quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Como NÃO gerenciar uma carreira esportiva

A inteligência não parece ser a principal característica dos atletas de futebol. Com todo o respeito, mas é difícil ver escolhas como as de Fábio Santos e Giuliano (na foto recebendo de Verón o prêmio de craque da Libertadores 2010), por exemplo. Um deles deixou a titularidade de 2 anos no Grêmio e a chance de disputar mais uma Libertadores como o camisa 6 da equipe principal em troca da reserva de Roberto Carlos e da "vitrine" do futebol paulista; o outro foi vendido para o 4º melhor time da... Ucrânia. Isso mesmo amigo, o melhor jogador da última Libertadores - que ainda assim era reserva no Inter, diga-se de passagem-, foi para o futebol do Leste Europeu.

Escolhas como essas exemplificam porque muitos jogadores vivem na miséria após a carreira. Todo mundo sabe que a vida de atleta é curta. Fazer o "pé-de-meia" é, sim, necessário. Mas os bons atletas, como é o caso de Giuliano, deveriam saber também que não precisam agarrar a primeira oportunidade para ganhar um bom dinheiro. Para o ex-Colorado, uma ida agora para a Ucrânia é péssima. E por vários motivos.

Inicialmente, é compreensível uma insatisfação por parte do alteta. Ele, que tantas vezes salvou o Inter na Libertadores, foi obrigado a ser reserva de Tinga, Guiñazu, Wilson Mathias, Rafael Sóbis e Alecsandro. Explico: Giuliano não faz a mesma função de nenhum deles, mas uma adaptação no esquema permitiria tranquilamente a entrada do melhor jogador Libertadores, que poderia ajudar D'Alessandro na armação ou até mesmo se juntar ao argentino e a Sóbis em um trio de frente com mais mobilidade, sem a presença do centroavante fixo. Opções de formação em que Giuliano poderia jogar, sempre com uma linha de 4 atrás:

1) W. Mathias, Guiñazu ou Tinga, Giuliano e D'Alessandro; Rafael Sóbis e Alecsandro - se Celso Roth quer jogar com um primeiro volante, embora W. Mathias seja ruim, Tinga, de atuações apenas razoáveis e idade avançada, ou Guiñazu, de bom poder defensivo e rara inspiração ofensiva, poderiam ser sacados para a entrada de Giuliano. Além de melhorar o time, Celso ainda faria um investimento para o clube, colocando um jogador de maior qualidade e mais jovem, ou seja, ainda tem muito a evoluir e poderia gerar lucro para o clube no futuro;

2) Tinga, Guiñazu, Giuliano e D'Alessandro; Rafael Sóbis e Alecsandro - na minha opinião, a melhor formação para o Colorado. Aos que acham muito ofensivo, gostaria de contar ao menos com o poder dúvida. Que seja testada a alternativa! Guiñazu poderia atuar mais centralizado e guardar posição; Tinga já foi segundo volante e poderia se readaptar; Giuliano é um meia que contribui com a marcação, assim como Sóbis é um atacante participativo na recomposição defensiva da equipe.

3) W. Mathias, Tinga e Guiñazu; Giuliano e D'Alessandro: Rafael Sóbis ou Alecsandro - uma formação um tanto retrancada, é verdade, mas nem Sóbis e muito menos Alecsandro empolgaram a ponto de serem indispensáveis ao time.

Bom mesmo seria a saída de W.Mathias, Tinga ou Guiñazu e a montagem de um quarteto com Giuliano, D'Alessandro, Sóbis e Leandro Damião, que apesar de tosco é jovem, tem potencial e muito a evoluir, ao contrário de Alecsandro.

Outros fatores contrários à ida de Giuliano para a Ucrânia: 1) não é um dos centros mais vistos do futebol mundial. Seria melhor jogar em um time médio da Espanha ou da Itália, por exemplo; 2) as dificuldades iniciais serão muitas, nem tanto dentro de campo, mas fora dele, o que acaba prejudicando o rendimento do atleta. Ex: língua, adaptação ao frio extremo, alimentação...; 3) o pior de tudo: Giuliano se afasta da Seleção Brasileira. Mano Menezes tem olhado bastante para o futebol nacional, e se não fosse para a equipe principal, Giuliano poderia reforçar o time olímpico que disputará o ouro em Londres/2012. Quem argumentar que Giuliano não teve escolha estará muito enganado. Por maior pressão que o Inter possa fazer, o atleta sempre tem a opção de recusar uma transferência.

Quanto a Fábio Santos (na foto comemorando um dos poucos gols com a camisa Tricolor), não consigo entender esse rapaz. O fato de ser razoável e só ter jogado em grandes equipes pode ser explicado pelo seu empresário, que deve ser tão competente quanto o do goleiro Doni - o melhor de todos, pois conseguiu levar o arqueiro do Juventude para a Roma, da Itália. Agora, por que forjar uma transferência para a Europa (a desculpa oficial para a não renovação foi essa) e ir para o Corinthians ser reserva de Roberto Carlos? Uma coisa é certa: Fábio Santos só jogara quando RC não estiver à disposição. A chance de RC virar reserva é simplesmente inexistente. Mas, com a sorte que tem, é capaz de RC quebrar a perna e ficar o ano inteiro de molho, abrindo espaço, mais uma vez, para Fábio Santos, o lateral com o melhor empresário do país.

Exemplos da burrice dos jogadores são muitos. Alguns porquês até são compreensíveis, mas não é o objetivo dessa coluna discuti-los. Quem sabe em uma outra postagem? Uma coisa, no entanto, é certa: com certeza, essas não foram as primeiras e, muito menos, as últimas. O que Giuliano fez, por exemplo, pode acabar virando comum. Taison e Cleiton Xavier foram para o Metalist, também da Ucrânia; Carlos Eduardo, em 2007, foi para o Hoffenheim, que amargava a segunda divisão da Alemanha. Será que algum dia a inteligência prevalecerá?

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