Os meus caros amigos gremistas que me desculpem, mas Jonas não sai totalmente como vilão do Grêmio. No post anterior, critiquei os jogadores "burros", que se escondiam na Ucrânia quando tinham mercados melhores (Giuliano) ou que iam ser reserva em "grandes centros do país" (Fábio Santos). No caso do artilheiro do último Campeonato Brasileiro, um atleta já com 26 anos, a grande chance da carreira é esta, a de jogar em um dos principais times da Espanha, o Valência. Assim como na negociação com Ronaldinho, o trouxa da história foi o Grêmio.Em um post mais antigo ainda, havia abordado a pouca movimentação dos clubes brasileiros nas contratações com relação a temporadas anteriores e citei como uma das causas o fato de ninguém liberar jogador facilmente. Faço aqui uma correção: o Grêmio faz isso. As pessoas que renovaram o contrato de Jonas são incrivelmente ingênuas. Deixar a multa recisória do contrato em um valor tão baixo, ainda mais para transferências internacionais, já que os clubes têm mais dinheiro do que os brasileiros, foi de um amadorismo sem precedentes. E a torcida, que vaiou a equipe no terceiro jogo da temporada, na verdade o segundo do time titular, contribuiu para sacramentar a decisão do camisa 7. Pela sua reação na partida, parece claro que ele estava com algum fator externo atrapalhando. Uma proposta como essa, de disputar uma Liga dos Campeões pelo Valência, não é de se pensar muito. Talvez Jonas estivesse inclinado a não aceitá-la, até cansar de ser sempre tratado com desconfiança, vaiado na sua segunda partida na temporada - sendo que foi o ARTILHEIRO do último Brasileirão - e resolver deixar o Grêmio com uma mão na frente a outra atrás.
O torcedor é passional, tudo bem, isso é compreensível. Mas vaiar o time no segundo jogo da temporada, depois da arrancada incrível e, principalmente, do excelente futebol apresentado no fim do último ano, é exagero. Se existe uma insatisfação com a falta de contratações, reclame-se na porta do quadro social ou da sala da presidência. Não nas arquibancadas. Por pior que o time estivesse jogando, uma Libertadores vem aí. Essa atitude hostil não ajudou em nada e, talvez, tenha até contribuído como a gota d'água para Jonas optar pela transferência.
Antônio Vicente Martins disse: "É inadmissível que um jogador se confronte com o torcedor". Eu discordo. A torcida nem sempre tem razão. É dever da diretoria, sim, prestar atenção naquilo que querem os torcedores, pois, assim como os políticos representam o povo, a diretoria de um clube representa a sua massa torcedora. Mas existe um limite para tudo. E o torcedor exagerou.
Jonas também não sai totalmente como bonzinho. Não acredito que "saia pela porta dos fundos", como li em algum lugar. Ele poderia demonstrar mais "gratidão", mas o Grêmio também poderia ter apostado mais nele. Talvez o clube tenha valorizado o jogador da forma como ele mereceria um pouco tarde. O que o torcedor tem que entender é que faz parte. Jonas foi, mas a Libertadores está só começando. Com Viçosa, Lins, Clementino ou sejá lá quem for, a torcida tem que apoiar o clube, sempre, ainda mais rumo a outro título intercontinental.
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