terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011 - 1° semestre

O ano de 2011 para o futebol brasileiro acabou com a derrota do Santos para o Barcelona na final do Mundial. Nos gramados nacionais, a bola parou de rolar após a rodada final do Brasileirão, que coroou o Corinthians como campeão nacional. Mas muita coisa já havia acontecido em 2011. No primeiro semestre do ano, os Estaduais, a Copa do Brasil e a participação pífia dos brasileiros na Libertadores - à exceção, é claro, do campeão Santos - mostraram aos torcedores o renascimento do Vasco - de candidato ao Rebaixamento em determinado momento do Estadual até vencedor da Copa do Brasil -, o Flamengo campeão carioca invicto com R10, além das quedas do Corinthians na pré-Libertadores, de Cruzeiro, Fluminense, Inter e Grêmio nas oitavas da competição continental, e do título do Santos de Muricy.

Mesma competição, dois times: Santos leva Libertadores graças a Muricy e Neymar
Ainda no final do ano passado, o Peixe contratou Adílson Batista para comandar a equipe. Como não fazia nada no Brasileirão, o clube da baixada santista se deu ao luxo de continuar com o interino Marcelo Martelotte nas últimas rodadas e deixar Adílson apenas assistindo. Nesta temporada, a equipe não conseguiu empolgar na primeira fase da Libertadores e, mesmo estando invicto, mas tendo se complicado na Libertadores com muitos empates, o Peixe demitiu Adílson e trouxe Muricy Ramalho, que havia deixado o Fluminense por conta de problemas na estrutura de trabalho - sendo que recusou a Seleção Brasileira para continuar no clube carioca.

Com Ganso em baixa e contundido nas quartas, semifinais e na partida de ida da final, Neymar e Danilo assumiram como principais expoentes da equipe campeã da Libertadores, que apresentou ainda uma defesa bem segura e a ótima fase do goleiro Rafael. O Peixe foi indo adiante com vitórias magras, mas sendo superior aos adversários na maioria dos jogos. (Reveja os gols da final no vídeo abaixo)


Quanto aos outros brasileiros, a participação do País foi histórica, mas por conta dos vexames. O Corinthians, de Ronaldo e Roberto Carlos, caiu na pré-Libertadores para os colombianos do Tolima - foi a primeira vez que um brasileiro não avançou a fase de grupos; o Grêmio passou pelo Liverpool/URU na pré, passou aos trancos e barrancos na fase de grupos e caiu para o Universidad Católica/CHI nas oitavas; o Cruzeiro, melhor campanha da primeira fase, surpreendeu o continente ao perder em casa, por 2 a 0, para o Once Caldas/COL, pior classificado da fase de grupos, sendo que tinha vencido na Colômbia por 2 a 1; o Inter, de Falcão, caiu para o Peñarol, em casa, e de virada; e o Fluminense, que havia vencido no Rio, levou uma goleada no Paraguai para o Libertad e deu adeus a competição, sendo que quase caiu ainda na fase de grupos.

Renascimento do Vasco em cerca de 3 meses leva ao título da Copa do Brasil
Ninguém parou o Trem-Bala da Colina na CB.
Depois de ficar em quinto na fase de grupos da Taça Guanabara - o primeiro turno do campeonato carioca - e não avançar ao mata-mata, o Vasco mandou Carlos Alberto para o Grêmio, o técnico PC Gusmão embora e trouxe Ricardo Gomes para comandar a equipe. Em cerca de 3 meses, o time adquiriu uma liga impressionante, que durou até o final da temporada, mesmo com Gomes ficando um turno inteiro do Brasileirão fora dos gramados - o interino Cristóvão Borges comandou o Trem-Bala da Colina no segundo turno do campeonato nacional e na Sul-Americana.

Como principais adversários, o Cruzmaltino enfrentou as equipes da Região Sul na reta final - Atlético-PR, Avaí e Coritba, este último, rival da final e que tinha eliminado o Palmeiras após fazer 6 a 0 no time de Felipão. Éder Luís fez um primeiro semestre sensacional, assim como Bernardo, que se tornou xodó da torcida. (Reveja os gols da final no vídeo abaixo)


O Flamengo, até então invicto na temporada, foi eliminado para o Ceará, perdendo o primeiro jogo em casa e empatando fora; o Atlético-MG caiu para o Grêmio Prudente logo na segunda fase; assim como o campeão Vasco, o Coritiba, tido por muitos como o melhor time do primeiro semestre, encarou adversários da elite nacional na reta final da CB - Palmeiras, Ceará e o próprio Cruzmaltino, tendo sido superado no detalhe pelos cariocas em partidas bastante disputadas e marcadas pela igualdade; o Palmeiras caiu levando 6 a 0 no Couto Pereira para o vice-campeão; o Botafogo foi eliminado pelo Avaí em partida que teve muito mais destaque pela briga entre Loco Abreu e Marquinhos após o apito final do que pelo jogo em si; e o São Paulo também foi eliminado pelo Leão catarinense.

Entre as zebras, além da desclassificação do Galo Mineiro para o Prudente, estão as quedas do Vitória para o Botafogo-PB e do Sport para o Sampaio Corrêa-MA ainda na primeira fase, e da Portuguesa para o Bangu.

Dupla Gre-Nal: fantasmas do passado comprometem primeiro semestre
Leandro Damião foi o "cara" do Inter em 2011.
A eliminação para o Mazembe deveria ter provocado a demissão de Celso Roth, mas o Inter resolveu mantê-lo para 2011 e atrasou a remontagem da equipe. Os problemas seguiram os mesmos e, apesar de bem na Libertadores, o clube mandou Roth embora no início de abril e trouxe Falcão, numa tentativa clara de imitar o rival que havia trazido um ídolo, Renato, e estava com um bom cartaz na mídia. Três meses depois, mesmo campeão estadual, Falcão não resistiu a queda na Libertadores e a um 3 a 0 para o São Paulo, em casa, e, após um período sob a batuta do interino Osmar Loss, veio Dorival Jr., o último técnico no ano. De novidade mesmo no Gauchão, além de mais uma conquista em cima do maior rival - com direito a vitória de virada, nos pênaltis e ainda por cima no estádio Olímpico -, houve a dissolução do time B, eliminado em casa, nos pênaltis, para o Cruzeiro nas quartas de final do primeiro turno. O autor da proeza foi Roberto Siegmann, que perdeu a paciência com o projeto do time B e chutou o balde, escancarando divergências políticas dentro do clube. (Reveja os gols da final do Gauchão no vídeo abaixo)


Na Libertadores, mesmo com a troca de técnico, o Colorado foi a terceira melhor campanha da fase de grupos e encarou os uruguaios do Peñarol, equipe de 3 derrotas e 3 vitórias na primeira fase, pelas oitavas de final. No Uruguai, Leandro Damião fez o gol do empate; no Beira-Rio, quase um mês após a chegada de Falcão, Oscar abriu o marcador logo no início do jogo; na volta do intervalo, a equipe sofreu um apagão e literalmente assitiu Martinuccio e Olivera virarem o marcador. Era o fim do sonho do bicampeonato.

Leandro começou empolgando, mas acabou o ano na reserva.
Do lado Tricolor, equipe e torcida acabaram o ano em lua-de-mel. A recuperação espetacular no Brasileirão mascarou as deficiências e fez o presidente Paulo Odone manter um técnico do qual não gostava - como profissional -, mas que contava com o apoio total das arquibancadas. A perda de Jonas logo no começo do ano começou a instalar o pânico nos torcedores; contratações como Carlos Alberto e Vinicíus Pacheco, que eram duvidosas, confirmaram as suspeitas e fracassaram, assim como Rodolfo, que voltou muito longe do zagueiro que atuou pelo Fluminense. André Lima e Borges estavam se acertando quando o auto-denominado "Guerreiro Imortal" se lesionou. Os problemas de ataque escancararam as demais deficiências. Paulão, que não era o mesmo de 2010, foi embora, deixando um vazio ainda maior no miolo de zaga; Viçosa e Lins foram promovidos a solução ofensiva e naufragaram. E assim a Libertadores foi pelo ralo, sendo que a equipe não teve a mínima chance contra os chilenos da Universidad Católica no jogo de volta. (Reveja os gols da derrota em casa para o Universidad Católica no vídeo abaixo)


No Gauchão, surgiu a promessa Leandro, de cabelo e futebol parecidos com o de Neymar, mas que não conseguiu salvar o time nem no regional e muito menos na Libertadores. Em um Gre-Nal com a Dupla em crise, o Grêmio foi ao Beira-Rio e em uma das coisas que só o futebol pode mostrar venceu o maior rival por 3 a 2, gols de Viçosa, duas vezes, e Leandro. Na partida de volta, em casa, conseguiu perder o título do Gauchão nos pênaltis. Renato durou mais um tempo no Brasileirão, até se demitir (ou ser demitido?) e dar lugar a Julinho Camargo.

Estaduais 2011: tabela apertada gera polêmicas (de novo...)
Entre os estaduais, nada de novo: jogos com pouco interesse do público, à exceção dos clássicos, reclamações da quantidade de viagens, do calendário... Enfim, nenhuma novidade.

- Paulista: o Santos venceu o Corinthians na final; nas semifinais, também nada de zebras: o Peixe encarou o São Paulo, enquanto o Timão teve pela frente o Palmeiras.

- Carioca: o Flamengo venceu os dois turnos - contra o Boavista no primeiro e o Vasco no segundo - e foi campeão invicto. Na Taça Guanabara, a primeira metade do campeonato, o Vasco deu vexame e foi "substituído" pelo Boavista na semifinal (os outros três eram os grandes da Capital); na Taça Rio, o returno, quem fez feio foi o Botafogo, que ficou de fora e viu o Olaria "ocupar a sua vaga".

- Mineiro: o Cruzeiro, mesmo recém eliminado da Libertadores, engoliu o choro e venceu o Atlético-MG na partida decisiva, ficando com o título.

Nenhum comentário:

Postar um comentário