o futebol no Brasil, incluindo não só o torcedor que vai aos estádios acompanhar seus times quanto os que assistem aos jogos pela televisão.
Diante de tudo isso, é difícil de entender a razão pela qual um indivíduo, que possui renda média de R$ 1.000,00 por mês, por exemplo, dispõe-se a gastar cerca de R$ 500,00 por mês para assistir a jogos de seu time, “apertando” seu orçamento para poder comprar a camiseta de seu clube de R$ 200,00, tendo esposa e filhos para sustentar, com gastos com alimentação, educação, saúde, etc, o que, no Brasil, não é barato, sendo a oferta pública destes serviços muito deficitária.
A resposta para tal indagação talvez esteja na falta de consciência do cidadão brasileiro, muito marcado por um perfil passivo, de poucas manifestações, de poucos protestos e de adesão a eventos sociais alienadores, como o Carnaval, ou na chamada “elitização” do futebol, fenômeno paradoxal, que mostra que, apesar de os públicos espectadores do futebol serem das classes B e C, a exigência por um melhor padrão da qualidade do futebol brasileiro pode ter justificado o encarecimento deste esporte.
De toda sorte, as recentes manifestações de junho/julho de 2013, em meio à Copa das Confederações, relativizou um pouco essa doentia “paixão” dos brasileiros pelo futebol, tanto que o Governo Federal já anunciou um contingente de 10 mil agentes para evitar quaisquer manifestações durante a Copa do Mundo, possibilidade real e alvissareira. A partir de agora, a expectativa é de que os brasileiros gastem seu dinheiro mais com educação e saúde, por exemplo, visando ao crescimento profissional e pessoal, e menos com futebol, um esporte que, do ponto do puro entretenimento, pouco ou nada contribuiu para o crescimento/desenvolvimento das pessoas.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O que esperar do futebol brasileiro em 2014?

As equipes brasileiras começam a se reapresentar para o começo das atividades da temporada 2014. Após um período com poucas movimentações e praticamente sem negócios arrojados, a receita dos clubes parece ser a manutenção dos elencos e a contratação de reforços pontuais. Além disso, a aposta também é na mudança de técnicos. Dos 20 clubes previstos para a Série A de 2014 (isso se for mantido o resultado de rebaixamento da Portuguesa e de permanência do Fluminense), 12 trocaram de treinador. Alguns por necessidade, como o Atlético-MG (perdeu Cuca para o dinheiro chinês), outros por motivos pouco claros, como o Atlético-PR (não renovou com Vágner Mancini mesmo após a grande campanha do técnico) e muitos pelo baixo desempenho dos antigos "professores". Em relação aos atletas, as trocas são bem mais modestas. Vejamos abaixo o que o torcedor pode esperar, num primeiro momento, do futebol nacional em 2014.

COPA DO MUNDO: QUEM PARA O BRASIL?

Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo
Após a conquista da Copa das Confederações, a seleção de Felipão ganhou moral para a disputa. Mas o título também trouxe um ponto negativo: o resgaste de atuações em nível competitivo abriu o olho dos adversários novamente para a equipe. Ainda assim, o cenário é de águas calmas até o começo do Mundial. Felipão tem tempo para decidir os seus convocados e deve estar comemorando a transferência de Neymar para o Barcelona/ESP. O principal jogador brasileiro dos últimos anos está finalmente amadurecendo em aspectos que ainda deixava a desejar. Com ele em alto nível, a seleção é forte candidata ao título, até porque entre as demais seleções nenhuma vêm empolgando tanto a ponto de colocar medo nos brasileiros.

LIBERTADORES: MINEIROS LARGAM COMO FAVORITOS

Foto: Agência EFE/Fox Sports
O Brasil detém os 4 últimos títulos da Libertadores e em 2014 apresenta como principais candidatos à conquista os mineiros do Cruzeiro e do Atlético-MG. Os dois melhores times do País têm boas condições de elenco, fizeram temporada em alto nível e mantiverem suas principais estrelas. O Galo tentará um bicampeonato, algo bastante difícil, mas possível, uma vez que o clube já conhece o atalho para o título. Apesar da perda de Cuca, a manutenção de Ronaldinho se equivale a uma grande contratação. Já a Raposa tentará desbancar o rival do trono e levar o caneco. Correndo por fora estão Grêmio e Flamengo, que entram direto na fase de grupos, mas apresentam elencos bem mais limitados do que os mineiros e muitas dificuldades financeiras. Os gremistas ainda podem perder seus principais jogadores, como Rhodolpho, Bressan, Souza e Zé Roberto, enquanto o Rubro-Negro carioca deve ficar sem Elias e talvez sem o goleador Hernane, que teria proposta do Oriente Médio. Em situação mais delicada estão Atlético-PR e Botafogo, que ainda terão que disputar a Pré-Libertadores. O Furacão não renovou com Vágner Mancini (por opção do presidente Petraglia), já perdeu Éverton e Paulo Baier, e deve ainda ficar sem Léo e Éderson; reforços importantes não chegaram ainda ao CT do Caju. Já o Alvinegro da Estrela Solitária tenta com poucos recursos reforçar o time e manter o craque Seedorf. Por enquanto, não teve grandes perdas no elenco, mas também só apresentou Jorge Wágner como reforço considerável, além de uma série de apostas.

BRASILEIRÃO: A VOLTA DO FANTASMA DO TAPETÃO?

Foto: presidente da Lusa em 2013, Manuel da Lupa
acompanhou julgamento que rebaixou o clube.
Foto: Gazeta Press/ESPN
O ano pode ser de dor de cabeça para os amantes do futebol. Após anos de estabilidade, o perigo do tapetão volta a rondar o esporte mais popular do País. Uma série de lambanças (da CBF, da Portuguesa, do STJD, enfim, de todos os envolvidos) acabou resultando no rebaixamento da Lusa e na permanência do Fluminense. Especula-se que o campeonato terá 24 times em 2014, o que seria um absurdo ainda maior, pois esculhambaria completamente com os resultados de campo. Até mesmo o Náutico, de campanha medíocre no certame, ganharia sua vaga novamente de brinde. Simples assim. Tudo em nome da política e do desejo de agradar aos mais poderosos e não se incomodar. Esperamos que o Bom Senso aperte o cerco neste ano e toque o terror na alta cúpula da CBF, que ainda está bastante confortável na sua posição, mesmo após as demonstrações de união dos atletas e dos protestos acompanhados pelo País, dentro e fora do campo.

Com relação aos clubes, ainda é bastante cedo para falar, mas em virtude da contenção de gastos e dos nomes que chegaram até agora pode-se esperar mais uma vez um campeonato equilibrado e com baixo nível técnico. Santos, Corinthians, Inter e Fluminense realizaram mudanças importantes que podem melhorar as atuações e os resultados das equipes, que deixaram a desejar na temporada. O Peixe trouxe Oswaldo de Oliveira e tenta montar um bom ataque, o que mais fez falta na última temporada. O Timão trouxe Mano de volta e aposta no renascimento de Alexandre Pato. O Colorado também recorreu a um velho conhecido, Abel Braga, para tentar ajeitar as coisas. Com ele vieram alguns reforços, especialmente jogadores para a defesa, como os zagueiros Paulão e Ernando. E o Flu trouxe Renato Gaúcho, de boa campanha com o Grêmio no último ano, além de ter contratado um dos atletas mais cobiçados do mercado, o atacante Wálter.