sábado, 22 de dezembro de 2012

Dificuldade máxima

Fonte: esportes.terra.com.br
O sorteio do confronto na Pré-Libertadores não foi dos melhores para o Grêmio. Embora não seja a LDU/EQU dos seus melhores tempos, o clube equatoriano era o adversário mais forte entre os possíveis. Para completar, se avançar a fase de grupos o Tricolor vai cair no grupo do Fluminense, atual campeão brasileiro. Por esse lado, o São Paulo também se complicou; vai encarar o Bolívar/BOL na pré-Libertadores, um adversário fraco, mas se avançar cai no grupo do Atlético-MG. Se os outros integrantes dos grupos não são lá dos mais difíceis, o ruim de cair em uma chave com outra equipe brasileira é que aumenta a dificuldade em se terminar na primeira colocação, o que pode representar um confronto teoricamente mais fácil nas oitavas de final.

Além disso, o grupo de jogadores do Grêmio já mostrou não ter tanta intimidade com competições Sul-Americanas, principalmente pelas dificuldades apresentadas jogando fora de Porto Alegre. Ao contrário do São Paulo, campeão invicto da Copa Sul-Americana nesta temporada. Por outro lado, Luxemburgo é um técnico experiente e parece motivado; juntamente com Fábio Koff, pode traçar uma estratégia de sucesso rumo ao título. Mas para isso o Tricolor vai precisar de qualidade dentro do campo, não apenas fora das quatro linhas.

O Palmeiras caiu no grupo que pode receber o Tigre/ARG, se o clube portenho eliminar o Deportivo Anzoátegui/VEN na Pré-Libertadores. Estou curioso para ver o clima da partida na Argentina após as polêmicas na final da Sul-Americana entre São Paulo x Tigre. O Tricolor do Morumbi armou a confusão, mas é o rival Palmeiras quem pode acabar pagando o pato quando for jogar na Argentina.

CHAMPIONS LEAGUE

Os confrontos da fase de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa reservam grandes duelos. Os que mais chamam a atenção obviamente são Real Madrid x Manchester United e Barcelona x Milan, por conta da grandeza dos clubes. Mas estou com uma expectativa muito boa quanto aos duelos entre Arsenal x Bayern de Munique, por conta da tradição das duas equipes em competições europeias, e Shaktar Donetsk x Borussia Dortmund, duas das sensações da fase de grupos. Além desses quatro jogos teremos: Galatasaray x Schalke 04, Celtic x Juventus, Valencia x PSG e Porto x Málaga.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Corinthians: Campeão do Planejamento e da Organização

Estimativa, segundo o jornalista Paulo Vinícius Coelho,
da ESPN, é de que mais de 20 mil torcedores
corintianos estiveram no jogo das semifinais.
Foto: Toru Yamanaka/AFP
O Corinthians venceu o Chelsea por 1 a 0 na manhã deste domingo (16/12), no estádio Internacional de Yokohama, Japão, e se sagrou Campeão Mundial de clubes da Fifa. O gol do título foi marcado pelo peruano Paolo Guerrero, que já havia feito o gol da vitória nas semifinais contra o Al Ahly/EGI. Com o resultado, o Corinthians se sagra campeão mundial pela segunda vez, embora tenha ganho a Libertadores pela primeira vez neste ano. No Mundial de 2000, o primeiro organizado pela Fifa e vencido pelo Corinthians, o clube paulista entrou por ser campeão brasileiro; o Vasco, derrotado na final, nos pênaltis, entrou por ser campeão da Libertadores de 1998.

O JOGO - Com a saída de Douglas e a entrada de Jorge Henrique, o Corinthians foi a campo no 4-4-2 clássico, com Jorge Henrique e Danilo atuando como meias bem abertos, e Émerson cuidando da saída de bola dos volantes adversários. O Chelsea, de Rafa Benítez, atuou no 4-2-3-1, com Torres mais avançado e apoiado pelos meias Mata, Moses e Hazard. No primeiro tempo, jogo bastante equilibrado, com melhores chances para o clube inglês. Na principal delas, o zagueiro Cahill, de dentro da área, soltou a bomba para uma grande defesa de Cássio; a melhor oportunidade corintiana veio em jogada de Guerrero que terminou em conclusão de Émerson para fora.

Na volta do intervalo, o Corinthians pareceu mais decidido em vencer a partida e foi para cima. Conseguiu achar espaços pelo lado direito do ataque, com Paulinho e Émerson tramando com Jorge Henrique. E foi justamente numa dessas jogadas que surgiu o gol. Paulinho, o melhor em campo, tabelou com Jorge Henrique, enganou a defesa driblando para o meio e deixou a bola para Danilo chutar; o camisa 20 limpou a marcação, mas bateu em cima do zagueiro, com a bola sobrando para Guerrero cabecear e abrir o placar. A partir daí, o Chelsea pareceu perder a cabeça, tanto que o zagueiro Cahill foi expulso por acertar Émerson fora do lance. No finalzinho, Fernando Torres ainda empatou de cabeça, mas o gol foi bem anulado por impedimento.

O título do Mundial de Clubes coroa o grande trabalho de planejamento e organização feito pelo clube desde a chegada de Tite no final do Brasileirão de 2010. Mesmo com a eliminação na Pré-Libertadores do ano seguinte, a diretoria manteve a convicção e não optou pela decisão simplista de demitir o técnico. Reformulou o elenco, com as saídas de Ronaldo e Roberto Carlos, e apostou na manutenção da base, mesclando jogadores desconhecidos com nomes importantes e agregando qualidade. Como resultado, o clube venceu o Brasileirão em 2011 e a Libertadores e o Mundial de Clubes em 2012.

MERCADO - O mercado da bola anda parado quase 15 dias após o fim do Brasileirão. A torcida mais aflita é a do Vasco, que corre o risco de sofrer um desmanche por conta da falta de pagamento de salários; por enquanto, a única perda confirmada é a do goleiro Fernando Prass. Na Dupla Gre-Nal, a maior novidade é o acerto de Dunga com o Colorado; fora isso, apenas as saídas confirmadas de Nei (Inter), Naldo e Gilberto Silva (Grêmio), e a chegada de Willian José (ex-São Paulo) e Alex Telles (ex-Juventude) ao Tricolor.

domingo, 2 de dezembro de 2012

O último ato do Olímpico

Foto: Wesley Santos/Gazeta Press
O Gre-Nal final da história do estádio Olímpico ficou marcado pela confusão. O duelo dentro de campo deu lugar a uma série de confusões fora das quatro linhas, especialmente no final do segundo tempo. O vandalismo e a falta de profissionalismo tomaram a cena e estragaram uma partida que, dentro de campo, fez jus à história do clássico, muito brigado e com poucas chances de gol. O estádio Olímpico ficará apenas na memória de todos que passaram pelo palco das grandes conquistas gremistas. O resultado final do confronto, nem tanto pela fraca atuação dos atletas, mas pela série de conflitos externos, foi injusto à história do estádio. Tanto para Grêmio quanto para Inter, o objetivo se volta agora para 2013. O Tricolor foca em manter a base e agregar qualidade, além de antecipar a preparação para a pré-Libertadores; já ao Colorado cabe esperar a confirmação do novo técnico, se é que será mesmo Dunga, e reformular um elenco acomodado, sem norte, para lutar pelo título da Copa do Brasil, que agora ficou mais difícil pela volta dos times que jogam a Libertadores e entrarão na fase final da CB.

O JOGO - Embora criticados por escalarem as equipes com apenas um atacante, tanto Luxemburgo quanto Osmar Loss jogaram com as cartas que tinham na mão. Sem Kléber e Marcelo Moreno, Luxa tentou reforçar o meio com Léo Gago, que tem bom chute de fora da área, liberando Elano e Zé Roberto para criar, pois Leandro não vinha tendo bom rendimento nos últimos jogos. Loss sacou Forlán, de resposta insatisfatória durante toda a temporada, para reforçar a marcação com Josimar, pois jogava apenas para não perder a quinta seguida. No primeiro tempo, a estratégia Colorada deu certo e Damião, de cabeça, perdeu a bola do jogo para o Inter. O time gremista não conseguiu superar a marcação do adversário, muito por conta de Elano, que se omitiu completamente dos primeiros 45 minutos. Na volta do intervalo, as confusões começaram cedo. Muriel evitou um gol colocando a mão na bola fora da área e foi corretamente expulso; Luxembrugo invadiu o campo para evitar maiores confusões e também foi expulso, pois a regra não permite a invasão do treinador durante o jogo, mesmo que a intenção seja a melhor possível, como tentou argumentar Luxa. O Tricolor seguiu pressionando, teve algumas poucas chances com Leandro e Zé Roberto, mas a zaga do Inter esteve bem posicionada, com destaque para Rodrigo Moledo, e não teve maiores dificuldades para segurar a pressão. No final, faltou ao Tricolor inteligência para jogar pelos lados e criatividade para superar o bloqueio do adversário; do lado Colorado, sobrou disposição e inteligência para se defender e reter a bola o máximo possível.

AS CONFUSÕES - Gre-Nal é sempre emocionante, mas o contexto de último jogo da história do estádio Olímpico mexeu com a cabeça de todos os personagens que compareceram à partida. Ironicamente, parece que a equipe do Inter ficou ainda mais nervosa, pois ao Grêmio pareceu mais ter faltado inteligência para furar o bloqueio Colorado do que calma. Vamos aos fatos desagradáveis:
  • Completamente justa a expulsão de Muriel, que evitou um gol colocando a mão na bola fora da área. Inicialmente, achei um erro do goleiro, pois o segundo tempo estava apenas no começo, mas no final o lance acabou se mostrando decisivo, já que foi a única chance de gol do Tricolor. No fim das contas, Muriel acabou se tornando um dos personagens decisivos do clássico;
  • Lamentável a atitude de Leandro Damião, que agrediu Saimon com uma cotovelada e foi justamente expulso. Não foi dispusta de bola, foi agressão, completamente injustificável, ainda mais vindo dele, um dos grandes nomes do time e presença constante nas últimas convocações para a Seleção Brasileira.
  • Com todo respeito a Osmar Loss, mas ele foi de uma falta de profissionalismo tremenda. Tinha que ter entendido que não estava em Gre-Nal de juniores, mas sim em partida de profissionais. Foi varzeano ao chutar a bola para longe e ainda mais amador ao discutir com o atleta do Grêmio. Conseguiu piorar a sua situação ao puxar Saimon no fim da discussão, que revidou agredindo o interino Colorado;
  • Quando Werley se lesionou e Saimon foi chamado, a torcida Tricolor deve ter sentido um frio na espinha. O zagueiro foi bem em alguns momentos no ano passado, mas 2012 foi um ano desastroso. Em todas as oportunidades que teve foi muito mal, tanto no início do ano, quando foi titular junto com Douglas Grolli, quanto nas poucas oportunidades com Luxa, como no Gre-Nal e na partida contra o São Paulo. Mostrou, mais uma vez, que não tem condições de vestir a camisa de um clube grande. Precisa ser emprestado para ganhar experiência e se acalmar.
  • No final, um rojão foi atirado ao gramado, em um ato de vandalismo lamentável. Se tivesse atingido alguém do banco Colorado, poderia causar ferimentos graves. Felizmente, ninguém se feriu. Aliás, esse foi outro ponto lamentável deste episódio; o profissional Colorado que estava no banco se jogou no chão como se estivesse gravemente ferido, causando furor e a entrada imediata da ambulância. O motorista chegou a empurrar o profissional Colorado ao ver que ele não tinha nada. Conseguiram roubar a cena e estragar ainda mais o espetáculo.
  • A arbitragem, tão criticada no Brasileirão, se salvou no Gre-Nal. As expulsões foram justas, tanto as dos três jogadores - Muriel, Damião e Saimon - quanto a dos técnicos. O acréscimo de 5 minutos foi justo ao tempo de paralisação, mas outra confusão ocorreu e Héber Roberto Lopes resolveu encerrar a partida de vez. Os gremistas reclamaram, mas já não estava tendo jogo há algum tempo e devido a série de confusões Héber agiu até com bom senso encerrando o jogo.

A RODADA FINAL - Muito pouco estava em jogo na derradeira rodada do Brasileirão. Os defensores do mata-mata usam isso como jsutificativa para a volta do sistema, mas os pontos corridos fazem jus as equipes mais regulares, com melhor plantel e organização. O mata-mata existe na Copa do Brasil e na Libertadores, ou seja, todos os gostos são atendidos. Na rodada decisiva do nacional, o Atlético-MG virou sobre o Cruzeiro e confirmou a segunda colocação. Justo para um time que fez um grande primeiro turno e perdeu força, mas ainda assim foi um dos melhores times do campeonato. O Sport, mesmo com a grande arrancada, acabou rebaixado e vai se juntar a Palmeiras, Figueirense e Atlético-GO na Série B em 2013. É uma pena, pois acho que vai fazer mais falta do que equipes insossas como Ponte Preta e Portuguesa, de pouca torcida e sem expressão. O Leão acaba pagando pelos erros do primeiro turno e volta a segunda divisão logo no primeiro ano após ter subido.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O velho jeito de fazer futebol

Felipão volta ao comando da Seleção após 10 anos.
Foto: Bruno de Lima/Lancenet
Após anos dominada por Ricardo Teixeira, a CBF caiu nas mãos de José Maria Marin, ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, e o torcedor continuou ficando em segundo plano, atrás de outros interesses, como políticos e econômicos. A demissão de Mano Menezes, por conta do somatório do trabalho, até não provoca surpresa; o problema é que justo no momento em que as coisas começaram a melhorar ele foi demitido. Logo atrás, saiu André Sánchez, ex-presidente do Corinthians, rival do São Paulo, time preferido por Marin. A Copa das Confederações se aproxima rapidamente, os estádios para o Mundial estão começando a tomar forma, o país começa a viver a Copa mais intensamente. Marin pode ter se assustado com todo o cenário, aliou o momento à possibilidade de fazer mudanças na CBF e não pensou muito para demitir Mano e Andrés. Para os seus lugares, nada de inovar com Guardiola, até porque não há tempo e uma mudança brusca no comando pode levar tempo para dar certo. Assim, ele fez o que os velhos cartolas fazem: trouxe um treinador de nome, Felipão, acompanhado de Parreira como coordenador.

Felipão já fez grandes trabalhos, já foi um dos melhores do Brasil e nesse ano é o grande responsável pelo título do Palmeiras na Copa do Brasil. Mas também tem grande parcela de culpa no Rebaixamento, pois não conseguiu remotivar o elenco para sair da Zona de Rebaixamento. Somando tudo o que se pode dizer sobre o técnico, não era o momento para Felipão, que já começou dando uma bola fora na entrevista ao insinuar que os funcionários do Banco do Brasil não são pressionados no trabalho. Como pode dar certo algo que começou errado lá atrás, em 2010, quando Mano não era a primeira opção e não tinha currículo suficiente para assumir a Seleção? Difícil de responder.

Felipão falou em manter a base, o que é compreensível, pois atletas como Thiago Silva, David Luiz, Marcelo, Dani Alves, Ramires, Kaká, Oscar e Neymar seriam convocados por qualquer treinador. Felipão pode mudar trazendo um goleiro, um zagueiro e um volante da sua confiança, além de mexer no ataque e escolher um centroavante para completar os titulares. No gol, pode até preferir continuar com Diego Alves, que vem mostrando segurança, ou pensar em Júlio César, que sabe Victor ou Fábio, mas alguém com um perfil de liderança; na defesa, Lúcio está sem jogar pela Juventus, mas pode ter os seus serviços requisitados, assim como Gilberto Silva, de boa temporada pelo Grêmio, e que também é homem de confiança do técnico. Para a primeira função do meio campo, Felipão pode escolher um volante mais defensivo, marcador; nesse contexto, Lucas e Sandro, ex-jogadores da Dupla Gre-Nal, podem receber chances, assim como Ralf. Outro corintiano, Paulinho, se continuasse não seria surpresa, pois Felipão (e todos nós) conhecesse a qualidade do camisa 8 corintiano. Para a camisa 9, os centroavantes que jogam no Brasil saem em vantagem: Fred, Luís Fabiano e Leandro Damião são os principais nomes, e pelo menos dois deles podem ser convocados. Além desses jogadores citados, Ronaldinho Gaúcho tem grande possibilidade de voltar à Seleção, desde que se comprometa e acate os pedidos de Felipão.

Tudo acontece de repente e de um modo um tanto estranho. Felipão deu certo em 2002, mas as últimas Copas do Mundo não foram das surpresas, foram dos trabalhos há longo prazo. Se conseguir repetir algo parecido com o que fez há 10 anos atrás, Felipão vai trazer a torcida para o Seleção, e aí já teria um grande aliado para diminuir a diferença para as demais equipes. Mas o tempo curto, a geração de atletas não é mais tão brilhante (ou o futebol mundial teria mudado e o Brasil parado no tempo) e grandes forças vêm aí, como a Espanha e a Alemanha. Na Copa das Confederações já teremos um termômetro do que podemos esperar do público e dos rivais, mas ainda vai faltar muito na preparação da Seleção, pois Felipão só terá 6 meses de trabalho. A torcida, embora cada vez mais desconfiada, parece ainda acreditar que o Hexa é possível.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Renovação!

D`Alessandro lamenta a quarta derrota seguida do Inter
no Brasileirão 2012.
Foto: Mauro Vieira/Agência RBS 
Há algumas rodadas os jogadores do Inter adotaram o discurso de "jogar pela dignidade", já que o clube não tinha mais chances de se classificar à Libertadores e tampouco correu risco de Rebaixamento ao longo do ano. Nesses últimos quatro jogos, o Colorado perdeu todas, as duas últimas partidas em casa. A derrota deste domingo para a Portuguesa, lutando contra o Rebaixamento, serviu para mostrar que o problema não era Fernandão. Embora o ex-treinador tenha sua parcela de culpa, ele é muito mais vítima do que vilão nessa história.

Os verdadeiros "malvados" são os jogadores, mas principalmente a direção, que demora demais para mexer. Na Libertadores de 2010, a direção foi ousada e trouxe Celso Roth nas semifinais, mesmo com a boa campanha de Jorge Fossati. Conquistou o bicampeonato do torneio continental. No final do ano, após a derrota para o Mazembe, manteve Roth, quando todos queriam a sua cabeça, para demiti-lo em meio a temporada seguinte. Dorival Jr. deixou a equipe neste ano após 10 jogos no Brasileirão em oitavo lugar, com apenas duas derrotas. Na época, Dorival tinha problemas para escalar a equipe por conta de lesões e convocações, como aliás ocorreu ao longo de todo o segundo semestre também com Fernandão. Se não era brilhante, Dorival tinha conhecimento e maior domínio sobre o grupo de jogadores do Colorado, o que Fernandão demonstrou não ter, além do seu pouco repertório tático.

A eleição no clube terminou na primeira fase, no voto dos conselheiros. Giovani Luigi foi reeleito, talvez por falta de uma concorrência forte, o que vitimou Paulo Odone no Grêmio, talvez porque alguém esteja satisfeito. Sinceramente, não entendo o que pode estar bom: houve atraso na reforma do Beira-Rio, excluindo Porto Alegre e o estádio da Copa das Confederações; o clube teve um ano muito fraco dentro de campo, apenas com a conquista do Gauchão. De bom para o torcedor apenas o fato de que o rival segue sem vencer nada há mais de uma década. Mas, convenhamos, é pouco.

O torcedor Colorado quer ter orgulho do seu time novamente, quer poder ir ao jogo com a certeza de que o adversário vai sofrer se quiser tirar pontos dentro do Beira-Rio. O torcedor quer ter a certeza não da vitória, mas da garra e da disposição, da batalha e da entrega por parte daqueles onze atletas que estiverem dentro de campo. O torcedor que mudança, quer renovação. Porque não adianta trazer um técnico disciplinador, como especula-se com o nome de Dunga, se o elenco continuar esse mesmo, acomodado, dono do clube. Quem entra em campo são os jogadores, no fim das contas eles derrubam, sim, se quiserem, qualquer técnico, assim como também renovam o seu contrato e o deixam nas graças da torcida.

Alguns jogadores precisam levar uma chacolhada, decidir o que querem na vida. O planejamento também deve ser melhor pensado, a preparação física, enfim, tudo deve mudar no Inter, e pode começar a partir de agora. Mas, novamente, a direção demora; muitos técnicos de ponta já renovaram contrato, o Inter acenou negativamente para o nome de Mano Menezes e Dunga ganha mais força. Se ele chegar e tiver autonomia para remontar o grupo de atletas, o torcedor pode esperar ao menos a volta da garra e da disposição dentro de campo. Mas com esses atletas, não sei até onde Dunga pode ajudar.

domingo, 18 de novembro de 2012

A gota d'água

Corrêa (E) não conseguiu evitar o Rebaixamento.
Em 2003, ele foi companheiro de Vágner Love na Série B.
Naquela época, o camisa 99 surgia para o futebol e
neste domingo fez o gol que consolidou a queda do Verdão.
Foto: Cesar Greco/Fotoarena.
A notícia do final de semana é o rebaixamento matemático do Palmeiras para a Série B do Brasileirão. Que o time iria cair, não é novidade; agora não tem mais esperança, com a vitória do Bahia e o empate da Portuguesa o Verdão consolidou a sua queda. Em 2013, a temporada será bem inusitada, com a disputa da Libertadores e também da Série B. Será difícil montar o grupo de jogadores: os bons valores, que seriam atraídos pela vitrine da competição continental, provavelmente não vão querer atuar na Segundona nacional. Por outro lado, se disputar a Libertadores com um time de Série B, o Palmeiras não vai passar da primeira fase. É um dilema bem difícil de ser resolvido e estou bastante curioso para ver como o time vai montar o seu elenco para a inusitada temporada de 2013. Com relação ao grupo atual, o Palmeiras precisa de uma renovação de pelo menos 50% do elenco, que é fraco. Serviu para a Copa do Brasil, competição de mata-mata e que ainda não conta com os melhores times do país, que jogam a Libertadores, mas que não serviu para uma temporada longa em competição de pontos corridos. Nomes como Valdívia e Daniel Carvalho, que vivem no departamento médico, não servem, assim como Maikon Leite, Luan, o zagueiro Román, os volantes Márcio Araújo e João Vítor, para citar alguns nomes. Zagueiros, laterais e atacantes são a prioridade, mas até mesmo no gol o time pode pensar em novos nomes.

A última vaga no Z-4 está em aberto após a vitória do Sport e o empate da Portuguesa. As duas equipes são as maiores ameaçadas, mas Bahia, Coritiba e Náutico ainda não escaparam matematicamente, embora ache difícil a queda de um desses três. Na próxima rodada, o Sport recebe o campeão Flu, de sangue doce após o título, enquanto a Lusa visita o Inter, no Beira-Rio. Na rodada decisiva, a Portuguesa recebe a Ponte e o Sport tem clássico com o Náutico nos Aflitos. Apesar de o Leão aparentemente ter a tabela mais difícil, ainda aposto na queda da Lusa, que hoje entregou para o Grêmio, pontos que podem fazer muita falta.

PARA PENSAR 2013...

A Dupla Gre-Nal já deveria estar com a cabeça no novo ano. O Inter nem chances mais de Libertadores tinha antes da derrota para o Corinthians, que se tratou de uma mera repetição dos erros da equipe ao longo da temporada: problemas na defesa, meio-campo sem criatividade, falta de indignação. A diretoria Colorada perde tempo prorrogando as decisões sobre treinador, comissão técnica, jogadores e dirigentes para o próximo ano. A temporada já era, é hora de se antecipar e começar 2013; o clube não precisa ficar esperando o campeonato acabar para contratar novo técnico (se é que vai trazer) e renovar o elenco. Do lado azul, com a eliminação para o Millonários, da Colômbia, o Grêmio também deve pensar no próximo ano. A disputa pelo segundo lugar é menor do que a preparação da próxima temporada; é hora de renovar com Luxemburgo (ou trazer outro técnico), acertar com os atletas que interessam e buscar peças para as posições carentes. Ainda falta cerca de um mês para tudo parar, pois durante a época de Natal e Ano-Novo as negociações ficam um tanto suspensas. A Dupla Gre-Nal não precisa esperar o Brasileirão acabar para começar a se mexer, pois fica mais difícil de buscar equipes como Flu e Corinthians, que têm uma base montada há mais tempo e já largam em vantagem para o próximo ano.

IRONIAS DO FUTEBOL

Lançado no Palmeiras, o flamenguista Vágner Love voltou a marcar hoje, após oito jogos, no empate entre paulistas e cariocas. Ajudou a consolidar o Rebaixamento do Verdão. Vice-campeão brasileiro em 1996 com a Portuguesa, onde surgiu para o futebol, Zé Roberto, hoje defendendo o Grêmio, equipe que tirou o título da Lusa naquele ano, ajudou a complicar a vida dos paulistas marcando um belo gol. São as voltas que o mundo dá. 

domingo, 11 de novembro de 2012

MERECIDO!

Foto: Nelson Perez/Fluminense F.C.
O Fluminense bateu o Palmeiras por 3 a 2 e confirmou o título do Brasileirão 2012. Troféu mais do que merecido pelos cariocas, pela sua qualidade e pela incompetência dos rivais, embora em alguns momentos a arbitragem tenha dado uma grande ajuda. Fred balançou as redes duas vezes e chegou a 19 gols no campeonato, três a frente de Luís Fabiano; o capitão do Flu está muito próximo de se tornar goleador do Brasileirão pela primeira vez. Mesmo sem Deco, que voltou a sentir uma lesão nos últimos jogos, o time carioca manteve a qualidade, atuando com três homens na frente: Wellington Nem, Rafael Sóbis e Fred, abastecidos por Thiago Neves. A ofensividade ajuda a explicar o melhor ataque da competição, com 59 gols em 35 partidas, mas contraria a tese dos retranqueiros de que quanto mais volantes melhor, pois o Flu também é a melhor defesa do campeonato - levou 28 gols em 35 jogos.

RESTA UM...

Já ao Palmeiras resta rezar. Antes do clássico contra o Santos, na última rodada, o Verdão encara o Flamengo, no RJ, e o Atlético-GO, com o seu mando de campo em estádio ainda a definir. São duas partidas bem mais tranquilas do que as duas últimas, contra o Flu (derrota por 3 a 2), até então líder absoluto, e o Botafogo (empate em 2 a 2), que vinha em franca ascensão. Para chegar com chances na última rodada, o Palmeiras precisa vencer seus jogos e torcer por duas derrotas da Portuguesa (que encara o Grêmio, em SP, e o Inter, no RS, antes da última partida contra a Ponte Preta, no Canindé) e do Bahia (recebe a Ponte Preta e o Náutico antes do jogo derradeiro contra o Atlético-GO, em GO); além disso, o Palmeiras também precisa "secar" o Sport, que recebe Botafogo e Fluminense antes de encarar o Náutico, na última rodada, nos Aflitos.

Acho que no caso do Palmeiras é muita coisa para der certo a seu favor e errado contra os adversários ao mesmo tempo. Assim, resta uma vaga na Série A, que será disputada por Sport (37 pontos, 17o), Bahia (16o, 40) e Portuguesa (15o, 40). Pelo momento, o Leão tem vantagem, pois jogou mais do que os adversários no segundo turno; pela tabela, situação mais tranquila para o Tricolor baiano, que tem dois jogos em casa e mais o lanterna Atlético-GO na última rodada. Palpite: Palmeiras e Portuguesa farão companhia a Figueirense e Atlético-GO (estes dois já rebaixados matematicamente) na Série B em 2013.

TÁ CHEGANDO A HORA...

A penúltima festa do torcedor gremista no Olímpico foi de tirar o fôlego. Mesmo sem quatro titulares importantes (Werley, Gilberto Silva, Elano e Kléber), o Grêmio foi superior ao São Paulo durante quase todo o jogo, virou o placar adverso e festejou a vaga na Libertadores com o 2 a 1. André Lima tem participado melhor do que Marcelo Moreno e já está merecendo uma chance de começar entre os 11, quem sabe até mesmo ao lado do boliviano, como ocorreu durante parte do segundo tempo. Com o resultado de empate do Atlético-MG contra o Vasco (2 a 2), o Tricolor volta com força à luta pelo segundo lugar. A tabela reserva dois duelos longe de casa para o Grêmio, contra Portuguesa e Figueirense, antes do Gre-Nal, no Olímpico, pela última rodada; já o Galo recebe o Atlético-GO e visita o Botafogo antes de enfrentar o Cruzeiro em clássico somente com a sua torcida na rodada decisiva do Brasileirão. A segunda posição parece que vai ficar em aberto até o final do campeonato.

O São Paulo mantém cinco pontos de vantagem para o Botafogo. Nas últimas rodadas, o Tricolor recebe o Náutico e visita a Ponte Preta antes do clássico contra o Corinthians, no Morumbi; já o Fogão visita o Sport e recebe o Atlético-MG antes do duelo decisivo contra o Flamengo. Tabela amplamente favorável aos paulistas que mesmo com a derrota estão com a vaga à Libertadores 2013 encaminhada.

CHANCE PARA OS MENINOS

A torcida do Inter amargou mais um duro golpe neste campeonato com a derrota para a Ponte Preta, em Campinas, por 1 a 0. A situação do Colorado, sem nada para fazer no campeonato, é parecida com  a do Grêmio no final do campeonato passado. O ano de 2012 já era, os medalhões estão largados no time e é hora de botar a gurizada para jogar, junto com atletas que não atuaram tanto e ainda tem de mostrar serviço para permanecer no elenco. Insistir com Kléber e D`Alessandro, neste momento, não adianta, até porque são atletas consolidados. Ou o Colorado tem convicção que deve mantê-los ou não serão os próximos três jogos que decidirão isso. O mesmo ocorre com os zagueiros Juan e Bolívar, especialmente o primeiro, que tem qualidade, mas chegou da Europa em meio ao campeonato e ainda não se encontrou. Colocando os dois para jogar, o clube acaba os expondo, pois as críticas pela derrota sempre estouram primeiro nos defensores. Juan tem sido execrado pela imprensa, mas é um zagueiro campeão do mundo; não desaprendeu a jogar, contudo precisa se aprumar fisicamente, pois na Roma já não vinha jogando por conta de sucessivas lesões. Outro ponto que o Colorado tem que se atentar: as regras para a classificação à Sul-Americana mudaram. Excluindo-se as equipes que estiverem nas fases finais da Copa do Brasil e aquelas que participaram da Libertadores, vão entrar apenas os quatro melhores do Brasileirão 2012. Ou seja, se por acaso o Inter for eliminado cedo na Copa do Brasil corre o risco de nem ir para a Sul-Americana se ficar em uma posição muito ruim na tabela.

sábado, 10 de novembro de 2012

Tudo verde em GOIÁS!

Ricardo Goulart: de esquecido no Inter
a craque do Goiás na Série B.
Foto: Carlos Costa/Lancenet 
O GOIÁS bateu o Grêmio Barueri por 3 a 0, e garantiu o seu retorno à Série A do Brasileirão em 2013; o resultado também selou o rebaixamento dos paulistas para a Série C do próximo ano. Comandado pelos ex-Colorados Enderson Moreira (técnico), Ricardo Goulart, Iarley e Walter, o Esmeraldino começou vacilante, mas cresceu ao longo da competição, ultrapassando Criciúma e Vitória, que estiveram sempre à frente, e garantindo o acesso com duas rodadas de antecipação. O desafio agora é manter o treinador e os jogadores que se destacaram, entre eles Goulart, bastante aproveitado pelo técnico Falcão em sua passagem pelo Inter, o acabou motivando certa discórdia do técnico com a torcida. Na Série B, se destacou e foi fundamental, talvez até o melhor jogador da competição.

Faltando duas rodadas para o fim do campeonato ainda estão na luta pelas últimas três vagas à Série A de 2013: Criciúma (71 pontos), Atlético-PR (69), Vitória (69) e São Caetano (67). A próxima rodada promete ser uma das mais eletrizantes, pois os seis primeiros colocados se enfrentam (embora o Joinville, sexto colocado, não tenha mais condições de acesso, ainda assim é um dos melhores times da competição): Joinville x Vitória, Criciúma x Atlético-PR e São Caetano x Goiás.

O Furacão tenta voltar ainda no primeiro ano após cair da Série A, tentando minimizar as perdas, principalmente, financeiras. Os outros rebaixados da Série A no ano passado - Avaí, América-MG e Ceará - ficaram pelo meio da tabela, longe da série C, mas também distantes do retorno à elite do futebol brasileiro.

UEFA CHAMPIONS LEAGUE

No grupo D, tido como o da "morte" na Champions, o Manchester City não venceu após quatro jogos e soma apenas 2 pontos; precisa de um milagre para se classificar. O líder, surpreendente, é o Borussia Dortmund, atual bicampeão alemão, mas que não havia passado da primeira fase na temporada anterior; os alemães têm 8 pontos, seguidos pelo Real Madrid (7) e Ajax (4). As duas últimas rodadas reservam os duelos Ajax x Dortmund / City x Real (dia 21/11) e Dortmund x City / Real x Ajax (04/12).

Pelo grupo G, a torcida do Celtic viveu uma noite histórica no Celtic Park, na última terça-feira (07/11), com a vitória sobre o Barcelona por 2 a 1. Triunfo conquistado com raça, disciplina e muita competência. Após quatro rodadas, os escoceses somam 7 pontos; o Barça lidera com 9, o Benfica tem 4 e o Spartak de Moscou/RUS, 3. Para saber mais sobre a noite histórica confira o texto do Leo Bertozzi, da ESPN, em http://espn.estadao.com.br/post/291795_a-noite-magica-de-glasgow.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Definições na Dupla

A Dupla Gre-Nal consolidou seu destino no Brasileirão 2012 nesta rodada: com a vitória sobre a Ponte Preta, no sábado, por 1 a 0, o Grêmio abriu 12 pontos para o 5o colocado (Botafogo) faltando 4 rodadas e se garantiu na Libertadores; o Inter levou 3 a 0 do Náutico, no domingo, e deu adeus matematicamente a qualquer sonho da Libertadores. Agora, o mais importante é pensar 2013, até mesmo para o Grêmio, que ainda tem a Sul-Americana em disputa e tenta o vice-campeonato brasileiro para entrar direto na fase de grupos, sem ter que passar pela pré-Libertadores. O problema é que o Tricolor não tem mais pernas; o lado positivo é que os adversários, ao menos no Brasileirão, também não estão com tanto fôlego de sobra, como mostram os resultados recentes do Atlético-MG - derrota para o Coritiba e empate com o Flamengo. Já ao Colorado não resta outra opção: é tentar terminar o campeonato com "dignidade", como gostam de dizer os atletas, e começar a tratar de 2013.

O "esquecido" André Lima entrou e fez o gol da vitória
contra a Ponte. Com a baixa produção dos atacantes,
não estaria ele merecendo uma chance entre os 11?
Foto: Diego Vara/Diário Gaúcho
Luxemburgo definiu a atuação do Grêmio, no sábado, contra a Ponte, como a pior sob seu comando. Pode ser. Em um estádio Olímpico lotado por mais de 40 mil torcedores, o Tricolor não fez nada, errou absolutamente tudo. Na primeira etapa, poderia ter levado uns 3 a 0, não fosse a má pontaria do adversário. Na volta do intervalo, melhorou um pouco, até a expulsão de Júlio César (justa, sem contestações ao árbitro e ao jogador, que precisou fazer a falta). A partir daí, já com Elano "sem condições", como o próprio meia admitiu, o Grêmio ficou à deriva, esperando um gol ao acaso. E ele veio. No finalzinho, após uma pixotada do zagueiro, que cabeceou uma bola para trás quando estava sozinho, nasceu um escanteio; Zé Roberto, que não havia acertado nenhuma cobrança, levantou a bola fechada e André Lima marcou. Não ficou bem clara a falta no goleiro, mas talvez o braço de André tenha configurado infração contra o arqueiro da Ponte. Lições da vitória: o Tricolor venceu com a torcida e pela covardia do adversário, que teve um a mais a partir dos 24 do segundo tempo e ainda assim se manteve até o fim jogando pelo 0 a 0 - time que entra para empatar, perde; com Marcelo Moreno, Leandro e Kléber jogando tão mal, por que não dar uma chance a André Lima, até mesmo junto com Moreno?

Fernandão segue sem conseguir bons resultados com o
Colorado. Sua permanência é incerta para 2013.
Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press 
Quanto ao Inter, ficou difícil fugir da mesmice para comentar mais um tropeço: muitos desfalques, pouca inspiração e outro resultado ruim. Perder para o Náutico, nos Aflitos, até não é nada de absurdo, pois o time pernambucano tem ótimo aproveitamento em casa: são 12 vitórias, 3 empates e apenas duas derrotas. O placar de 3 a 0 é que incomoda, embora dois gols tenham sido de falta e um deles a bola desviou na barreira. Sinais de que também não era a noite do Colorado. Quando a equipe tem muitos desfalques, e o Colorado passou por isso diversas vezes no ano, a importância de um treinador experiente, conhecedor de esquemas táticos, se torna ainda maior. Fernandão parece engessado no 4-3-1-2, mas se o comandante não tem boas peças deve mudar a estratégia. Sem falar que as equipes que vem se destacando no campeonato não são as que jogam com mais defensores; aliás, três volantes está ultrapassado, o que as equipes de destaque têm usado é três meias/atacantes, mas com todos ou a maioria ajudando a defender (só ver os exemplos do Flu, Galo, São Paulo, Corinthians, até mesmo o Grêmio usa dois e meias e dois atacantes). Ontem, Fernandão poderia ter centralizado Kléber à frente de dois volantes, já que não tinha outro organizador, e aberto Lucas Lima e Otavinho, ou Cassiano, ou Marcos Aurélio, deixando Damião como centroavante. Josimar, Guiñazu e Ygor acrescentam muito pouco ofensivamente, assim como Nei, deixando a equipe sem opções e facilmente marcada. Para 2013, o Colorado precisa dar uma sacudida no vestiário e precisa de um comandante mais preparado. Fernandão, embora possa ter um brilhante futuro, ainda não parece minimamente pronto para um clube do tamanho do Inter.

MÃO NA TAÇA

O jogo mais aguardado da rodada deixou a desejar. Ao contrário dos duelos contra Grêmio e Atlético-MG, a partida do Fluminense com o São Paulo ficou abaixo do esperado. O primeiro tempo foi bom, movimentado, com as defesas se sobressaindo. Na etapa final, não fossem as pixotadas de Gum e Tolói, aproveitadas pelos goleadores Luís Fabiano e Fred, e o placar final teria sido 0 a 0. Bom para o Flu, que deu mais um passo rumo ao título e pode ser campeão já na próxima rodada se vencer o Palmeiras, fora de casa, e o Galo perder para o Vasco em São Januário. Mas, convenhamos, mesmo que o Galo ganhe e o Flu perca na próxima rodada, alguém ainda acredita que o título não será do Tricolor carioca?

MAR DE HIPOCRISIA

O Flamengo se manifestou a respeito do gol anulado de Barcos dizendo que também já foi prejudicado e o campeonato deveria parar até a decisão sobre a validade do resultado da partida Inter 2 x 1 Palmeiras. Zinho aproveitou para reclamar de um gol anulado de Liédson, que daria a vitória no jogo contra o Cruzeiro, no Rio. Pois bem: no meio de semana, o Flamengo foi beneficiado contra o Atlético-MG, que teve pênalti em Ronaldinho não assinalado; neste sábado, o Figueirense teve DOIS gols legítimos anulados por impedimento, pelo mesmo bandeira. Engraçado, não ouvimos manifestações do clube a respeito dos fatos. Vamos colocar as partidas do Flamengo sub judice também? O bandeira teve ajuda para anular os gols? É ruim tecnicamente ou foi proposital? Erros de arbitragem são uma coisa, todas as equipes já foram beneficiadas e prejudicadas, umas mais (como o Flamengo), outras menos. Anular um jogo por conta de um gol irregular é outra história, uma discussão bem diferente. Colocar tudo no mesmo barco, sem querer fazer trocadilho, é ignorância ou pura hipocrisia.

VERGONHA

Clubes grandes dando no vexame no Brasileirão chamam a atenção. Além do Palmeiras, que luta contra o Descenso, Vasco e Cruzeiro fizeram um papelão frente ao torcedor neste final de semana. O time paulista está com o rebaixamento iminente após mais um tropeço e os resultados positivos dos rivais; já o Cruzmaltino tomou 3 a 0 do Sport, em casa, e segue numa crise que extrapola os limites do campo e chega ao Departamento Financeiro do clube; e o Cruzeiro, que segue abraçado a Celso Roth, que já deveria ter sido demitido há tempos, levou 4 a 0 do Santos, em show de Neymar que mereceu aplausos da torcida mineira. O pior é que as perspectivas de cariocas e mineiros não são nada boas para o ano que vem: sem a Libertadores e com poucos recursos, vai ficar difícil montar um time de qualidade, que possa voltar a dar alegrias ao torcedor.

domingo, 28 de outubro de 2012

Arbitragem ruim e perigo de Rebaixamento: combinação explosiva

Jogadores de Inter e Palmeiras se revoltaram com o árbitro
Francisco Carlos do Nascimento (AL).
Foto: Renan Olaz/Futura Press
Uma grande discussão veio à tona neste final de semana na partida Inter 2 x 1 Palmeiras: a interferência de uma pessoa de "fora" da equipe de arbitragem nas decisões do árbitro. O lance em questão foi o gol de Barcos, irregular, pois ele coloca de fato a mão na bola intencionalmente, mas que seria validado não fosse o delegado da partida. Segundo relatos dos atletas, o delegado avisou ao quarto árbitro, Jean Pierre Gonçalves, da irregularidade do lance, e Jean Pierre repassou ao juiz Francisco Carlos do Nascimento, de Alagoas. A atuação do sexteto de arbitragem - somando aí os dois juízes atrás dos gols, que de nada servem, pois nunca vi interferirem em alguma marcação - vai ficar marcada na história como uma das piores de todos os tempos por conta desta lambança. A mão na bola de Hernán Barcos é claríssima; se o juiz estivesse mal posicionado (e as imagens mostram que ele tinha visão perfeita do lance - assista em http://globoesporte.globo.com/jogo/brasileirao2012/27-10-2012/internacional-palmeiras.html), o assistente ou o árbitro atrás do gol deveriam tê-lo avisado, até mesmo o quarto árbitro poderia. Pela regra, não pode haver interferência da televisão ou de algum elemento que não seja da equipe de arbitragem, o que claramente parece ter acontecido devido a demora do árbitro em confirmar o gol. O bandeirinha Ediney Guerreiro Mascarenhas correu para o meio de campo, ou seja, validou o lance, assim como o árbitro, que fez o gesto de gol apontando para o centro do campo. O quarto árbitro não se manifestou na hora, então por que o juiz mudou de ideia?

O erro quanto ao cumprimento das regras será confirmado com uma investigação sobre a participação do delegado na invalidação do gol de Barcos; de fato, segundo a regra, não poderia haver interferência do delegado. Mas a choradeira do Palmeiras é bastante contestável, pois o lance foi claramente irregular. Um dirigente chegou a falar em anulação da partida, dando a entender que para se salvar do Rebaixamento vale até mesmo os gols irregulares. O treinado Gilson Kleina chegou a falar em "sem-vergonhice". De quem? Do delegado, que mesmo não tendo autoridade fez o certo, o justo, ou do treinador palmeirense, que provavelmente viu o toque de mão e ainda tem a cara de pau de chamar alguém de sem-vergonha? Quem avisou o árbitro ou por que ele mudou de ideia ainda não se sabe ao certo, mas que o gol foi intencionalmente com a mão já está mais do que claro. Adversários do Palmeiras que se preparem, pois a pressão em cima da arbitragem para ajudar o clube paulista vai ser ainda maior.

Dois fatos vieram a minha cabeça após essa confusão toda no jogo do Palmeiras: 
  • em 26 de setembro deste ano, o alemão Klose, segundo maior artilheiro da história das Copas do Mundo, atrás apenas de Ronaldo, fez um gol tocando com a mão na bola; o árbitro não viu e validou, mas voltou atrás após o atacante confessar a irregularidade. Assista em http://www.youtube.com/watch?v=eE2F8g55Bh8.
  • Em 2004, ano do Rebaixamento do Grêmio, o Palmeiras venceu o Tricolor com um gol impedido e feito com a mão; a partida obviamente não foi anulada. É só um exemplo de que erros graves acontecem e, infelizmente, faz parte do futebol brasileiro, que tem uma das piores arbitragens do mundo, senão a pior. Assista em http://futpedia.globo.com/campeonato/campeonato-brasileiro/2004/10/30/gremio-2-x-3-palmeiras.
FALTA DE CRITÉRIO

Outro fato que incomoda é a relação dos jogos.Entre os primeiros colocados, o Fluminense jogou na quinta (25/10), o Atlético-MG vai jogar na próxima quarta (31/10) enquanto Grêmio e São Paulo atuaram neste sábado (27/10), pois disputam a Sul-Americana e jogaram no meio de semana. O Flamengo, adversário do Galo, ganhou mais dias de folga e treino do que os adversários contra o Rebaixamento, que jogaram quinta e sábado também. Tudo bem que é necessário encaixar um jogo na grade da TV no meio de semana, mas que seja uma partida que interfere pouco no rumo do campeonato, ou que se mudem várias partidas para esta data, senão o favorecimento a determinados times fica explícito.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Vitórias com o toque do 10

Volta de D`Ale acrescenta qualidade ao Inter.
Foto: Wesley Santos/Gazeta Press
As torcidas de Grêmio e Inter viveram emoções parecidas nesta quarta-feira. Mais cedo, às 20h30min, pelo Campeonato Brasileiro, o Colorado visitou o Vasco e venceu por 2 a 1, de virada, com boa atuação de D`Alessandro e gols de Forlán. No complemento da noite, pela Copa Sul-Americana, o Tricolor levou um susto do Barcelona/EQU e saiu atrás no marcador, mas virou, graças a Zé Roberto.

Vitalidade e experiência de Zé dão o tom no Grêmio.
Foto: Edison Vara/ Gazeta Press
Em comum, além das viradas e dos placares, as atuações dos camisas 10, melhores em campo. No Rio, o Inter pegou um Vasco debilitado, sem força, com poucas peças para o ataque e mesmo sem ir bem conseguiu controlar os cariocas e vencer; o Grêmio foi dominado no primeiro tempo, mas após empatar o jogo praticamente não levou mais sustos. Nos dois casos, foi pouco: para chegar à Libertadores, o Inter precisaria melhorar muito, e em pouco tempo, o que eu não acredito que vá acontecer; o Grêmio, para vencer a Sul-Americana e chegar sem sustos à Libertadores via Brasileirão, precisa melhorar, principalmente em casa, onde não consegue se impor.

Apesar das atuações pouco convincentes, a noite da dupla Gre-Nal teve boas notícias. D`Alessandro voltou a jogar bem, participou dos gols no primeiro tempo com dois lindos passes para Forlán e ajudou a prender a bola na etapa final. No Olímpico, Zé Roberto comandou o Tricolor nos dois tempos, sendo coroado com um belo gol de falta no finalzinho; falta, aliás, cavada pelo próprio meia, que iria sair na cara do gol quando o zagueiro colocou a mão na bola. As atuações foram irregulares, mas é importante que D`Ale e Zé, dois trintões, estejam em boa forma física e técnica especialmente nesta reta final de temporada.

SUL-AMERICANA

O Palmeiras perdeu para o Milionários, na Colômbia, por 3 a 0, e deu adeus a Sul-Americana. Resultado excelente, pois o time já tem vaga na Libertadores, conquistada com o titulo da Copa do Brasil, e precisa direcionar as forças na luta contra o Rebaixamento. O lanterna do Brasileirão, Atlético-GO, fez 3 a 1 na Universidad Católica, do Chile, e quase conseguiu uma classificação histórica - foi eliminado pelo saldo qualificado já que perdeu a partida de ida por 2 a 0. O São Paulo ficou no 0 a 0 com a LDU Loja/EQU e se classificou graças ao saldo qualificado, já que havia empatado em 1 a 1 no Equador. Os Tricolores paulista e gaúcho são os representantes brasileiros na luta pelo título. Nas quartas de final, o Grêmio encara o Milionários, que eliminou o Palmeiras; já o São Paulo mede forças contra o classificado de Emelec/EQU e Universidad de Chile. A partida de ida, em Santiago, terminou 2 a 2.

BRASILEIRÃO

Com a derrota em casa para o Botafogo por 2 a 0, o Figueirense termina a 32a rodada 8 pontos atrás do Bahia, faltando apenas 6 rodadas para o fim do Brasileirão. Está virtualmente rebaixado, assim como o Atlético-GO.

domingo, 21 de outubro de 2012

O Pulso ainda Pulsa

Torcida do Galo tem a quarta melhor média
de público no Brasileirão 2012, atrás
de Corinthians, Grêmio e São Paulo.
Foto: Gil Leonardi/Lancenet.
Atlético-MG e Fluminense fizeram um dos grandes jogos do campeonato Brasileiro 2012, tanto em qualidade quanto em emoção. O placar final de 3 a 2 fez jus a ampla superioridade que o Galo apresentou dentro do gramado do estádio Independência, empurrado como de costume pela torcida. Contra um time que limitou-se a defender o próprio gol e quase não incomodou Victor na primeira etapa, os comandados de Cuca foram para cima. No segundo tempo, se abateram com o primeiro gol sofrido, de Welington Nem, e renasceram na grande jogada de Ronaldinho concluída com maestria por . A virada atleticana veio após lindo lance do melhor em campo, Bernard, que cruzou na cabeça de Jô, às costas do zagueiro, para o centroavante só ter o trabalho de desviar a bola de Cavallieri. O Flu não desistiu, Abel lançou Samuel na vaga de Edinho, e Fred apareceu na área para completar cruzamento rasteiro e empatar. No finalzinho, quando tudo parecia decidido, o zagueiro mais centroavante do Brasil, Leonardo Silva, se lançou ao ataque e apareceu na área para concluir um cruzamento de R49, marcando pela sexta vez no Brasileirão e dando números finais a um dos grandes jogos do campeonato. 

Com a vitória, o Galo volta a briga pelo título, apesar da vantagem de seis pontos do Flu ainda ser muito grande; mais do que diminuir a pontuação, a forma como o Atlético-MG venceu, lembrando os seus melhores momentos no primeiro turno e dominando completamente os cariocas, é a grande esperança da torcida. Nesta reta final, vale lembrar que a tabela dos cariocas é mais complicada: o Flu enfrenta Coritiba (C), São Paulo (F), Palmeiras (F), Cruzeiro (C), Sport (F) e Vasco (neutro). O Galo encara Flamengo (C), Coritiba (F), Vasco (F), Atlético-GO (C), Botafogo (F) e Cruzeiro (C).
  • Ambas as equipes têm um clássico pela frente, mas com peculiaridades que podem fazer toda a diferença. Por conta da fórmula dos clássicos cariocas, com divisão meio a meio dos ingressos, o Flu tem, em tese, uma partida a menos em casa no duelo contra o Vasco; já o Galo irá receber o Cruzeiro em duelo com torcida unicamente do Atlético-MG, por questões de segurança (no primeiro turno a partida teve apenas torcedores da Raposa);
  • Entre os jogos fora, o Flu pega uma equipe lutando por Libertadores (o São Paulo) - que ainda vem em grande fase - e duas equipes desesperadas contra o Rebaixamento (Palmeiras e Sport). Já o Galo encara o Coritiba - que se distanciou bastante do Z-4 e não joga mais tão pressionado -, o Vasco - que perdeu força na briga pela vaga à Libertadores, mas ainda segue com chances - e o Botafogo, que não faz mais nada no campeonato;
  • Em casa, o Flu recebe Coritiba e Cruzeiro, jogos que podem ser vencidos sem grande dificuldade, além do clássico contra o Vasco. O Galo, único time ainda invicto como mandante, recebe no Independência o Flamengo e o Atlético-GO, com os cariocas praticamente livres do Rebaixamento e os goianos com mínimas chances de escapar ou até mesmo já matematicamente rebaixados, além do duelo contra o Cruzeiro. Ou seja: o título do Brasileirão tem novamente dois candidatos, embora a vantagem do Flu ainda seja considerável e a conquista do título dependa só da força dos cariocas.
O título deste post também serve para o Palmeiras. Com a vitória na rodada passada em duelo direto contra o Bahia, em Pituaçu, por 1 a 0, o Verdão voltou a ter esperanças. Neste sábado, pela 32a rodada, o time de Barcos fez 2 a 0 no Cruzeiro, com gols do centroavante argentino. Já o Bahia empatou com o Corinthians, completando o quinto jogo sem vitória. Com os resultados, a diferença entre o Bahia (16o, primeiro time fora do Z-4) e o Palmeiras (17o, primeiro time no Z-4) caiu para quatro pontos. Para piorar a situação dos baianos, Sport e Figueirense venceram na rodada 31 e ainda não jogaram pela 32a rodada (enquanto escrevia o Sport enfrentava o Atlético-GO, no Serra Dourada, e o Figueira jogará na quarta contra o Botafogo, no Orlando Scarpelli). Ainda existem vagas na Série A do ano que vem e o Palmeiras certamente está vivo na disputa. Se vencerem na rodada, Sport e Figueirense também estarão.

TRICOLOR SEM FÔLEGO?

O torcedor tem feito a sua parte, mas o Grêmio está deixando a desejar quando joga no Olímpico. A raça da equipe fez a diferença em algumas vitórias, conquistadas na base do abafa, mas ultimamente não tem funcionado. O empate com o Coritiba, o terceiro nos últimos quatro jogos em casa, foi prova disso. O time de Luxemburgo não consegue se impor, os adversários já perceberam a estratégia Tricolor de tentar marcar logo no início e o time parece não saber o que fazer a medida que o tempo passa e o gol não sai. O título do Brasileirão já era e após a vitória do Galo a segunda posição também fica mais distante; a briga do Tricolor no campeonato é pelo terceiro lugar com o São Paulo.

Na quarta-feira, o time recebe o Barcelona/EQU, no Olímpico, pelas oitavas da Copa Sul-Americana, com a vantagem de ter vencido a partida de ida por 1 a 0. Para se classificar, basta que a equipe não faça bobagens. Pelo que mostraram na partida de ida, os equatorianos têm um time relativamente insinuante, mas uma desclassificação Tricolor poderia, sim, ser considerada uma zebra pela diferença entre as duas equipes.

domingo, 14 de outubro de 2012

Final antecipado?

Jogadores do Flu comemoram gol de Gum,
o da virada contra a Ponte.
Seria também o da definição do título?
Foto: Dhavid Normando/Photocamera
O Brasileirão está se definindo antes de entrar na reta final. Neste final de semana, pela 30a rodada, o campeonato deu mais um passo importante na definição do seu campeão, dos seus integrantes na próxima Libertadores e dos seus rebaixados. O Fluminense virou para cima da Ponte Preta e manteve 9 pontos de vantagem para o segundo colocado, o Atlético-MG, que virou para cima do Sport e deixou o Leão ainda mais perto da Série B. Na briga pela terceira vaga à Libertadores, o Grêmio deixou escapar uma vitória contra o Botafogo, que não vence há 7 rodadas, enquanto o São Paulo venceu mais uma, a terceira consecutiva, e deixou a diferença para os gaúchos em 5 pontos. O outro postulante a terceira ou quarta vaga no G-4, o Vasco, perdeu para o Santos; correndo por fora, o Inter deu vexame e sofreu virada do lanterna Atlético-GO; em termos de pontuação, a diferença não aumenta muito, mas o resultado pode abalar definitivamente as estruturas no Colorado. Na luta contra o Rebaixamento, dos integrantes do Z-4, apenas o Dragão, que tem a situação mais difícil de todas, venceu, mas continua na lanterna; Sport, Figueirense e Palmeiras foram derrotados e seguem longe do Bahia, hoje o primeiro time fora da Zona do Descenso.

CAMPEONATO MANCHADO?

Todos os árbitros têm errado, e muito, no Brasileirão, mas em quase todo jogo o Fluminense tem alguma marcação definitiva a seu favor. Nesta rodada, embora tenha pressionado muito a Ponte Preta, marcou seus dois gols em lances, no mínimo, duvidosos. Parece que os árbitros estão apitando da seguinte forma: na dúvida, marca-se a favor do Flu. Contra a Macaca, em São Januário, a bola bateu completamente sem querer na mão do atleta paulista, não estava indo na direção do gol, nem era um cruzamento para área, foi um bate-rebate longe do gol que o juiz Nielson Nogueira, de Pernambuco, entendeu como penalidade. O gol da virada surgiu em lance mais absurdo ainda: o atleta do Flu se enroscou com o jogador da Ponte, claramente lhe segurou a camisa e o juizão deu falta para os cariocas. Na cobrança, Gum marcou de cabeça. Das 20 vitórias do Flu no Brasileirão, 12 foram pela diferença mínima de um gol; quantas delas decididas em lances de arbitragem pró-Flu?

FRUSTRAÇÃO EM DOSE DUPLA

Grêmio e Inter deixaram os torcedores impacientes neste final de semana. No sábado, o Colorado saiu na frente do Atlético-GO, no Serra Dourada, mas conseguiu levar uma virada incrível e perdeu por 3 a 1. A discussão entre Kléber e Muriel foi um dos exemplos de como as coisas andam fora de controle no time do Inter. A dúvida que fica é o que o lateral-esquerdo estava justificando, já que falhou nos dois últimos gols dos goianos.

No domingo, o Grêmio recebeu o Botafogo. Não jogava bem, mas conseguiu abrir o placar em cobrança de falta de Léo Gago. Luxemburgo tirou André Lima muito cedo na partida, praticamente abdicando de atacar. Embora tenha controlado bem os cariocas e quase não dado chances, no finalzinho Bruno Mendes fez jogada individual e acertou um bonito chute da entrada da área. Acabou sendo um castigo para a pouca ambição do Grêmio.

CELESTE APAGADA

Em duelo válido pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2014, a Argentina fez 3 a 0 no Uruguai. A partida mostrou que a Celeste, embora tenha mantido o mesmo time quarto colocado na Copa da África do Sul em 2010 e campeão da Copa América em 2011, perdeu muito de sua força. A equipe de Óscar Tabárez está em quarto lugar, com 12 pontos, atrás da líder Argentina (17 pontos) e das surpresas Colômbia e Equador (16). É seguida de perto pelo Chile (também com 12 pontos) e pela Venezuela (11). O primeiro turno das Eliminatórias se encerrou e os jogos do returno começam nesta terça (16/10).

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Briga pela Libertadores em aberto

"Fabuloso" abriu o placar contra o Vasco,
chegou a 14 gols e está na briga pela
artilharia com Fred e Bruno Mineiro.
Foto: Marcos de Paula/AE 
Se antes as três vagas diretas a Libertadores estavam praticamente fechadas, com Fluminense, Grêmio e Atlético-MG abrindo boa vantagem, hoje não creio que o panorama continue o mesmo. O Flu disparou, abriu nove pontos para o segundo colocado e pode se considerar garantido na Libertadores. Para o título, a definição poderá vir daqui a três rodadas, quando os cariocas já terão enfrentado Grêmio e Atlético-MG. Quanto as outras duas vagas diretas na fase de grupos da Libertadores, gaúchos e mineiros perderam força e vêem a aproximação de Vasco e, especialmente, do São Paulo, que ainda vai encarar Fluminense e Grêmio. O Tricolor do Morumbi ainda pode ser importante para o campeonato ao segurar o líder; ou acabar de vez com o suspense se derrotar os gaúchos e antecipar a conquista do Flu. Na luta pela quarta vaga, o Inter corre por fora, tentando fazer a sua parte e torcendo para que essa vaga continue. A vitória na última rodada contra o Galo, no Beira-Rio, foi na base da garra e da disposição, o que é importante, mas pode não ser suficiente.

ALGO A MAIS

Vencer em casa é básico para um time que almeja brigar por título e vaga na Libertadores, mas só isso já não faz tanta diferença em um campeonato tão equilibrado como o Brasileirão. Todas as equipes uma hora são surpreendidas em seus domínios, como aconteceu com o Fluminense contra o Atlético-GO (2 a 1 para o Dragão), com o Grêmio contra a Portuguesa (2 a 1 para a Lusa) e com o Vasco contra o Bahia (4 a 0 para o Tricolor). Apenas o Galo ainda não perdeu em casa, embora tenha empatado com Bahia e Ponte Preta, duas equipes da zona intermediária do campeonato. A rodada deste meio de semana, a 29a do campeonato, reforçou a importância de se fazer mais do que o dever de casa. Dos 10 jogos, 5 foram vencidos pelos mandantes e 5 pelos visitantes. Entre as equipes que venceram fora estão o Flu, que conquistou um grande resultado contra o Bahia e se aproximou do título, o Grêmio, que assumiu a vice-liderança, o São Paulo, que derrotou o Vasco em confronto direto pela Libertadores e encostou nos cariocas, e o Coritiba, que também venceu duelo direto contra o Palmeiras para fugir do Rebaixamento.

INFERNO CADA VEZ MAIS PERTO

Convenhamos, cair para a Série B representa algo até certo ponto natural para as equipes médias e pequenas, mas é uma tragédia para os grandes. A começar pelo lado financeiro: com menos recursos e menor visibilidade na mídia, fica difícil trazer bons jogadores. No caso do Palmeiras, que vai disputar a Libertadores, o clube tem um trunfo na manga para tentar trazer atletas de melhor nível, já que estará disputando a competição continental. Por outro lado, a Libertadores costuma atrapalhar as equipes no campeonato nacional; no caso do Alviverde, gastar muito ou se preocupar em ir longe na competição continental pode contribuir para que a equipe não volte à Série A. Muito pior do que passar um ano na Série B seria passar dois, pois a perda financeira vai aumentando de uma temporada para outra.

Após a rodada deste meio de semana, Atlético-GO, Figueirense, Palmeiras e Sport, especialmente os últimos dois, se aproximaram fortemente da Segunda Divisão. O motivo: a vitória do Coritiba. Entre as demais equipes do campeonato, o Coxa era a pior delas, mas com a vitória sobre o Palmeiras abriu 8 pontos para o Z-4, assim como o Flamengo, primeiro time fora da Zona de Descenso. Faltando apenas 9 rodadas parece um abismo, especialmente porque o Brasileirão 2012 não apresentou clubes dando grandes saltos na tabela, como em outros anos. Todas as equipes têm mantido uma média, por vezes oscilando um pouco, mas nada exagerado. Para escapar do Rebaixamento, além de vencer muitas partidas, as equipes da Zona de Rebaixamento precisariam que Bahia, Flamengo, Coritiba e Portuguesa, os primeiros quatro acima do Z-4, entrassem em uma má fase profunda, algo que parece improvável no momento.

CASO R49

Foi, no mínimo, de uma falta de consciência absurda o que o auditor do julgamento de Ronaldinho fez ao publicar uma montagem do Capitão Nascimento estrangulando R49. É claro que todos têm seu time do coração e, na minha opinião, ser flamenguista não o impediria de julgar o caso. O problema é que certas pessoas não entendem o seu lugar público. Infelizmente, o auditor não poderia ter se exposto do jeito que fez, justamente para que a sua idoneidade não pudesse ser contestada, como foi acabou acontecendo. Ainda assim, embora ache que o auditor pisou na bola, vejo a punição de R49 como justa, afinal, ele foi na maldade e quase enfiou o pé na cara do adversário. Quem também deveria ter sido punido era o árbitro, Héber Roberto Lopes, que viu e não marcou nem falta. O lance não foi de jogo e muito menos sem querer.

SELEÇÃO BRASILEIRA

A volta de Kaká foi a grande notícia do amistoso caça níquel da Seleção Brasileira contra o Iraque. Junto com Oscar e Neymar, o meio-campo do Real Madrid pode desequilibrar a favor do Brasil na Copa. O desafio de Mano é arrumar a defesa para que o ataque possa jogar tranquilamente sem estar sempre atrás do placar. Acho que o quarteto de frente da Seleção poderia ser Ramires, Oscar, Kaká e Neymar. Assim mesmo, sem centroavante, com muita técnica e velocidade. Todos sabem jogar, correm e marcam gols. Daí para trás, Paulinho e mais um volante de contenção - Lucas, do Liverpool, se voltar a jogar bem é o meu preferido -, Dani Alves e Marcelo nas laterais, Thiago Silva e Lúcio na defesa, com Diego Alves no gol. Hoje, esse seria meu time ideal, mas espero que um zagueiro se firme e faça companhia a Thiago Silva no miolo de zaga.

domingo, 7 de outubro de 2012

Os caminhos do título

O Brasileirão 2012 entra em sua reta final. Faltando 10 rodadas para o término do campeonato, não há mais tempo para mudar elencos; trocar de treinador, principalmente entre as equipes candidatas ao Rebaixamento, é arriscadíssimo (o novo comandante não teria um tempo mínimo para conhecer o grupo). O jeito é motivar o grupo, achar soluções e, principalmente, arriscar. O futebol vem premiando as equipes que ousam, que acreditam e vão além de retrancas e esquemas cheios de quebradores de bola.

Fred, artilheiro do Brasileiro
ao lado de Bruno Mineiro, decidiu os dois clássicos,
contra Flamengo e Botafogo,
marcando os gols das vitórias por 1 a 0.
Foto: Jorge William / O Globo 
O Fluminense, após vencer dois clássicos consecutivos contra Flamengo e Botafogo, se consolida como o grande candidato ao título. O desempenho é impressionante, com apenas duas derrotas e 18 gols sofridos em 28 rodadas. Fred, quando joga, tem deixado a sua marca; o maestro Deco voltou para dar mais criatividade ao meio-campo, explorar a velocidade de Welington Nem e as bolas paradas. Além da competência, a sorte (que acompanha os bons, diga-se de passagem) e, por vezes, a arbitragem também parecem estar do lado do Tricolor carioca. O que pode tirar o título do Flu? A tabela. Os comandados de Abel têm pela frente nas últimas 10 rodadas na sequência Bahia (F), Ponte Preta (C), Grêmio (C), Atlético-MG (F), Coritiba (C), São Paulo (F), Palmeiras (F), Cruzeiro (C), Sport (F) e Vasco (neutro). Em tese, 5 partidas com alto grau de dificuldade: Galo e Grêmio, que lutam pelo título, o São Paulo, que jogará no Morumbi, o Palmeiras, também fora de casa e desesperado para não cair, e o clássico contra o Vasco. Duas partidas bem traiçoeiras, contra o Bahia, em Pituaçu, que faz boa campanha desde a chegada do técnico Jorginho, e a Ponte, que costuma dar muito mais trabalho jogando fora de casa e foi uma das poucas equipes a tirar pontos do Atlético-MG no Independência. Completam a sequência o Sport, que se arrumou um pouco desde a chegada de Waldemar Lemos, mas acaba de levar um humilhante 5 a 1 da Portuguesa, o Cruzeiro e o Coritiba, em casa.

A tabela é mesmo a esperança dos rivais do Flu na luta pelo título. Atlético-MG e Grêmio parecem jogar no limite há algum tempo e precisam de ajudar para chegar no líder, não dependem só de suas forças. Nesta rodada, os dois tiveram histórias distintas, mas ambos presentearam os torcedores com jogos inesquecíveis. O Galo enfiou 6 a 0 no Figueirense, a maior goleada do campeonato, com show de Ronaldinho, que parece crescer quando joga com raiva (havia acabado de perder o padrasto, se emocionou em campo e comandou a goleada). Já o Grêmio, era superior, mas perdia para o Cruzeiro, justo o Cruzeiro, de Celso Roth. A muito custo, conseguiu a virada, do jeito que o torcedor gosta, com doses extravagantes de sofrimento. Ainda levou um susto no finzinho, quase sofrendo o empate. No final, a retranca de Roth, que chegou ao ponto de tirar Borges e colocar um zagueiro, foi vencida.

A tabela do Galo mostra Inter (F), Sport (C), Santos (F), Fluminense (C), Flamengo (C), Coritiba (F), Vasco (F), Atlético-GO (C), Botafogo (F) e Cruzeiro (C). Em tese, 3 jogos muito complicados: contra o líder Flu, com a vantagem de ser em casa, o Vasco, em São Januário, e o clássico contra o Cruzeiro, embora o duelo ocorrerá somente com a torcida do Galo e contra este time horrível que vem se apresentando no campeonato. Outras três partidas exigem o alerta no nível máximo, mas não assustam como poderiam em outros tempos: o Inter, de campanha oscilante, mas que joga em casa, o Flamengo, que já venceu o Atlético-MG recentemente em partida atrasada, e o Botafogo, no Rio. Sport e Atlético-GO, em casa, devem ser presas fáceis, desde que o Galo faça a sua parte e leve os jogos a sério. O Santos e o Coritiba, fora de casa, que antes poderiam ser jogos de extrema dificuldade, no momento atual são perfeitamente vencíveis.

O Grêmio ainda encara Sport (F), Botafogo (C), Fluminense (F), Coritiba (C), Bahia (F), Ponte Preta (C), São Paulo (C), Portuguesa (F), Figueirense (F) e Inter (C). As maiores dificuldades serão contra Fluminense e Inter, líder e maior rival, respectivamente. As partidas contra Bahia, Ponte Preta e São Paulo exigem atenção total, pois os baianos vêm se recuperando, a Ponte gosta de jogar fora de casa e o time de Luís Fabiano tem qualidade, embora o desempenho longe do Morumbi seja fraco. Sport, na Ilha do Retiro, Botafogo, que ainda mantém esperanças de Libertadores, e Portuguesa vêm na sequência com grau médio de dificuldade, sendo a partida contra a Lusa a mais perigosa de todas. Coritiba e Figueirense são perfeitamente derrotáveis.

LIBERTADORES

A quarta e última vaga (se ela existir, pois Palmeiras, São Paulo e Grêmio largaram em vantagem nos jogos de oitavas da Sul Americana e têm a classificação a próxima fase bem encaminhada) segue com o Vasco, que voltou a vencer, apesar de continuar jogando mal. O grande adversário Cruzmaltino é o São Paulo, isso se Luís Fabiano continuar jogando e o Tricolor melhorar seu desempenho longe do Morumbi. Inter e Botafogo precisam de uma sequência excepcional para encostarem no quarto colocado, o que, no momento, parece improvável.

REBAIXAMENTO

O lanterna Atlético-GO e o Figueirense deram um passo importante rumo à Série B neste final de semana. O Dragão perdeu em casa enquanto os catarinenses levaram uma surra do Galo e devem estar com a moral no fundo do poço. A sorte dos dois é que Sport e Palmeiras, os outros integrantes do Z-4, também perderam. Ruim para todos foi a vitória do Coritiba, primeiro time fora da Zona do Descenso. Além dessas cinco equipes, aponto o Cruzeiro como mais forte candidato ao Rebaixamento, que vem em uma sequência de sete jogos sem vencer, incluindo nesse período derrotas para Sport e Figueirense. O Brasileirão por pontos corridos já mostrou que não se pode fazer dois turnos tão distintos, e que um time em má fase na reta final pode, sim, ser rebaixado, mesmo sem ter flertado com o Z-4 durante boa parte do campeonato.

O MAIOR DO MUNDO

Daqui a pouco começa Barcelona x Real Madrid, simplesmente o maior clássico da atualidade. Os motivos: a rivalidade polarizada no futebol espanhol, sem concorrentes, e a qualidade dos times, que têm os maiores do Mundo no momento, Messi e Cristiano Ronaldo. Palpite? Jogaço, com certeza, e vitória do Barça, que jogará em casa.

sábado, 29 de setembro de 2012

Crise de identidade

Estaria a renovação proposta por Mano
indo para o espaço com
a convocação de Kaká?
Foto: Gazeta Press.
Não concordei com as vaias sofridas pela Seleção Brasileira no amistoso com a África do Sul, no dia 07/09, em São Paulo, vencido por 1 a 0, gol de Hulk. Na minha opinião, a fraca atuação veio muito mais por conta das vaias, que começaram cedo, do que o contrário. A torcida foi ao Morumbi para cobrar a perda das Olimpíadas e encher o saco, tanto que um dos atletas mais perseguidos foi Neymar, um dos melhores jogadores da equipe na Era Mano Menezes, mas que joga no Santos, rival das equipes paulistas, assim como o próprio treinador, que trabalhou no Corinthians. Como prova do mal que o clima em SP fez à Seleção, o jogo seguinte, em Recife, contra a China, com apoio maciço do público, terminou 8 a 0; embora o adversário fosse um pouco mais fraco, ainda assim o placar foi elástico demais para um jogo desses. Na Europa, frequentemente seleções como Espanha e Alemanha, duas das melhores do mundo, enfrentam equipes inexpressivas como Luxemburgo e Islândia, e nem por isso vemos resultados tão desiguais. Ou seja: o Brasil teve muitos méritos ao fazer 8 a 0 na China, mesmo com a fraqueza do adversário. Entretanto, embora não tenha concordado com o comportamento da torcida em SP, acho que o trabalho de Mano Menezes na Seleção deixa a desejar. Prova de que ele está perdido e a sua equipe sofre uma crise de identidade foi a última convocação, que conta com a inexplicável presença de Kaká.

Quando o "bundalelê" correu solto na "preparação" da Seleção de Parreira para a Copa de 2006 e o resultado foi aquela vergonhosa eliminação nas quartas de final para a França, com Zidane sobrando em campo e Roberto Carlos arrumando a meia na hora de marcar Henry, Ricardo Teixeira decidiu que era hora de trazer um técnico "linha dura". Dunga foi chamado para resgatar o "patriotismo" e fez boa campanha: ganhou a Copa América e a Copa das Confederações, além de ter sido o primeiro colocado nas eliminatórias para o Mundial de 2010. Seu grande fracasso antes da África do Sul foi nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, quando chegou às semifinais e foi superado pela Argentina de Riquelme, Messi e Aguero. Na Copa, fazia uma campanha sem sobressaltos até o segundo tempo contra a Holanda nas quartas de final, quando sofremos uma virada e voltamos mais cedo para casa. Vale lembrar que, na etapa inicial, o Brasil poderia ter feito uns 3 a 0, mas Robinho perdeu gols incríveis e fomos para o intervalo ganhando de 1 a 0 apenas. Na volta do brake, Felipe Melo - o grande erro de Dunga durante a sua passagem pela Seleção - foi imbecilmente expulso, Júlio César - um dos três melhores goleiros do mundo à época - falhou e a vaca foi para o brejo. Assim, foram esquecidos todos os feitos de Dunga e lembrados apenas as suas escolhas  duvidosas por jogadores como Afonso Alves e o seu mau humor no trato com a imprensa. E veio Mano Menezes para renovar a equipe.

Vivendo bom momento econômico, o país parou de perder seus principais jogadores e passou ainda a repatriar alguns de seus ídolos. Bom por um lado, pois o Brasileirão se encheu de atletas mais conhecidos e até alguns estrangeiros (como Forlán e Seedorf); ruim porque os nossos jovens talentos não mais enfrentam grandes adversários, especialmente os marcadores. Sem falar que taticamente o Brasil está evoluindo muito devagar; enquanto na Europa os jogadores têm uma grande consciência tática, com quase todo mundo marcando e correndo muito, no Brasil, segue a máxima de que aqueles que sabem jogar não precisam correr pelos companheiros. Na Libertadores, embora muito superior tecnicamente, o país tem sofrido com adversários por conta da melhor organização tática deles. Continuamos vencendo porque temos os melhores jogadores e equilibramos na raça, mas as dificuldades são muito maiores do que poderiam ser. O campeonato argentino, por exemplo, apresenta alguns jogos um tanto chatos e de qualidade inferior aos nossos, mas percebe-se que a organização dos times é melhor.

No Brasil, em geral, os laterais apoiam muito e levam bolas nas costas, mas ao mesmo tempo não chegam à linha de fundo e não sabem cruzar; os zagueiros constantemente estão desprotegidos e levam desvantagem no mano a mano; os volantes estão aprendendo a sair com a bola e enterrando a figura do volante brucutu, que só marca; ao mesmo tempo, muitas equipes atuam com três volantes que, embora saiam bem para o jogo, não entram na área e não fazem gols; muitas equipes jogam com um meia ou então com dois meias e só um atacante. Coincidentemente (ou não?), os três clubes que atualmente lutam pelo título - Fluminense, Atlético-MG e Grêmio - jogam com uma linha de quatro atrás e apenas 2 volantes. Daí para a frente, cariocas e mineiros têm três meias e um atacante (Deco, Thiago Neves, Welington Nem e Fred, no Flu; Danilinho, Bernard, Ronaldinho e Jô, no Galo) enquanto gaúchos jogam com dois meias e dois atacantes (Elano, Zé Roberto, Kléber e Marcelo Moreno). Assim, o campeonato brasileiro tem mostrado que o Brasil forma jogadores de maneira equivocada; com a pressão pela renovação, qualquer um que faz meia dúzia de jogos (como Lucas, do São Paulo, que ainda nada fez com a amarelinha) tem a sua convocação reivindicada. Atletas medianos como Rômulo (vendido pelo Vasco ao Spartak de Moscou, da Rússia), Ralf, Dedé e Thiago Neves são reivindicados constantemente; outros mais velhos, casos dos centroavantes Vágner Love, Fred e Luís Fabiano, têm seus nomes pedidos, mesmo estando fora do critério de renovação. Numa sinuca de bico entre renovar e conquistar resultados, Mano acaba não fazendo nem um nem outro. Não investe de verdade na formação de uma equipe que talvez não possa dar resultados na Copa de 2014, mas em 2018, e nem prepara um time para o Mundial, pois muda a toda hora.

A solução, na minha opinião, sempre foi mesclar jovens e experientes. Não só convocar medalhões e outros patriotas, como fazia Dunga, nem chamar apenas atletas que a torcida pede porque se destacam no Brasileirão driblando defensores de baixa qualidade. Desde o começo, Mano deveria mesclar; Kaká, melhor jogador do país em 2010, deveria ter sido convocado continuamente. Neste momento, após 2 anos obscuros, tenho dúvidas quanto ao que ele pode acrescentar ao time. O zagueiro Lúcio, que seguiu jogando em alto nível, poderia ser chamado para fazer dupla com Thiago Silva, quem sabe até auxiliando a preparar David Luiz e se tornando um reserva de confiança. Mano preferiu radicalizar e agora dá alguns indícios de que pode estar pensando em voltar atrás, como mostram as convocações de Luís Fabiano para o Superclássico contra a Argentina e de Kaká para os confrontos contra Iraque e Japão. Que a renovação não estava dando certo, o torcedor percebeu; o que os brasileiros esperam é que não seja tarde para Mano ter resolvido recorrer a velhos conhecidos, que podem acrescentar experiência e qualidade, e que essa crise de identidade acabe logo. Ainda falta um ano para a Copa das Confederações, grande teste da equipe para a Copa do Mundo, mas em dois anos até agora avançamos muito pouco na preparação do time para 2014.

NO SUFOCO

Não fosse o goleiro Marcelo Grohe e hoje os gremistas poderiam estar falando como virtualmente eliminados da Copa Sul-Americana. Luxemburgo errou com os três zagueiros e o primeiro tempo do time foi péssimo; o Grêmio só fez um gol por conta do ditado do "quem não faz, leva", pois tanto o Barcelona (EQU) errou que foi castigado. Na etapa final, a expulsão de Tony ajudou o time; Luxa desfez o 3-5-2, tirou Kléber, que pouco acrescentava ofensivamente, e ainda deixou o adversário ansioso, pois tinha um a mais em campo. Com o 1 a 0, o Tricolor fica muito perto da classificação; mas vai ter que melhorar muito para brigar pelo título da Sul-Americana. E mais: se repetir a atuação no Olímpico pode, sim, ser surpreendido e eliminado pelos equatorianos. Os deuses do futebol costumam não perdoar quem erra demais, e os gaúchos já viram isso.