terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mano convoca e nós contestamos

Mano Menezes divulgou a lista dos convocados para o primeiro compromisso da Seleção Brasileira em 2011: será um amistoso contra a França, dia 9 de fevereiro, no Stade de France. O técnico optou - acertadamente, na minha opinião - em não chamar atletas que atuam no Brasil em virtude de a temporada recém estar começando e a preparação dos jogadores ainda não ser a ideal.

Como em toda a convocação, sempre poderemos contestar este ou aquele nome. E é um exercício até prazeroso para os jornalistas e outros que gostam de futebol e acompanham a Seleção. Assim, vamos as "contestações".

1) Júlio César ainda não vem tendo sequência na Inter, de Milão. Como ele é disparado o melhor goleiro brasileiro em atividade, não existiria a necessidade de antecipar a sua volta. Ele tem crédito e não precisa provar nada. Outro arqueiro poderia ter sido chamado, como Diego Alves, do Almeria-ESP, que parece não ser visto nem pela crítica e muito menos pela comissão técnica canarinho.

2) Breno deve estar claramente sendo observado como uma aposta para as Olímpiadas, pois recém voltou a ser utilizado pelo Bayern de Munique e ainda está retomando o hábito de jogar regularmente. Vale a aposta para as Olímpiadas, se for este o critério utilizado por Mano. O mesmo raciocínio vale para Sandro, que pouco tem atuado pelo Tottenham-ING.

3) Pelas convocações de Hernanes, Jadson, Renato Augusto e Anderson, Mano pode estar preparando um esquema tático diferente. A convocação conta com Hulk e Robinho para atuarem abertos pelos lado, mas como os quatro meias-de-ligação são jogadores mais técnicos, pode ser que o Brasil jogue num 4-3-1-2 ou até mesmo num 4-2-2-2. Vale lembrar que contra a Argentina a Seleção atuou no 4-3-1-2 com
Victor, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e André Santos; Lucas, Ramires e Elias; Ronaldinho; Robinho e Neymar.

Contra os EUA, por exemplo, na estreia de Mano, o Brasil foi a campo praticamente no 4-3-3 com Victor; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e André Santos; Lucas, Ramires e Ganso; Robinho, Neymar e Alexandre Pato. Essas variações na formação e na convocação indicam que o técnico ainda está a procura do melhor esquema e de novos jogadores. Pode parecer óbvio para o torcedor, mas Dunga, por exemplo, insistia naqueles jogadores que considerava "comprometidos" mesmo quando eles estavam mal ou até sem jogar em seus clubes. Mano não tem uma ideia tática fixa na cabeça e nem o grupo fechado.

4) André, assim como Sandro e Breno, pode estar sendo convocado como preparação para as Olímpiadas. Mas acho uma pena que jogadores de maior qualidade sejam preteritos ao ex-santista, justo numa posição como o ataque, fundamental para a equipe e onde o Brasil está muito bem servido. A convocação de Hulk foi muito bem merecida; ele só não está fazendo chover em Portugal e merece essa chance. Robinho também vai bem na Itália; já Pato não tem jogado muito, mas parece ter sido o camisa 9 escolhido por Mano.

5) Acredito que o ciclo de Kaká na Seleção está longe de acabar. Ele ainda vai ser convocado, mas foi corretamente preservado, pois está voltando de uma lesão muito séria que o deixou 6 meses longe dos gramados. Assim como ele, Maicon e Lúcio (ou Juan) ainda devem ter chances. Na lateral-direita, Mano deve estar preparando Rafael para as Olímpiadas, sem falar que Maicon ainda não voltou a jogar tudo o que sabe - embora seja notável a sua evolução desde a chegada de Leonardo ao comando da Inter, de Milão. Para o miolo de zaga vale o mesmo raciocínio, uma vez que Breno não deveria ser chamado se não estivesse sendo preparado para os jogos Olímpicos de Londres em 2012.

A lista completa:

Goleiros:
Júlio César (Inter de Milão)
Gomes (Tottenham)
Neto (Fiorentina)

Laterais-direitos:
Daniel Alves (Barcelona)
Rafael (Manchester United)

Laterais-esquerdos:
Marcelo (Real Madrid)
André Santos (Fenerbahçe)

Zagueiros:
Breno (Bayern)
David Luiz (Benfica)
Thiago Silva (Milan)
Luisão (Benfica)

Volantes:
Lucas (Liverpool)
Ramires (Chelsea)
Sandro (Tottenham)
Elias (Atlético de Madri)

Meias:
Hernanes (Lazio)
Anderson (Manchester United)
Renato Augusto (Bayer Leverkusen)
Jadson (Shakhtar)

Atacantes:
Robinho (Milan)
Alexandre Pato (Milan)
André (Dínamo de Kiev)
Hulk (Porto)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Nem mocinho nem vilão, apenas humano

Os meus caros amigos gremistas que me desculpem, mas Jonas não sai totalmente como vilão do Grêmio. No post anterior, critiquei os jogadores "burros", que se escondiam na Ucrânia quando tinham mercados melhores (Giuliano) ou que iam ser reserva em "grandes centros do país" (Fábio Santos). No caso do artilheiro do último Campeonato Brasileiro, um atleta já com 26 anos, a grande chance da carreira é esta, a de jogar em um dos principais times da Espanha, o Valência. Assim como na negociação com Ronaldinho, o trouxa da história foi o Grêmio.

Em um post mais antigo ainda, havia abordado a pouca movimentação dos clubes brasileiros nas contratações com relação a temporadas anteriores e citei como uma das causas o fato de ninguém liberar jogador facilmente. Faço aqui uma correção: o Grêmio faz isso. As pessoas que renovaram o contrato de Jonas são incrivelmente ingênuas. Deixar a multa recisória do contrato em um valor tão baixo, ainda mais para transferências internacionais, já que os clubes têm mais dinheiro do que os brasileiros, foi de um amadorismo sem precedentes. E a torcida, que vaiou a equipe no terceiro jogo da temporada, na verdade o segundo do time titular, contribuiu para sacramentar a decisão do camisa 7. Pela sua reação na partida, parece claro que ele estava com algum fator externo atrapalhando. Uma proposta como essa, de disputar uma Liga dos Campeões pelo Valência, não é de se pensar muito. Talvez Jonas estivesse inclinado a não aceitá-la, até cansar de ser sempre tratado com desconfiança, vaiado na sua segunda partida na temporada - sendo que foi o ARTILHEIRO do último Brasileirão - e resolver deixar o Grêmio com uma mão na frente a outra atrás.

O torcedor é passional, tudo bem, isso é compreensível. Mas vaiar o time no segundo jogo da temporada, depois da arrancada incrível e, principalmente, do excelente futebol apresentado no fim do último ano, é exagero. Se existe uma insatisfação com a falta de contratações, reclame-se na porta do quadro social ou da sala da presidência. Não nas arquibancadas. Por pior que o time estivesse jogando, uma Libertadores vem aí. Essa atitude hostil não ajudou em nada e, talvez, tenha até contribuído como a gota d'água para Jonas optar pela transferência.

Antônio Vicente Martins disse: "É inadmissível que um jogador se confronte com o torcedor". Eu discordo. A torcida nem sempre tem razão. É dever da diretoria, sim, prestar atenção naquilo que querem os torcedores, pois, assim como os políticos representam o povo, a diretoria de um clube representa a sua massa torcedora. Mas existe um limite para tudo. E o torcedor exagerou.

Jonas também não sai totalmente como bonzinho. Não acredito que "saia pela porta dos fundos", como li em algum lugar. Ele poderia demonstrar mais "gratidão", mas o Grêmio também poderia ter apostado mais nele. Talvez o clube tenha valorizado o jogador da forma como ele mereceria um pouco tarde. O que o torcedor tem que entender é que faz parte. Jonas foi, mas a Libertadores está só começando. Com Viçosa, Lins, Clementino ou sejá lá quem for, a torcida tem que apoiar o clube, sempre, ainda mais rumo a outro título intercontinental.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Como NÃO gerenciar uma carreira esportiva

A inteligência não parece ser a principal característica dos atletas de futebol. Com todo o respeito, mas é difícil ver escolhas como as de Fábio Santos e Giuliano (na foto recebendo de Verón o prêmio de craque da Libertadores 2010), por exemplo. Um deles deixou a titularidade de 2 anos no Grêmio e a chance de disputar mais uma Libertadores como o camisa 6 da equipe principal em troca da reserva de Roberto Carlos e da "vitrine" do futebol paulista; o outro foi vendido para o 4º melhor time da... Ucrânia. Isso mesmo amigo, o melhor jogador da última Libertadores - que ainda assim era reserva no Inter, diga-se de passagem-, foi para o futebol do Leste Europeu.

Escolhas como essas exemplificam porque muitos jogadores vivem na miséria após a carreira. Todo mundo sabe que a vida de atleta é curta. Fazer o "pé-de-meia" é, sim, necessário. Mas os bons atletas, como é o caso de Giuliano, deveriam saber também que não precisam agarrar a primeira oportunidade para ganhar um bom dinheiro. Para o ex-Colorado, uma ida agora para a Ucrânia é péssima. E por vários motivos.

Inicialmente, é compreensível uma insatisfação por parte do alteta. Ele, que tantas vezes salvou o Inter na Libertadores, foi obrigado a ser reserva de Tinga, Guiñazu, Wilson Mathias, Rafael Sóbis e Alecsandro. Explico: Giuliano não faz a mesma função de nenhum deles, mas uma adaptação no esquema permitiria tranquilamente a entrada do melhor jogador Libertadores, que poderia ajudar D'Alessandro na armação ou até mesmo se juntar ao argentino e a Sóbis em um trio de frente com mais mobilidade, sem a presença do centroavante fixo. Opções de formação em que Giuliano poderia jogar, sempre com uma linha de 4 atrás:

1) W. Mathias, Guiñazu ou Tinga, Giuliano e D'Alessandro; Rafael Sóbis e Alecsandro - se Celso Roth quer jogar com um primeiro volante, embora W. Mathias seja ruim, Tinga, de atuações apenas razoáveis e idade avançada, ou Guiñazu, de bom poder defensivo e rara inspiração ofensiva, poderiam ser sacados para a entrada de Giuliano. Além de melhorar o time, Celso ainda faria um investimento para o clube, colocando um jogador de maior qualidade e mais jovem, ou seja, ainda tem muito a evoluir e poderia gerar lucro para o clube no futuro;

2) Tinga, Guiñazu, Giuliano e D'Alessandro; Rafael Sóbis e Alecsandro - na minha opinião, a melhor formação para o Colorado. Aos que acham muito ofensivo, gostaria de contar ao menos com o poder dúvida. Que seja testada a alternativa! Guiñazu poderia atuar mais centralizado e guardar posição; Tinga já foi segundo volante e poderia se readaptar; Giuliano é um meia que contribui com a marcação, assim como Sóbis é um atacante participativo na recomposição defensiva da equipe.

3) W. Mathias, Tinga e Guiñazu; Giuliano e D'Alessandro: Rafael Sóbis ou Alecsandro - uma formação um tanto retrancada, é verdade, mas nem Sóbis e muito menos Alecsandro empolgaram a ponto de serem indispensáveis ao time.

Bom mesmo seria a saída de W.Mathias, Tinga ou Guiñazu e a montagem de um quarteto com Giuliano, D'Alessandro, Sóbis e Leandro Damião, que apesar de tosco é jovem, tem potencial e muito a evoluir, ao contrário de Alecsandro.

Outros fatores contrários à ida de Giuliano para a Ucrânia: 1) não é um dos centros mais vistos do futebol mundial. Seria melhor jogar em um time médio da Espanha ou da Itália, por exemplo; 2) as dificuldades iniciais serão muitas, nem tanto dentro de campo, mas fora dele, o que acaba prejudicando o rendimento do atleta. Ex: língua, adaptação ao frio extremo, alimentação...; 3) o pior de tudo: Giuliano se afasta da Seleção Brasileira. Mano Menezes tem olhado bastante para o futebol nacional, e se não fosse para a equipe principal, Giuliano poderia reforçar o time olímpico que disputará o ouro em Londres/2012. Quem argumentar que Giuliano não teve escolha estará muito enganado. Por maior pressão que o Inter possa fazer, o atleta sempre tem a opção de recusar uma transferência.

Quanto a Fábio Santos (na foto comemorando um dos poucos gols com a camisa Tricolor), não consigo entender esse rapaz. O fato de ser razoável e só ter jogado em grandes equipes pode ser explicado pelo seu empresário, que deve ser tão competente quanto o do goleiro Doni - o melhor de todos, pois conseguiu levar o arqueiro do Juventude para a Roma, da Itália. Agora, por que forjar uma transferência para a Europa (a desculpa oficial para a não renovação foi essa) e ir para o Corinthians ser reserva de Roberto Carlos? Uma coisa é certa: Fábio Santos só jogara quando RC não estiver à disposição. A chance de RC virar reserva é simplesmente inexistente. Mas, com a sorte que tem, é capaz de RC quebrar a perna e ficar o ano inteiro de molho, abrindo espaço, mais uma vez, para Fábio Santos, o lateral com o melhor empresário do país.

Exemplos da burrice dos jogadores são muitos. Alguns porquês até são compreensíveis, mas não é o objetivo dessa coluna discuti-los. Quem sabe em uma outra postagem? Uma coisa, no entanto, é certa: com certeza, essas não foram as primeiras e, muito menos, as últimas. O que Giuliano fez, por exemplo, pode acabar virando comum. Taison e Cleiton Xavier foram para o Metalist, também da Ucrânia; Carlos Eduardo, em 2007, foi para o Hoffenheim, que amargava a segunda divisão da Alemanha. Será que algum dia a inteligência prevalecerá?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Estaduais 2011: o pontapé do futebol brasileiro já foi dado

Engraçado como algumas coisas são. No ano passado, quando atletas e treinadores reclamavam do calendário apertado, muitos jornalistas colocavam a culpa nos campeonatos estaduais, disputados do meio de janeiro até o final de abril/início de maio. Agora, muitos desses jornalistas ficam especulando qual o melhor campeonato: se o carioca, o paulista... Para quem reclama do calendário, a hora de falar dos campeonatos estaduais é agora.

Para quem defende a unificação ao calendário europeu, entendo que não seria uma boa. Não é porque na Europa a temporada funciona da metade de um ano até a metade do outro que no Brasil tem que ser assim. Determinadas regiões têm as suas peculiaridades. Exemplo: o campeonato russo para durante o inverno, que é extremamente frio. Não dá para forçar. No Brasil, seria meio estranho os atletas terem férias no meio do ano, quando todo mundo está em atividade: seus filhos, suas mulheres, familiares, enfim...

Os estaduais no Brasil têm o seu charme e, principalmente, servem para muitos clubes pequenos terem a chance de enfrentarem os grandes. O que poderia ser feito é uma pré-seleção entre as equipes menores, a fim de que aqueles clubes que jogam as Séries A e B até dezembro possam dar um mês de férias aos seus jogadores e ainda realizarem uma pré-temporada de qualidade, sem terem que jogar com apenas 10 dias de treinos. Contudo, cabe aos jogadores e aos clubes, através de sindicatos ou dos órgãos competentes, tentarem entrar em acordo com a CBF e as federações regionais. O papel da imprensa é divulgar as reinvidincações; não pressionar a Confederação Brasileira de Futebol a realizá-las.

Os campeonatos Paulista, Gaúcho, Baiano, Cearense e Pernambucano, por exemplo, começaram nesse final de semana. Lembrando que muitos clubes desses estados jogaram as Série A e B, que terminaram em 2/12 e 27/11, respectivamente, e que os clubes são obrigados a dar 30 dias de férias aos jogadores, as equipes que jogaram a Segunda Divisão tiveram em torno de 15 dias de pré-temporada, enquanto que os clubes da Elite do futebol brasileiro se preparam durante 10 dias antes de começarem a jogar efetivamente. É muito pouco.

E, assim, mais um ano começa. Como em outras temporadas, os clubes tiveram pouco tempo de preparação, e as reclamações durante o ano, tenham certeza, serão as mesmas de épocas anteriores. Mas, como para nós, amantes do esporte, o que importa é bola na rede, podemos nos preparar: o pontapé do futebol brasileiro já foi dado.

Barça 2010/11: time para ficar na História!

Alguns amantes mais antigos do futebol adoram dizer coisas do tipo "nunca vai existir nenhum jogador como Pelé ou uma seleção como o Brasil da Copa de 82", só para ficar em alguns exemplos. Os amantes do futebol atual poderiam dizer - com o perdão do exagero, é claro - que nunca vai existir um time como o Barcelona ou jogadores da categoria de Xavi e Messi (foto).

O primeiro turno do Campeonato Espanhol terminou nesse final de semana. 19 rodadas já foram disputadas. Os números do Barça: 17 vitórias, 1 empate e uma derrota (1 a 1 com o Malorca e 0 x 2 contra o Hércules, ambos os jogos em casa e no começo da temporada, quando o clube catalão ainda recuperava seus craques, campeões mundiais com a Espanha, física e tecnicamente). Melhor ataque do campeonato com 61 gols marcados e melhor defesa, tendo sofrido apenas 11. O que dizer desse time?

Particularmente, sou contra definições do tipo "nunca existirá um time como aquele" ou "Pelé sempre será o maior do mundo". Acredito que o futebol, assim como muitas outras áreas, se modifica, quase sempre evolui. Mas acho inegável que certos fatos marcam época, assim como jogadores entram para a história. É o caso, por exemplo, de Pelé e da Seleção Brasileira de 82. O Barça, de Pep Guardiola, se encaminha para ser mais um desses casos, liderado por Xavi e Messi.

Com uma base sólida, que joga junto há algum tempo, não é surpresa que os catalães apresentem o futebol que apresentam e muito menos que obtenham os resultados que conquistam (Victor Valdés, Puyol, Xavi, Iniesta e Messi sempre jogaram no Camp Nou. Piqué, Busquets, Bojan, Pedro e Jéfren viveram o ambiente das canteras do clube antes de virarem profissionais. Some a esses outros atletas importantes como Milito, Abidal - 4ª temporada -, Dani Alves e Keita - 3ª temporada -, e o resultado é uma equipe muito bem entrosada dentro e fora de campo). Um exemplo da força do Barça: em 19 rodadas do Campeonato Espanhol 2010/11, a equipe já venceu 9 partidas de goleada - por 3 gols ou mais.

As discussões sobre o melhor time ou o maior jogador sempre vão existir - e isso é bom, é uma das coisas que torna o futebol tão apaixonante e passional. Mas alguns fatos se tornam consenso (ou quase; vá perguntar aos argentinos se eles acham Pelé, talvez a maior unanimidade do futebol, o maior do mundo). O Barcelona pode não ser o melhor time de todos os tempos, ou Xavi e Messi os melhores jogadores. Até aí, tudo bem. Contudo, é inegável reconhecer que essa equipe tem tudo para ficar na História do futebol, ao lado de grandes times e dos maiores craques. E não deixemos para prestar reverências daqui a 10, 20 anos: vamos reconhecer e elogiar agora, aproveitando para curtir mais um show de Xavi e Messi no Camp Nou.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Melhor do Mundo ou Melhor de 2010?

A eleição dos melhores do mundo pela Fifa este ano levantou a seguinte questão: o que está em pauta é o melhor jogador da temporada ou aquele que é considerado o melhor do mundo no ano em questão? Vejam bem: não é a mesma coisa. Na minha opinião, Sneijder, pelo futebol que apresentou em 2010 e pelos resultados que conquistou (Triplíce Coroa com a Inter, de Milão, e vice-campeonato Mundial pela Holanda), foi o melhor atleta do ano, mesmo tendo feito um segundo semestre bem abaixo do primeiro. Contudo, Messi é o melhor jogador do planeta na atualidade, e o fato de Sneijder TER JOGADO melhor e, principalmente, ter sido mais decisivo para seu clube e sua seleção não apagam a superioridade técnica do argentino em relação aos demais jogadores.

O prêmio da Fifa já começa errado por acontecer no final do ano quando a temporada europeia é do meio de um ano até a metade do outro. Já que a Fifa só considera os altetas que atuam na Europa para a sua premiação, poderia ao menos seguir o mesmo calendário. Este ano, por exemplo: Sneijder fez uma temporada 2009/10 impecável, assim como Diego Milito e Robben, só para ficar em alguns exemplos. Contudo, o camisa 10 da Inter, de Milão, não tem repetido as atuações do primeiro semestre de 2010, sem falar que perdeu alguns jogos por estar lesionado. Robben, também contundido, não joga desde a final da Copa do Mundo; Milito também ficou ausente de várias rodadas por lesão. E, então, o que levar em conta: o primeiro semestre do ano, quando as competições estavam em suas retas finais e esses atletas voavam em campo, ou a segunda metade de 2010, praticamente perdida pelas lesões? Na minha opinião, a primeira metade do ano tem maior relevância, mas se o prêmio for de melhor jogador de 2010 teríamos que considerar o ano inteiro, certo? Nesse caso, Lionel Messi, que destruiu em 2010, disputaria o prêmio com Xavi e Iniesta, como de fato aconteceu. Pois o trio de Barça foi regular a temporada inteira.

A confusão toda é criada pela Fifa. Primeiro: por que levar em conta apenas atletas que atuam na Europa? Então, não deveria chamar a premiação de melhor do mundo, mas melhor do continente europeu. Em outras categorias, como a de melhor jogadora, é levada em conta todo o Globo. Por que não entre os homens também? Segundo: se a temporada europeia é de julho de um ano a maio do outro, por que o prêmio é no final do ano? Na segunda metade do ano, os atletas jogam a primeira parte de uma temporada, que não é tão interessante e decisiva quanto a reta final da temporada, disputada no início do ano seguinte. O atleta pode até disputar uma parte do ano em clubes diferentes, visto que há a janela de transferências do final da temporada no meio do ano.

E você, no meio dessa confusão toda, o que acha? Quem foi o melhor do mundo em 2010, ou deveríamos dizer quem foi o melhor da temporada 2009/10?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sub-20 quase pronta para o Sul-Americano

Treinando desde o dia 13 de dezembro para o Sul-Americano Sub-20 do Peru, que dará
duas vagas nas Olímpiadas de Londres, em 2012, a Seleção Brasileira vai começando a
tomar forma. O técnico Ney Franco já cortou quatro jogadores dos 26 chamados
inicialmente: o zagueiro Alan, do Vitória, o volante João Pedro, do Palermo-ITA, o
meia Philippe Coutinho, da Inter de Milão-ITA (o único cortado por lesão; os demais
foram por opção do técnico), e o atacante Lucas Gaúcho, do São Paulo. Antes do
embarque para o Peru mais dois atletas serão excluídos: um dos três goleiros (Ney
confirmou Gabriel, do Cruzeiro, como titular; logo, a disputa pela posição de reserva
é entre Aleksander, do Avaí, e Milton Raphael, do Botafogo; um dos dois vai sobrar) e
um jogador de meio-campo ou ataque, como revelou o comandante canarinho.

No último coletivo, realizado nesta quarta-feira, na Granja Comary, Ney escalou no
time titular os seguintes jogadores no esquema 4-2-3-1: Gabriel (goleiro do
Cruzeiro); Danilo (lateral-direito do Santos), Bruno Uvini (zagueiro do São Paulo),
Juan (zagueiro do Internacional) e Alex Sandro (lateral-esquerdo do Santos); Casemiro
(volante do São Paulo) e Zé Eduardo (volante do Parma-ITA); Alan Patrick
(meia-armador do Santos), Lucas (meia-atacante do São Paulo) e Oscar (meia-atacante
do Internacional); Neymar (atacante do Santos).

Além dos titulares, Ney tem à disposição os goleiros Aleksander (Avaí) e Milton
(Botafogo), os zagueiros Saimon (Grêmio) e Romário (Internacional), o lateral-direito
Rafael Galhardo (Flamengo), o lateral-esquerdo Gabriel Silva (Palmeiras), o volante
Fernando (Grêmio), o meia Dudu (Cruzeiro) e os atacantes Henrique (São Paulo),
Willian José (Prudente) e Diego Maurício (Flamengo).

O campeonato Sul-Americano será disputado de 23 de janeiro a 13 de fevereiro. O
formato de disputa é o seguinte: são dois grupos de 5 equipes, jogando todos contra
todos em turno único. Os 3 primeiros de cada chave se classificam e formam um grupo
de 6. De novo, jogam todos contra todos, em turno único. Os quatro primeiros
colocados garantem vaga no Mundial Sub-20 de 2011, na Colômbia, sendo que campeão e vice também carimbam o passaporte para as Olímpiadas de Londres, em 2012. O Brasil está na chave B junto com Bolívia, Colômbia, Equador e Paraguai. No grupo A estão Argentina, Chile, Peru, Uruguai e Venezuela.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ano Novo, Vida Nova?

2011 chegou. A bola está parada dentro de campo, mas o jogo é intenso nos bastidores (se bem que nem tão parada assim, já que os atletas adoram jogar uma "pelada" nas férias). Quem virá, quem sairá, qual jogador será reaproveitado... Enfim, muitas são as incógnitas e também as especulações.

Nesse ano que chega, as equipes parecem mais dispostas a apostar na base de 2010. Poucos contrataram, e nada de mudanças drásticas. O Cruzeiro, por exemplo, trouxe o zagueiro Naldo, ex-Ponte Preta, para o lugar de Leonardo Silva, que pediu alto para renovar. O lateral-direito Jonathan, negociado com o Santos, será substituído por Alonso, que volta de empréstimo junto ao Ipatinga. A equipe mineira tenta contratar um atacante, e o diretor de futebol do clube, Dimas Fonseca, avisou que a equipe só investirá nessa posição (especula-se que Kléber, do Palmeiras, seja o preferido, e Rafael Moura também já tenha sido sondado).

Entre os principais clubes do país, apenas Atlético-MG, Atlético-PR e Bahia contraram mais de 6 reforços, sem contar altetas que voltam de empréstimo e sobem dos juniores. O Galo trouxe Giovani (goleiro do Prudente), Patric (lateral-direito ex-Avaí), Toró e Richarlyson (volantes), Wesley (meia-atacante ex-Prudente), Jóbson e Magno Alves (atacantes). O Tricolor baiano acertou um pacotão de reforços com o Corinthians e com o Vasco. Vieram do Parque São Jorge: Souza, Dodô (lateral-esquerdo) e Boquita. Da Colina, se apresentaram em Salvador o goleiro Tiago, o meia Magno e o atacante Bruno Paulo. Outro ex-vascaíno que chega é o zagueiro Titi, emprestado pelo Internacioanal.

O Santos é quem talvez tenha feito as melhores contratações. Chegaram o lateral-direito Jonathan, o meia Elano, que participou da última Copa do Mundo, o goleiro Aranha e o volante Charles, que estava no Lokomotiv-RUS e foi treinado por Adílson Batista no Cruzeiro. O Vasco também trouxe bons e pontuais reforços: o zagueiro Anderson Martins, ex-Vitória, o volante Eduardo Costa e os atacantes Misael (ex-Ceará) e Marcel (ex-Santos).

Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Inter, Palmeiras e São Paulo pouco se movimentaram. O Alvinegro da Estrela Solitária confirmou as vindas de Lucas e João Filipe, ambos ex-Figueirense. O Timão trouxe apenas Wallace, rebaixado com o Vitória, para o lugar do capitão William, que se aposentou. Para o Flamengo vieram o goleiro Felipe, ex-Corinthians e Braga, e os meias Bottinelli (Atlas-MEX) e Vander (Bahia). O Flu já confirmou o goleiro Diego Cavalieri, ex-Palmeiras e Cesena-ITA, está próximo de fechar com Souza (ex-Grêmio) e Araújo, e ainda tenta Edinho (Palmeiras). O Grêmio só confirmou Lins, atacante ex-Criciúma. Inter e Palmeiras não apresentaram ninguém até agora, enquanto o São Paulo acertou apenas com o lateral-esquerdo Juan, ex-Flamengo.

Os campeonatos regionais estão para começar. Manter base é muito bom, assim como manter o técnico, desde que você tenha um elenco de qualidade e um treinador de nível. Equipes como Flamengo e Palmeiras, que não tinham elencos de qualidade, estão meio atrasadas para se reforçar. O Brasileirão terminou em 5 de dezembro, há quase um mês. Ao término dos embates dentro das quatro linhas, começaram as negociações fora do campo. Quem deixar para a última hora, corre o risco de começar mal e comprometer todo o ano.