Após mais de dois meses - 64 dias - de disputas contra equipes tecnicamente muito inferiores, Inter e Grêmio se voltam para a fase decisiva do Gauchão, que inicia nesta quarta. Ao invés de dar mais espaço no calendário para a pré-temporada das equipes e mais datas para o campeonato nacional, os chefões do futebol brasileiro preferem tirar 3 meses do ano (até o fim dos Estaduais e o início do Brasileiro ainda teremos um intervalo de mais 1 mês) para as disputas Regionais. Justificam e valorizam, assim, o apoio das Federações, que faz valer a manutenção dos comandantes "da situação" e das fórmulas de disputa.
Não sou a favor da extinção completa dos Estaduais, porque acredito que um País deve respeitar a sua cultura. Se nos principais centros do futebol mundial essas disputam não existem, talvez seja porque nenhum deles têm o tamanho do Brasil e todos os problemas e benefícios que vêm com isso. Ainda assim, penso que o ideal seria um torneio mais enxuto para as equipes envolvidas nas 4 divisões nacionais do futebol, com um calendário diferenciado para as demais equipes. Também é preciso estender as competições para as equipes menores; muitas delas funcionam apenas durante os regionais, fechando as atividades e dispensando os atletas. Essa é uma das principais propostas do Bom Senso FC, mas não parece ser uma prioridade para a CBF até o momento.
GAÚCHO: TODOS CONTRA A DUPLA
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| Fúria do lateral Fabrício (D) em duelo contra o Ypiranga ainda não foi esclarecida. Jogador não deve continuar no clube. Foto: Edu Andrade/Agência Estado |
Inter e Grêmio passaram pela fase de pontos corridos sem sustos. A equipe Colorada iniciou o ano mais aprumada e precisando de menos ajustes; o lado Tricolor iniciou sob muita desconfiança e atuações sofríveis da meninada. Com o passar do tempo, no entanto, a equipe de Diego Aguirre pareceu evoluir pouco; continua com problemas defensivos, mesmo quando atuou com 3 zagueiros (sofreu contra o Emelec/EQU e poderia ter perdido jogando com um a mais), e na frente depende demais das individualidades. Para piorar, a confusão envolvendo Fabrício chamou a atenção para o clube de uma forma extremamente negativa. Pelo menos, tirou um pouco o foco das críticas pelas atuações abaixo do esperado. A falta da repetição da equipe, assim como as lesões, atrapalharam os planos de Aguirre. Por tudo isso, ainda vejo a avaliação do Inter prejudicada após mais de dois meses de temporada. Tem um grande grupo de jogadores (como nos últimos anos, diga-se de passagem), com possibilidade de montagem de um time forte, mas que ainda não teve sequência para mostrar as suas principais características.
Já o Grêmio foi da água para o vinho. Contribuiu o fato de que a equipe começou muito mal e seria difícil conseguir piorar ainda mais. Os reforços dos Rodríguez - Cristian e Braian - e de Maicon ajudaram menos dentro de campo e mais na moral da equipe. O principal reforço até agora foi Giuliano, que assim como Geromel e Ramiro, superou lesão para voltar em alto nível. Yuri Mamute é a surpresa, mas o time ainda precisa de um centroavante mais qualificado para o campeonato Brasileiro. No entanto, pareceu o melhor time nessa reta final de Estadual.
Na briga pelo título, Brasil e Juventude são os principais rivais da dupla Gre-Nal. O time da Serra está invicto contra os grandes da capital: 0 a 0 com o Grêmio, na Arena, e vitória sobre os reservas do Inter por 1 a 0 no Jaconi. O Brasil não está no embalo de outras temporadas; até venceu o Grêmio, mas sem jogar tão bem e se aproveitando de uma jornada tenebrosa do Tricolor. Contra os reservas do Inter, foi superado, no Bento Freitas, por 2 a 0. Ainda assim, é a equipe mais preparada para fazer frente aos grandes, com um trabalho de longo prazo desenvolvido por Rogério Zimmermam e experiência em decisões com o acesso para a Série C no ano passado.
Brasil/PEL x Lajeadense - quarta 08/04 - 19h30
Inter x Cruzeiro - quarta 08/04 - 22h
Grêmio x Novo Hmaburgo - quinta 09/04 - 19h30
Ypiranga x Juventude - quinta 09/04 - 19h30
NO RJ, DUELO FLA-FLU X FERJ É A PRINCIPAL ATRAÇÃO
Pouco tem sido noticiado na imprensa gaúcha, mas está em curso uma verdadeira guerra entre Flamengo/Fluminense e a Federação de Futebol do RJ. A disputa envolve a participação da Ferj na renda dos jogos, que aliada ao alto valor pago para o consórcio que administra o Maracanã, deixa as equipes com uma participação muito pequena no valor arrecadado. Acho a luta extremamente válida, afinal, os artistas que protagonizam o espetáculo estão trabalhando sem receber; ao mesmo tempo, não sei se podemos avaliar a disputa como uma manobra corajosa dos clubes contra os mandos e desmandos da federação ou uma simples defesa de interesses próprios.

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