quinta-feira, 9 de julho de 2015

O "não-legado" dos 7 a 1

8 de julho de 2014, estádio Mineirão, Belo Horizonte/MG, semifinal da Copa do Mundo 2014 disputada no Brasil. Seleção treinada por Luís Felipe Scolari e escalada com Júlio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho), Oscar, Hulk (Ramires) e Bernard; Fred (Willian).

José Maria Marin, ex-presidente da CBF,
está preso acusado de corrupção.
Foto: Divulgação/CBF
Estas foram data, local, competição e personagens diretos do maior vexame da história do futebol mundial. O 7 a 1 sofrido para a Alemanha, que completou um ano ontem. Apesar de ficarem marcados na história e de terem sido aqui citados, técnico e jogadores são apenas uma das pontas do iceberg. O maior culpado de tudo isso é a CBF, que vem destruindo o futebol nacional há décadas através de uma administração obscura preocupada com a perpetuação no poder. Nem mesmo o papel ridículo diante dos alemães na nossa própria casa foi capaz de sensibilizar os comandantes de que há anos rumamos na contramão do futebol moderno. Para surpresa geral, Dunga foi anunciado como técnico e Gilmar Rinaldi, ex-empresário de atletas, como coordenador. O recado dado foi bem claro: nada vai mudar.

E nada mudou. Dentro de campo, me atrevo a dizer que Seleção passou a jogar até menos do que com Felipão por um simples motivo: Dunga não é técnico. Mostrou isso na sua primeira passagem, quando quem acompanhava os treinos afirmava que Jorginho era a cabeça por trás da equipe. E aquele time tinha enormes dificuldades, especialmente quando precisava propor o jogo, porque jogava basicamente no contra-ataque e no erro do adversário. Quem lembra de um emblemático 0 a 0 contra a Bolívia, no Engenhão/RJ, em 2008, pelas eliminatórias para a Copa da África do Sul? Com o novo auxiliar Andrey Lopes, o "Cebola", veio o fracasso no Inter e uma nova e inexplicável oportunidade na Seleção. Antes da Copa América, foram 10 jogos e 10 vitórias! Apesar do grande (?) resultado, de nada estes jogos serviram para a formação de uma equipe, como pudemos acompanhar durante a Copa América.

O Brasil de Dunga não tem nada: não tem jogadas ensaiadas, não tem uma defesa confiável (embora tenha os defensores mais caros), não tem criatividade, joga engessada, não tem variação de jogadas, não tem um ataque forte... É uma equipe que fica trocando passes lentamente, na qual os volantes não saem do lugar, os laterais eventualmente sobem e que sobrevive de lampejos individuais, geralmente, de Neymar, que nem sempre está inspirado e não mantém o mesmo nível do Barcelona porque não joga com companheiros do mesmo nível. Sim, a safra de atletas não é mais a mesma, não temos o principal craque do mundo e temos coadjuvantes inferiores às principais potências (Exemplo da Argentina: não temos Aguero, Tévez e Di María para assistir Neymar (Messi), por exemplo). Mas a safra de jogadores não pode ser desculpa para uma equipe simplesmente não saber o que fazer com a bola. Perder faz parte, é um dos resultados possíveis no futebol e, sinceramente, é o que menos me incomoda. Triste é ver uma Seleção Nacional no comando de dirigentes pouco ou nada preocupados com o futebol e sob o comando de alguém despreparado e jogado aos leões.

A derrota para a Alemanha não foi uma simples combinação de "deu tudo errado para a gente e tudo certo para eles". Foi a demonstração clara e cruel de que não estamos fazendo futebol como ele deve ser feito. Treze anos após a instituição de pontos corridos voltamos a discutir mata-mata no campeonato nacional, o que devia estar totalmente superado; as eleições na CBF e nas federações locais seguem um sistema arcaico amplamente favorável a manutenção de quem está no poder; Estaduais ocupam grande parte do calendário, atrapalhando o começo de temporada das principais equipes, sendo que as menores continuam sem ter um calendário de jogos atrativos durante o ano inteiro; dívidas dos clubes seguem crescendo. Como se não bastasse tudo isso, o ex-presidente da CBF, que estava à frente da confederação durante a Copa, foi preso por corrupção. Se administrativamente esse é o cenário do futebol brasileiro, o que podemos esperar?

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Equilíbrio de forças ou falta de qualidade?

A 1a fase da Copa América deixou a desejar em gols. Com exceção do Chile, que fez um belo saldo ao golear a Bolívia por 5 a 0, as demais equipes não conseguiram marcar mais de 4 gols no somatório de partidas da fase de grupos. Até mesmo os ataques de Brasil e Argentina - que contam com Neymar e Messi, respectivamente - apresentaram média pífia de 1,3 gol por jogo em partidas contra adversários como Venezuela e Jamaica. Pior ainda fizeram as outras duas seleções que participaram da Copa: Uruguai (2 gols em 3 jogos) e Colômbia (1 gol em 3 jogos). A pergunta que surge é se os adversários estão equilibrados ou se está faltando qualidade para as principais seleções nessa Copa América.

Aquele papo de não "existe mais bobo" é uma das maiores verdades do futebol atual. É o esporte que proporciona mais chances às equipes inferiores. Ainda assim, não vimos nenhuma das seleções mais fracas fazendo grandes atuações. Gostei da seleção peruana, dirigida pelo Ricardo Gareca: tem boa organização defensiva e sabe o que fazer com a bola nos pés. Além disso, tem atletas de razoável qualidade do meio pra frente, como Vargas, Farfan, Guerreiro e Pizarro. Pode ser a principal surpresa. A Bolívia também se classificou após ter vencido o Equador na 1a fase, mas parece mais um ponto fora da curva do que um sinal de evolução. Até porque o goleiro boliviano deve ter sido o melhor em campo com tantas defesas importantes. A expectativa é de que a emoção do mata-mata possa melhorar o nível dos jogos e despertar mais as equipes. Chega de jogos com poucas jogadas de perigo e raros gols.

CONFRONTOS:

Chile x Uruguai - confronto mais equilibrado das quartas. Chilenos jogam em casa e estão em bom momento, mas uruguaios estão acostumados às adversidades e são mais copeiros. Tabárez está há tempo no comando do time, mas sofre um pouco com a renovação do grupo. Palpite: 2 a 1 Chile.

Bolívia x Peru - comandados de Ricardo Gareca são melhores. Bolivianos ainda têm muito a evoluir antes de conseguirem sonhar com algo maior. Ainda assim, futebol permite essas façanhas. Palpite: 2 a 0 Peru.

Argentina x Colômbia - argentinos não fizeram uma grande primeira fase, mas a Colômbia conseguiu ser pior. E os hermanos contam com Messi, logo saem com uma boa vantagem. Ainda assim, se defender como contra o Brasil a Colômbia pode complicar e ter alguma chance. Palpite: 2 a 0 Argentina.

Brasil x Paraguai - não consegui acompanhar os jogos do Paraguai na 1a fase, mas os resultados são excelentes: vitória sobre a Jamaica (saco de pancadas do grupo) e empate contra Argentina e Uruguai. Sendo que contra a equipe de Messi foram buscar um revés de 2 a 0. Acredito que o Brasil tenha levado um choque de realidade contra a Colômbia e não vá repetir atuações daquele nível. Mas perdeu Neymar (que inclusive está deixando o Chile) e seu grande poder de decisão. Palpite: sem querer ser secador, mas já sendo, imagino um 1 a 1 e decisão nos pênaltis.

NOTÍCIA TRISTE - o Parma declarou falência e terá que recomeçar nas ligas amadores do País. É um retrato do que vem acontecendo há anos no futebol italiano com as más gestões e o enfraquecimento das equipes. Perderam vaga na Liga dos Campeões, grandes times como Milan e Internazionale sumiram do mapa e há tempos não figuravam como protagonistas até a Juventus alcançar a final da Liga dos Campeões. É triste, mas, infelizmente, não chega a ser uma surpresa dentro do cenário que se apresenta nos últimos anos.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Brasileiros encaram pedreiras na Libertadores

Foto: Conmebol/Divulgação
Após as oitavas de final da Libertadores, o futebol brasileiro segue com dois representantes: Inter e Cruzeiro. Enquanto o Corinthians não conseguiu sequer devolver os 2 a 0 sofridos no primeiro jogo contra o Guaraní/PAR, Colorados e Celestes precisaram superar rivais locais para avançar. Em Minas, Damião fez o gol que levou a decisão para os pênaltis contra o São Paulo. Nas cobranças, muitos erros, pois atletas resolveram chutar bolas fracas e colocadas contra goleiros experientes como Rogério Ceni e Fábio. Pareciam mal preparados ou, pior, mal orientados... No fim das contas, deu Raposa, que fez um jogo mais intenso, criou algumas boas chances e poderia ter vencido por maior margem no tempo normal. Os mineiros aguardam o classificado do superclássico Boca x River. Na partida de ida, 1 a 0 para os Millionarios. A volta é nesta quinta na Bombonera.

No Sul, o Colorado recebeu o Galo tentando repetir a estratégia do Gre-Nal de apertar o adversário no começo. Deu relativamente certo, com o belo gol marcado por Valdívia aos 21 da etapa inicial. Apesar de conceder mais chances do que o recomendado, o Colorado conseguiu ampliar com outro golaço, dessa vez de D´Alessandro. Pratto fez um e perdeu outros dois dentro da área antes de Lisandro receber presente de Dátolo. Confronto bastante equilibrado e que credencia de vez o Inter para brigar pelo título. O Colorado encara a boa equipe do Santa Fé/COL, que despachou o Estudiantes/ARG. Promessa de dois grandes jogos! Já o Galo, se conseguir se recuperar rapidamente, pode largar na frente na briga pelo Brasileiro, pois a equipe finalmente começa a jogar um bom futebol na temporada.

ALTERNATIVA DE ATAQUE

A melhor notícia para o Grêmio após o 3 a 1 sobre o CRB-AL não é nem a classificação antecipada, mas os gols do garoto Pedro Rocha. Depois de participar bem de duas partidas e de ir mal na terceira, ele foi "esquecido" por Felipão no Gauchão. Agora, ressurge como alternativa mais aguda pelo lado na linha de meias ou até mesmo como segundo atacante. Fez Luan crescer atuando mais perto do gol e deu velocidade à equipe. Assim como Yuri Mamute, não é a solução dos problemas; o time ainda precisa de um atacante mais confiável. Mas pode ser uma boa alternativa, inclusive parecendo a frente de Éverton, que tem recebido diversas oportunidades e contribuído muito pouco. Na próxima fase da Copa do Brasil, o rival do Tricolor será o Criciúma.

O FUTEBOL E OS NÚMEROS

É engraçado olhar os sites esportivos após uma noite como a de ontem com tantos jogos classificatórios. Critica-se dirigentes que mandam embora técnicos de forma precoce, mas basta uma derrota para que se procurem os culpados. Inter x Atlético-MG, por exemplo: foi um grande duelo, de duas baita equipes. Só uma poderia avançar e o Colorado foi mais competente. Ponto. Já para São Paulo e Corinthians a coisa é um pouco diferente, porque são equipes com atletas de renome que não estão convencendo. A equipe de Tite ate empolgou alguns desavisados no começo da temporada, mas hoje já caiu nas bolsas de apostas. O próprio Cruzeiro, que se classificou, ainda é uma incógnita. Tem organização tática e velocidade, marcas dos times de Marcelo Oliveira, mas muitos jovens que podem sentir jogos maiores, além de não ter um diferencial como Éverton Ribeiro e Goulart foram em alguns jogos. É, amigos, a temporada começou para valer entre os times brasileiros.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Uma taça em 20 minutos

Foto: Alexandre Lops/Inter
Bastaram 20 minutos de alta intensidade e pressão no adversário para o Inter encaminhar a vitória no clássico Gre-Nal e conquistar o Pentacampeonato Estadual. Enquanto o Colorado entrou a 200km/h, o Tricolor começou a partida a 20km/h. Resultado: gols de Nilmar, aos 6 mins, e de Valdívia, aos 18 mins. Quando o Inter começou a partida correndo muito e pressionando o adversário, o Grêmio optou pela estratégia de tentar esfriar o jogo; errou. Deveria ter aumentado o seu ritmo e se adequado ao que a partida propunha. Tentou puxar o freio de mão do jogo e acabou atropelado. Quando a equipe de Diego Aguirre diminuiu o ritmo, os homens de Felipão passaram a tentar jogar e o equilíbrio entre as equipes apareceu, tal como no primeiro jogo. O gol de Giuliano foi um achado e mostrou que o duelo ainda estava em aberto. Mas isso era no placar: em campo, pela garra e pela vontade, a vitória já era Colorada.

Grande parte da imprensa adora exaltar o Gauchão sem contestar a verdadeira perda de tempo que o campeonato representa. A dupla Gre-Nal chega ao Brasileirão sem ser minimamente testada pelos times do Estado, apenas pelos clássicos, sendo que esse tipo de duelo sempre representa um campeonato à parte, ou seja, sequer pode ser considerado como parâmetro. Pelo que fizeram ao longo do Gauchão, qualquer um do dois poderia ser o vencedor, mas pelo somatório das finais, especialmente os 20 minutos Colorados no jogo decisivo, a taça ficou nas mãos certas.

AGORA É O GALO

Diego Aguirre vai combatendo as críticas com evolução do time em campo. Do meio da primeira fase da Libertadores em diante, a equipe parece ter entendido as ideias do treinador. Nos momentos decisivos, como nesse domingo e contra a Universidad do Chile, o time se impôs e não deu chance para os adversários. A defesa está melhor protegida, o ataque é extremamente perigoso com D´Alessandro/Alex atuando pela faixa central (e não pelo lado) municiando 3 homens de velocidade na frente. William e Geferson estão dando melhor resposta do que os antecessores nas laterais, mas reforços não deveriam ser descartados, especialmente do lado esquerdo. O principal furo está no miolo da zaga: Ernando e Alan Costa são inseguros, embora tenham mais vigor físico que Réver e Juan. A experiência de um dos dois pode ser fundamental na fase final da Libertadores.

Para o duelo desta quarta, o Inter não pode abdicar de jogar. O Atlético-MG ainda é muito forte no Independência, mas a equipe de Levir está longe do ápice. Um gol no Horto deixará o Colorado em grande vantagem, pois nem mesmo o ataque atleticano tem funcionado como na temporada passada. No entanto, se chamar demais o adversário para perto da sua área fatalmente irá perder e terá que correr atrás no Beira-Rio. Embora não esteja em grande fase, Levir é experiente e a equipe também, sem dúvida saberão administrar o resultado e complicar ao máximo o segundo jogo. Tendo personalidade e explorando as fragilidades do Galo, é possível até mesmo vencer no Horto e enfrentar os mineiros em vantagem no segundo confronto.

PRECISA-SE DE REFORÇOS

O Grêmio poderia ter sido campeão. Fez um Gauchão à altura do rival, sobrando contra os demais times. Na primeira partida da final, entrou mais ligado, mas não conseguiu as chances claras que o Inter teve no duelo decisivo, tampouco converteu em gols as poucas oportunidades que apareceram. Acabou pagando o preço. Para a sequência da temporada, Felipão precisa intensificar os trabalhos com o time para estes momentos decisivos. Na hora do "vamos ver", a equipe não pode vacilar, tem que igualar o adversário na vontade e não ficar tentando esfriar o jogo.

Com relação ao time, reforços se fazem necessários se o clube sonha em conquistar a Copa do Brasil e brigar pelo menos pelo G-4 do Brasileiro. Um lateral-direito para disputar posição com Matías, um meia de velocidade e dois atacantes, um deles para chegar e vestir a 9. Também é fundamental colocar Cristian Rodriguez para jogar logo, e se o uruguaio não ficar será preciso trazer alguém experiente e com o perfil vencedor. Luan é bom jogador, mas por vezes se torna extremamente improdutivo, enquanto Giuliano tem oscilado demais nos maiores jogos e Douglas não tem irá melhorar muito o que tem apresentado. Na frente, Braian está devendo gols e Yuri Mamute, convenhamos, é apenas uma alternativa, longe de ser a solução dos problemas do clube.

Observação sobre a arbitragem - o Inter não foi campeão por conta da arbitragem. De forma alguma. No entanto, acho contestável a expulsão de Geromel no primeiro jogo, fazendo com que o Tricolor atuasse quase um tempo inteiro com um a menos. O segundo amarelo foi perfeito, no entanto, no lance do primeiro cartão, D´Alessandro está em cima da linha "chocando" a bola. Sem dúvida, Geromel não precisava ter chegado da forma como chegou, mas ele não agrediu o Colorado, e sim tentou tirar a bola dali. O cartão até é aceitável porque a jogada realmente parece feia numa primeira olhada, mas acho que uma conversa e um pedido de calma ficariam mais condizentes. Na etapa final, Valdívia pisou em Matías, caído, e foi advertido com amarelo, pois Daronco viu o lance. Me pareceu jogada para expulsão.

No segundo jogo, a expulsão de Rodolpho foi completamente exagerada. Foi falta, o camisa 4 errou o tempo da jogada, mas não é um atleta violento, o jogo não estava violento e tampouco ele entrou com a perna levantada ou coisa do tipo. Foi um carrinho, baixo, em que ele perdeu o tempo da bola. Falta, cartão amarelo e segue o jogo. Com a expulsão, o Tricolor perdeu o seu atleta mais alto para os minutos finais do jogo, quando só estava levantando bola na área. Não gosto de me manifestar sobre o que não tenho provas, mas a arbitragem do campeonato foi muito "estranha" nos jogos do Inter. O que poderia justificar as diferenças de critérios nas partidas finais e o somatório absurdo de pênaltis assinalados ao longo do certame?

SUPERCLÁSSICO TEVE PRÉVIA NESSE DOMINGO

Em partida válida pelo campeonato argentino, o Boca Jrs. venceu o River Plate, em La Bombonera, por 2 a 0, gols de Pavon e Pérez. Depois muito pressionar no primeiro tempo, o time de Arruabarrena já perdia as forças quando marcou o primeiro aos 39 do segundo tempo; no lance seguinte, bobeada da defesa Millionaria e Pérez definiu o marcador. Com a vitória, os Xeneizes se tornaram líderes isolados da competição com 27 pontos, três a mais do que o próprio River e o San Lorenzo. 

Na quinta-feira, a partir das 21h, River e Boca se enfrentam no Monumental de Nuñez pela partida de ida das oitavas de final da Libertadores.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Libertadores "às ganhas" começa nessa terça!

Uma nova Libertadores inicia nessa terça-feira. A fase de grupos é extremamente importante e pode ser uma grande pedreira dependendo dos adversários (o que dizer de um grupo com San Lorenzo/ARG, Corinthians e São Paulo disputando duas vagas), mas em geral serve mais para ambientar os clubes às dificuldades e dar uma certa cancha aos times. Dessa forma, Cruzeiro e Atlético-MG conseguiram superar a instabilidade e se classificar na última rodada. A Raposa, inclusive, como líder do seu grupo. Erros semelhantes, se cometidos novamente, dificilmente serão perdoados. O Corinthians foi a grande equipe brasileira nessa primeira parte do ano, embora tenha perdido um pouco de força. Tem um time experiente, algumas boas alternativas e um treinador campeão. Ao lado do Boca Jrs./ARG, são os grandes favoritos sem sombra de dúvida. Já Inter e São Paulo apresentaram algumas oscilações até certo ponto normais. Fizeram o dever de casa, mas sofreram um pouco além da conta fora. O Colorado chegou a aplicar 4 a 0 na Universidad de Chile, mas vale ressaltar a péssima jornada do adversário aliada ao grande jogo dos gaúchos. O SP também venceu uma fora, contra o Danubio/URU, saco de pancadas do grupo. Para a fase de mata-mata, no entanto, algumas coisas ainda precisam melhorar.

DUELOS BRASILEIROS PROMETEM SACUDIR A AMÉRICA

O chaveamento proporcionado pela classificação após a 1a fase deixou um lado da tabela aparentemente mais complicado, com os argentinos Boca, River Plate e Racing, além dos brasileiros Corinthians, São Paulo e Cruzeiro. Apenas uma dessas 6 equipes poderá chegar à final. Do outro lado, Tigres/MEX, Atlético-MG, Inter e os colombianos Atlético Nacional e Santa Fé são os favoritos para chegarem à final.

Além do chaveamento um tanto quanto desproporcional, quatro dos cinco clubes brasileiros se enfrentam já nas oitavas de final. Os duelos São Paulo x Cruzeiro e Atlético-MG x Inter prometem ser de tirar o fôlego. As quatro equipes chegam em ascensão na temporada, comemorando um pouco mais de estabilidade. Galo e Colorado estão nas finais do Estadual e terão disputado a partida decisiva apenas 3 dias antes do jogo de ida, em MG, o que pode pesar um pouco na parte física e no emocional, em caso de derrota. Sem ficar em cima do muro: acho que os mineiros irão dançar. Marcelo Oliveira ainda está reconstruindo a equipe após as muitas perdas ao fim da última temporada, enquanto o SP tem a experiência a seu favor, embora não tenha empolgado e Muricy tenha saído. A vantagem dos mineiros, no entanto, é jogar a segunda partida em casa. Um bom resultado no Morumbi ( até mesmo uma derrota de 2 a 1, por exemplo) pode deixar o duelo em aberto, mas duvido que a Raposa consiga reverter um resultado de dois gols de diferença. Já no duelo entre Atlético-MG e Inter aposto em classificação do Colorado. O time de Levir ainda não se achou de verdade na temporada e o fato de a primeira partida ser no Horto tira um pouco do fator emocional que ajuda a equipe. Jogadores e torcedores do Galo realmente se transformam jogando no Independência e precisando do resultado, é algo impressionante. Se o Inter esfriar o jogo - e tem time pra isso - pode conseguir um bom resultado e finalizar o adversário jogando no Beira-Rio.

SUPERCLÁSSICO DO SÉCULO?

Na Sul-Americana de 2014, deu River. E agora?
Foto:AFP/Alejandro Pagni
O clássico Boca x River é o grande duelo das oitavas. Em novembro do ano passado, ambos se enfrentaram pelas semifinais da Copa Sul-Americana, quando os Millionarios levaram a melhor. A equipe de Marcelo Gallardo havia conquistado o campeonato argentino no primeiro semestre de 2014 e vivia em lua de mel com o torcedor. Após a virada do ano, o panorama se modificou e aproximou os rivais. Rodolfo Arruabarrena ganhou reforços como Lodeiro e Pablo Osvaldo e engrenou os Xeneizes. 

Na pré-temporada, vitória de 5 a 0 do Boca; no inchado campeonato argentino de 2015 (com incríveis 30 clubes!), liderança empatada de ambos com 24 pontos; e, na Libertadores, enquanto a equipe de La Boca sobrou e venceu todos os jogos, o River passou com as calças na mão e a pior pontuação entre os segundos colocados, 7, com apenas uma vitória. Sou adepto da ideia de que é mais fácil jogar quando se chega um pouco abaixo do rival no clássico, acredito que isso possa dar um gás extra; mas com a performance apresentada pelo Boca em 2015, o River precisará ser uma equipe que ainda não foi, com uma fortaleza na defesa e um ataque mortal. Para não fugir da divida, aposta vai no time de Arruabarrena.

Nos demais confrontos, Corinthians e Racing/ARG não devem ter grandes dificuldades contra Guaraní/PAR e Wanderers/URU, respectivamente; o Tigres/MEX também é amplo favorito contra o Universitário de Sucre/PER. Já os duelos entre Emelec/EQU x Atlético Nacional/COL e Estudiantes/ARG x Santa Fé/COL prometem ser marcados pelo equilíbrio. Ainda assim, pelo que apresentaram na primeira fase, colombianos são favoritos. Mas vale lembrar que uma nova Libertadores começa junto ao mata-mata.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Ufa! Estaduais na Reta Final

Após mais de dois meses - 64 dias - de disputas contra equipes tecnicamente muito inferiores, Inter e Grêmio se voltam para a fase decisiva do Gauchão, que inicia nesta quarta. Ao invés de dar mais espaço no calendário para a pré-temporada das equipes e mais datas para o campeonato nacional, os chefões do futebol brasileiro preferem tirar 3 meses do ano (até o fim dos Estaduais e o início do Brasileiro ainda teremos um intervalo de mais 1 mês) para as disputas Regionais. Justificam e valorizam, assim, o apoio das Federações, que faz valer a manutenção dos comandantes "da situação" e das fórmulas de disputa.

Não sou a favor da extinção completa dos Estaduais, porque acredito que um País deve respeitar a sua cultura. Se nos principais centros do futebol mundial essas disputam não existem, talvez seja porque nenhum deles têm o tamanho do Brasil e todos os problemas e benefícios que vêm com isso. Ainda assim, penso que o ideal seria um torneio mais enxuto para as equipes envolvidas nas 4 divisões nacionais do futebol, com um calendário diferenciado para as demais equipes. Também é preciso estender as competições para as equipes menores; muitas delas funcionam apenas durante os regionais, fechando as atividades e dispensando os atletas. Essa é uma das principais propostas do Bom Senso FC, mas não parece ser uma prioridade para a CBF até o momento.

GAÚCHO: TODOS CONTRA A DUPLA

Fúria do lateral Fabrício (D) em duelo contra o Ypiranga ainda não
foi esclarecida. Jogador não deve continuar no clube.
Foto: Edu Andrade/Agência Estado
Inter e Grêmio passaram pela fase de pontos corridos sem sustos. A equipe Colorada iniciou o ano mais aprumada e precisando de menos ajustes; o lado Tricolor iniciou sob muita desconfiança e atuações sofríveis da meninada. Com o passar do tempo, no entanto, a equipe de Diego Aguirre pareceu evoluir pouco; continua com problemas defensivos, mesmo quando atuou com 3 zagueiros (sofreu contra o Emelec/EQU e poderia ter perdido jogando com um a mais), e na frente depende demais das individualidades. Para piorar, a confusão envolvendo Fabrício chamou a atenção para o clube de uma forma extremamente negativa. Pelo menos, tirou um pouco o foco das críticas pelas atuações abaixo do esperado. A falta da repetição da equipe, assim como as lesões, atrapalharam os planos de Aguirre. Por tudo isso, ainda vejo a avaliação do Inter prejudicada após mais de dois meses de temporada. Tem um grande grupo de jogadores (como nos últimos anos, diga-se de passagem), com possibilidade de montagem de um time forte, mas que ainda não teve sequência para mostrar as suas principais características.

Já o Grêmio foi da água para o vinho. Contribuiu o fato de que a equipe começou muito mal e seria difícil conseguir piorar ainda mais. Os reforços dos Rodríguez - Cristian e Braian - e de Maicon ajudaram menos dentro de campo e mais na moral da equipe. O principal reforço até agora foi Giuliano, que assim como Geromel e Ramiro, superou lesão para voltar em alto nível. Yuri Mamute é a surpresa, mas o time ainda precisa de um centroavante mais qualificado para o campeonato Brasileiro. No entanto, pareceu o melhor time nessa reta final de Estadual.

Na briga pelo título, Brasil e Juventude são os principais rivais da dupla Gre-Nal. O time da Serra está invicto contra os grandes da capital: 0 a 0 com o Grêmio, na Arena, e vitória sobre os reservas do Inter por 1 a 0 no Jaconi. O Brasil não está no embalo de outras temporadas; até venceu o Grêmio, mas sem jogar tão bem e se aproveitando de uma jornada tenebrosa do Tricolor. Contra os reservas do Inter, foi superado, no Bento Freitas, por 2 a 0. Ainda assim, é a equipe mais preparada para fazer frente aos grandes, com um trabalho de longo prazo desenvolvido por Rogério Zimmermam e experiência em decisões com o acesso para a Série C no ano passado.

Brasil/PEL x Lajeadense - quarta 08/04 - 19h30
Inter x Cruzeiro - quarta 08/04 - 22h
Grêmio x Novo Hmaburgo - quinta 09/04 - 19h30
Ypiranga x Juventude - quinta 09/04 - 19h30

NO RJ, DUELO FLA-FLU X FERJ É A PRINCIPAL ATRAÇÃO

Pouco tem sido noticiado na imprensa gaúcha, mas está em curso uma verdadeira guerra entre Flamengo/Fluminense e a Federação de Futebol do RJ. A disputa envolve a participação da Ferj na renda dos jogos, que aliada ao alto valor pago para o consórcio que administra o Maracanã, deixa as equipes com uma participação muito pequena no valor arrecadado. Acho a luta extremamente válida, afinal, os artistas que protagonizam o espetáculo estão trabalhando sem receber; ao mesmo tempo, não sei se podemos avaliar a disputa como uma manobra corajosa dos clubes contra os mandos e desmandos da federação ou uma simples defesa de interesses próprios.

terça-feira, 24 de março de 2015

Esperança para combater o desânimo e indiferença

Após quase um ano afastado do blog, resolvi voltar a escrever. A ausência foi motivada por compromissos acadêmicos e profissionais, mas a demora em voltar não se restringiu a apenas isso. O futebol brasileiro anda um tanto quanto desanimador, especialmente no começo de temporada, quando somos obrigados a aguentar os insossos Estaduais até maio, o quinto mês do ano! Eu não perdi minha paixão pelo futebol, mas a disposição para analisar e discutir se torna cada dia mais rara. E não é pelo saudosismo de achar que antigamente era melhor, mais legal. Ou pela comparação com o futebol internacional, hoje muito mais acessível, o que deixa a impressão de que a bola por aqui rola cada dia mais quadrada. A dificuldade é porque muito discutimos melhorias: no calendário, na organização dos clubes, na fórmula dos campeonatos... enquanto quem deveria se ocupar disso simplesmente caga e anda.

Até agora não havia escrito nada sobre os 7 a 1 contra a Alemanha porque em meio aos fatos é mais difícil analisá-los. O sentimento que eu fiquei na hora foi de perplexidade e imediatamente exclamei: "bem feito!", sem nem mesmo ter a certeza do porque daquele sentimento. Não torço contra o Brasil; nada disso. Mas a seleção deixou de representar grande parte do seu povo há muito tempo. Se olharmos para trás só um pouquinho, poderemos ver o legado que aquela equipe e comissão técnica de 2006 deixaram. Ali pode ter sido o começo, na minha humilde opinião, do abismo em que fomos nos metendo. Onde estão os principais jogadores do País, que deveriam capitanear as trocas de gerações e guiar os mais novos? Onde estão nosso Gerrard, Lampard, Pirlo, Buffon, Xavi, Casillas...? Atletas que buscam sempre a excelência sem se acomodarem com as conquistas e a fama. Não é o único aspecto, mas acho inegável que vivemos, sim, um período de ausência de líderes, de jogadores acostumados a encarar as maiores vitórias e derrotas. Porque o futebol não se trata apenas de vencer ou perder, mas das lições que triunfos e fracassos nos ensinam.

Seleção de 2006: quem esquece o "bundalelê" em Weggis?
Foto: divulgação.
Resgatar o futebol brasileiro não será fácil, de forma alguma. É preciso uma reestruturação geral, que passe pela organização dos clubes, pelo controle fiscal, pela formação de jogadores e até mesmo pelo acompanhamento psicológico dos atletas, que parecem se deslumbrar cada vez mais cedo com uma atuação de gala em um confronto do Estadual. Pior ainda é o que fizeram e ainda fazem atletas de boa qualidade, que poderiam ser extremamente úteis e teriam a oportunidade de competir em alto nível, mas preferem ir para um lugar onde há só dinheiro. Abdicam de competir com os melhores, de manter um padrão físico alto e de serem estimulados a melhorar em troca de mais e mais dinheiro. É compreensível a sedução pelo dinheiro, não sejamos hipócritas também; mas talvez essa ambição maior pelo dinheiro e não pelas realizações e pela disputa é que esteja transformando a Seleção brasileira nesse grupo de jogadores perdidos comandados por alguém que não tem a devida experiência fora de campo e muito menos conhecimento de futebol para fazer melhor.

A equipe de Dunga pode até se sair bem, mas esse discurso de futebol utilizado por ele e também por Felipão durante a Copa está cada vez mais na contramão do futebol moderno. Pedir garra, disposição e comprometimento (o que todos deveriam ter naturalmente) confiando no talento individual de um ou outro jogador em determinado lance é simplesmente absurdo. Em entrevista ao Bate-Bola da ESPN, Dunga mostrou total desconhecimento de sistema tático simples, afirmando que todos na Inglaterra usam as tradicionais duas linhas de quatro. Isso é conversa de 1950. Para piorar, ele colocou entre essas equipes o Liverpool, onde joga Philippe Coutinho, talvez o melhor brasileiro em atuação na Europa, hoje, ao lado de Neymar. O único problema é que o Liverpool atua numa espécie de 3-61 já há vários jogos, ou seja, parece que ele sequer acompanha os campeonatos e os jogadores que convoca.

O primeiro grande desafio está próximo com a Copa América no Chile. Foram poucos jogos de preparação, mas resultados relativamente expressivos e contra adversários de peso no continente como Argentina e Colômbia. No entanto, o futebol sul-americano tem evoluído na mesma proporção que dependemos cada vez mais de individualidades, exatamente como essa Seleção que Dunga está montando. Até a estreia na competição, em junho, teremos jogos contra França, Chile, México e Honduras. São bons confrontos para ir preparando a equipe, quem sabe pensando menos no resultado de vitória e mais em testar alternativas para a equipe. Um bom começo é olhar com mais atenção para Coutinho e o que ele tem feito no Liverpool, pois o camisa 10 dos Reds parece andar na direção do futebol moderno e quem sabe pode trazer uma ponta de esperança para dias melhores, ao menos no desempenho da Seleção principal.