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| Foto: Goal.com/Getty |
A vitória do Grêmio sobre o Nacional de Medellín/COL por 3 a 0 representou um exemplo muito forte da evolução do time de Enderson Moreira. Assim como o garoto Luan, destaque desde que estreou junto aos profissionais, a versão 2014 do time Tricolor vai ganhando corpo, mostrando alternativas e qualidades. Claro, ainda não está pronta, mas o ritmo de evolução é bem impressionante, especialmente se considerarmos que o time titular jogou junto muito pouco ainda na temporada. No duelo dessa terça-feira, na Arena, pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores, o primeiro tempo foi muito equilibrado, embora o time colombiano não tenha chegado ao ataque, enquanto os mandantes assustaram algumas vezes até conseguirem o gol de Luan. A jogada do gol, aliás, é envolta em uma polêmica, já que Riveros poderia estar impedido (a imagem da TV não deixou bem clara a posição dele) e foi na bola - o auxiliar inclusive levantou a bandeira e marcou impedimento. No entanto, desde a última mudança na regra, a orientação é para que o auxiliar aguarde até que se saiba qual atleta vai participar efetivamente do lance, e nessa interpretação o gol parece legal, já que Riveros não toca na bola e Luan não estava impedido. Até mesmo por isso o auxiliar baixou a bandeira e considerou a jogada legal quando o jovem atacante Tricolor chegou primeiro e definiu o lance.
Na volta do intervalo, Enderson leu bem o problema principal da equipe: a saída de bola dos colombianos. Mudou a equipe do 4-3-2-1 para um 4-4-1-1. As mudanças de esquema durante a partida são possibilitadas especialmente por Riveros, jogador com uma consciência tática acima da média. Ele jogou como meia-esquerda na etapa final, com Edinho e Ramiro por dentro e Luan/Zé Roberto revezando entre a meia-direita e o homem que se aproximava de Barcos. Assim, o time passou a atrapalhar a saída de bola do rival, principalmente cercando os volantes. O time colombiano passou a recorrer a chutões e parou nos zagueiros Werley e Rodolpho, que se impuseram fisicamente sem dificuldades aos atacantes rivais, ou nos próprios erros.
Assim, o Tricolor construiu o 3 a 0, que poderia ter sido mais se Barcos não tivesse perdido um gol incrível cara a cara com o goleiro adversário. Enderson também mostrou que no seu time, realmente, joga quem está melhor. A primeira substituição foi Dudu por Zé Roberto. O camisa 7 tem velocidade pra puxar o contra-ataque e caiu muito bem na equipe desde a sua estreia. Depois, Alan Ruíz foi chamado para a vaga do cansado Luan. O camisa 11 argentino está rendendo bem e ontem foi coroado com um bonito gol. Por fim, já nos últimos minutos, o antigo xodó do torcedor Maxi Rodriguez, já meio contrariado, foi chamado para entrar. Até entendo a cara feia de Maxi, pois entrar aos 45 do segundo tempo parece mais castigo do que oportunidade, mas ele tem que entender que começou a temporada como o principal jogador do time e rapidamente perdeu esse status com atuações muito limitadas. A resposta tem que ser dada dentro de campo, e a cara feia ao menos mostra que o atleta não está acomodado com o banco.
IGUAIS... MAS DIFERENTES!
Grêmio e Inter começam a temporada com esquemas táticos bem parecidos, uma espécie de 4-3-2-1. Ainda assim, por conta das características dos jogadores, os dois times se diferenciam bastante. O Tricolor tem três volantes muito combativos sem a bola: Edinho, Ramiro e Riveros. Além disso, dois deles participam muito bem da bola aérea, Edinho e Riveros. Já o Colorado tem Willians como homem mais recuado, com Aránguiz e Alex a sua frente. Os dois se posicionam na mesma faixa de Ramiro e Riveros, mas são muito mais técnicos. O chileno tem uma movimentação parecida com a de Paulinho, no Corinthians, e chega muito a frente, inclusive dentro da área como um segundo-atacante. Nas duas últimas posições do meio, mais próximas do atacante, o Inter apresenta D´Alessandro e Jorge Henrique/Otávio atuando mais abertos do que Luan e Zé Roberto, praticamente como pontas, enquanto os Tricolores jogam mais por dentro e próximos a Barcos. Na defesa, o Grêmio ataca muito mais pela esquerda, com Wendell, do que pela direita, já que Pará tem grandes limitações. No Colorado, as coisas também fluem melhor com Fabrício pela esquerda, mas tanto Gilberto como Cláudio Winck têm boa qualidade no apoio.
Obviamente, o futebol não é algo estático. Os atletas se movimentam e nem tudo sai como o planejado, afinal de contas, não se pode combinar com o adversário a forma como cada um vai entrar em campo e o que cada um vai fazer. Mas é interessante notar que apesar da disposição dos atletas em campo ser parecida, por conta das características dos jogadores Grêmio e Inter vão mostrando equipes um tanto diferentes. O Tricolor, com mais marcação no meio e saídas rápidas, e o Colorado no toque de bola e na preparação de jogadas para Rafael Moura. Ainda está no começo da temporada, mas os primeiros esboços da Dupla Gre-Nal mostram que o 4-5-1, o "esquema da moda", desembarcou também no RS.


