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| Foto: Alexandre Lops/Inter |
Bastaram 20 minutos de alta intensidade e pressão no adversário para o Inter encaminhar a vitória no clássico Gre-Nal e conquistar o Pentacampeonato Estadual. Enquanto o Colorado entrou a 200km/h, o Tricolor começou a partida a 20km/h. Resultado: gols de Nilmar, aos 6 mins, e de Valdívia, aos 18 mins. Quando o Inter começou a partida correndo muito e pressionando o adversário, o Grêmio optou pela estratégia de tentar esfriar o jogo; errou. Deveria ter aumentado o seu ritmo e se adequado ao que a partida propunha. Tentou puxar o freio de mão do jogo e acabou atropelado. Quando a equipe de Diego Aguirre diminuiu o ritmo, os homens de Felipão passaram a tentar jogar e o equilíbrio entre as equipes apareceu, tal como no primeiro jogo. O gol de Giuliano foi um achado e mostrou que o duelo ainda estava em aberto. Mas isso era no placar: em campo, pela garra e pela vontade, a vitória já era Colorada.
Grande parte da imprensa adora exaltar o Gauchão sem contestar a verdadeira perda de tempo que o campeonato representa. A dupla Gre-Nal chega ao Brasileirão sem ser minimamente testada pelos times do Estado, apenas pelos clássicos, sendo que esse tipo de duelo sempre representa um campeonato à parte, ou seja, sequer pode ser considerado como parâmetro. Pelo que fizeram ao longo do Gauchão, qualquer um do dois poderia ser o vencedor, mas pelo somatório das finais, especialmente os 20 minutos Colorados no jogo decisivo, a taça ficou nas mãos certas.
AGORA É O GALO
Diego Aguirre vai combatendo as críticas com evolução do time em campo. Do meio da primeira fase da Libertadores em diante, a equipe parece ter entendido as ideias do treinador. Nos momentos decisivos, como nesse domingo e contra a Universidad do Chile, o time se impôs e não deu chance para os adversários. A defesa está melhor protegida, o ataque é extremamente perigoso com D´Alessandro/Alex atuando pela faixa central (e não pelo lado) municiando 3 homens de velocidade na frente. William e Geferson estão dando melhor resposta do que os antecessores nas laterais, mas reforços não deveriam ser descartados, especialmente do lado esquerdo. O principal furo está no miolo da zaga: Ernando e Alan Costa são inseguros, embora tenham mais vigor físico que Réver e Juan. A experiência de um dos dois pode ser fundamental na fase final da Libertadores.
Para o duelo desta quarta, o Inter não pode abdicar de jogar. O Atlético-MG ainda é muito forte no Independência, mas a equipe de Levir está longe do ápice. Um gol no Horto deixará o Colorado em grande vantagem, pois nem mesmo o ataque atleticano tem funcionado como na temporada passada. No entanto, se chamar demais o adversário para perto da sua área fatalmente irá perder e terá que correr atrás no Beira-Rio. Embora não esteja em grande fase, Levir é experiente e a equipe também, sem dúvida saberão administrar o resultado e complicar ao máximo o segundo jogo. Tendo personalidade e explorando as fragilidades do Galo, é possível até mesmo vencer no Horto e enfrentar os mineiros em vantagem no segundo confronto.
PRECISA-SE DE REFORÇOS
O Grêmio poderia ter sido campeão. Fez um Gauchão à altura do rival, sobrando contra os demais times. Na primeira partida da final, entrou mais ligado, mas não conseguiu as chances claras que o Inter teve no duelo decisivo, tampouco converteu em gols as poucas oportunidades que apareceram. Acabou pagando o preço. Para a sequência da temporada, Felipão precisa intensificar os trabalhos com o time para estes momentos decisivos. Na hora do "vamos ver", a equipe não pode vacilar, tem que igualar o adversário na vontade e não ficar tentando esfriar o jogo.
Com relação ao time, reforços se fazem necessários se o clube sonha em conquistar a Copa do Brasil e brigar pelo menos pelo G-4 do Brasileiro. Um lateral-direito para disputar posição com Matías, um meia de velocidade e dois atacantes, um deles para chegar e vestir a 9. Também é fundamental colocar Cristian Rodriguez para jogar logo, e se o uruguaio não ficar será preciso trazer alguém experiente e com o perfil vencedor. Luan é bom jogador, mas por vezes se torna extremamente improdutivo, enquanto Giuliano tem oscilado demais nos maiores jogos e Douglas não tem irá melhorar muito o que tem apresentado. Na frente, Braian está devendo gols e Yuri Mamute, convenhamos, é apenas uma alternativa, longe de ser a solução dos problemas do clube.
Observação sobre a arbitragem - o Inter não foi campeão por conta da arbitragem. De forma alguma. No entanto, acho contestável a expulsão de Geromel no primeiro jogo, fazendo com que o Tricolor atuasse quase um tempo inteiro com um a menos. O segundo amarelo foi perfeito, no entanto, no lance do primeiro cartão, D´Alessandro está em cima da linha "chocando" a bola. Sem dúvida, Geromel não precisava ter chegado da forma como chegou, mas ele não agrediu o Colorado, e sim tentou tirar a bola dali. O cartão até é aceitável porque a jogada realmente parece feia numa primeira olhada, mas acho que uma conversa e um pedido de calma ficariam mais condizentes. Na etapa final, Valdívia pisou em Matías, caído, e foi advertido com amarelo, pois Daronco viu o lance. Me pareceu jogada para expulsão.
No segundo jogo, a expulsão de Rodolpho foi completamente exagerada. Foi falta, o camisa 4 errou o tempo da jogada, mas não é um atleta violento, o jogo não estava violento e tampouco ele entrou com a perna levantada ou coisa do tipo. Foi um carrinho, baixo, em que ele perdeu o tempo da bola. Falta, cartão amarelo e segue o jogo. Com a expulsão, o Tricolor perdeu o seu atleta mais alto para os minutos finais do jogo, quando só estava levantando bola na área. Não gosto de me manifestar sobre o que não tenho provas, mas a arbitragem do campeonato foi muito "estranha" nos jogos do Inter. O que poderia justificar as diferenças de critérios nas partidas finais e o somatório absurdo de pênaltis assinalados ao longo do certame?
SUPERCLÁSSICO TEVE PRÉVIA NESSE DOMINGO
Em partida válida pelo campeonato argentino, o Boca Jrs. venceu o River Plate, em La Bombonera, por 2 a 0, gols de Pavon e Pérez. Depois muito pressionar no primeiro tempo, o time de Arruabarrena já perdia as forças quando marcou o primeiro aos 39 do segundo tempo; no lance seguinte, bobeada da defesa Millionaria e Pérez definiu o marcador. Com a vitória, os Xeneizes se tornaram líderes isolados da competição com 27 pontos, três a mais do que o próprio River e o San Lorenzo.
Na quinta-feira, a partir das 21h, River e Boca se enfrentam no Monumental de Nuñez pela partida de ida das oitavas de final da Libertadores.

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