terça-feira, 19 de julho de 2011

Surpresa em Porto Alegre?

Quem vive o dia-a-dia de Porto Alegre não se surpreende com alguns fatos que ocorrem com as equipes da Capital. A vida da dupla Gre-Nal sempre foi muito determinada pelo rival: quando um está bem, a pressão sobre o outro é imensa; se um está mal, a torcida do adversário fica menos exigente, a imprensa é mais branda...

Há cerca de um ano, quando habitava a Zona de Rebaixamento, o Grêmio inovou e apostou em Renato Gaúcho para o comando técnico. Um ídolo, um torcedor à beira do campo. Há três meses atrás, o Inter fez o mesmo, convidando Paulo Roberto Falcão para assumir o comando técnico da equipe.

Renato foi demitido, não tendo suportado o ano ruim que o Grêmio faz, também pelos resultados, mas, principalmente, pelas atuações. E, agora, Falcão também foi demitido, vitimado por um suposto boicote do presidente Colorado.

Para quem não vive em Porto Alegre ou no Rio Grande do Sul pode até ser surpreendente. Falcão tinha ideias inovadoras e vinha melhorando o futebol do Inter. Já os gaúchos, se por um lado não esperavam a demissão do comandante Colorado, conseguem aceitar a ideia com mais facilidade. Faz parte do eterno sobe-e-desce da Dupla e da rivalidade que impera acima de tudo. Aqui, no Estado, muitos torcedores são, na verdade, anti-torcedores do rival. A desgraça do outro conta muito mais do que o sucesso do seu clube.

Não sei o que pretende o presidente Giovanni Luigi, que demitiu Falcão justamente quando as coisas começavam a melhorar. Os resultados não foram satisfatórios, mas a equipe perdeu para Vasco e Corinthians fora de casa, o que está longe de ser absurdo; e, jogando no Beira-Rio, com inúmeros desfalques, perdeu para o São Paulo, que também não pode ser considerado um adversário de pouca expressão.

Sempre fui a favor dos trabalhos a longo prazo. A ideia de um ídolo comandando a equipe é louvável, desde que certos limites sejam estabelecidos. Renato talvez tenha ultrapassado alguns deles, o que acabou contribuindo para a sua demissão. Mas Falcão não tinha o estilo de Renato, muito pelo contrário. A única que ele disse de mais polêmica foi que a equipe precisava de reforços, o que ficou comprovado na derrota para o São Paulo.

Se a queda de Falcão não foi porque essa história de um ídolo ser técnico já deu o que tinha que dar aqui no Estado, não consigo imaginar outra coisa. A equipe vinha melhorando, e o mercado de técnicos no Brasil não anda dos mais fartos. Demitiu Falcão e vai trazer quem?

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