quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Tradição e camisa

Foto: Getty/ESPN Brasil
O bom futebol esteve em falta nessa quarta-feira durante a final da Copa do Brasil. Como na partida de ida, jogo sofrível, com muitos erros e dominado pelo nervosismo dos dois times. No fim das contas, o título do Flamengo foi justificado pela equipe ter conseguido jogar quase tudo o que sabe e também por ter eliminado o grande favorito, o Cruzeiro, ainda nas oitavas de final. O Atlético-PR se mostrou muito mais time ao longo de todo o ano, mas seus atletas parecem ter sentido a decisão. O Furacão foi minguando até se tornar um sopro, não conseguindo impor o seu futebol de muita velocidade e finalizações certeiras. O placar de 2 a 0 da partida no Maracanã veio para coroar individualmente os dois melhores do Rubro-Negro carioca em 2013: Elias e Hernane. O primeiro gol, já no fim da partida, representou uma enorme pá de cal nas esperanças do torcedor paranaense. Com o gol sofrido, o CAP precisava empatar para levar o jogo aos pênaltis. Mas realmente não era o dia do time de Vágner Mancini. Totalmente batido em campo, sofreu o segundo, coroando a artilharia de Hernane na Copa do Brasil com 8 gols.

Por falar em gol, o chutaço de Amaral empatando o jogo de ida pode ter sido decisivo para o título do Flamengo. Ali, o Atlético-PR levou um grande susto, se perdeu na partida e desperdiçou a chance de abrir vantagem em casa. Pior: "deu" o placar de 0 a 0 para o time carioca. No duelo do Maracanã, o Furacão até começou se impondo. Mas não conseguiu jogar nem perto do futebol que o levou à final da CB e à vice-liderança do Brasileirão. Já o time de Jayme de Almeida foi organizado, se defendeu bem e ainda conseguiu apresentar as suas armas ofensivas, que não são lá grande coisa, mas apareceram. Ao contrário do poderio do CAP, superior como equipe num conjunto de fatores, mas que não mostrou seu potencial.

Um ponto que talvez traga mais justiça ao título do Flamengo é que os cariocas eliminaram o Cruzeiro. Como se viu ao longo de toda a temporada, a Raposa é um dos poucos times equilibrados do Brasil, que se defende com competência e ataca também com qualidade. O time carioca se defende razoavelmente bem e explora a velocidade para surpreender os adversários. Para o Brasileirão foi pouco, também levando em consideração os problemas que a equipe teve durante o ano. Mas para a CB foi mais do que suficiente.

MACACA HISTÓRICA

"No futebol são 11 contra 11". Uma das maiores obviedades do futebol saltou aos olhos na semifinal da Copa Sul-Americana entre Ponte Preta e São Paulo. Amplo favorito, o Tricolor do Morumbi se recuperou em grande estilo no Brasileirão após a chegada de Muricy Ramalho e conseguiu duas classificações contra times tradicionais na Sul-Americana. Já a Ponte continuou cambaleante no Brasileiro, mas foi se afirmando na competição continental. O SP fez jogo duro e se negou a atuar na partida de volta no Moisés Lucarelli. Pronto. Foi a questão chave que definiu a gana dos dois times em chegar à final. A partir dessa discussão idiota, a Ponte jogou ainda mais com a faca entre os dentes e atropelou o São Paulo em disposição no Morumbi. Incrível como esse time de Jorginho deu liga na Sul-Americana. Na partida de volta, apesar da pressão (que também já havia sido suportada no primeiro jogo), a Macaca ainda saiu na frente. E o empate dos são-paulinos não foi suficiente para a classificação.

Agora, o time de Campinas avança para encarar Lanús/ARG ou Libertad/PAR na final. Se vencer, será um sonho, algo inacreditável para uma equipe rebaixada no Brasileirão. E irá repetir o Palmeiras de 2013, disputando a Libertadores e a Série B. E se perder já terá feito história e ainda assim o torcedor terá do que se orgulhar nessa louca temporada, em que a equipe foi bem no Paulista e na Sul-Americana, mas deve ser rebaixada para a Série B.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Muita transpiração, pouca inspiração

A primeira partida da final da Copa do Brasil entre Atlético-PR e Flamengo deixou a desejar. O placar de 1 a 1 reflete bem um jogo disputado em altíssima velocidade, mas não no bom sentido. A velocidade esteve aliada a pressa e provocou inúmeros erros de passes, dribles e conclusões. No fim das contas, o resultado aparentemente parece melhor para o Flamengo, que irá decidir em casa. Mas uma vitória simples por 1 a 0 dá o título ao Furacão, que tem se destacado na temporada por marcar gols em quase todos os jogos e ainda assim se defender bem.

Paulo Baier (E) e Amaral são observados por Hernane.
Volante flamenguista marcou golaço do empate.
Foto: Cleber Yamaguchi/Agência Eleven/Gazeta Press 
A queda de rendimento de Paulo Baier, que acabou saindo no segundo tempo, e a atuação muito recuada de Elias contribuíram para o baixo rendimento técnico do jogo. O camisa 30 do Furacão era o responsável pelas melhores iniciativas de ataque do time mandante, uma vez que Marcelo não conseguiu superar o marcador e Éverton errou demais no último passe. Do lado do Fla, as melhores oportunidades foram com Luiz Antônio e Léo Moura em escapadas pelo lado direito. Mas ambos erraram as conclusões e desperdiçaram boas chances.

Para o duelo da volta, o Flamengo não precisa sair pro jogo, uma vez que o 0 a 0 lhe dá o título. Mas é prudente que o time carioca tente se impor, especialmente no primeiro tempo. Se o gol não sair, aí sim, na volta do intervalo, é hora de começar a administrar o jogo. No entanto, se o Fla entrar administrando o resultado desde o apito inicial, corre sério risco de sair atrás no placar. E para reverter a situação será bem complicado.

VAI ENTENDER?!

A Ponte Preta está cada vez mais morta no campeonato Brasileiro. Nem a chegada de Jorginho conseguiu recuperar o time, que está a 7 pontos de sair do Z-4 faltando 3 rodadas para o fim do Brasileirão; logo, está praticamente rebaixada e pode confirmar matematicamente este cenário no final de semana.

Contudo, assim como fez o Goiás em 2010, a Macaca surpreende na Sul-Americana e está muito perto de ir à final após vencer o São Paulo, no Morumbi, por 3 a 1, na partida de ida. São coisas difíceis de explicar racionalmente e que só o futebol pode proporcionar...

TUDO DEFINIDO

As 32 seleções que virão ao País em 2014 para a Copa do Mundo já estão definidas. Entre as últimas vagas, praticamente nenhuma surpresa. Uruguai e México superaram os rivais na repescagem com extrema tranquilidade. Na África, seleções mais fortes como Camarões, Nigéria, Gana e Costa do Marfim confirmaram a vaga, juntamente com a Argélia. E na Europa, apesar do sufoco, a França também carimbou o seu passaporte, assim como Portugal, Grécia e Croácia.

Será uma Copa bem interessante do ponto de vista técnico. As grandes seleções estão confirmadas e equipes medianas vêm com boas credenciais, como Bélgica, Bósnia, Colômbia e Suíça. Ainda assim, o time de Felipão entra como um dos grandes favoritos.

Além de ter vencido a Copa das Confederações, a equipe está criando uma liga muito forte. Algumas opções têm sido resgatadas, como Robinho e Maicon, enquanto outros nomes surgem cada vez melhores, como Bernard e Willian. Em menos de um ano, Felipão conseguiu preparar a equipe como Mano não havia feito em 2. Claro que o ex-treinador pegou a parte mais difícil do processo de transição e quando parecia engrenar o seu modelo de jogo proposto ele acabou sendo demitido. Mas é inegável que a seleção parece muito mais pronta para vencer agora, sob o comando de Felipão, do que estaria se ainda estivesse sob o comando de Mano. E como o que importa, afinal, é vencer, ponto positivo para os cartolas da CBF. Ou não?!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ano Dourado nas Minas Gerais

O Cruzeiro confirmou nessa quarta-feira o que todo mundo já sabia: é o campeão Brasileiro de 2013. Ganha com sobras o campeonato mais importante e difícil do futebol nacional. O seu maior rival, o Atlético-MG, conquistou no primeiro semestre o inédito título da Copa Libertadores. E na Copa do Brasil, se o Atlético-PR for campeão, teremos um ano histórico, sem títulos das equipes do eixo Rio-São Paulo.

Os dois rivais de Minas apresentaram fórmulas parecidas para as conquistas. Investiram forte no elenco, mesclaram atletas mais badalados com outros de grande potencial. Além disso, têm em comum o fato de colocarem os times para a frente. Ambos marcam, se defendem bem, mas essa não é a principal força dos times, pois é do meio para a frente que as equipes brilham e se destacam. O Galo encantou na primeira fase da Libertadores com um futebol ainda melhor do que o apresentado no Brasileiro do ano passado. Quando iniciou o mata-mata, a equipe sofreu, não conseguiu mais se impor com a mesma facilidade, e aí brilhou a entrega da equipe e a estrela de alguns jogadores, fundamentais em competições eliminatórias. Já a Raposa esteve muito acima dos rivais durante todo o Brasileiro. Num breve período de instabilidade, em que teve 3 derrotas em 4 jogos, contou com a incompetência dos concorrentes, que não conseguiram se aproximar do time celeste.

Não é porque venceram que está tudo certo e todos os jogadores são ótimos, mas os títulos dos mineiros simbolizam mais do que apenas a vitória do melhor time. Os treinadores, Cuca e Marcelo Oliveira, fazem parte de uma geração intermediária de técnicos, nem do grupo dos badalados e menos ainda dos recém iniciantes na profissão. Ambos vinham de bons trabalhos em clubes menores ou com muitas dificuldades. E os dois se mostraram grandes estrategistas, além de terem o controle dos seus grupos a ponto de deixarem medalhões no banco sem que alguém se manifestasse de forma negativa.

Foto: Douglas Magno/O Tempo
O outro ponto em comum nos rivais mineiros, talvez esse o mais importante, foi a montagem dos elencos. Ao contrário do que pode parecer, o Cruzeiro formou o seu grupo a dedo e investiu para isso. Trouxe jogadores como Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, que se não eram afirmados vinham de grandes temporadas e tinham diversas propostas. O clube ainda trouxe nomes experientes como Dagoberto, Dedé e Júlio Baptista, sendo que o último amargou a reserva para Goulart, artilheiro do time no Brasileirão até aqui ao lado de Borges. Alguns negócios de ocasião, como Nilton e Willian, mas sempre com uma proposta clara: um time forte na defesa e muito veloz no ataque.

Foto: EFE/Foxsports
Já o Galo talvez tenha investido um pouco mais em Ronaldinho, Diego Tardelli, Réver e Victor. A eles somam-se nomes que vieram compor o elenco, como Gilberto Silva, Josué (que virou titular), Rosinei e Alecsandro. O time trouxe ainda Luan, revelação da Ponte Preta em 2012 e o coringa da equipe de Cuca, e manteve nomes como Marcos Rocha, Leonardo Silva e Pierre. Sem falar em , uma aposta que deu muito certo e foi decisiva para o estilo de jogo desenvolvido por Cuca.

O ano foi de ouro para o futebol mineiro. E pode ficar ainda mais reluzente com o sucesso do Galo no Mundial de Clubes. Se ambos mantiverem a base dos seus elencos e os treinadores, 2014 promete ser um ano ainda mais infernal para os rivais, pois Cruzeiro e Atlético-MG entrarão como grandes favoritos aos títulos da Libertadores, do Brasileirão e da Copa do Brasil.

ALÍVIO E SÓ

O Grêmio voltou a vencer, 1 a 0 contra o Vasco, na Arena, e isso era o mais importante no momento. Mas a equipe ganhou pelas deficiências do rival e em um lance fortuito. O time não conseguiu pressionar, não criou e nem mesmo o esquema mais equilibrado no 4-3-1-2 com Zé Roberto na meia deu resultado. Pelo visto ontem, acho que Renato poderia testar Zé como volante pela esquerda, sacando Riveros do time e colocando Maxi Rodríguez na meia. Assim, não vai perder muito em recomposição, ganha colocando Zé onde rende mais (partindo de trás e não jogando de costas) e conta com o talento de Maxi.

Embora tenha errado alguns lances e um gol, Maxi deu outra dinâmica ao time. É de se pensar também a utilização de Elano no ataque ao lado de Barcos. Com a queda de rendimento principalmente físico de Kléber, o camisa 7 pode deixar o time ainda mais inteligente na frente, sem falar que é outro jogador com capacidade de deixar Barcos na cara do gol. Enfim, Renato tem alguns dias para pensar no time até o jogo com o Flamengo e a mudança na escalação dá indícios de que ele pode estar revendo alguns de seus conceitos. Essa é a melhor notícia para o torcedor.

CLÁSSICO CARIOCA NA SÉRIE B?

A vitória do Criciúma, 2 a 1 contra o Atlético-PR, tirou os catarinenses da Zona de Rebaixamento. Assim, Vasco e Fluminense fazem companhia no Z-4 ao já rebaixado Náutico e a Ponte Preta, que está na UTI quase tendo seus aparelhos desligados. A esperança do Flu, agora sob o comando de Dorival Jr., é que uma vitória sua contra o Náutico, no RJ, combinada a uma derrota do Bahia para o Santos na Vila, livre a equipe do Z-4, empurrando o Tricolor baiano para a Zona da Degola.

BOM SENSO F.C.

O grupo criado por atletas para combater em parte os desmandos da CBF começa a dar esperanças de que o futebol brasileiro pode evoluir. A mudança no calendário e em outras questões pontuais propostas pelo grupo pode ser um gancho para que o futebol varra uma boa parte dos sanguessugas que estão no meio. Pessoas como os presidentes de federações do RS, Francisco Noveletto, e do PR, Hélio Cury, que criticaram o movimento com base em alegações financeiras e até mesmo dizendo que era "um grupo de jogadores veteranos". Será que o dinheiro que eles ganham é mais digno do que o dos jogadores? O que fazem os presidentes das federações? Recentemente as federações tiveram sua "mesada" dada pela CBF dobrada, casualmente (?), às vésperas das eleições na entidade marcadas para abril do ano que vem. Estranho, não? (leia mais sobre as manifestações durante a rodada nessa quarta-feira na coluna de Mauro Cézar Pereira)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Campeões de atitude

O Cruzeiro bateu o Grêmio por 3 a 0 nesse domingo, no Mineirão, mas não garantiu o título matematicamente porque o Atlético-PR também fez 3 a 0 no São Paulo. Mesmo assim, o clube comemorou como se já fosse o campeão, pois essa é uma realidade já há algum tempo para o time de MG, que mesmo em vantagem para os rivais seguiu com o pé no acelerador. Num breve momento de desvio, quando perdeu 3 jogos em 4 disputados (entre a 27a e a 30a rodada), a equipe de Marcelo Oliveira contou com a incompetência dos rivais, que também vacilaram e não conseguiram diminuir muito a diferença para a Raposa. Após essa sequência ruim, o time celeste engatou três vitórias e voltou a abrir grande vantagem - são 13 pontos para o Atlético-PR, 2o colocado, faltando 5 rodadas.

Foto: Yuri Edmundo/Gazeta Press
Nesse domingo, o Cruzeiro mostrou mais uma vez que é o "campeão da atitude" desse Brasileirão. Joga se impondo, mesmo que não consiga sempre ser brilhante. Em números, o confronto contra o Grêmio foi parecido; a diferença, como disse o técnico Renato, é que a Raposa fez os seus gols, e o Tricolor gaúcho não. Mas essa não foi a única diferença. A primeira das diversas diferenças entre o campeão Cruzeiro e o Grêmio (e quase todos os outros times do campeonato) começa na escalação. Marcelo Oliveira tem um time equilibrado, que marca, mas que também joga. Os ponteiros se movimentam, o centroavante também ajuda a marcar a saída de bola. Já o Grêmio entrou com 3 zagueiros e 3 volantes, uma equipe com vocação totalmente defensiva. E ainda por cima os dois atacantes seguidamente eram vistos dando combate na entrada da área defensiva. Isso extenua o jogador fisicamente. Na hora de arrematar, como tem acontecido com Kléber e Barcos frequentemente, os dois não têm força. Outra diferença: a atitude dos técnicos. Marcelo Oliveira, aos 30 do segundo tempo, fazia sua terceira e última modificação. Colocou 3 homens do meio para a frente no lugar de outros jogadores que estavam cansados. Já Renato, mesmo perdendo por 1 a 0 desde o primeiro tempo, esperou até depois dos 30 do segundo tempo para lançar Maxi Rodríguez e Yuri Mamute. Ainda assim, não desfez os 3 zagueiros; sacou Kléber e Riveros. Parecia que o treinador gremista estava apenas pensando em perder de pouco.

Claro que levar 3 a 0 do Cruzeiro não é motivo para grande crise. Mas o contexto de eliminação do Tricolor na Copa do Brasil e a forma como o time perdeu são preocupantes. O torcedor esperava uma resposta do técnico e do time, e qual recado foi passado? Com certeza, não foi uma mensagem positiva. O cansaço poderia ser uma desculpa, e talvez até tenha uma contribuição significativa, mas isso porque o time do Grêmio corre errado. Todos os 11 jogadores parecem ter incumbência de marcação igual, quando isso não funciona assim. Assim como nem todo mundo pode atacar, não pode a dupla de atacante ficar dando combate na entrada da área de defesa. Nesse meio de semana a Copa do Brasil tem uma parada e as equipes voltam a campo pela 34a rodada. Renato tem pouco tempo para pensar e precisa encontrar soluções logo para o time. O 3-5-2 e o 4-3-3 ficaram esquemas manjados, sem falar que ambos têm inúmeras falhas que os adversários já perceberam há tempos. Se continuar insistindo no que já fez e deu certo, ok, mas que também não tem dado certo há horas, Renato corre o risco de jogar por água abaixo a boa temporada que fez e ficar marcado pela não classificação à Libertadores quando ela parecia praticamente certa.

CAMPEÕES DE ATITUDE (2)

O Atlético-PR, que fez 3 a 0 no SP, também pode ser considerado um dos "campeões de atitude" do País nesse ano. Mesmo já classificado para a final da Copa do Brasil, o time de Vágner Mancini continua jogando com força máxima e indo para cima dos rivais. Não tem a mesma qualidade do elenco do Cruzeiro e isso é o grande fator diferencial para as campanhas de mineiros e paranaenses num torneio longo como o Brasileiro. Mas na CB, competição de mata-mata, enquanto a Raposa deu mole para o favoritismo e foi surpreendida pelo Flamengo, o Furacão já deixou Palmeiras, Inter e Grêmio pelo caminho. A final contra o Rubro-Negro carioca promete ser equilibrada e pelo bom momento das duas equipes na temporada não há favorito.

VITÓRIA E ALÍVIO

O Inter conquistou um grande resultado ao bater o Botafogo por 2 a 1. Respira na tabela, se afasta da Zona de Rebaixamento e ainda pode estar começando a montar a equipe de 2014. Jackson, Alan, João Afonso, Otávio e Caio (que não é formado na base Colorada) são atletas jovens e com potencial, que podem ser mais úteis do que foram nessa temporada. Claro que a utilização está condicionada ao novo técnico, mas é uma alternativa importante apostar na base, ainda mais para o Colorado que tem revelado atletas de destaque e não terá as receitas da Libertadores na próxima temporada.

SOBRE E DESCE NO Z-4

Faltando 5 rodadas para o fim do Brasileirão, a Zona de Rebaixamento apresentou mudanças nessa rodada. O Vasco perdia por 2 a 0 para o Santos no Maracanã, mas foi buscar o empate. Esse pontinho combinado com a derrota do Fluminense para o Corinthians tirou o Cruzmaltino da Zona da Degola. O Flu inclusive foi ultrapassado pelo Criciúma, que se aproveitou da fragilidade do Náutico e somou 3 pontos em PE. Quem se deu mal na rodada foi a Ponte Preta, que levou 3 do Vitória em Campinas. O time de Jorginho ainda está a 3 pontos de sair do Z-4, mas agora tem um jogo a menos em casa para realizar. O Bahia também jogou em casa, mas o empate com o Atlético-MG até pode ser considerado um bom resultado.

O jogo entre Vasco e Santos teve uma nota triste: Juninho Pernambucano foi cobrar uma falta e sentiu uma lesão no púbis. Ele afirmou depois que pode ter sido sua última partida como profissional. Uma pena o futebol perder um jogador com a sua qualidade e ainda mais assim, por força de uma lesão.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Faltou o gol. E isso a torcida e o técnico não podem fazer

Flamengo e Atlético-PR disputarão a final da Copa do Brasil 2013. O jogo de ida acontece no dia 20/11, no Durival de Brito, com a grande decisão ficando para 27/11 no Maracanã. Duas equipes de trajetórias bastante distintas nessa temporada: o Rubro-Negro carioca cresceu apenas há poucos jogos sob o comando de Jayme de Almeida; até então, fazia temporada ruim e inclusive chegou a ficar perto da Zona de Rebaixamento no Brasileirão. Já o Furacão paranaense inovou: não participou do Estadual com a equipe principal, mas com um time sub-23. Enquanto isso, o elenco principal realizou uma extensa pré-temporada, inclusive com viagens e jogos no Exterior. Foi crescendo ao longo da temporada, atingiu maturidade para se manter no G-4 do Brasileirão e chegar à final da CB.

Para Grêmio e Goiás, os eliminados, resta tentar uma vaga na próxima Libertadores via Brasileirão. Para isso, além de fazerem a sua parte é interessante que torçam para que um clube do país não vença a Sul-Americana, o que diminuiria uma vaga do G-4. Além disso, se o Atlético-PR ficar à frente deles no nacional, mas for campeão da CB, abre-se uma vaga a mais via Brasileirão.

DOMÍNIO INCOMPETENTE

Foto: Gustavo Granata/Agif/Gazeta Press
No jogo desta quarta à noite, na Arena, faltou o gol, como disseram o técnico Renato e a maioria dos jogadores. A torcida fez a sua parte: lotou o estádio mesmo com os ingressos caros postos à venda. Incentivou, jogou junto até o apito final do árbitro. Renato também fez o seu papel: equilibrou a equipe com Zé Roberto no meio, embora o camisa 10 não tenha feito um grande jogo. Como a equipe tinha dificuldades na armação, colocou primeiro Elano em campo no lugar de Riveros, para depois lançar mão de mais atacantes, Vargas e Yuri Mamute, terminando a partida no 4-2-4. Apesar da pouca criatividade, o Grêmio conseguiu diversos lances de gol, os mais claros nos pés de Barcos. O camisa 9, capitão da equipe, é o retrato do ataque Tricolor: inoperante. Briga com os zagueiros, se esforça e até consegue a vitória pessoal, mas não faz o gol.

O Atlético-PR foi um adversário duro, claro, se fechou muito bem, mas a equipe paranaense não fez uma partida maravilhosa defensivamente. Pelo contrário. O goleiro Wéverton foi um dos nomes do jogo ao lado do volante Deivid, incansável na marcação aos meias e atacantes gaúchos. E assim, com méritos, principalmente por ter conseguido fazer o dever de casa vencendo no PR, mas também com uma grande ajuda do rival, incompetente para marcar os gols necessários apesar das chances criadas, o Furacão se garantiu na primeira final de CB da sua história.

FINAL DE FESTA

Grêmio e Inter vão terminando mais uma temporada de forma melancólica. Mais do que não ganharem títulos ou chegarem às finais dos principais campeonatos, as atuações da Dupla deixam muito a desejar. O Tricolor foi um pouco melhor, isso porque teve boa organização defensiva durante quase toda temporada. Já o Colorado sofreu com a sua defesa, desorganizada e lenta. No ataque, Grêmio e Inter também são opostos: enquanto o Tricolor tem muitos problemas, o Colorado conseguiu um bom rendimento em quase toda temporada, tendo uma queda de produção com a chegada de Clemer, quando a equipe passou a atuar de forma mais equilibrada e a sofrer menos gols.

No Brasileiro, o Inter não tem mais chances de Libertadores, mas também não vai cair. Com uma vitória contra o Botafogo, neste final de semana, o Colorado afasta de vez qualquer fantasma e poderá terminar o campeonato tranquilo, sem a pressão de uma disputa contra o Rebaixamento. É importante aproveitar essas últimas rodadas e começar a preparar a próxima temporada. Escolher logo um técnico, colocar pra jogar quem deve ser aproveitado ano que vem, casos de Otávio e Caio e dos zagueiros Jackson e Alan, e retirar do time atletas que não devem continuar, como Índio e Kléber.

Ao Grêmio, ainda resta a chance de Libertadores. Mas para isso, o time de Renato precisará melhorar muito. O Cruzeiro já tem uma das vagas; as outras três (que podem virar duas se o SP vencer a Sul-Americana) estão entre Atlético-PR, Grêmio, Botafogo e Goiás. Outras equipes como Vitória e São Paulo precisariam de uma sequência muito boa para alcançarem a pontuação do 5o colocado, o que a essa altura do campeonato é pouco provável. Dos quatro principais candidatos, Grêmio e Botafogo estão em curva descendente, enquanto Atlético-PR e Goiás cresceram ao longo do ano. O cenário ideal para essas equipes seria o título da CB pelo Furacão e nenhum brasileiro sendo campeão da Sul-Americana. Assim, todos (Atlético-PR, Grêmio, Botafogo e Goiás) poderiam se juntar a Cruzeiro e Atlético-MG na próxima Libertadores. Mas como o SP já foi campeão da Sul-Americana e cresceu na temporada sob o comando de Muricy Ramalho, é bom que o time de Renato se garanta pelo menos entre os primeiros do nacional. Ou o risco de a temporada ser ainda mais frustrante será gigantesco.