segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Tudo em aberto

A tabela do Brasileirão está afunilando. Vasco e Corinthians - primeiro e segundo colocados, respectivamente - estão com o retrovisor ocupado por outras quatro equipes em busca do título, graças ao renascimento do Flamengo e a ascensão do Fluminense (os outros dois são Botafogo e São Paulo). Se o Grêmio vencer o Santos no jogo atrasado nesta quarta-feira, no Olímpico, encosta em Inter e Palmeiras e, juntamente com Atlético-GO, Coritiba e Figueirense, esquece o fantasma do descenso e passa a sonhar com a Libertadores, mesmo que ainda de forma distante. Já na parte de baixo da tabela, Cruzeiro e Ceará não têm mais gordura para queimar e se aproximam perigosamente da Zona da Degola. O Bahia virou para cima do Avaí, em Pituaçu, e abriu 6 pontos para o Z-4, mas deve se cuidar, porque com duas derrotas e resultados paralelos pode ingressar entre os quatro últimos.

Panela de Pressão Verde

Tá difícil Felipão?!
Um dos clubes mais dificeís de se trabalhar nesta temporada, seja como dirigente, técnico ou jogador, é o Palmeiras. Clube grande, há anos sem ganhar títulos expressivos e que viu São Paulo, Corinthians e Santos ganharem 5 dos últimos 7 campeonatos brasileiros, sem falar na Libertadores desse ano vencida por Neymar e cia. Isso tudo tornou a pressão por parte da torcida enorme, quase extrapolando o límite do aceitável. E a equipe é extremamente limitada. Basta ver as contratações que Felipão recebeu durante o Brasileirão: os centroavantes Fernandão, ex-Guarani (que joga a Série B), e Ricardo Bueno, que estava encostado no Atlético-MG, além do meia Pedro Carmona, ex-Criciúma (também na segunda divisão). Assim fica complicado mesmo. Os últimos resultados comprovam a mediocrídade da equipe palmeirense: empate em casa com o lanterna América-MG, na última rodada, e fora contra o Atlético-GO, sendo que vencia o jogo por 1 a 0 e conseguiu ceder a igualdade estando com 2 jogadores a mais do que os goianos. Infelizmente, 2011 é um ano perdido para o Verdão. O clube precisa passar por uma reestruturação de cima para baixo, começando com a diretoria, quem sabe até passando pelo técnico e, com certeza, tendo uma boa faxina no elenco. Kléber e Valdívia, que ganham muito bem e criam mais polêmicas do que jogadas em campo, têm que receber um ultimato: se gostam tanto do clube quanto dizem, ou ficam e lideram uma reação ou saem e param de massacrar os cofres do clube.

RJ 2x0 SP

A rodada foi marcada por três duelos envolvendo paulistas e cariocas. Curiosamente, aquele que envolvia as equipes piores colocadas na tabela foi o mais interessante. Jogaço entre Santos e Fluminense, com direito a virada e gol da vitória no fim com um jogador a menos para o Flu. Márcio Rosário, zagueiro muitas vezes vilão, foi herói por um dia e garantiu os 3 pontos com uma bela cabeçada, subindo no terceiro andar. Rafael Sóbis, desprezado pelo Inter, tem encontrado seu melhor futebol aos poucos e marcou um golaço, além de ter batido o escanteio que definiu o jogo. O Fluminense talvez tenha a pior defesa entre os 6 candidatos ao título, mas se o ataque continuar compensado pode chegar ao fim do campeonato brigando pelo título. Já o Vasco vacilou em casa e cedeu duas vezes o empate para o Corinthians, mas seguiu na primeira colocação. O grande resultado mesmo dos confrontos Rio-SP foi do Flamengo, que ficou 10 jogos sem vencer, quebrou essa má fase contra o América-MG aos trancos e barrancos na última rodada e foi ao Morumbi para estragar a estreia de Luís Fabiano e vencer diante de cerca de 60 mil torcedores.

Ainda o Mário

Nessa semana, correu a notícia de que Mário Fernandes não se apresentou à Seleção Brasileira porque estava em uma boate e chegou quase de manhã em casa. Depois, outra versão diz que o atleta já estava decidido a não ir antes mesmo de sair à noite. Bom, o mistério segue. Enquanto o atleta não se pronunciar e explicar - o que também é direito dele não fazer, pois são decisões pessoais da sua vida -, tudo o que for dito não passará de boato.

Seleção é momento ou currículo?

A Seleção Brasileira venceu mais um título. Com gols de Lucas e Neymar, bateu a Argentina, em Bélem, e conquistou a Copa Roca. O legal mesmo do jogo é que algumas carências da equipe foram "resolvidas", lembrando que somente jogadores que atuam na Argentina e no Brasil participaram. Cortês, do Botafogo, por exemplo, já ganhou o coração de todos como lateral da Seleção principal. Nada contra ele, mas é um jogador que há 6,8 meses jogava no Nova Iguaçu. Felipe Luís, por exemplo, há anos é destaque no futebol espanhol e atualmente jogando pelo Atlético de Madrid, da Espanha, nunca teve suas convocações reinvindicadas. Se os principais jogadores do país jogam na Europa, (mesmo que Neymar e Ganso não tenham sido vendidos ainda, 68% dos convocados para os amistosos contra Costa Rica e México jogam no Velho Continente), é burrice olhar apenas para o campeonato brasileiro buscando soluções para a equipe. Não é porque o jogador está na Europa que ele é melhor do que atletas que jogam por aqui, mas acho que existe uma marginalização no conceito de jogador de Seleção. Qualquer um que faça 3 gols em um jogo e peça música no Fantástico "merece" ser convocado. Deixem os atletas se destacarem nos seus clubes e passarem por todo o processo de amadurecimento de um grande jogador, como ganhar títulos, jogar grandes competições (não apenas os campeonatos estaduais). Contestaram a convocação do Afonso Alves, à época artilheiro do Campeonato Holandês, pelo técnico Dunga, mas não falam nada do Ralf, que há dois anos estava no Barueri. Não estou aqui defendendo nomes, muito menos criticando o bom lateral Cortês, mas sou contrário a essa pressão desmedida para convocar jogadores que não estão afirmados no futebol e nunca ganharam nada demais. O momento é importante, sim, claro que é, mas não esqueçam que o currículo dos jogadores faz uma Seleção ser mais ou menos respeitada.

Um comentário:

  1. Olha que interessante. O globoesporte.com agora coloca a classificação atualizada do 2 turno, em paralelo à classificação geral. Assim, listo a classificação do 1 turno (final) e do 2 turno (até o momento):
    Corinthians - 1 e 12
    Flamengo - 2 e 15
    São Paulo - 3 e 8
    Vasco - 4 e 3
    Botafogo - 5 e 11
    Palmeiras - 6 e 16
    Cruzeiro - 7 e 20
    Inter - 8 e 6
    Coritiba - 9 e 9
    Figueirense - 10 e 13
    Fluminense - 11 e 1
    Atlético-GO - 12 e 7
    Ceará - 13 e 18
    Santos - 14 e 4
    Grêmio - 15 e 2
    Bahia - 16 e 5
    Atlético-PR - 17 e 14
    Avaí - 18 e 19
    Atlético-MG - 19 e 10
    América-MG - 20 e 17
    Obviamente, que é tendência e contamina pelos extremos, mas o Grêmio em 2010, escalou assim.
    Também trago o chance de gol, que tem as pontuações atuais prováveis (considerando 50%):
    Título - 68 pontos
    Libertadores - 61 pontos
    Sul-Americana - 47 pontos
    Rebaixamento (escapar) - 42 pontos
    Considerando a Libertadores, o Grêmio precisaria de 8 vitórias e 1 empate em 12 jogos:
    casa - Santos, Figueirense, Flamengo, Palmeiras, Ceará, Atlético-GO.
    fora - Coritiba, Santos, América-MG, Atlético-MG, Fluminense, Inter.
    Na minha opinião, os 3 jogos com maior risco de perder fora (considerando a ascensão dos times) é: Santos, Atlético-MG e Fluminense.
    Daí, sobraria empatar um (com América-MG?) e teria que ganhar todos os outros.
    Já está chegando a hora das previsões.

    Abraço,

    Gabriel Pheula.

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